{"id":11963,"date":"2022-04-05T08:05:28","date_gmt":"2022-04-05T11:05:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=11963"},"modified":"2022-04-05T08:05:28","modified_gmt":"2022-04-05T11:05:28","slug":"sexualidade-virtuali1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/sexualidade-virtuali1\/","title":{"rendered":"Sexualidade virtual<sup>[i][1]<\/sup>"},"content":{"rendered":"<h6><em>Ondina Machado<\/em><\/h6>\n<figure id=\"attachment_11972\" aria-describedby=\"caption-attachment-11972\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-11972\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2022\/04\/boletim002_003-300x300.jpg\" alt=\"Fonte pixabay\" width=\"300\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11972\" class=\"wp-caption-text\">Fonte pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>A plataforma<\/strong><\/p>\n<p>A sexualidade humana n\u00e3o se restringe ao sexo anat\u00f4mico, tampouco ao g\u00eanero assumido socialmente ou civilmente. As opera\u00e7\u00f5es transg\u00eanero, os <em>queer <\/em>e toda a paleta de cores que caracterizam, atualmente, os g\u00eaneros, comprovam que a sexualidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 feita sen\u00e3o a partir de um certo modo singular que cada um toma para si. Por\u00e9m, pelo ensino de Lacan e a leitura de Miller, verifica-se que a falta de padr\u00f5es resulta em respostas que n\u00e3o excluem o mal-estar diante do sexo.<\/p>\n<p>Para Freud, a libido, energia advinda do sexual, \u00e9 masculina. Seu direcionamento para as escolhas sexuais parte das identifica\u00e7\u00f5es forjadas na inf\u00e2ncia e definidas por experi\u00eancias subjetivas. Nada predeterminado, portanto, dependente do modo como o sujeito lida com essa indetermina\u00e7\u00e3o, como responde ao mal-estar resultante dela.<\/p>\n<p>A cultura sempre d\u00e1 algumas coordenadas que alguns sujeitos podem tomar como defini\u00e7\u00f5es para si, o que n\u00e3o implica em adapta\u00e7\u00e3o fixa nem em harmonia perene. Outros denunciam que essas coordenadas lhe s\u00e3o impr\u00f3prias e se rebelam contra elas. Essa diversidade de respostas mostra que no inconsciente n\u00e3o h\u00e1 saber sobre o sexo, nem sob o ponto de vista universal, nem na singularidade de cada um. \u00c9 porque o sexo n\u00e3o se inscreve de forma \u00fanica que cada um tenta construir a sua, que mesmo assim n\u00e3o dar\u00e1 conta de tudo que o sexo implica.<\/p>\n<p>O sexo \u00e9 encontro, n\u00e3o s\u00f3 com o outro semelhante, mas principalmente com o Outro enquanto parceiro \u00edntimo, presente na fantasia. A fantasia, por sua vez, \u00e9 o que possibilita certa arruma\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com o objeto, que ser\u00e1 sentido como dele, mas n\u00e3o deixa de ser tamb\u00e9m do Outro. A estabilidade da fantasia determina certo modo de obter satisfa\u00e7\u00e3o pulsional. Se a fantasia depende do Outro, quando este n\u00e3o \u00e9 fixo, determinado ou localizado, ela pode ser deficit\u00e1ria para dar conta do modo de satisfa\u00e7\u00e3o. O sintoma completa o que a fantasia n\u00e3o foi capaz de arrumar ou aquilo que desafia o sujeito diante do que ele pensa ser seu modo de satisfa\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o ao sexo, se no inconsciente n\u00e3o h\u00e1 um saber pr\u00e9vio, esta quest\u00e3o se coloca sempre como um mal-estar, o que Lacan vai denominar como \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d. Por\u00e9m, deve-se entender esse sintagma n\u00e3o no sentido de que falta um saber ou que n\u00e3o h\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o, mas sim que o que h\u00e1 \u00e9 a &#8220;n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o&#8221;<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a>. Portanto, a determina\u00e7\u00e3o anat\u00f4mica, as defini\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e mesmo as identifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o fazem com que a rela\u00e7\u00e3o sexual exista.