{"id":11511,"date":"2021-05-27T06:27:03","date_gmt":"2021-05-27T09:27:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?p=11511"},"modified":"2021-05-27T06:27:03","modified_gmt":"2021-05-27T09:27:03","slug":"um-amor-fora-dos-limites-da-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/um-amor-fora-dos-limites-da-lei\/","title":{"rendered":"Um amor fora dos limites da lei"},"content":{"rendered":"<h6><strong>(Pr\u00eaambulo por Ruskaya Maia)<\/strong><\/h6>\n<p>Um achado. \u00c9 assim que consideramos o texto de Elisa Alvarenga \u2018<em>Um amor fora dos limites da lei<\/em>\u2019, originalmente proferido como depoimento na plen\u00e1ria dedicada ao passe No XIV Encontro Brasileiro de Psican\u00e1lise \u2018Fazer an\u00e1lise \u2013 Quando, porqu\u00ea e como\u2019, anunciada sob o tema &#8220;O novo amor&#8221;. \u00a0Versando sobre as vicissitudes de sua experi\u00eancia de an\u00e1lise, Elisa aborda diretamente o que buscamos investigar em nossas discuss\u00f5es sobre o que acontece com o amor durante uma experi\u00eancia anal\u00edtica e o que ele se torna ao final. Nesse sentido, estamos em cheio no segundo eixo proposto por nossa comiss\u00e3o cient\u00edfica:<\/p>\n<p>\u201cIndagar a respeito das mudan\u00e7as no modo de amar do sujeito contempor\u00e2neo, tanto no interior do tratamento \u2013 nas rela\u00e7\u00f5es do analisando com o analista, na transfer\u00eancia positiva ou negativa, assim como na contratransfer\u00eancia \u2013 quanto nas rela\u00e7\u00f5es amorosas na vida do sujeito. Constatando que \u201c[&#8230;] o tratamento do neur\u00f3tico vai no sentido de um <em>consentir com o amor<\/em>, n\u00e3o sem que esse delicado percurso seja \u00e1rduo, doloroso, recheado de \u00f3dio e c\u00f3lera. De todo modo, \u00e9 inevit\u00e1vel percorr\u00ea-lo para que se abra a possibilidade de que <em>um amor mais digno<\/em> se d\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>Elisa Alvarenga, hoje presidente do conselho da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste, foi AE da EBP\/AMP no per\u00edodo de 2000-2003. As resson\u00e2ncias que hoje ecoam em n\u00f3s a partir de seu testemunho, d\u00e3o mostras da impressionante atemporalidade do inconsciente real.<\/p>\n<p>Publicado aqui com a am\u00e1vel autoriza\u00e7\u00e3o da autora, o depoimento tamb\u00e9m pode ser acessado em: <a href=\"https:\/\/wapol.org\/ornicar\/articles\/170alv.htm\">https:\/\/wapol.org\/ornicar\/articles\/170alv.htm<\/a> onde foi publicado originalmente.<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Um amor fora dos limites da lei<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>por Elisa Alvarenga<\/strong><\/h6>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Esta plen\u00e1ria dedicada ao passe, anunciada sob o tema &#8220;O novo amor&#8221;, nos d\u00e1 a ocasi\u00e3o de abordar, a partir da experi\u00eancia, o que acontece com o amor ao final de uma an\u00e1lise. &#8220;S\u00f3 a\u00ed pode surgir a significa\u00e7\u00e3o de um amor sem limite, dir\u00e1 Lacan, porque fora dos limites da lei.&#8221; (1) O que seria este amor? De que lei se trata aqui?<\/p>\n<p>O amor, durante a an\u00e1lise, \u00e9 mesmo condi\u00e7\u00e3o para que haja an\u00e1lise, \u00e9 o amor de transfer\u00eancia. No sujeito neur\u00f3tico, este amor est\u00e1 estreitamente vinculado \u00e0 cren\u00e7a no pai, a fantasia fundamental &#8211; tal como constru\u00edda por Freud na f\u00f3rmula &#8220;uma crian\u00e7a \u00e9 espancada&#8221; &#8211; ao inconsciente, enfim. Da\u00ed as afirma\u00e7\u00f5es de Lacan, de que, no final da an\u00e1lise, &#8220;a experi\u00eancia da fantasia fundamental se torna a puls\u00e3o&#8221; (2), ou &#8220;a experi\u00eancia do sujeito \u00e9 reconduzida ao plano onde se pode presentificar, da realidade do inconsciente, a puls\u00e3o&#8221; (3). O amor, no final da an\u00e1lise, est\u00e1 ent\u00e3o articulado \u00e0 maneira como o sujeito vive a puls\u00e3o.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio &#8220;As forma\u00e7\u00f5es do inconsciente&#8221;, Lacan chama de lei aquilo que se articula do significante, autorizado pelo Nome-do-Pai que, no n\u00edvel do Outro, como sede da lei, representa o Outro.