{"id":14042,"date":"2026-05-09T08:33:19","date_gmt":"2026-05-09T11:33:19","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/?page_id=14042"},"modified":"2026-05-09T08:33:32","modified_gmt":"2026-05-09T11:33:32","slug":"vii-jornadas-ebp-secao-lo-a-psicanalise-e-a-estetica-do-real-argumento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/jornadas\/vii-jornadas-ebp-secao-lo-a-psicanalise-e-a-estetica-do-real\/vii-jornadas-ebp-secao-lo-a-psicanalise-e-a-estetica-do-real-argumento\/","title":{"rendered":"VII Jornadas EBP Se\u00e7\u00e3o-LO \u2013 A psican\u00e1lise e a est\u00e9tica do real &#8211; Argumento"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\"><p style=\"text-align: justify;\">[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;14040&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #ff0000;\"><strong>Argumento<\/strong><\/span><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><strong>A Psican\u00e1lise e a Est\u00e9tica do Real<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><em>\u00a0<\/em><em>Ary Farias &#8211; <\/em>EBP\/AMP<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong><em>&#8230;subi os abismos&#8230;<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscar a constru\u00e7\u00e3o de elos entre os conceitos de est\u00e9tica e real em psican\u00e1lise ser\u00e1 o desafio deste breve argumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e9tica e real s\u00e3o voc\u00e1bulos que, estruturalmente, carregam densidades sem\u00e2nticas que alastram e multiplicam seus efeitos de emprego e contextualiza\u00e7\u00e3o no universo simb\u00f3lico, particularmente no campo textual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m do conceito, esses voc\u00e1bulos referem-se a experi\u00eancias limiares, uma vez que eclodem nas bordas do corpo e da gram\u00e1tica da significa\u00e7\u00e3o, colocando mesmo \u00e0 prova o alcance da linguagem na sua fun\u00e7\u00e3o de designa\u00e7\u00e3o e nomea\u00e7\u00e3o dos fatos que estruturam a l\u00f3gica da realidade. Estamos partindo do pressuposto que a realidade humana tem, necessariamente, seu fundamento na dimens\u00e3o ps\u00edquica, uma vez que se constr\u00f3i a partir da alvenaria significante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A est\u00e9tica como fato<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vamos partir da perspectiva de que a organiza\u00e7\u00e3o do mundo ocidental tem muitas de suas matrizes racionais (l\u00f3gica formal, matem\u00e1tica demonstrativa e elementos da pol\u00edtica) fundamentadas no mundo grego. Vem desse contexto a raiz etimol\u00f3gica da palavra est\u00e9tica \u2013 <em>aisthesis<\/em>. Esse \u00e9 o gr\u00e3o de origem do voc\u00e1bulo est\u00e9tica. A ci\u00eancia da percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cultura fragmentada, hiperconectada e veloz de nossos dias, este termo foi praticamente reduzido e fagocitado para funcionar como eixo sem\u00e2ntico da cosm\u00e9tica e seu vasto cat\u00e1logo de interven\u00e7\u00f5es. A cosm\u00e9tica do s\u00e9culo XXI al\u00e7ou, enquanto conceito, repercuss\u00f5es para muito al\u00e9m das interven\u00e7\u00f5es admitidas e executadas como pr\u00e1ticas de tradi\u00e7\u00e3o e usos do corpo na cultura, e hoje vende a quimera de que \u00e9 poss\u00edvel coagular o tempo na harmonia das formas e na juventude dos corpos. Ela busca, de algum modo, tamponar o real do tempo com sua pot\u00eancia on\u00edvora, avassaladora e que a tudo tritura, tudo destr\u00f3i, uma vez que \u201co tempo \u00e9 a mesma coisa que a desordem.\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Desse modo, atende ao apelo contempor\u00e2neo marcado pelo \u201crealismo capitalista\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e pela excessiva estetiza\u00e7\u00e3o e cosmetiza\u00e7\u00e3o da realidade, na ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que repercutem em modos de homogeneiza\u00e7\u00e3o e entorpecimento da sensibilidade e da percep\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, a imagem de si, publicada muitas vezes na extrema pasteuriza\u00e7\u00e3o dos filtros, se tornou um ativo importante na economia de influ\u00eancia digital, no entanto, a visibilidade excessiva ou a hiperpresen\u00e7a do objeto arru\u00edna o olhar. \u201cApenas a mudan\u00e7a r\u00edtmica de presen\u00e7a e aus\u00eancia, encobrimento e descobrimento, mant\u00e9m o olhar desperto.