<\/p>\n<p><strong>O programa<\/strong><\/p>\n<p>Diante do impacto de que o que h\u00e1 \u00e9 a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o, podemos nos perguntar o que orienta a escolha. Podemos pensar na l\u00f3gica da asser\u00e7\u00e3o antecipada, ou seja, um acontecimento fortuito, um encontro com o sexo, de fato ou fantasiado, pode ser considerado, no <em>a posteriori<\/em>, como determinante para tal ou qual escolha. Nada pr\u00e9vio, a conting\u00eancia forma uma convic\u00e7\u00e3o, n\u00e3o importando qual seja a convic\u00e7\u00e3o. A falta de um saber sobre o sexo, ou seja, a n\u00e3o escrita pr\u00e9via no inconsciente da rela\u00e7\u00e3o sexual, cria o traum\u00e1tico do encontro, sendo a conting\u00eancia desse encontro que condicionar\u00e1 a escolha. A partir de ent\u00e3o, algo se escreve, h\u00e1 uma escritura\u00e7\u00e3o de um certo modo de gozar para aquele sujeito.<\/p>\n<p>Levando em conta o fortuito do encontro e a conting\u00eancia, todas as possibilidades se abrem, por\u00e9m, o que a\u00ed se escreve passa a ser determinante. Desse modo, podemos concordar que a perspectiva bin\u00e1ria dos pap\u00e9is sociais homem-mulher n\u00e3o contemplam as possibilidades do encontro, por\u00e9m o encontro \u00e9 decisivo, mesmo que, aparentemente, n\u00e3o seja permanente. A palavra escolha \u00e9 enganosa, pois faz crer que o sujeito escolheu livremente. A escolha, na verdade, \u00e9 fruto daquilo que se condiciona na experi\u00eancia, portanto, n\u00e3o tem o arb\u00edtrio do sujeito, ela \u00e9 um sintoma.<\/p>\n<p><strong>Control C, Control V<\/strong><\/p>\n<p>A literatura psicanal\u00edtica, assim como os pensadores da contemporaneidade, ressalta as mudan\u00e7as sofridas pela autoridade e, consequentemente, pelo lugar que o simb\u00f3lico ocupa em nossos dias. De um Outro calcado na tradi\u00e7\u00e3o passamos a um Outro sem lastro, que tende ao relativismo. A sexualidade e tudo mais que diz respeito \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do sujeito n\u00e3o fica imune a essa mudan\u00e7a, na medida em que \u00e9 dessa rela\u00e7\u00e3o com o Outro que ele se deduz sujeito. Quando o Outro era ordem, podia haver cren\u00e7a, n\u00e3o a cren\u00e7a cega, mas aquela que permitia a d\u00favida. Paradoxalmente, quando o Outro \u00e9 imperativo, n\u00e3o h\u00e1 dial\u00e9tica, n\u00e3o h\u00e1 suposi\u00e7\u00e3o, s\u00f3 h\u00e1 descren\u00e7a, imp\u00e9rio da ang\u00fastia. O mercado de consumo funciona como o Outro de nossa \u00e9poca, fazendo crer que o objeto pass\u00edvel de complementar o sujeito existe e pode ser adquirido. A internet tem um pouco esse efeito: de tudo saber, tudo ver, tudo compartilhar ou, como Miller diz, ser a &#8220;extens\u00e3o do universo dos poss\u00edveis&#8221;<a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>.<\/p>\n<p>O objeto atual \u00e9 um objeto com m\u00faltiplas op\u00e7\u00f5es que traz a ilus\u00e3o de que se pode escolher o melhor. Essa multiplica\u00e7\u00e3o do elemento poss\u00edvel, aliada \u00e0 busca de um que seja o ideal, pode se traduzir por uma indecis\u00e3o infinita.