{"id":11687,"date":"2021-07-09T07:09:54","date_gmt":"2021-07-09T10:09:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=11687"},"modified":"2021-07-09T07:09:54","modified_gmt":"2021-07-09T10:09:54","slug":"editorial-boletim-amurados-04","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/editorial-boletim-amurados-04\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim <em>a<\/em>murados #04"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Por Wal\u00e9ria Paix\u00e3o e Regina Cheli Prati &#8211; Comiss\u00e3o de Boletim<\/strong><\/h6>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-11688\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/boletim_004_001-300x200.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/strong>A quarta edi\u00e7\u00e3o de <em>a<\/em>murados vem dedicada ao tema do \u00f3dio, uma das acep\u00e7\u00f5es da palavra \u2018c\u00f3lera\u2019 que comp\u00f5e o t\u00edtulo das II Jornadas, significante que nos leva a um sentimento t\u00e3o antigo quanto o mundo. Nossa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 a de que hoje ele ganhou terreno, e isso n\u00e3o \u00e9 sem consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise sempre teve o \u00f3dio como objeto de investiga\u00e7\u00e3o e tem uma vis\u00e3o pr\u00f3pria do assunto. Freud j\u00e1 falava dele nos seus textos <em>A Puls\u00e3o e seus destinos <\/em>(1915) e <em>O mal-estar da civiliza\u00e7\u00e3o <\/em>(1935), Lacan retoma o tema em v\u00e1rios de seus semin\u00e1rios e no Semin\u00e1rio 20<em>, Mais, ainda<\/em> traz o \u00f3dio como um par insepar\u00e1vel do amor, forjando o conceito de <em>am\u00f3dio<\/em>.<\/p>\n<p>Os textos que comp\u00f5em essa edi\u00e7\u00e3o se constituem, como voc\u00eas poder\u00e3o constatar, em diferentes declina\u00e7\u00f5es do \u00f3dio e seus objetos, que, na verdade, podem ser condensados por um \u00fanico significante: o diferente \u2013 aquele que n\u00e3o sou eu e cujo gozo n\u00e3o reconhe\u00e7o, ou, ainda, cujo gozo aponta algo em mim que n\u00e3o quero reconhecer.<\/p>\n<p>Ana\u00eblle Lebovits-Quenehen inaugura esse percurso com a resenha de seu livro rec\u00e9m publicado <em>Atualidade do \u00f3dio, uma perspectiva psicanal\u00edtica<\/em> no qual ela nos faz pensar sobre qual a cara desse sentimento hoje, qual a vestimenta que ele usa para se mostrar. A autora afirma que o \u00f3dio est\u00e1 ganhando terreno e prop\u00f5e um engajamento \u201ccontra a besta imunda\u201d, e ent\u00e3o questiona as condi\u00e7\u00f5es sob as quais este \u00f3dio emerge de suas fontes e explora o que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p>Leonardo Lopes Miranda, ao abordar os <em>Incels<\/em> \u2013 celibat\u00e1rios involunt\u00e1rios \u2013 <em>e o \u00f3dio \u00e0 feminilidade<\/em>, lembra que a mulher costumeiramente encarna a feminilidade, ou seja, aquilo que escapa \u00e0 norma f\u00e1lica e, nessa condi\u00e7\u00e3o, \u00e9 um dos objetos privilegiados do \u00f3dio. A leitura nos leva a considerar o celibato como uma forma de evitar o encontro com o enigma do gozo feminino e uma defesa da virilidade, enfim, uma forma de gozar.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Victor Caetano aborda uma pandemia que aconteceu na d\u00e9cada de 80, a segunda maior pandemia em n\u00famero de mortos desde o s\u00e9culo passado \u2013 a AIDS \u2013 como uma doen\u00e7a cuja rela\u00e7\u00e3o com o \u00f3dio e a segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 direta. Por ter sido detectada em um grupo de homossexuais, seu estigma foi disseminado por todo o mundo e hoje se traduz no \u00f3dio dirigido \u00e0 popula\u00e7\u00e3o LGBTQIA+.<\/p>\n<p><em>Em labirintos, <\/em>Simone Vieira nos traz o relato contundente de <em>Primo Levi<\/em> cuja experi\u00eancia leva \u00e0 constata\u00e7\u00e3o de que a humanidade foi sufocada nos dois lados dos campos de concentra\u00e7\u00e3o e traz ainda o trabalho de Luc\u00edola Freitas de Macedo, que usa a no\u00e7\u00e3o de extimidade como chave de leitura da obra de <em>Primo Levi<\/em>, o que abre o testemunho com uma perspectiva de interpreta\u00e7\u00e3o que mant\u00e9m \u2018vivo\u2019 o sobrevivente do massacre.<\/p>\n<p>O filme <em>A favorita<\/em>, de 2018, \u00e9 sugerido por Ros\u00e2ngela Ribeiro, que destaca as modula\u00e7\u00f5es do \u00f3dio que aparecem no p\u00e2ntano de intrigas em torno da rainha, como uma mostra das artimanhas que podemos criar quando somos movidos pelo amor e pelo \u00f3dio, sendo o \u00f3dio o que aparece a cada vez que o real irrompe.<\/p>\n<p>Por fim, Andr\u00e9 Pacheco nos apresenta o romance de Michel Laub <em>Solu\u00e7\u00e3o de dois estados<\/em> onde a hist\u00f3ria do \u00f3dio entre dois irm\u00e3os serve de mote para a den\u00fancia de um gozo que aparece descaradamente como uma barra de ferro sobre a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Fique atento para a prorroga\u00e7\u00e3o do prazo para a submiss\u00e3o de trabalhos e n\u00e3o deixe sua inscri\u00e7\u00e3o para a \u00faltima hora!<\/p>\n<p>Desejamos a todos uma boa leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wal\u00e9ria Paix\u00e3o e Regina Cheli Prati &#8211; Comiss\u00e3o de Boletim A quarta edi\u00e7\u00e3o de amurados vem dedicada ao tema do \u00f3dio, uma das acep\u00e7\u00f5es da palavra \u2018c\u00f3lera\u2019 que comp\u00f5e o t\u00edtulo das II Jornadas, significante que nos leva a um sentimento t\u00e3o antigo quanto o mundo. 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