\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, a cosm\u00e9tica se tornou um conceito de reputa\u00e7\u00e3o mercadol\u00f3gica bem ao gosto da \u201carbitrariedade procustiana da moda\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, do consumismo e do teatro das apar\u00eancias e efemeridades do contempor\u00e2neo. Essa realidade fundamenta esse mercado do simulacro da beleza e da perfei\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, inaugurando novos ide\u00e1rios, novos desejos e pr\u00e1ticas de interven\u00e7\u00e3o cada vez mais superlativas, fundando inclusive, estilos de vida e posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas corroborados por exemplo, em conceitos como <em>beauty empowerment. <\/em>O anglicismo aqui pode parecer ing\u00eanuo, mas tem fun\u00e7\u00e3o nuclear: \u00e9 um aditivo comercial, \u00e9 o toque de Midas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No contexto que nos interessa, o conceito de est\u00e9tica, naturalmente, n\u00e3o se reduz \u00e0 teoria do belo ou \u00e0 carnalidade da forma e seus efeitos de aliena\u00e7\u00e3o normativa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tomaremos em princ\u00edpio, por baliza, o trabalho do fil\u00f3sofo franc\u00eas Jacques Ranci\u00e8re, que alude ao fato est\u00e9tico como uma experi\u00eancia do \u201csens\u00edvel subtra\u00eddo as suas conex\u00f5es ordin\u00e1rias, habitado por uma pot\u00eancia heterog\u00eanea, a pot\u00eancia de um pensamento que se tornou ele pr\u00f3prio estranho a si mesmo: produto id\u00eantico ao n\u00e3o-produto, saber transformado em n\u00e3o-saber, <em>logos<\/em> id\u00eantico ao <em>phatos<\/em>, inten\u00e7\u00e3o do inintencional, etc.\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao subtrair a ordinariedade da percep\u00e7\u00e3o e da sensibilidade, Ranci\u00e8re deixa entrever o car\u00e1ter de conting\u00eancia, acontecimento e singularidade do fato est\u00e9tico e, por efeito, permite compreender o conceito de est\u00e9tica em sua verdadeira amplitude: uma experi\u00eancia deflagrada fora das redomas prosaicas \u2013 portanto, uma experi\u00eancia de car\u00e1ter disruptivo, em que os efeitos no corpo, num \u00e1timo, se imp\u00f5em antes mesmo de receber as primeiras coberturas simb\u00f3licas. Um instante de conflu\u00eancia m\u00e1gica entre a imagina\u00e7\u00e3o e o entendimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa peculiaridade n\u00e3o inscreve a experi\u00eancia est\u00e9tica somente no campo da erudi\u00e7\u00e3o. No entanto, a exposi\u00e7\u00e3o e viv\u00eancia ao fato est\u00e9tico requer alguma educa\u00e7\u00e3o dos sentidos, alguma abertura de sensibilidade interpretativa para al\u00e9m do linear e do pragm\u00e1tico. Uma predisposi\u00e7\u00e3o subjetiva em \u201cdes\u00f3rbita\u201d ao utilitarismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cabe lembrar que o sujeito contempor\u00e2neo, n\u00e3o raro, se apresenta empobrecido, \u201cdespossu\u00eddo da experi\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Apesar da infinidade de acessos que a tecnologia digital lhe permite, muitas vezes a ponto de extenu\u00e1-lo, isso, na maioria dos casos, n\u00e3o chega a se converter numa experi\u00eancia genu\u00edna, uma vez que lhe falta a \u201ctextura\u201d do fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ponto, \u00e9 poss\u00edvel estabelecer alguma proximidade entre fato est\u00e9tico e ato anal\u00edtico? Existe uma rela\u00e7\u00e3o de linearidade ou paralelismo entre esses dois conceitos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ensaio de uma possibilidade de resposta, podemos atribuir a ambos a mesma estrutura fenom\u00eanica, ou seja, se organizam no campo da experi\u00eancia enquanto acontecimento significante, \u201cainda que se passe por um gesto por raz\u00f5es topol\u00f3gicas.