<\/p>\n<p>Isso faz com que o saber, antes depositado no Outro, esteja agora automaticamente dispon\u00edvel mediante uma simples demanda que prontamente \u00e9 atendida. Essa forma de obter saber demonstra que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de passar por \u201cuma estrat\u00e9gia com o desejo do Outro\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>.<\/p>\n<p>A internet facilita e at\u00e9 convida a um gozo que n\u00e3o passa pelo Outro, ou seja, o caminho que levaria ao desejo n\u00e3o precisa ser trilhado e nada do gozo precisa ser cedido. O direito ao gozo n\u00e3o \u00e9 mais uma demanda, \u00e9 uma exig\u00eancia que elimina a negocia\u00e7\u00e3o com o Outro.<\/p>\n<p>Nesse contexto a internet \u00e9 f\u00e9rtil para &#8216;\u2018pr\u00e1ticas\u2019&#8217; sexuais de toda ordem. O saber sobre o sexo, antes dirigido aos livros, pais, ou pessoas experientes, hoje se dirige \u00e0 rede, pulando a incid\u00eancia que o Outro simb\u00f3lico poderia ter nas identifica\u00e7\u00f5es sexuais. Da pedofilia aos coitos bizarros, tudo est\u00e1 estampado na tela. Um homem adulto que nunca teve um encontro sexual de fato, perambula por sites porn\u00f4s de toda esp\u00e9cie tentando encontrar aquele com o qual &#8220;se identifique&#8221;. Sua expectativa \u00e9 de que, ao encontr\u00e1-lo, possa definir sua pr\u00e1tica, contudo, n\u00e3o percebe que isso j\u00e1 constitui um modo de gozo que evita o desencontro pr\u00f3prio ao encontro com o sexo. Por sua vez, a comunidade <em>otaku <\/em>no Jap\u00e3o, declara seu desinteresse pelo ato sexual. Trata-se de uma gera\u00e7\u00e3o de homens para os quais o contato social se d\u00e1 via computadores em torno dos <em>animes <\/em>e <em>mang\u00e1s<\/em>. Mant\u00eam relacionamentos com namoradas que s\u00f3 existem no universo paralelo. A grande maioria se dedica exclusivamente a relacionamentos com personagens de videogames e a minoria que conseguiu se casar diz preferir sua parceira do <em>Love Plus <\/em>\u00e0 esposa que tem em casa<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a> . Interessante notar que tanto o recurso ao cat\u00e1logo porn\u00f4 quanto o &#8216;nada de sexo&#8217; s\u00e3o faces da mesma moeda que busca afastar os impasses na rela\u00e7\u00e3o sexual. Evitar o encontro atrav\u00e9s de solu\u00e7\u00f5es radicais revela-se menos uma interdi\u00e7\u00e3o e mais um empuxo ao gozo, uma provid\u00eancia diante do enfraquecimento da ordem simb\u00f3lica, consequ\u00eancia, quem sabe, do desencantamento com o Outro. Assim, o virtual se adianta \u00e0 fantasia, se opondo, n\u00e3o \u00e0 realidade emp\u00edrica, mas \u00e0 realidade ps\u00edquica, impedindo a forma\u00e7\u00e3o do sonho e substituindo-o pela &#8220;letargia hipn\u00f3tica&#8221; da sucess\u00e3o de imagens<a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>.<\/p>\n<p>Buscar uma identifica\u00e7\u00e3o que diga tudo, sem vacila\u00e7\u00f5es, e que garanta uma inscri\u00e7\u00e3o definitiva no Outro, \u00e9 uma sa\u00edda superegoica que nada tem a ver com o ideal freudiano, mas sim com a tirania do supereu lacaniano, pois, como diz Lacan, \u201co direito n\u00e3o \u00e9 dever. Nada for\u00e7a ningu\u00e9m a gozar, sen\u00e3o o supereu. O supereu \u00e9 o imperativo de gozo \u2013 Goza!\u201d<a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a>.<\/p>\n<p>J\u00e1 o &#8216;nada de sexo&#8217; \u00e9 uma tentativa de fazer com que as coisas aconte\u00e7am de um s\u00f3 modo, sem enganos ou equ\u00edvocos, reiterando um modo de gozo. \u00c9 o que se constata no filme Ela (<em>Her<\/em>), de Spike Jonze, em que a mulher ideal \u00e9 um programa de computador. A rela\u00e7\u00e3o harmoniosa acontece desde que o corpo n\u00e3o compare\u00e7a, pois quando isso acontece, o corpo \u00e9 Outro e n\u00e3o cumpre as exig\u00eancias precisas do gozo do Um.