<\/p>\n<p>Em &#8220;A \u00e9tica da psican\u00e1lise&#8221;, ele nos d\u00e1 mais elementos para pensar o que \u00e9 essa lei: a estrutura do inconsciente se regula segundo a lei do prazer e do desprazer, segundo a regra do desejo indestrut\u00edvel, \u00e1vido de repeti\u00e7\u00e3o. &#8220;A rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica do desejo com a Lei faz nosso desejo n\u00e3o arder sen\u00e3o numa rela\u00e7\u00e3o com a Lei, pela qual ele se torna desejo de morte.&#8221; (4) Assim, a lei, que inicialmente seria aquela do princ\u00edpio do prazer, torna-se a exig\u00eancia de encontrar o que se repete, al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. E dessa lei que o sujeito em an\u00e1lise padece, na compuls\u00e3o \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o, nos &#8220;acting-out&#8221;, na rea\u00e7\u00e3o terap\u00eautica negativa.<\/p>\n<p>No Semin\u00e1rio &#8220;O avesso da psican\u00e1lise&#8221;, essa lei do inconsciente \u00e9 formalizada no discurso do mestre, e o pai como figura da lei se torna, como nos diz Jacques-Alain Miller, um semblante. O Nome-do-Pai designa apenas o poder da palavra, que tem o efeito, sobre o corpo do ser falante, de mortificar o gozo. Ele \u00e9 ent\u00e3o logificado, no Semin\u00e1rio do &#8220;Avesso&#8221;, no significante mestre, herdeiro do Nome-do-Pai e mesmo dos Nomes-do-Pai, como uma pura fun\u00e7\u00e3o l\u00f3gica (5).<\/p>\n<p>Neste Semin\u00e1rio, Lacan define a castra\u00e7\u00e3o como princ\u00edpio do significante mestre e situa o pai real como agente dessa opera\u00e7\u00e3o. A castra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma fantasia, e a causa do desejo e o seu produto. A fantasia domina a realidade do desejo articulada \u00e0 lei do pai, do significante mestre.<\/p>\n<p>O de que se trata, ent\u00e3o, numa an\u00e1lise, \u00e9 de ir al\u00e9m do pai enquanto agente da castra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m da lei do discurso do mestre, discurso do inconsciente: trata-se de passar da posi\u00e7\u00e3o de sujeito assujeitado ao significante mestre \u00e0quela do sujeito que, movido pelo objeto, causa do desejo, separa-se da lei do significante mestre, o que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel depois de ter-se servido dela.<\/p>\n<p><strong>O encontro com a psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise que durou cerca de 12 anos, seguiu-se a duas tentativas anteriores, nas quais o sujeito se viu perdido nos labirintos do amor de transfer\u00eancia. Uma psicoterapia &#8220;de orienta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica&#8221;, como se dizia, antecedera o encontro com a psican\u00e1lise lacaniana, que suscitou o desejo de ir al\u00e9m dos efeitos, sobretudo terap\u00eauticos, obtidos ali.<\/p>\n<p>Partiu ent\u00e3o do pa\u00eds com o intuito de fazer uma tese universit\u00e1ria, mas logo descobriu que o que buscava era uma b\u00fassola para sua cl\u00ednica: instalada como psiquiatra, come\u00e7ara a estudar psican\u00e1lise, mas n\u00e3o sabia muito bem o que fazia. &#8220;<em>A<\/em> <em>posteriori<\/em>&#8220;, d\u00e1-se conta de que n\u00e3o tinha ent\u00e3o como se autorizar.<\/p>\n<p>Procurava, mais do que qualquer coisa, uma orienta\u00e7\u00e3o para sua vida: tendo passado anos em franca rebeldia aos significantes mestres, encontrava-se sem refer\u00eancias nas quais acreditar. Era assim que buscava, paradoxalmente, fazer existir o Outro: atacava-o, na tentativa de escapar \u00e0 castra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O encontro, decisivo, com a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, se deu atrav\u00e9s do texto &#8220;A cl\u00ednica do supereu&#8221;, onde Jacques-Alain Miller nos apresenta o supereu na sua vers\u00e3o lacaniana de imperativo de gozo. O encontro com o significante do analista se deu na mesma dire\u00e7\u00e3o, quando assistiu, na <em>Ecole de la Cause freudienne<\/em>, a uma confer\u00eancia daquele que viria encarnar esta fun\u00e7\u00e3o. Embora n\u00e3o entendesse muito do que ele dizia, foi pega nas malhas do significante da transfer\u00eancia, que a representou para o significante qualquer do analista: ele saberia algo sobre o seu sofrimento. A suposi\u00e7\u00e3o de saber, instalada desde aquele momento, levou-a a iniciar a\u00ed uma an\u00e1lise, estancando sua err\u00e2ncia ao coloc\u00e1-la a trabalho. No momento