\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. S\u00e3o eventos que podem resultar em desordens fecundas que corroboram a singularidade do acontecido, reorganizam e redefinem a perspectiva da pr\u00f3pria experi\u00eancia. Um vinco mnem\u00f4nico que marca um antes e um depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outro desdobramento, bem pr\u00f3ximo, podemos tamb\u00e9m admitir que o fato est\u00e9tico pode percorrer as mesmas correntes da retifica\u00e7\u00e3o subjetiva, na medida em que, ao deslocarem o banal, eles podem promover momentos de s\u00fabita clareza, pequenas epifanias&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A est\u00e9tica e o belo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0<\/strong>Ainda que o conceito de est\u00e9tica tenha se ampliado para variados campos da pr\u00e1tica e do saber, a associa\u00e7\u00e3o ao belo resiste como n\u00facleo na tradi\u00e7\u00e3o conceitual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ensa\u00edsta e fil\u00f3sofo sul-coreano Byung-Chul Han tem importantes contribui\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas nessa \u00e1rea. Para ele, a beleza guarda \u201ccorrespond\u00eancias secretas entre as coisas e as representa\u00e7\u00f5es que ocorrem atrav\u00e9s de um longo espa\u00e7o temporal. A beleza ocorre ali, onde as coisas dirigem-se umas \u00e0s outras, entrando em rela\u00e7\u00e3o. Ela narra.\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Semin\u00e1rio 7, Lacan, ao abordar e explorar a quest\u00e3o do belo, alinha, quase que numa justaposi\u00e7\u00e3o, os conceitos de \u00e9tica e est\u00e9tica. Ele dir\u00e1 que a pr\u00e1tica anal\u00edtica deve ocorrer na baliza desses termos, destacando que a est\u00e9tica freudiana se centra na an\u00e1lise de toda economia de significantes<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda nesse Semin\u00e1rio, apoiado na literatura de Marqu\u00eas de Sade, Lacan seguir\u00e1 na explora\u00e7\u00e3o do conceito de belo ao projet\u00e1-lo como a \u00faltima fronteira do sujeito no enfrentamento do horror:<\/p>\n<blockquote><p>A verdadeira barreira que det\u00e9m o sujeito diante do campo do inomin\u00e1vel do desejo radical uma vez que \u00e9 o campo da destrui\u00e7\u00e3o absoluta, da destrui\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da putrefa\u00e7\u00e3o, \u00e9 o fen\u00f4meno est\u00e9tico propriamente dito, uma vez que \u00e9 identific\u00e1vel com a experi\u00eancia do belo \u2013 o belo em seu brilho resplandecente, esse belo do qual disseram \u00e9 o esplendor da verdade. \u00c9 evidentemente por o verdadeiro n\u00e3o ser muito bonito de se ver que o belo \u00e9, sen\u00e3o seu esplendor, pelo menos sua cobertura. [&#8230;] na escala do que nos separa do campo central do desejo, se o bem constitui a primeira rede que det\u00e9m, o belo forma a segunda, e chega mais perto. Ele nos det\u00e9m, mas tamb\u00e9m nos indica em que sentido se encontra o campo da destrui\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa interpreta\u00e7\u00e3o de Lacan, a partir dos textos sadianos, ao sustentar uma ins\u00f3lita linearidade entre o bem, o belo e o horror, mais tarde ser\u00e1 retomada para compor constru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas sobre a atua\u00e7\u00e3o do analista e da necessidade do desprendimento das boas inten\u00e7\u00f5es, dos bons sentimentos em rela\u00e7\u00e3o ao seu analisante: \u201cO belo \u00e9 o melhor inimigo do bem\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No n\u00facleo dessa express\u00e3o de Lacan fulgura o ox\u00edmoro \u201cmelhor inimigo\u201d. Alcan\u00e7ar a sofistica\u00e7\u00e3o desse agenciamento de significantes, dessa sutileza, e poder transportar isso para a pr\u00e1tica anal\u00edtica exige, por