{"id":11566,"date":"2021-06-16T08:25:08","date_gmt":"2021-06-16T11:25:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=11566"},"modified":"2021-06-16T08:25:08","modified_gmt":"2021-06-16T11:25:08","slug":"a-princesa-de-cleves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/a-princesa-de-cleves\/","title":{"rendered":"A Princesa de Cl\u00e8ves"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Por Simone Souza Vieira \u2013 Comiss\u00e3o de Boletim<\/strong><\/h6>\n<blockquote><p>\u201c\u2026 a Princesa de Cl\u00e8ves se dedica a preservar o sentido do desejo, o desejo enquanto sentido, ao instalar-se em um amor cort\u00eas perpetuamente \u2013 o que significa que reconhece o amor enquanto significa\u00e7\u00e3o vazia, e que se dedica a encarnar a aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual na aus\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o carnal\u201d (MILLER, 2013, p. 179).<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-11567\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/amurados008.png\" alt=\"\" width=\"277\" height=\"306\" \/>Miller no <em>El Ultim\u00edssimo Lacan<\/em> aborda o sentido do desejo a partir do amor cort\u00eas. Ele toma um cl\u00e1ssico da literatura para localizar um exemplo magistral sobre esse tema.<\/p>\n<p>Trata-se do livro A Princesa de Cl\u00e8ves, considerado o primeiro romance moderno da literatura francesa.<\/p>\n<p>Escrito por Madame de Lafayette no s\u00e9c. XVII, o livro traz como pano de fundo uma quest\u00e3o:\u201c<em>o que faz balan\u00e7ar o cora\u00e7\u00e3o de uma mulher?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Numa trama recheada de sobressaltos sobre a vida amorosa da princesa de Cl\u00e8ves, encontramos a protagonista dividida entre manter-se num casamento com o pr\u00edncipe de Cl\u00e8ves, a quem n\u00e3o amava, ou se entregar ao amor correspondido pelo senhor de Nemours, belo cavalheiro, que ela conhece na corte.<\/p>\n<p>A trama ent\u00e3o acontece numa corte onde todos os personagens mentem, escamoteiam e dissimulam, mas a princesa de Cl\u00e8ves n\u00e3o. Ela pretende ser uma representante da \u00e9tica, da boa educa\u00e7\u00e3o, da sinceridade e da honestidade. Cabe questionar \u201c<em>que lugar a virtude ocupa no mundo corrompido da corte?\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Nesse cen\u00e1rio desenrola-se, o drama amoroso da princesa de Cl\u00e8ves, que tem como desfecho sua decis\u00e3o de viver a plenitude de um amor cort\u00eas.<\/p>\n<p>Por se tratar de uma obra cl\u00e1ssica, torna-se tamb\u00e9m uma obra atemporal, e at\u00e9 mesmo atual, vide sua adapta\u00e7\u00e3o moderna para o cinema \u2013 A Carta, filme de 1999, do cineasta portugu\u00eas Manoel de Oliveira.<\/p>\n<p>Tanto no livro do s\u00e9c. XVI quanto no filme do s\u00e9c. XXI encontramos personagens que mant\u00e9m invari\u00e1veis os imbr\u00f3glios das rela\u00e7\u00f5es humanas e, por conseguinte, da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>A partir disso, como poder\u00edamos pensar o que Miller nos trouxe sobre o amor cort\u00eas enquanto aquilo que preserva o sentido do desejo na contemporaneidade?<\/p>\n<p>Vale a pena conferir A Princesa de Cl\u00e8ves.<\/p>\n<h6>Miller, J-A. <em>El ultim\u00edssimo Lacan.<\/em> Buenos Aires: Paidos, 2013.<\/h6>\n<h6>Lafayette, M-M P. de la Vergne. <em>A princesa de Cl\u00e8ves\/ Madame de Lafayette<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 2004.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Simone Souza Vieira \u2013 Comiss\u00e3o de Boletim \u201c\u2026 a Princesa de Cl\u00e8ves se dedica a preservar o sentido do desejo, o desejo enquanto sentido, ao instalar-se em um amor cort\u00eas perpetuamente \u2013 o que significa que reconhece o amor enquanto significa\u00e7\u00e3o vazia, e que se dedica a encarnar a aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual na&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11595,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-11566","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-labirintos","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11566\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11566"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=11566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}