<\/p>\n<p>Essas solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o respostas \u00e0 ordem tir\u00e2nica do gozo, que levam o sujeito a n\u00e3o suportar a negocia\u00e7\u00e3o com o Outro, porque nela algo do gozo se perde. A fantasia prev\u00ea uma negocia\u00e7\u00e3o com o Outro na qual a satisfa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 completa. Resta a pergunta sobre como um analista pode operar nestes casos.<\/p>\n<p><strong>Navega\u00e7\u00e3o privada<\/strong><\/p>\n<p>As revistinhas pornogr\u00e1ficas \u201csuecas\u201d faziam sucesso entre os jovens dos anos 50 e 60. Na mesma \u00e9poca surgiram no Brasil os gibis de Carlos Z\u00e9firo que, distribu\u00eddos clandestinamente, chegaram a alcan\u00e7ar a tiragem de 30 mil exemplares. Eram chamados de \u2018catecismo\u2019 porque costumavam ser colocados dentro do livro religioso. A verdadeira identidade do autor manteve-se escondida at\u00e9 1991 quando, descoberto por uma revista masculina, foi reverenciado como o educador sexual de pelo menos duas gera\u00e7\u00f5es de rapazes brasileiros<a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>. Qual a diferen\u00e7a dessa pornografia em rela\u00e7\u00e3o aos sites porn\u00f4 atuais?<\/p>\n<p>Uma resposta poss\u00edvel \u00e9 que as hist\u00f3rias e os desenhos tinham um cunho er\u00f3tico, as cenas de sexo estavam inseridas num contexto de conquista e de exalta\u00e7\u00e3o do prazer para ambos os sexos. O que as revistas vendiam era uma esp\u00e9cie de estimulante, uma \u201cjurubeba gr\u00e1fica\u201d.<\/p>\n<p>Miller descreve o porn\u00f4 atual como \u201cuma profus\u00e3o imagin\u00e1ria de corpos se entregando a um &#8216;se dar&#8217; e a um &#8216;se pegar&#8217; para mostrar a aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual no real\u201d<a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>. A internet certamente contribuiu na oferta do sexo como um dos objetos de consumo do nosso tempo. A profus\u00e3o de imagens de corpos &#8220;se pegando&#8221; n\u00e3o estimula a fantasia, \u00e9 j\u00e1 uma fantasia pronta a ser consumida, uma &#8216;imagem da rela\u00e7\u00e3o sexual&#8217;. Nela o coito figura com uma crueza particular, sem v\u00e9us, sombras ou enredos que introduziriam o er\u00f3tico na cena. Em vista disso, pode-se concordar que os efeitos dessa oferta massiva sobre as parcerias amorosas possam ser de &#8220;desencantamento, brutaliza\u00e7\u00e3o, banaliza\u00e7\u00e3o&#8221;<a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>. A constru\u00e7\u00e3o de uma cena em que o Outro compare\u00e7a, como sentido ou como olhar, exige que o objeto esteja velado. Sem isso, resta o consumo de um produto industrial, feito por uma linha de montagem que n\u00e3o leva em conta particularidades e \u00e9 produzido al\u00e9m do necess\u00e1rio. O discurso capitalista, tal como Lacan o escreve<a href=\"#_edn11\" name=\"_ednref11\">[xi]<\/a>, mostra que no lugar de agente, ocupado por S1 no Discurso do Mestre, vai estar o sujeito. Nele o objeto aparece no lugar da produ\u00e7\u00e3o do mais-de-gozar cujo vetor leva diretamente ao sujeito, sem a media\u00e7\u00e3o do significante. Isso equivale a dizer que antes mesmo de se configurar uma demanda ao Outro sobre seu desejo, um objeto concorre, pronto e acabado, inibindo poss\u00edveis d\u00favidas e vacila\u00e7\u00f5es que a n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o acarreta ou infinitizando-as. O exemplo dos <em>otakus <\/em>demonstra que os games n\u00e3o interpelam o sujeito sobre seu formando parcerias sem demanda, que excluem o Outro e afastam do la\u00e7o social.