parte do analista, um v\u00ednculo est\u00e9tico com a linguagem e uma audi\u00e7\u00e3o \u00e0 flor do significante, despojada dos costumes sint\u00e1ticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre foi uma quest\u00e3o e tamb\u00e9m uma ambi\u00e7\u00e3o de Lacan que o analista da sua Escola, para ser digno da transfer\u00eancia, pudesse estar \u00e0 altura de seu tempo e \u201cter como suporte aquele saber que, por estar no lugar da verdade, pode interrogar-se como tal sobre o que \u00e9, desde sempre, a estrutura dos saberes\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Ele pr\u00f3prio nunca escondeu a necessidade de ter \u201cpessoas consideradas cultas\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> entre aquelas em condi\u00e7\u00f5es de lhe seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o poder\u00edamos, ent\u00e3o, inferir que, na proposi\u00e7\u00e3o de Lacan, se inscreve tamb\u00e9m a aspira\u00e7\u00e3o de superar uma poss\u00edvel debilidade de leitura e\/ou sensibilidade est\u00e9tica por parte do analista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa perspectiva, imprime-se o requisito de que o analista esteja plenamente informado das est\u00e9ticas operantes do seu tempo e do seu contexto. Que tenha acuidade cr\u00edtica para identificar a arquitetura imag\u00e9tica, as linhas t\u00e1citas e os cabrestos simb\u00f3licos que sustentam a realidade na qual se insere sua pr\u00e1tica cl\u00ednica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O analista lacaniano deve estar advertido de que alcan\u00e7ar a \u201cdouta ignor\u00e2ncia\u201d requer uma rotina de pr\u00e1tica e ambi\u00e7\u00e3o intelectual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas essas quest\u00f5es, cabe lembrar, devem acontecer sob a condi\u00e7\u00e3o elementar da forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica, ou seja, a pr\u00f3pria an\u00e1lise pessoal que, se n\u00e3o levada a termo, pelo menos em curso ou em vias de conclus\u00e3o. Um analista se forja e \u00e9 fruto justamente daquilo que oferece, ou seja, \u00e9 algu\u00e9m que se autoriza a partir dos efeitos da sua pr\u00f3pria an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A est\u00e9tica da viola\u00e7\u00e3o ou os jogos da dor<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sade antecipa Freud no cat\u00e1logo das pervers\u00f5es?<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> Esta e, provavelmente, outras quest\u00f5es levaram Lacan a se debru\u00e7ar sobre a doutrina sadiana em busca de elementos que pudessem compor, via arcabou\u00e7o conceitual psicanal\u00edtico, a matriz e a din\u00e2mica pulsional das pervers\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No enredo s\u00e1dico t\u00edpico, toda a maquinaria de sev\u00edcias se orienta para a produ\u00e7\u00e3o de sofrimento, do aviltamento do outro at\u00e9 o limite do suport\u00e1vel, na fronteira com a morte. \u201c[&#8230;] o despudor de um constitui por si s\u00f3 a viola\u00e7\u00e3o do pudor do outro.\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que a \u00e9tica sadiana preconizasse que \u201cnenhum homem pode ser propriedade de outro homem\u201d, isso n\u00e3o sinalizava a suspens\u00e3o do \u201cdireito de todos usufru\u00edrem dele, cada qual a seu gosto\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa disposi\u00e7\u00e3o de preceitos na t\u00e1bua de valores sadianos desata a ideia da coer\u00e7\u00e3o como princ\u00edpio, como mecanismo nuclear nos epis\u00f3dios de viola\u00e7\u00e3o, e coloca em seu lugar, a pr\u00f3pria viol\u00eancia em si. Interessava a Sade cultivar no corpo do outro uma flor de gume, habitar o v\u00f3rtice da viol\u00eancia. Esse arranjo l\u00f3gico abriga a ideia de que o verdugo \u201capenas deflagra o gozo pr\u00e9-existente no sujeito. At\u00e9 ent\u00e3o apagado pelas cinzas do desejo\u201d<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Rep\u00fablica de Sade, nesse ambiente de radicaliza\u00e7\u00e3o extrema, o desejo tem