{"id":11770,"date":"2021-08-31T05:46:09","date_gmt":"2021-08-31T08:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=11770"},"modified":"2021-08-31T05:46:09","modified_gmt":"2021-08-31T08:46:09","slug":"editorial-boletim-amurados-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/editorial-boletim-amurados-6\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim <em>a<\/em>murados #6"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Por Adriana Pessoa \u2013 Coordenadora da comiss\u00e3o <em>a<\/em>murados<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_11771\" aria-describedby=\"caption-attachment-11771\" style=\"width: 340px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-11771\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/amurados_006_001.jpg\" alt=\"Imagem: AMPBlog\" width=\"340\" height=\"270\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11771\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: AMPBlog<\/figcaption><\/figure>\n<p>A sexta edi\u00e7\u00e3o do boletim <em>a<\/em>murados \u2013 carinhosamente nomeada pela comiss\u00e3o de edi\u00e7\u00e3o <em>sexo, drogas e rock\u2019n\u2019roll<\/em> \u2013 \u00e9 dedicada aos temas da toxicomania e da sexualidade como sintomas expressivos dos dias de hoje. Assim como a drogadi\u00e7\u00e3o, os processos atuais de transforma\u00e7\u00e3o corporal s\u00e3o respostas ao mal estar contempor\u00e2neo, revelando um gozo excedente, que transp\u00f5e os limites do prazer e, al\u00e9m disso, podem se tornar fen\u00f4menos de segrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Naparstek\u00b9 assinala que as respostas sintom\u00e1ticas frente ao mal-estar da cultura v\u00e3o se produzir a partir do momento hist\u00f3rico da sociedade. Na contemporaneidade, onde o discurso capitalista impera, as drogas passaram a ocupar um lugar importante entre os bens de consumo, produzindo o mais-de-gozar e, com isso, sujeitos que n\u00e3o s\u00e3o marcados pelo desejo, mas pela falta a ser preenchida pelos objetos ofertados, muitas vezes pelas drogas e n\u00e3o pelo amor como um resultado da ruptura com o gozo f\u00e1lico.<\/p>\n<p>Seguindo os efeitos do discurso cient\u00edfico, deparamo-nos atualmente com as discuss\u00f5es sobre os g\u00eaneros e o chamado \u2018fen\u00f4meno trans\u2019. Florencia Shanahan comenta a entrevista de Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse a LWT. Segundo ela, Brousse \u201csitua a emerg\u00eancia do discurso transg\u00eanero n\u00e3o apenas no contexto dos discursos p\u00f3s-modernos do relativismo cultural, mas mais fundamentalmente como sintoma de uma modifica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da rela\u00e7\u00e3o entre a linguagem e o corpo produzida pelos efeitos do discurso cient\u00edfico. Enquanto a pr\u00e1tica psicanal\u00edtica toma o corpo falante como seu ponto de refer\u00eancia fundamental, o discurso cient\u00edfico est\u00e1 em processo de efetuar uma separa\u00e7\u00e3o, uma desarticula\u00e7\u00e3o entre estes dois termos, falar e corpo, a fim de ter acesso t\u00e9cnico desimpedido ao corpo\u201d. Sendo assim, as consequ\u00eancias do avan\u00e7o cient\u00edfico, os modos de articula\u00e7\u00e3o com o real, as modalidades do gozo, especificamente do gozo do UM se apresentam nas toxicomanias e nas novas orienta\u00e7\u00f5es sexuais com suas profundas implica\u00e7\u00f5es no corpo do ser falante.<\/p>\n<p>Para trazer um pouco do que diz sobre isso o discurso anal\u00edtico, trazemos, nessa edi\u00e7\u00e3o, uma \u2018equipe\u2019 de peso!