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Reset<\/strong><\/p>\n<p>A rede de computadores \u00e9 considerada por muitos a grande incentivadora, e at\u00e9 produtora, da diversidade de identifica\u00e7\u00f5es sexuais que se tem not\u00edcia. Vigan\u00f2 considerava que &#8220;o advento da internet contribui potencialmente para fazer da assim dita realidade virtual um elemento constitutivo da realidade social&#8221;<a href=\"#_edn12\" name=\"_ednref12\">[xii]<\/a>.<\/p>\n<p>A internet, certamente, colabora para tornar p\u00fablico o modo como cada sujeito deu encaminhamento \u00e0s suas quest\u00f5es privadas criando, assim, no mundo do tudo \u00e9 poss\u00edvel, uma paleta de g\u00eaneros que se modifica a cada pingo de verde, vermelho ou azul. Como resposta ao binarismo homem-mulher apareceu a multiplicidade como regra. Pode ser \u00fatil na pol\u00edtica de g\u00eaneros, mas como n\u00f3s psicanalistas entendemos o fen\u00f4meno? O que \u00e9 sexualidade para n\u00f3s?<\/p>\n<p>Desde Freud a sexualidade gira em torno do falo e diz respeito \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es sexuais. Lacan esclarece sua fun\u00e7\u00e3o de significante<a href=\"#_edn13\" name=\"_ednref13\">[xiii]<\/a> que marca o sexual no humano como n\u00e3o determinado pela anatomia e sem objetos complementares.<\/p>\n<p>O falo \u00e9 o significante que introduz a diferen\u00e7a entre sexos, entre significantes, entre sujeito e Outro; mais uma diferen\u00e7a entre presen\u00e7a e aus\u00eancia, entre som e ru\u00eddo, menos determinando posi\u00e7\u00f5es e mais demonstrando o movimento do sujeito em tentar se localizar na rela\u00e7\u00e3o com o Outro da linguagem.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 uma segunda concep\u00e7\u00e3o<a href=\"#_edn14\" name=\"_ednref14\">[xiv]<\/a> que, n\u00e3o destituindo a primeira, considera o falo como um res\u00edduo das identifica\u00e7\u00f5es, ponto em que o significante n\u00e3o recobre o furo que o real imp\u00f5e ao simb\u00f3lico, um limite para o qual cada um forja uma solu\u00e7\u00e3o, ou uma vers\u00e3o, para a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<p>As multiplicidades reivindicadas pelo movimento <em>queer <\/em>poderiam ser consideradas vers\u00f5es para este imposs\u00edvel de significar, por\u00e9m elas esbarram na vertente bin\u00e1ria que os g\u00eaneros imp\u00f5em. Sendo homo, hetero, bi, trans, andro ou qualquer das combina\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, elas lidam com dois sexos<a href=\"#_edn15\" name=\"_ednref15\">[xv]<\/a>. \u00c9 importante deixar claro que tanto o binarismo como a multiplicidade est\u00e3o ligadas \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do sexo como g\u00eanero, portanto, como assun\u00e7\u00e3o social do objeto sexual. A perspectiva da psican\u00e1lise \u00e9 outra, pois no inconsciente n\u00e3o h\u00e1 inscri\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a sexual, n\u00e3o h\u00e1 bin\u00e1rio nem m\u00faltiplo, h\u00e1 apenas um sexo, um modo de gozo que diz respeito ao Um do corpo pr\u00f3prio, n\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O objeto de gozo, no \u00faltimo ensino de Lacan, \u00e9 o objeto <em>a <\/em>que n\u00e3o participa do binarismo porque n\u00e3o \u00e9 sexual. O sexual se d\u00e1 pelas significa\u00e7\u00f5es que concorrem para inclu\u00ed-lo, por for\u00e7amento, na linguagem.