pouco valor no interc\u00e2mbio dos corpos. \u00c9 um s\u00edtio de conveni\u00eancias, um lugar onde o sujeito apenas vegeta. Em Sade, o gozo nunca \u00e9 horror; \u00e9, antes, uma quest\u00e3o de direito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao derramar imagens de sev\u00edcias extenuantes, Sade faz aparecer algo da sua fantasia que, segundo Lacan, \u00e9 a fantasia do sofrimento eterno. De algum modo, isso revela, por deriva\u00e7\u00e3o, que sua busca visava experimentar a sensa\u00e7\u00e3o de indestrutibilidade do sujeito. Em se tratando de Sade, isso \u00e9 quase uma f\u00e1bula infantil de eternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa pr\u00e1tica dos jogos da dor, nota-se uma conjun\u00e7\u00e3o entre a liturgia da viola\u00e7\u00e3o e os fen\u00f4menos da beleza, uma vez que alguns signos est\u00e9ticos, necessariamente, precisavam estar presentes. As v\u00edtimas de Sade nunca se apresentavam em andrajos, em apar\u00eancia derrocada, debilitadas ou estropiadas. Ao contr\u00e1rio, estavam sempre \u201cornadas n\u00e3o apenas com todas as belezas, mas com a pr\u00f3pria gra\u00e7a, sua derradeira flor\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Portanto, Sade estava longe de ser um cultor da morte; ao contr\u00e1rio, calculava sua ci\u00eancia, seu laborat\u00f3rio de crueldades, visando atingir o extremo das possibilidades do vivo e nunca inaugurar um cad\u00e1ver. Buscava, na \u00faltima fronteira da dor e do sofrimento, o favo amaro da beleza: \u201cviver o breu como se brio\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ironicamente, na intemperan\u00e7a da puls\u00e3o, Sade acaba por escrever sua antinomia existencial: buscar, na margem do aniquilamento do outro, o sopro vital que assinala a insist\u00eancia da vida. \u00c9 quase um cat\u00f3lico em seu prop\u00f3sito de sacrif\u00edcio e salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse ponto, Lacan vai em outra dire\u00e7\u00e3o e sublinha o aspecto contr\u00e1rio da fantasia sadiana em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e9tica crist\u00e3: \u201cSade recusa a ser meu semelhante\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, o que se revela aqui \u00e9 o que podemos chamar de \u201c\u00e9tica reversa\u201d, na qual uma se posiciona em contraste direto com a outra: de um lado a ren\u00fancia e a culpa, de outro, a afirma\u00e7\u00e3o radical do gozo e da transgress\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dito de outro modo, podemos afirmar que Sade sustentava uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica marcada pela disciplina da transgress\u00e3o. Lacan assinala isso ao afirmar que \u201cSade se recusa a ser tapeado por sua fantasia. O rigor do seu pensamento passa para a l\u00f3gica de sua vida\u201d<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a est\u00e9tica da \u00e9tica, ainda que na brasa da carne, no esc\u00e2ndalo da raz\u00e3o e numa conflu\u00eancia \u00fanica com a subvers\u00e3o do interdito moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afastado da \u00e9tica sadiana, Lacan, no final do seu ensino, ir\u00e1 aproximar o gozo ao sinthoma, agora sem o realce da transgress\u00e3o e sim, mais pr\u00f3ximo do que poder\u00edamos tomar por um arranjo singular, uma moldura est\u00e9tica a uma exist\u00eancia que apesar da ci\u00eancia, segue seu curso contagiado de insaberes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Real e a Est\u00e9tica \u2013 tempestades racionais \u00a0\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan foi mais que um intelectual; tal como Freud, foi um erudito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua cl\u00ednica e sua transmiss\u00e3o sustentaram sua Escola e estabeleceram seu ensino. Seu rigor com a causa anal\u00edtica nunca lhe permitiu retroceder diante dos impasses te\u00f3ricos e cl\u00ednicos, ainda que isso tramasse controv\u00e9rsias dentro do seu pr\u00f3prio discurso \u2013 Lacan contra Lacan.