{"id":13727,"date":"2025-05-02T15:44:39","date_gmt":"2025-05-02T18:44:39","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/?page_id=13727"},"modified":"2025-05-02T15:51:35","modified_gmt":"2025-05-02T18:51:35","slug":"vi-jornadas-ebp-secao-lo-encontros-e-desencontros-parcerias-sintomaticas-eixos-tematicos-arte-politica-e-sinthoma","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/vi-jornadas-ebp-secao-lo-encontros-e-desencontros-parcerias-sintomaticas-eixos-tematicos\/vi-jornadas-ebp-secao-lo-encontros-e-desencontros-parcerias-sintomaticas-eixos-tematicos-arte-politica-e-sinthoma\/","title":{"rendered":"Arte, Pol\u00edtica e Sinthoma"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;13513&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column]<div class=\"vcex-spacing wpex-w-100 wpex-clear\"><\/div>[\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<p><span style=\"font-size: 13px;\">Ary Farias (EBP-AMP)<\/span><\/p>\n<p>Arte, pol\u00edtica e sinthoma. \u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar uma linha comum que atravesse essas tr\u00eas inst\u00e2ncias conceituais em psican\u00e1lise de maneira a estruturar uma conjuga\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel?<\/p>\n<p>De todo modo, s\u00e3o pe\u00e7as te\u00f3ricas fundamentais na pr\u00e1tica da cl\u00ednica lacaniana e incitam sempre uma cl\u00ednica arguta capaz de ler e interpretar a subjetividade do sujeito contempor\u00e2neo, que se arranja sempre como resposta \u00e0s idiossincrasias estruturais do seu tempo, com seus fatos hist\u00f3ricos, pol\u00edticos e culturais \u2013 o momento hist\u00f3rico, esse caldeir\u00e3o sempre a verter o flu\u00eddo imag\u00e9tico de seus dias, seus impasses, seus s\u00edmbolos e os constantes desarranjos advindos da eclos\u00e3o do real no tecido da exist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Arte<\/strong><\/p>\n<p>Lacan, depois de uma primeira visada com a literatura de Marguerite Duras, encontrou na literatura de James Joyce novamente aspectos que corroboravam e faziam avan\u00e7ar aquilo que ele ensinava. Leu em sua literatura uma express\u00e3o de parceria sintom\u00e1tica estruturante, o quarto elemento que enodaria a trindade RSI. Para tanto, Joyce produziu uma escrita desancorada da sua fun\u00e7\u00e3o de mensagem, um <em>nonsense<\/em> com preval\u00eancia absoluta da materialidade fon\u00e9tica sobre a estrutura formal do texto. Uma escrita que ocorre \u00e0s margens das regras ortogr\u00e1fica, sem\u00e2ntica e mesmo fronteiras idiom\u00e1ticas. Joyce escreve a Babel das l\u00ednguas com sua literatura alforriada de sentido e, podemos inferir, de algum modo, \u201cescreve\u201d a n\u00e3o exist\u00eancia do grande Outro<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>De um modo geral, podemos tomar a arte como manufatura de gozo sofisticada, uma vez que o produto advindo da\u00ed resulta de uma leitura e de uma interpreta\u00e7\u00e3o singular sobre as quest\u00f5es que fazem voragem ao corpo vivo.<\/p>\n<p>O artista \u00e9 um int\u00e9rprete de seu tempo, tem a ins\u00f3lita fun\u00e7\u00e3o de ser arauto dos ocasos, \u00e9 a consci\u00eancia aguda de sua \u00e9poca. Por outro lado, em seu aspecto luminar, o artista \u00e9 aquele que domina o engenho da transposi\u00e7\u00e3o do abjeto ao sublime. Em seu fazer, corrobora Lacan ao assinalar a incontest\u00e1vel solid\u00e3o do Um no que se refere \u00e0 experi\u00eancia de gozo no corpo. Seu artefato escreve essa fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<p>A perspectiva de abordar a psican\u00e1lise pelo vi\u00e9s da pol\u00edtica necessariamente convoca, de modo preambular, a infer\u00eancia do conceito de gregarismo j\u00e1 bem desenvolvida pela Sociologia. Em psican\u00e1lise, no homem, para al\u00e9m dos compromissos biol\u00f3gicos, o viver junto responde a uma necessidade de identifica\u00e7\u00e3o e pertencimento simb\u00f3lico. O rebanho humano faz la\u00e7o de compromisso a partir do h\u00famus da linguagem. De algum modo, o rebanho \u00e9 o idioma. De outra forma, a l\u00edngua funda as na\u00e7\u00f5es de gozo, essa geopol\u00edtica com a qual a psican\u00e1lise, desde Lacan, se ocupa e busca estabelecer. A demografia lacaniana estuda a din\u00e2mica da popula\u00e7\u00e3o de gozo.