de fazer o passe, ela se deu conta que o significante do analista reunira dois tra\u00e7os: a severidade suposta ao pai e o saber suposto \u00e0 m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>A entrada em an\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>O in\u00edcio foi marcado pelo desgosto em rela\u00e7\u00e3o ao saber, manifesto em um sonho no qual esgotos escorriam das estantes, abarrotadas de livros, da sala de espera do analista. Sua quest\u00e3o, ent\u00e3o desconhecida para ela, que encontrava-se toda identificada do lado masculino das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o &#8211; sujeito dividido pelo gozo f\u00e1lico &#8211; j\u00e1 se manifestava, no entanto, em outro sonho do in\u00edcio da an\u00e1lise: o analista aparecia travestido, sob longa cabeleira de mulher.<\/p>\n<p>A entrada em an\u00e1lise se deu ap\u00f3s um sonho em que contava, a uma analista particularmente severa, as hist\u00f3rias das mil e uma noites, tal Scheherazade, que evitava assim sua morte. De fato, falar ao analista parecia-lhe a \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel do gozo mort\u00edfero, no qual se encontrava embara\u00e7ada. Percebeu ent\u00e3o a vanidade de sua busca por um Outro do Outro, Um que a garantisse, com a consequente queda do analista de A a (a), do significante que o representava ao objeto (a). Esta queda, que ocorre no final da an\u00e1lise de maneira decisiva, \u00e9 aqui o sinal de uma mudan\u00e7a de discurso, que acontece no momento da entrada em an\u00e1lise: o sujeito passa do discurso do mestre, onde um significante o representa para o analista no lugar do Outro, ao discurso hist\u00e9rico, onde ele se p\u00f5e a trabalho interrogando o significante mestre e produzindo saber. A destitui\u00e7\u00e3o subjetiva, que Lacan prop\u00f5e para o final da an\u00e1lise, \u00e9 a\u00ed inscrita no ticket de entrada.<\/p>\n<p><strong>O imperativo do significante mestre e a fantasia<\/strong><\/p>\n<p>No momento da entrada em an\u00e1lise, percebe, ent\u00e3o, que a estrat\u00e9gia de substitui\u00e7\u00e3o, at\u00e9 este momento preponderante em sua vida, estancava ali, com o isolamento de uma frase que configurava o imperativo do significante mestre, agente do discurso do inconsciente que fazia lei para ela: &#8220;Trair, ser punida.&#8221; S1, trair, S2, ser punida, incid\u00eancia do Outro sobre o significante do sujeito experimentada como intenso sofrimento. Por tr\u00e1s dessa primeira frase, que acreditava ser a f\u00f3rmula de sua fantasia, no momento da demanda de passe final, veio a descobrir uma segunda frase, que enunciava sua maneira de experimentar a castra\u00e7\u00e3o, fantasia fundamental, velada pela estrat\u00e9gia encenada na primeira frase.<\/p>\n<p>S1 \u00a0\u00a0\u00a0\u2192 \u00a0\u00a0\u00a0S2 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0trair e ser punida \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0$ \u00a0\u00a0\u25ca \u00a0\u00a0\u00a0a \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0eu sou abandonada<\/p>\n<p>A fantasia fundamental tem sua matriz no in\u00edcio de sua vida, por ocasi\u00e3o de uma primeira perda real, a perda do pai aos 2 anos de idade. N\u00e3o se lembrava do fato, mas do que a m\u00e3e lhe havia contado, de sua pr\u00f3pria vontade de ir junto com ele. Este abandono pelo desejo da m\u00e3e permaneceu velado pelo seu esfor\u00e7o de cuidar da castra\u00e7\u00e3o materna, ao qual ela se entrega, oferecendo-se falicamente para sustentar a imagem dessa primeira mulher idealizada, que seguiu carreira no estudo das letras. Essa idealiza\u00e7\u00e3o custou-lhe uma longa inibi\u00e7\u00e3o no trabalho intelectual criativo. Aos 7 anos, um afeto depressivo testemunha do luto por realizar, encoberto pela ideia, transmitida pela m\u00e3e, de que teria que se haver com um pai muito severo, se n\u00e3o o tivesse perdido.<\/p>\n<p>Por volta dos 10 anos, a perda se reatualiza, quando a m\u00e3e encontra um novo parceiro amoroso. Uma cena, desta \u00e9poca, vem exteriorizar sua posi\u00e7\u00e3o como objeto, olhar, exclu\u00eddo do par formado pela m\u00e3e e seu novo companheiro, um homem que havia vivido e estudado no exterior. Est\u00e1 prestes a entrar na sala, quando os v\u00ea refletidos na vidra\u00e7a, dan\u00e7ando enamorados. Sentindo-se tra\u00edda, vai entregar-se, desde a adolesc\u00eancia, \u00e0 busca de um substituto para o primeiro objeto de amor, repetindo a sua primeira frase : trair, S1 tomado de empr\u00e9stimo ao Outro, ser punida, na decep\u00e7\u00e3o que n\u00e3o cessa de encontrar.