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opera\u00e7\u00e3o de seu \u00faltimo ensino, j\u00e1 bem afastado da preval\u00eancia do simb\u00f3lico no discurso anal\u00edtico, Lacan orientou sua cl\u00ednica a partir de tr\u00eas ordens n\u00e3o homog\u00eaneas: Inconsciente, Sinthoma e Real. Paradoxalmente, inst\u00e2ncias n\u00e3o homog\u00eaneas, mas consubstanciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa perspectiva, a pr\u00e1tica cl\u00ednica, apesar de ocorrer na esteira da linguagem, torna-se uma opera\u00e7\u00e3o que visa seus movimentos para al\u00e9m dos semblantes. Essa proposi\u00e7\u00e3o repercute um avan\u00e7o importante no ensino de Lacan, uma vez que a linguagem perde a sua fun\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de comunica\u00e7\u00e3o e ganha val\u00eancia de esteira de gozo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa breve retroa\u00e7\u00e3o, se voltarmos ao sistema RSI, podemos localizar conflu\u00eancias m\u00fatuas entre S e I, ou seja, toda palavra funda uma imagem e toda imagem ressoa uma palavra. E o real? O real \u00e9 da ordem do inelut\u00e1vel, tem sua presen\u00e7a numa esp\u00e9cie de \u201ccerteza suposta\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Porque o real se desloca de toda tentativa de formaliza\u00e7\u00e3o, de captura simb\u00f3lica, a psican\u00e1lise se erige ent\u00e3o como um dialeto de alus\u00f5es em torno dessa experi\u00eancia, uma vez que ele nunca se escreve, se retrai na linguagem mesma onde \u00e9 \u201csuposto manejado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O real, ao se vertebrar no significante, j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1. O que se acessa s\u00e3o os escombros do ideal, da antiga arquitetura subjetiva, socorrida \u00e0s pressas pela cadeia simb\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O real recusa simetrias e linearidades, que s\u00e3o modalidades de compreens\u00e3o do sujeito. N\u00e3o acolhe simpatias, uma vez que \u00e9 absolutamente n\u00e3o solid\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lacan dir\u00e1 que o real se afirma nos impasses da l\u00f3gica, introduzindo a\u00ed uma hi\u00e2ncia radical<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Qualquer tentativa de formaliza\u00e7\u00e3o do real sempre ir\u00e1 requerer tor\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas, concess\u00f5es de linguagem e flex\u00f5es te\u00f3ricas, uma vez que o real sempre se apresenta em sua substanciosa intangibilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A preemin\u00eancia que o conceito de real ganhou no \u00faltimo ensino de Lacan nos permite articular, por retroa\u00e7\u00e3o, seu lugar e sua fun\u00e7\u00e3o de conceito matricial na pr\u00e1tica anal\u00edtica. Assinala um ponto de converg\u00eancia, pois sustenta, articula e orienta a experi\u00eancia anal\u00edtica. Um conceito axial, uma palavra-prima, por onde orbita toda a ins\u00f4nia te\u00f3rica de Lacan, refundando inclusive a perspectiva do que \u00e9 o inconsciente, estabelecendo o sinthoma como uma s\u00edntese esclarecida da defesa do falasser. Uma articula\u00e7\u00e3o e sobretudo um arranjo singular de resposta \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o do corpo pela l\u00edngua do Outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sinthoma \u00e9 uma apreens\u00e3o depurada da estrutura e funcionamento do inconsciente pela via do sintoma. Uma escrita e tradu\u00e7\u00e3o sofisticada da inibi\u00e7\u00e3o e do embara\u00e7o, agora transmutados em alternativa e estilo: \u201cN\u00e3o \u00e9 o que eu quis. Mas sou.