<\/p>\n<blockquote><p>Mas, o ser, \u00e9 o gozo do corpo como tal, quer dizer, como assexuado, pois o que chamamos de gozo sexual \u00e9 marcado, dominado, pela impossibilidade de estabelecer, como tal, em parte alguma do enunci\u00e1vel, esse Um que nos interessa, o Um da rela\u00e7\u00e3o sexual<a href=\"#_edn16\" name=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Iniciativas que visam a utiliza\u00e7\u00e3o de um pronome neutro na designa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero t\u00eam motiva\u00e7\u00f5es diversas. Na Alemanha os beb\u00eas nascidos com caracter\u00edsticas de ambos os sexos podem ser registrados sem o item &#8216;g\u00eanero&#8217; preenchido. Essa medida foi tomada pela justi\u00e7a para proteger os pais de decis\u00f5es precoces quanto a cirurgias de defini\u00e7\u00e3o de sexo. Eles s\u00e3o pressionados por especialistas a decidir pela cirurgia sob o argumento de que quanto antes, melhor.<\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de uma pessoa operada quando beb\u00ea d\u00e1 a medida desse drama de g\u00eanero: &#8220;N\u00e3o sou homem nem mulher. Vou continuar sendo os retalhos criados por m\u00e9dicos, ferido e desfigurado&#8221;<a href=\"#_edn17\" name=\"_ednref17\">[xvii]<\/a>. A Su\u00e9cia incluiu no dicion\u00e1rio o pronome neutro <em>hen, <\/em>mescla de <em>han <\/em>(ele) e <em>hon <\/em>(ela), j\u00e1 usado na comunidade transg\u00eanero, agora presente em documentos oficiais<a href=\"#_edn18\" name=\"_ednref18\">[xviii]<\/a>. Um movimento desse tipo j\u00e1 existe, ainda de forma incipiente, no Brasil, com a proposta de se usar a letra X ou a letra E para flexionar palavras que denotem o g\u00eanero.<\/p>\n<p>Esse tipo de iniciativa deve ser acompanhado para que se possa verificar suas consequ\u00eancias, pois n\u00e3o podemos perder de vista que o objeto \u00e9 criado pelo discurso, portanto, sofre os efeitos da civiliza\u00e7\u00e3o, como destacado por Lacan ao prever a &#8220;ascens\u00e3o ao z\u00eanite social do objeto&#8221;<a href=\"#_edn19\" name=\"_ednref19\">[xix]<\/a>. Por isso \u00e0 psican\u00e1lise interessa localizar no discurso o lugar do objeto, n\u00e3o sua significa\u00e7\u00e3o fruto de identifica\u00e7\u00f5es retiradas do Outro da cultura, inv\u00f3lucros poss\u00edveis do gozo que sempre ser\u00e1 do Um. Mas ser\u00e1 nesse discurso que algo do semblante vai vacilar e permitir \u00e0quele que fala chegar ao ponto em que algo do corpo se manifesta sem palavras.<\/p>\n<p>Nesse aspecto o gozo se diferencia do sexual, ele determina a escolha de objeto, mas n\u00e3o \u00e9 ele mesmo o objeto sexual. Antes, ele \u00e9 um res\u00edduo que escapou \u00e0s significa\u00e7\u00f5es sexuais vagando sem sentido. Uma travesti, que tomava horm\u00f4nios para ter o corpo idealizado de uma mulher, se desestabiliza quando recebe do parceiro a demanda por um papel mais ativo sexualmente. Para recuperar a pot\u00eancia precisa parar com os horm\u00f4nios voltando a ter barba e perdendo as formas femininas. Neste caso, a imagem sustenta o que o simb\u00f3lico n\u00e3o conseguiu construir. Em contraste, por exemplo, com um famoso cartunista brasileiro que aos 52 anos iniciou um processo transg\u00eanero e diz n\u00e3o querer fazer cirurgia por &#8220;gostar da mulher que \u00e9&#8221;<a href=\"#_edn20\" name=\"_ednref20\">[xx]<\/a>. A travesti n\u00e3o pode suportar a vacila\u00e7\u00e3o do semblante, j\u00e1 a cartunista faz do equ\u00edvoco que sua figura provoca uma forma de inscri\u00e7\u00e3o no Outro, apontando o descompasso entre a imagem do corpo e o gozo. Lea T, modelo internacional, disse em entrevista ap\u00f3s a cirurgia que n\u00e3o \u00e9 um p\u00eanis ou uma vagina que traz felicidade. Declarou que foi &#8220;bobeira&#8221; se operar, pois &#8220;nunca ser\u00e1 100% mulher&#8221;<a href=\"#_edn21\" name=\"_ednref21\">[xxi]<\/a>. S\u00e3o declara\u00e7\u00f5es que demonstram que a inscri\u00e7\u00e3o de gozo vai muito al\u00e9m do real do corpo, n\u00e3o se sustenta na imagem e precisa de recursos simb\u00f3licos para fazer frente \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o h\u00e1.