<\/p>\n<p>O gosto pelas l\u00ednguas estrangeiras deve vir desta \u00e9poca, em que o casal conversava em outro idioma, do qual se via exclu\u00edda. A decis\u00e3o pela Medicina condensa um tra\u00e7o tomado emprestado ao padrasto com um antigo desejo da m\u00e3e: salvar o pai de uma doen\u00e7a mortal. A posi\u00e7\u00e3o f\u00e1lica de desafio ao pai encontra ocasi\u00e3o de decepcionar o substituto paterno escolhendo a psiquiatria, e logo, a psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>O gosto pelo estrangeiro determinara tamb\u00e9m, alguns anos depois, a escolha de um companheiro, ao qual, ap\u00f3s algumas idas e vindas e v\u00e1rios anos de analise, permanecera ligada por um novo la\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>O objeto mais-de-gozo e o sintoma<\/strong><\/p>\n<p>Os sintomas no corpo, frequentes desde a inf\u00e2ncia, podem ser articulados \u00e0 fantasia, onde o sujeito se reduz a um objeto que faz par com o Outro. O trajeto da puls\u00e3o contorna o objeto, produzindo uma satisfa\u00e7\u00e3o masoquista no sintoma. A redu\u00e7\u00e3o do sujeito a uma dor de ouvido, ou seja, a uma borda pulsional, fazendo apelo ao Outro, ocorrera, por exemplo, por ocasi\u00e3o do desvio do desejo materno para o novo companheiro. O objeto voz aparece como voz do Outro, encarnado pelo casal que conversava em l\u00edngua estrangeira, assem\u00e2ntica para o sujeito, ao mesmo tempo fazendo supor a\u00ed o m\u00e1ximo de sentido.<\/p>\n<p>O objeto olhar, central na constru\u00e7\u00e3o da fantasia, indicava tamb\u00e9m o trajeto pulsional: de objeto exclu\u00eddo do par parental, o sujeito se faz ver, na tentativa de recuperar este olhar sobre si. Se permanece na posi\u00e7\u00e3o de olhar, espectador exclu\u00eddo da cena, o gozo \u00e9 recuperado no sintoma, desta vez ao n\u00edvel dos olhos, convertendo ao \u00f3rg\u00e3o o mal-estar experimentado pelo sujeito.<\/p>\n<p>O sintoma central vai se instalar ap\u00f3s o casamento, no momento de uma tentativa de separa\u00e7\u00e3o do Outro. Uma acentuada anorexia, de longa dura\u00e7\u00e3o, instaura-se quando, identificada ao objeto abandonado, repete a sua primeira frase. Este sintoma, tentativa de sustentar o desejo, a duras penas, n\u00e3o deixa de fazer apelo ao Outro, a quem angustia, com a estrat\u00e9gia de recusar o que ele quer lhe dar. Trata-se de um retorno ao primeiro Outro: da fantasia de fazer-se devorar por seu amor, passa \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de comer ou n\u00e3o comer, colocando o objeto oral, oferecido pela m\u00e3e, no primeiro plano. A anorexia, real, torna-se uma forma de recusa da feminilidade, do corpo, da castra\u00e7\u00e3o, manifestando-se, enquanto mental, no n\u00e3o querer nada saber sobre tudo isso. Anos se passaram nessa tentativa, v\u00e3, de separar-se do Outro, que convocava com sua demanda de amor, sem nada poder receber. A castra\u00e7\u00e3o era encontrada a cada fracasso na sua procura, sintom\u00e1tica, do parceiro que a faria mulher.<\/p>\n<p><strong>O trabalho de an\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 assim que chega \u00e0 analise, devastada pelo imperativo de gozo do supereu. O primeiro ato do analista foi dizer-lhe n\u00e3o, encarnando uma fun\u00e7\u00e3o at\u00e9 a\u00ed em sofrimento: o pai severo foi reencontrado no semblante que ele inicialmente encarnou. Mais do que uma fun\u00e7\u00e3o significante, tratava-se da voz \u00e1fona do supereu, aquele que exige o gozo, e assim o localiza, sem nenhuma concess\u00e3o ao sofrimento do sujeito. Era como se ele dissesse: coma o p\u00e3o que voc\u00ea amassou. O efeito foi que, essa voz do supereu, encarnada aqui e ali nas fontes de devasta\u00e7\u00e3o para o sujeito, se concentrou na voz do analista, permitindo que transferisse o seu gozo masoquista para a neurose de transfer\u00eancia. Em vez de continuar andando em c\u00edrculos, passou a dar voltas na superf\u00edcie de um toro.