\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A essa altura, podemos, com alguma concess\u00e3o, apontar uma conflu\u00eancia entre o conceito de real e o fato est\u00e9tico. Ambos decorrem do ins\u00f3lito, da subtra\u00e7\u00e3o das conex\u00f5es est\u00e1veis e pertencimentos ordin\u00e1rios, repercutindo numa desapropria\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea do eu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se o real \u00e9 eminentemente da ordem da ruptura, da intrus\u00e3o e da eclos\u00e3o do desarranjo nas conveni\u00eancias e dom\u00ednios do falasser, o fato est\u00e9tico, por sua vez, \u00e9 marcado pela dispers\u00e3o do condicionamento perceptivo. Funda, na mir\u00edade das imagens e na ovula\u00e7\u00e3o do verbo (fecundando um novo sentido), uma ideia invulgar ou uma estampa siderante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o experi\u00eancias que coagulam o tempo, \u201caquele instante ef\u00eamero que faz estacionar o infinito dentro do homem.\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e9tica e real se conjugam na disc\u00f3rdia dos \u00e1tomos, na \u201cs\u00fabita reuni\u00e3o de infinitas desordens\u201d<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a> que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, expressam sua obl\u00edqua raz\u00e3o, sua ordem mais rec\u00f4ndita. Essa perspectiva ser\u00e1 corroborada por Lacan quando, num primeiro momento, dir\u00e1 que \u201ctudo o que \u00e9 real est\u00e1 sempre obrigatoriamente em seu lugar, mesmo quando se o perturba.\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo ensino de Lacan, poder\u00edamos propor, a est\u00e9tica do real culmina na express\u00e3o do sinthoma, essa escultura singular de gozo e contra\u00e7\u00e3o de sentido forjado ao final de uma experi\u00eancia anal\u00edtica: de uma solid\u00e3o que se sabe, ou de \u201cum desejo que se pensa e n\u00e3o se curva.\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, este argumento \u00e9 uma proposi\u00e7\u00e3o preambular ao tema que, submetido aos companheiros da causa anal\u00edtica na SLO, se p\u00f5e \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o e, principalmente, a todas as inser\u00e7\u00f5es de amplia\u00e7\u00e3o, aprimoramento e precis\u00e3o te\u00f3rica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele busca gerar \u201cvontade de escrita\u201d e, por efeito, quem sabe, acolher uma diversidade de trabalhos que dar\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0s VII Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste da EBP, que acontecer\u00e3o \u201cl\u00e1 onde Deus se recua, o mais longe poss\u00edvel do mar que sulcam os navios\u201d<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> ROSA, G. <em>Grande sert\u00e3o<\/em>: veredas. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 426.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> TALEB, N. N. <em>Antifr\u00e1gil<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Eduardo Rieche. 9. ed. Rio de Janeiro: Best Business, 2018. p. 393.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> FISHER, M. <em>Realismo capitalista<\/em>: \u00e9 mais f\u00e1cil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo? Tradu\u00e7\u00e3o: Rodrigo Gonsalves, Jorge Adeodato e Maikel da Silveira. S\u00e3o Paulo: Autonomia Liter\u00e1ria, 2020.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> HAN, B.-C. <em>A salva\u00e7\u00e3o do belo<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Gabriel Salvi Philipson. Petr\u00f3polis: Vozes, 2019. p. 16.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> LACAN, J. A agressividade em psican\u00e1lise. (1948) In: LACAN, J. <em>Escritos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 108.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> RANCI\u00c8RE, J. <em>A partilha do sens\u00edvel<\/em>: est\u00e9tica e pol\u00edtica. Tradu\u00e7\u00e3o: M\u00f4nica Costa Netto. 2. ed. S\u00e3o Paulo: EXO experimental org., Editora 34, 2009. p. 32.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> DIDI-HUBERMAN, G. <em>Sobreviv\u00eancia dos vaga-lumes<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Casa Nova e M\u00e1rcia Arbex. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011. p. 75.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 14: <em>A l\u00f3gica do fantasma<\/em>. (1966-1967) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o: Teresinha N. Meirelles do Prado. Rio de Janeiro: Zahar, 2024. p. 172.