<\/p>\n<p>A significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica n\u00e3o d\u00e1 conta da sexualidade humana porque nela h\u00e1 mais que o gozo f\u00e1lico. H\u00e1 um gozo que passa por fora de qualquer significa\u00e7\u00e3o porque dirigido ao objeto (<em>a)<\/em>ssexuado<a href=\"#_edn22\" name=\"_ednref22\">[xxii]<\/a>, o gozo do Um, aquele que goza de seu pr\u00f3prio corpo. Ao entrevistar um paciente que queria fazer cirurgia de troca de sexo, Lacan fez algumas tentativas de abrir a possibilidade de uma inven\u00e7\u00e3o sobre seu corpo ao inv\u00e9s de mutil\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Inventar um corpo \u00e9 uma forma de lidar com o falo como res\u00edduo, como podemos perceber em alguns dos exemplos acima. Por\u00e9m, para a travesti isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque o furo das identifica\u00e7\u00f5es tem uma forma fixa de recobrimento. Inventar um corpo n\u00e3o \u00e9 apenas tomar para si a imagem projetada no espelho\/tela, \u00e9 necess\u00e1rio que um gozo fa\u00e7a da imagem um corpo. Assim, pode-se questionar se a virtualidade digital n\u00e3o seria um dos encobrimentos que se tenta dar \u00e0 &#8220;virtualidade&#8221; que \u00e9 pr\u00f3pria ao sexual.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Texto publicado originalmente na Revista Op\u00e7\u00e3o Lacaniana on-line nova s\u00e9rie, Ano 6, N\u00famero 18, novembro 2015.\u00a0 <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_18\/sexualidade_virtual.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_18\/sexualidade_virtual.pdf<\/a>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> Agrade\u00e7o aos demais participantes do grupo de trabalho formado para a pesquisa em torno do tema visando \u00e0 Conversa\u00e7\u00e3o do VII ENAPOL: Marcia Zucchi, Anna Carolina Nogueira, Mariana Pucci, Roberta Assun\u00e7\u00e3o, Rodrigo Fraga e Thereza de Felice.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> MILLER, J.-A. (2005[1996-1997]). <em>El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, p. 257.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> IDEM. (2015). \u201cEm dire\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia\u201d. Dispon\u00edvel em: http:\/\/minascomlacan.com.br\/blog\/em-direcao-aadolescencia\/&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> IDEM. Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Document\u00e1rio da BBC. Dispon\u00edvel em:&lt;http:\/\/goo.gl\/oyqSYd&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> VIGAN\u00d2, C. (jul.-dez. 2009). \u201cRealidade virtual e realidade sexual\u201d. In: <em>A peste \u2013 Revista de Psican\u00e1lise e Sociedade e Filosofia<\/em>, vol. 1, n\u00ba 2, p. 245-252. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/revistas.pucsp.br\/index.php\/apeste\/article\/view\/6279&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> LACAN, J. (1985[1972-1973]). <em>O semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p. 11.