<\/p>\n<p>Descobriu a l\u00f3gica implac\u00e1vel do inconsciente, cujos efeitos, sobre o corpo e nos afetos, a surpreendeu. Um efeito depressivo adv\u00e9m, com a mortifica\u00e7\u00e3o da libido pelo trabalho significante. A culpa ligada ao excesso de gozo d\u00e1 lugar \u00e0quela devida a falta.<\/p>\n<p>Devendo retornar ao pa\u00eds de origem, ao final do trabalho universit\u00e1rio, vai continuar sua an\u00e1lise em fatias, numa temporalidade pr\u00f3pria ao inconsciente. No momento de retorno ao Brasil, e portanto, de uma separa\u00e7\u00e3o for\u00e7aada do analista, demanda fazer o passe na entrada da ECF, o que funcionou como um retorno sobre o caminho percorrido. Houve a\u00ed uma tentativa de verifica\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria analise, para saber onde \u00e9 que se encontrava. Os efeitos foram o desprendimento de um certo saber, constru\u00eddo at\u00e9 a\u00ed, com o vislumbre do lugar ocupado pelo analista e uma posi\u00e7\u00e3o de trabalho decidida.<\/p>\n<p>Engaja-se na constru\u00e7\u00e3o da EBP, da qual se torna membro, e instala-se como analista, orientada, desta vez, por seu trabalho de an\u00e1lise. Ganhos terap\u00eauticos s\u00e3o ineg\u00e1veis: da posi\u00e7\u00e3o de ser o falo, desprovida de bens e atributos da feminilidade, pode vir a ter algo: o seu trabalho, um companheiro, um filho. Continua a an\u00e1lise, sempre buscando no analista um sustento para o seu desejo, at\u00e9 um momento crucial, quase 10 anos ap\u00f3s o in\u00edcio, quando um final pode ser vislumbrado.<\/p>\n<p><strong>O sujeito-suposto-saber e o objeto (a)<\/strong><\/p>\n<p>Uma primeira queda do sujeito-suposto-saber manifesta-se por ocasi\u00e3o de uma crise na Associa\u00e7\u00e3o Mundial de Psican\u00e1lise. O analista, que at\u00e9 ent\u00e3o servira como refer\u00eancia fundamental, cai do lugar de sujeito-suposto-saber fazer o pai, primeira queda de uma s\u00e9rie, revelando a falta de garantia que ela tentava acobertar com a transfer\u00eancia. A analisante constatou, ent\u00e3o, que o analista n\u00e3o podia dar-lhe o saber que esperava obter, naquele momento, sobre ser m\u00e3e. A quest\u00e3o da feminilidade escondia-se por tr\u00e1s daquela sobre a maternidade, da mesma maneira que o sujeito-suposto-saber se encontrava ate aqui articulado ao semblante paterno.<\/p>\n<p>Minha hip\u00f3tese \u00e9 que as declina\u00e7\u00f5es do sujeito-suposto-saber, tais como se d\u00e3o em uma an\u00e1lise, s\u00e3o estritamente correlativas do isolamento do objeto como consist\u00eancia l\u00f3gica. Pois, o que \u00e9 o sujeito-suposto-saber, sen\u00e3o o sujeito do inconsciente, a trabalho, como efeito do endere\u00e7amento de um significante que representa o sujeito a um significante qualquer do analista? No in\u00edcio de uma an\u00e1lise, o sujeito, representado pelo significante do seu sintoma, endere\u00e7a-se ao analista, desdobrando a cadeia de significantes na associa\u00e7\u00e3o dita livre.<\/p>\n<p>S \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u2192\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Sq S (S1, S2&#8230;Sn)<\/p>\n<p>O algoritmo da transfer\u00eancia, introduzido por Lacan na &#8220;Proposi\u00e7\u00e3o&#8221; (6), nos mostra que o sujeito-suposto-saber \u00e9 um efeito desta rela\u00e7\u00e3o, estabelecida entre o significante do analisante e o do analista. No entanto, o analista, representado pelo significante qualquer, dever\u00e1 cair para o lugar do pequeno a: &#8220;O analisante s\u00f3 termina ao fazer do objeto (a) o representante da representa\u00e7\u00e3o do analista.&#8221; (7) Para al\u00e9m de suas vestimentas imagin\u00e1rias, semblantes que o analista pode encarnar para um sujeito, este o ver\u00e1 cair do lugar do Outro do saber ao lugar do (a), objeto libidinal.<\/p>\n<p>A cada fatia de an\u00e1lise, at\u00e9 ent\u00e3o, descobrira um elemento do seu quebra cabe\u00e7a: a outra mulher, confundida com uma figura idealizada do saber; o pai, tentativa de garantia contra o gozo f\u00e1lico; o objeto, tamp\u00e3o para a castra\u00e7\u00e3o, sob as esp\u00e9cies do nada, do objeto oral, do filho. Com o olhar, manifestava-se sobretudo a inibi\u00e7\u00e3o quanto ao saber. Embora muito curiosa, e mesmo bul\u00edmica quanto ao saber, este era do Outro, que ela tornava consistente ao colocar-se na condi\u00e7\u00e3o de espectadora, exclu\u00edda da cena onde o saber se produzia. Esta fantasia mantinha-a na anorexia mental, tal como Lacan a apresenta: as id\u00e9ias eram sempre do Outro.