<\/p>\n<p>Abrimos a rubrica \u2018textos\u2019 com Christiane Alberti, diretora das Grandes Conversa\u00e7\u00f5es Virtuais da AMP <em>La femme n\u2019existe pas<\/em>, com sua instigante argumenta\u00e7\u00e3o sobre o que nos ensina as palavras das mulheres no #metoo. Trazendo para a pauta que a mudan\u00e7a do feminismo enquanto um discurso pol\u00edtico para um feminismo dos corpos traz a guerra pol\u00edtica para o registro do \u00edntimo, enquanto que o feminino escapa, como tal, a toda mestria, a todo saber, uma vez que ele ex-siste aos semblantes de g\u00eanero. Nesse sentido, o discurso anal\u00edtico torna-se a via pela qual se pode extrair uma identidade de g\u00eanero especial, aquela do sintoma, ou seja, a marca singular que, por n\u00e3o poder ser coletivizada escapa \u00e0 inclina\u00e7\u00e3o de todo discurso: a domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Amy Winehouse e Rita Lee, cantoras, compositoras e divas entram em cena para discutirmos a tese milleriana que coloca a toxicomania como um anti-amor, que prescinde do parceiro sexual e se concentra no parceiro (a)sexuado do mais-de-gozar. Com Amy, J\u00e9sus Santiago questiona: Ela pode ser uma exce\u00e7\u00e3o, ou, afinal, a ruptura f\u00e1lica e o amor-devasta\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o coisas que andam juntas em sujeitos nos quais prevalece o\u00a0<em>n\u00e3o-todo<\/em>\u00a0f\u00e1lico? \u00a0J\u00e1 o texto <em>Bordas para o indiz\u00edvel: da maldita ao bem-dito<\/em>, que contou com a colabora\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos de investiga\u00e7\u00e3o TyA\u00a0 do Brasil, nos mostra, com as pr\u00f3prias palavras de Rita, como o amor, a partir de um encontro contingente, trouxe um limite para o imperativo do gozo, introduzindo uma hi\u00e2ncia e situando no Outro o objeto que falta.<\/p>\n<p>Claudia Murta fecha essa rubrica com seu texto sobre o <em>Croosdresser<\/em> como forma de trabalhar a feminiza\u00e7\u00e3o no contexto da comunidade fetichista. Vestir-se de mulher, como um fetiche, e se aproximar ao m\u00e1ximo do modo de ser de uma mulher, \u00e9 uma maneira poss\u00edvel para um homem entender uma mulher, bem como um meio para tornar suport\u00e1vel o reencontro com o <em>infamiliar<\/em> do sexo feminino. N\u00e3o deixa de ser uma forma de amor!<\/p>\n<p>Em Labirintos, Rosangela Ribeiro traz um coment\u00e1rio de um filme que certamente marcou quem o assistiu: Bicho de Sete Cabe\u00e7as, que mostra como a falta de compreens\u00e3o, a segrega\u00e7\u00e3o e o \u00f3dio podem decidir mais sobre a vida de um jovem, destruindo-a como a Hidra de Lerna, do que sua rela\u00e7\u00e3o com as drogas.<\/p>\n<p>Ao final, encontramos um pequeno cat\u00e1logo de filmes que abordam muito bem todos esses temas pol\u00eamicos e cuja abordagem \u00e9 imprescind\u00edvel em nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>Boa leitura a todos!<\/p>\n<hr \/>\n<h6>\u00b9 NAPARSTEK, F. Introduci\u00f3n a la clinica con toxicomanias y alcoholismo. Buenos Aires. Grama ediciones.2008.<\/h6>\n<h6>\u00b2 SHANAHAN F. Texto de Apresenta\u00e7\u00e3o na Sociedade de Londres da NLS \u2018Conversa sobre a Quest\u00e3o Trans\u2019. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/uqbarwapol.com\/introduction-to-a-conversation-on-the-trans-question-roger-litten-nls\/\">http:\/\/uqbarwapol.com\/introduction-to-a-conversation-on-the-trans-question-roger-litten-nls\/<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Adriana Pessoa \u2013 Coordenadora da comiss\u00e3o amurados A sexta edi\u00e7\u00e3o do boletim amurados \u2013 carinhosamente nomeada pela comiss\u00e3o de edi\u00e7\u00e3o sexo, drogas e rock\u2019n\u2019roll \u2013 \u00e9 dedicada aos temas da toxicomania e da sexualidade como sintomas expressivos dos dias de hoje. 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