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> HAN, 2019, <em>op. cit.<\/em>, p. 105.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 7: <em>A \u00e9tica da psican\u00e1lise<\/em>. (1959-1960) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o: Ant\u00f4nio Quinet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997. p. 197.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 265.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> <em>Ibid<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 19: <em>&#8230;ou pior<\/em>. (1971-1972) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Zahar, 2012. p. 226.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> LACAN, J. <em>Nomes-do-Pai<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Andr\u00e9 Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005. p. 86.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> LACAN, J. Kant com Sade. (1962) In: LACAN, J. <em>Escritos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o: Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998. p. 776.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 783.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> <em>Ibid<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> <em>Ibid<\/em>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> LACAN, 1959-1960\/1997, <em>op. cit.<\/em>, p. 316.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> MARANH\u00c3O, S. <em>A cor da palavra<\/em>. Rio de Janeiro: Imago, Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, 2009. p. 222.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> LACAN, 1962\/1998, <em>op. cit.<\/em>, p. 801.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> <em>Ibid<\/em>., p. 789.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> LACAN, 1971-1972\/2012, <em>op. cit<\/em>., p. 39.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> BRITTO, P. H. <em>Formas do nada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 35.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> DICKE, R. G. <em>Madona dos P\u00e1ramos<\/em>. Cuiab\u00e1: Carlini &amp; Caniato, Cathedral Publica\u00e7\u00f5es, 2008. p. 347.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> BORGES, J. L. <em>Obras completas de Jorge Luis Borges<\/em>. v. I. S\u00e3o Paulo: Globo, 2000. p. 259.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 4: <em>A rela\u00e7\u00e3o de objeto<\/em>. (1956-1957) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o: Dulce Duque Estrada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1995. p. 31.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> PEREIRA. E. A. <em>O ausente<\/em>. Belo Horizonte: Relic\u00e1rio Edi\u00e7\u00f5es, 2020. p. 102<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> DICKE, 2008, <em>op. cit.,<\/em> p. 328.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space height=&#8221;50px&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;14040&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Argumento A Psican\u00e1lise e a Est\u00e9tica do Real \u00a0Ary Farias &#8211; EBP\/AMP \u00a0&#8230;subi os abismos&#8230;[1] Buscar a constru\u00e7\u00e3o de elos entre os conceitos de est\u00e9tica e real em psican\u00e1lise ser\u00e1 o desafio deste breve argumento. Est\u00e9tica e real s\u00e3o voc\u00e1bulos que, estruturalmente, carregam densidades sem\u00e2nticas que alastram e multiplicam seus efeitos de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":14035,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-14042","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/14042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14042"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/14042\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14044,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/14042\/revisions\/14044"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/14035"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}