<\/p>\n<p>Este momento, que chamei de passagem al\u00e9m do pai, tem como consequ\u00eancia, na sua vida, uma emerg\u00eancia pulsional, um retorno da libido at\u00e9 ent\u00e3o mortificada ao longo do trabalho de an\u00e1lise. Esta libido exige agora satisfa\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m da satisfa\u00e7\u00e3o masoquista ligada \u00e0 l\u00f3gica do significante. E surpreendida por um novo desejo, que torna sua vida mais intensa, mas sem a garantia do Outro para sustent\u00e1-la em seu caminho. Da garantia da fantasia, onde o sujeito se articulava ao objeto que se propunha a ser para tampar a falta do Outro &#8211; ($ &lt;&gt; a) &#8211; deve agora avan\u00e7ar diante de um Outro barrado, ao qual falta um significante que lhe diga o que ele \u00e9. O sujeito parceiro deste Outro barrado n\u00e3o \u00e9 mais o sujeito representado por um significante, mas o sujeito \u00e0s voltas com a puls\u00e3o &#8211; (A barrado &lt;&gt; $).<\/p>\n<p><strong>A transfer\u00eancia negativa<\/strong><\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima fatia de an\u00e1lise, alguns meses depois, revela-se a transfer\u00eancia negativa, correlata da primeira barra sobre o sujeito-suposto-saber: o analista est\u00e1 sob suspeita. Cai a m\u00e1scara amorosa e o sujeito se interroga, na tentativa de apreender o saber depositado na experi\u00eancia. O saber de que se trata de agora em diante \u00e9 o saber que o sujeito devera elaborar. Sabe que n\u00e3o h\u00e1 retorno poss\u00edvel, mas n\u00e3o v\u00ea ainda a sa\u00edda: vive um tempo de ang\u00fastia. Esta fatia se conclui com um pensamento, rid\u00edculo, que lhe vem \u00e0 cabe\u00e7a e a desconcerta: o analista \u00e9 desta vez dessuposto na figura do velho pai da psican\u00e1lise, enquanto a analisante se apresenta na pele de uma analista conhecida, na opini\u00e3o de Freud, como mulher incur\u00e1vel.<\/p>\n<p>Do semblante de pai severo, passando pela fun\u00e7\u00e3o de pai real, aquele que produz efeitos por suas interpreta\u00e7\u00f5es, o analista caiu \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de objeto libidinal, concentrando em si, paradoxalmente, o agalma e o kakon, objeto que a analisante queria vorazmente incorporar e destruir: &#8220;Eu te amo, mas porque inexplicavelmente amo em ti algo mais do que tu &#8211; o objeto pequeno (a), eu te mutilo.&#8221; (8)<\/p>\n<p>O analista se torna, temporariamente, um objeto mau. O ru\u00eddo que faz, rotineiramente, durante as sess\u00f5es, retorna no real, sob a forma de um zumbido que a atormenta. Ele se torna um ponto negro, um corpo estranho, do qual a analisante quer se livrar, mas teme se separar. Esta aventura libidinal, onde a puls\u00e3o se revela nas suas mais diversas formas &#8211; amor, \u00f3dio, sadismo, masoquismo, ver, fazer-se ver, ouvir, fazer-se ouvir, devorar, ser devorado, expulsar, fazer-se expulsar -, excede qualquer desejo terap\u00eautico, que tentaria acalmar a puls\u00e3o para aliviar o sujeito.<\/p>\n<p><strong>A f\u00f3rmula vazia<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 medida que caem as garantias, trabalha melhor na Escola, desembara\u00e7ada de alguns ideais. No pr\u00f3ximo per\u00edodo de an\u00e1lise, a discuss\u00e3o de um caso, em supervis\u00e3o, com outro analista, \u00e9 retomada na an\u00e1lise, permitindo-lhe fechar mais uma volta. Ao final deste per\u00edodo, \u00e9 surpreendida por um sonho: ela rouba uma f\u00f3rmula, escrita em um peda\u00e7o de papel, das m\u00e3os de um membro da Escola, portador de atributos f\u00e1licos. Esta f\u00f3rmula, suposta ensinar-lhe como fazer existir a rela\u00e7\u00e3o sexual, n\u00e3o lhe ensina, no entanto, exatamente aquilo que quer. A maneira da f\u00f3rmula da trimetilamina, que se apresenta a Freud no momento em que se depara com o horror da castra\u00e7\u00e3o, este peda\u00e7o de papel, onde nada est\u00e1 de fato escrito, apresenta-se no sonho como uma f\u00f3rmula para escrever a rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Avisada que est\u00e1 das artimanhas, das pe\u00e7as que lhe prega o inconsciente, n\u00e3o fica por isso menos perplexa diante deste sonho-interpreta\u00e7\u00e3o, no sentido em que, como o indica