<\/p>\n<p>Portanto, podemos tomar a pol\u00edtica como a condi\u00e7\u00e3o mesmo do inconsciente, uma vez que \u00e9 a partir do Outro que um corpo pode autoproclamar exist\u00eancia e unidade. Ter um corpo decorre, ent\u00e3o, dos efeitos dessa imers\u00e3o na l\u00edngua do Outro, cuja cosmologia reflete sua fun\u00e7\u00e3o estrutural. H\u00e1 inclusive duas capturas literais, em momentos diferentes, no ensino de Lacan, onde \u00e9 poss\u00edvel localizar o desenvolvimento das formula\u00e7\u00f5es sobre o inconsciente: \u201cA linguagem \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o do inconsciente, \u00e9 isto o que eu digo\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> e, em outro momento, \u201c[\u2026] n\u00e3o digo A pol\u00edtica \u00e9 o inconsciente, mas simplesmente O inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> S\u00e3o afirma\u00e7\u00f5es que dilatam a compreens\u00e3o do inconsciente, uma vez que o acento desliza o seu n\u00facleo da linguagem para a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Essa perspectiva rompe com o paradigma de inconsciente como forma\u00e7\u00e3o herm\u00e9tica e ressoa suas origens no la\u00e7o social, ou seja, nas estruturas discursivas que acolhem o sujeito e organizam os lugares de enuncia\u00e7\u00e3o, os modos de uso do corpo e o que se estabelecer\u00e1 como itera\u00e7\u00e3o de gozo. Portanto, se o inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica, por extens\u00e3o natural, o pr\u00f3prio sintoma tamb\u00e9m o \u00e9, uma vez que \u00e9 legitimamente uma forma\u00e7\u00e3o do inconsciente.<\/p>\n<p>Al\u00e7ar a express\u00e3o sintom\u00e1tica ao campo do pol\u00edtico retroage e faz avan\u00e7ar a pr\u00f3pria compreens\u00e3o da pr\u00e1tica anal\u00edtica, um modelo de la\u00e7o social que se dedica a escrever, caso a caso, a estrat\u00e9gia e a fic\u00e7\u00e3o sustentadas pelo sujeito que ter\u00e3o por fun\u00e7\u00e3o fazer tela ao real \u2013 buscar no sintoma a sua verdade enigm\u00e1tica, grafada no corpo, n\u00e3o raro, em forma de r\u00e9bus. Imagens dissonantes que pululam em franca desordem na subjetividade do sujeito, no entanto, o analista lacaniano, informado do real, sabe que ali viceja a sua ordem mais rec\u00f4ndita: o falasser existe enquanto o real, involunt\u00e1rio e indiferente, lhe fizer apenas borda, e com isso lhe permitir que se abrigue sob o manto do simb\u00f3lico e do imagin\u00e1rio. O falasser \u00e9, antes de tudo, irrevers\u00edvel. Arena viva de gozo. Essa \u00e9 a ang\u00fastia que pede pol\u00edtica para poder suport\u00e1-la. Pede o Outro.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Sinthoma<\/strong><\/p>\n<p>Ao abordar o sinthoma, partimos da premissa de que o ensino de Lacan se desenvolveu teoricamente no sentido da travessia do fantasma \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o ao sinthoma. Aqui se situa a pedra angular do que se articulou posteriormente.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, a cl\u00ednica opera com novos irrevog\u00e1veis, poder\u00edamos dizer. Em seu n\u00facleo temos o falasser, o gozo, o corpo e o real. Nessa ordena\u00e7\u00e3o, o sinthoma ser\u00e1 a extra\u00e7\u00e3o ao final da experi\u00eancia anal\u00edtica, aquilo que se projeta como marca d\u2019\u00e1gua na carne atravessada pelo significante. No sentido do que avan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao sintoma sem th, o que se escreve agora dispensa a fun\u00e7\u00e3o de mensagem cifrada ao Outro, para se pautar como letra, como ravina\u00e7\u00e3o no corpo e, por efeito, escreve algo da solu\u00e7\u00e3o singular do Um frente ao real.<\/p>\n<p>De algum modo, a solu\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise revela o ponto de assun\u00e7\u00e3o ao real, ou seja, descortina ao falasser o campo do imposs\u00edvel, aquilo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever, sem, contudo, lhe imputar uma condi\u00e7\u00e3o de f\u00e9. A psican\u00e1lise \u00e9 uma pr\u00e1tica profana. Tem por norte devolver o sujeito aos efeitos radicais das suas escolhas, trazendo \u00e0 tona o que se inscreve como significante-mestre e os efeitos da retifica\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p>Em suma, o sinthoma \u00e9 uma resposta ao real. Admitir essa singularidade que se replica caso a caso \u00e9 o que orienta o analista lacaniano a receber pessoas em an\u00e1lise e, j\u00e1 esclarecido de que, ao faz\u00ea-lo, se autoriza a lidar com formas imprevistas de existir.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LACAN, J. Joyce, o Sintoma. (1976) In: LACAN, J. <em>Outros escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. p. 560-566.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 17: <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em>. (1969-1970) Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o: Ari Roitman. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992. p. 39.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio<\/em>, livro 14: <em>A l\u00f3gica do fantasma<\/em>. (1966-1967) Tradu\u00e7\u00e3o: Teresinha N. Meirelles do Prado. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 2024. p. 267.<\/span>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;13513&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Ary Farias (EBP-AMP) Arte, pol\u00edtica e sinthoma. \u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar uma linha comum que atravesse essas tr\u00eas inst\u00e2ncias conceituais em psican\u00e1lise de maneira a estruturar uma conjuga\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel? 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