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Z\u00e9firo Expl\u00edcito &#8211; Curta metragem de Sergio Duran e Gabriela Temer, vencedor do Festival do Rio de 2012. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/vimeo.com\/45791564&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> MILLER, J.-A. (2014). &#8220;O inconsciente e o corpo falante&#8221;. Dispon\u00edvel em:&lt;https:\/\/www.congressoamp2016.com\/pagina.php?id=8&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> IDEM. Ibidem.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref11\" name=\"_edn11\">[xi]<\/a> LACAN, J. &#8220;Du discours psychanalytique&#8221;. In: <em>Lacan em Italie<\/em>. Dispon\u00edvel em: http:\/\/goo.gl\/Dk3IWv&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref12\" name=\"_edn12\">[xii]<\/a> VIGAN\u00d2, C. (jul.\/dez. 2009). \u201cRealidade virtual e realidade sexual\u201d. In: <em>A peste \u2013 Revista de Psican\u00e1lise e Sociedade e Filosofia<\/em>, vol. 1, n\u00ba 2. Op. cit.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref13\" name=\"_edn13\">[xiii]<\/a> LACAN, J. (1998[1958]). &#8220;A significa\u00e7\u00e3o do falo&#8221;. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref14\" name=\"_edn14\">[xiv]<\/a> IDEM. (2007[1975-1976]). <em>O semin\u00e1rio, livro 23: o sinthoma<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p. 123.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref15\" name=\"_edn15\">[xv]<\/a> BASSOLS, M. (mai. 2015). &#8220;El objeto (<em>a<\/em>)sexuado&#8221;. In: <em>El Caldero de la Escuela On line<\/em>, n\u00ba 1. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/elcaldero.eol.org.ar\/Ediciones\/001\/template.asp?Elobjeto-asexuado.html&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref16\" name=\"_edn16\">[xvi]<\/a> LACAN, J. (1985[1972-1973]). <em>O semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda<\/em>. Op. cit., p. 15.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref17\" name=\"_edn17\">[xvii]<\/a> BBC Brasil. (nov. 2013). Alemanha permite registro de beb\u00eas com sexo indeterminado. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2013\/11\/131101_alemanha_genero_registro_fn&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref18\" name=\"_edn18\">[xviii]<\/a> O Globo. (2015). \u201c\u2018Hen\u2019: Su\u00e9cia adicionar\u00e1 pronome para se referir a um g\u00eanero neutro no dicion\u00e1rio\u201d. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/hen-sueciaadicionara-pronome-para-se-referir-um-genero-neutro-emdicionario-15697550&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref19\" name=\"_edn19\">[xix]<\/a> LACAN, J. (2003[1970]). &#8220;Radiofonia&#8221;. In: <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., p. 411.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref20\" name=\"_edn20\">[xx]<\/a> CHNAIDERMAN, M. (2014). &#8220;De Gravata e unha vermelha&#8221;. Document\u00e1rio.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref21\" name=\"_edn21\">[xxi]<\/a> Entrevista ao Fant\u00e1stico, TV Globo. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2013\/01\/cirurgianao-trouxe-felicidade-diz-lea-t-apos-troca-de-sexo.html&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ednref22\" name=\"_edn22\">[xxii]<\/a> BASSOLS, M. (mai. 2015). &#8220;El objeto (<em>a<\/em>)sexuado&#8221;. In: <em>El Caldero de la Escuela On line<\/em>, n\u00ba 1. Op. cit.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ondina Machado A plataforma A sexualidade humana n\u00e3o se restringe ao sexo anat\u00f4mico, tampouco ao g\u00eanero assumido socialmente ou civilmente. 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