Jacques-Alain Miller, o inconsciente interpreta. Est\u00e1 ainda \u00e0s voltas com este sonho, quando um outro a surpreende, claramente alusivo \u00e0 separa\u00e7\u00e3o do analista: ele mesmo lhe entrega, deixando-a s\u00f3, um personagem, condensa\u00e7\u00e3o do analista com algu\u00e9m de quem deve se separar. N\u00e3o tem mais com quem falar. Como um S2, este sonho ressignifica o primeiro, da f\u00f3rmula vazia: pensa inicialmente que esta f\u00f3rmula, n\u00e3o \u00e9 o saber da psican\u00e1lise que vai lhe dar, mas ela mesma \u00e9 quem deve constru\u00ed-la, encontrando sua pr\u00f3pria solu\u00e7\u00e3o. Conclui, em seguida: esta f\u00f3rmula n\u00e3o existe. Mais uma vez, dessup\u00f5e o saber ao Outro: o Outro da f\u00f3rmula n\u00e3o existe. O modelo anor\u00e9xico de roubar as ideias dos outros, segundo o exemplo dado por Lacan na &#8220;Dire\u00e7\u00e3o da cura&#8221; (9) &#8211; aqui, roubar a f\u00f3rmula ao Outro &#8211; perde sua raz\u00e3o de ser.<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo encontro com o analista, diz-lhe do desejo de fazer o passe, antigo desejo, que n\u00e3o havia ainda encontrado o momento cl\u00ednico, na an\u00e1lise, para ser colocado. H\u00e1 a\u00ed uma aposta: a conclus\u00e3o e a separa\u00e7\u00e3o definitivas da an\u00e1lise s\u00f3 v\u00e3o se efetivar com o ato de passar pelo dispositivo.<\/p>\n<p><strong>O passe<\/strong><\/p>\n<p>Entre a demanda de passe e a entrada no procedimento, vem um terceiro sonho: ela nada, no mar, agarrada a um submarino. Tem medo de se soltar e ficar perdida. De repente, o submarino est\u00e1 em terra firme, aberto, rodeado de gente. Desta vez o sonho lhe parece l\u00edmpido. A \u00e1gua do mar, como em v\u00e1rias forma\u00e7\u00f5es do inconsciente, representa o gozo, e o submarino o saber inconsciente, suposto, do qual ela teme se soltar. Gozo do saber, portanto. O submarino aberto, sobre a terra, rodeado de gente, representa seu desejo de exposi\u00e7\u00e3o de saber, de transmiss\u00e3o no dispositivo do passe.<\/p>\n<p>Ao entrar no procedimento, tem, efetivamente, dificuldades em se soltar deste saber e de separar-se do analista. Um afeto depressivo se faz presente.<\/p>\n<p>O encontro, contingente, com a figura d\u2019A mulher, ou ainda, d\u2019A analista, ocorre ap\u00f3s o primeiro testemunho junto aos passadores. Houve a\u00ed um verdadeiro cruzamento entre a pr\u00e1tica como analista e o testemunho no passe. A experi\u00eancia cl\u00ednica colocou-a diante de um limite enquanto analista: o desejo de curar, at\u00e9 ent\u00e3o inconsciente, que se manifestava numa posi\u00e7\u00e3o de dedica\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes cega, \u00e0 cl\u00ednica, deu lugar ao que pode reconhecer depois como desejo do analista. Dessas figuras d\u2019A mulher e d\u2019A analista, conclui que \u00e9 melhor guardar dist\u00e2ncia. Cessa a demanda, insaci\u00e1vel, nesse encontro com a mulher n\u00e3o-toda, marcada pela castra\u00e7\u00e3o, que encontramos do lado feminino das f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, no matema do A barrado (10). Houve a\u00ed o assentimento ao A barrado de uma analista n\u00e3o-toda, numa incid\u00eancia do passe sobre a sua pr\u00e1tica e vice-versa: o efeito de um encontro, na cl\u00ednica, sobre o passe. Num segundo testemunho, a pedido do cartel do passe, pode transmitir que saiu dessa experi\u00eancia uma analista.<\/p>\n<p><strong>A travessia da fantasia e o nome de gozo<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 muito cessara para ela o imperativo do significante mestre formulado na primeira frase, e o sujeito buscava nomear a sua posi\u00e7\u00e3o de gozo na fantasia fundamental. Pois \u00e9 preciso distinguir a produ\u00e7\u00e3o do objeto (a) como mais de gozo, nas suas m\u00faltiplas apresenta\u00e7\u00f5es, da produ\u00e7\u00e3o do objeto (a) como vazio topol\u00f3gico, lugar do objeto ao qual se pode dar um nome de gozo. \u00c9 depois da distin\u00e7\u00e3o do sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao (a), nomeado pela letra de gozo, que a experi\u00eancia da fantasia fundamental se torna a puls\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma noite, pouco antes da entrada no procedimento do passe, ocorreu-lhe, de repente, que o seu nome de gozo nada mais era do que o abandono. Da fantasia fundamental: &#8220;Eu sou abandonada&#8221;, posi\u00e7\u00e3o na qual gozava como objeto do Outro, havia passado \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de objeto causa do desejo, abandonando o gozo f\u00e1lico, no encontro com o S(A) barrado. Na travessia da fantasia o sujeito se desprendera do gozo masoquista do objeto abandonado, consentindo \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de objeto que se abandona, como causa, ao desejo do Outro. Encontra ent\u00e3o um gozo para-al\u00e9m do falo, &#8220;na escala invertida da lei do desejo&#8221; (11).<\/p>\n<p>Se durante a an\u00e1lise a prefer\u00eancia dada ao inconsciente tendia a recobrir, com o simb\u00f3lico, todo o imagin\u00e1rio e o real, um outro corte foi necess\u00e1rio ao final, para restaurar o n\u00f3 borromeano em sua forma original, como o diz Lacan (12). Isto a impediu de continuar, infinitamente, a contar mais uma hist\u00f3ria. N\u00e3o havia mais o que dizer, mas muito o que fazer, e escrever. Houve ent\u00e3o, nas \u00faltimas entrevistas com o analista, aquilo que Lacan chamou de contra-psican\u00e1lise, no seu Semin\u00e1rio &#8220;L\u2019insu que sait de l\u2019une-bevue s\u2019aile a mourre&#8221;. O jogo de palavras a\u00ed contido nos diz que &#8220;o insucesso do inconsciente \u00e9 o amor&#8221;. Da\u00ed a necessidade da contra-psican\u00e1lise, contra o amor do inconsciente que fazia lei para o sujeito, satisfazendo-se na fantasia fundamental. \u00c9 fora dos limites dessa lei que o novo amor pode viver.<\/p>\n<p>Talvez por isso Lacan dissesse, no pequeno texto &#8220;O Outro falta&#8221;, que &#8220;pode-se contentar em ser Outro como todo mundo, ap\u00f3s uma vida passada tentando s\u00ea-lo apesar da Lei&#8221; (13).<\/p>\n<hr \/>\n<h6>(1) Lacan, Jacques, *Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise*, RJ, Zahar, 1985, p. 260.<br \/>\n(2) *Ibid.*, p. 258.<br \/>\n(3) *Ibid.*, p. 259.<br \/>\n(4) Lacan, Jacques, *A \u00e9tica da psican\u00e1lise*, RJ, Zahar, 1988, p. 106.<br \/>\n(5) Cf. Miller, Jacques-Alain, *Coment\u00e1rio del Seminario inexistente*, Buenos Aires, Manantial, 1992, p. 41.<br \/>\n(6) Cf. Lacan, Jacques, *Proposition du 9 octobre sur le psychanalyste de l\u2019Ecole*, *Scilicet*, n\u00b0 1, Paris, Seuil, 1968, p. 9.<br \/>\n(7) Lacan, Jacques, *L\u2019etourdit*, *Scilicet*, n\u00b0 4, Paris, Seuil, 1975, p. 44.<br \/>\n(8) Lacan, Jacques, *Os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise*, *op. cit.*, p. 254.<br \/>\n(9) Cf. Lacan, Jacques, *Escritos*, RJ, Zahar, 1998, p. 605-6.<br \/>\n(10) Cf. *Mais, ainda*, RJ, Zahar, 1985, p. 105.<br \/>\n(11) Lacan, Jacques, *Escritos*, *op. cit.*, p. 841.<br \/>\n(12) Cf. a este respeito a li\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio de 14.12.76, com as figuras publicadas em *Op\u00e7\u00e3o Lacaniana*, n\u00b0 28, julho de 2000, SP, p. 8-11.<br \/>\n(13) Lacan, Jacques, *L\u2019Autre manque* (15.01.1980), *Acte de fondation et autres textes*, tir\u00e9 a part de l\u2019Annuaire 1982 de l\u2019Ecole de la Cause<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Pr\u00eaambulo por Ruskaya Maia) Um achado. \u00c9 assim que consideramos o texto de Elisa Alvarenga \u2018Um amor fora dos limites da lei\u2019, originalmente proferido como depoimento na plen\u00e1ria dedicada ao passe No XIV Encontro Brasileiro de Psican\u00e1lise \u2018Fazer an\u00e1lise \u2013 Quando, porqu\u00ea e como\u2019, anunciada sob o tema &#8220;O novo amor&#8221;. \u00a0Versando sobre as vicissitudes&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11512,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,12],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-11511","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-boletim-amurados-textos","category-textos","entry","has-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11511","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11511"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11511\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11511"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11511"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11511"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=11511"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}