{"id":1342,"date":"2018-02-01T12:38:46","date_gmt":"2018-02-01T14:38:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ebp.org.br\/ba\/?page_id=1342"},"modified":"2018-02-01T12:38:46","modified_gmt":"2018-02-01T14:38:46","slug":"outras-atividades","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/ensino\/outras-atividades\/","title":{"rendered":"Outras Atividades"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Abertura das Atividades da SLOf em 03 de mar\u00e7o de 2020.<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Boa noite a todos,<\/p>\n<p>Primeiramente, para quem n\u00e3o me conhece, meu nome \u00e9 R\u00f4mulo Ferreira da Silva e estou exercendo a fun\u00e7\u00e3o de diretor Geral da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste da EBP, em forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quero esclarecer o funcionamento desse dispositivo que inauguramos hoje para que possamos trabalhar da melhor forma poss\u00edvel, atravessando as barreiras que ele nos coloca.<\/p>\n<p>Vamos seguir a orienta\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o de m\u00eddias da SLOf, composta por:<\/p>\n<p>Goi\u00e2nia: Cristina Alves Barbosa, Bras\u00edlia: Daniel Camelo Rancan, Campo Grande: Amanda Soares de Vargas, Vit\u00f3ria: Lucas Fraga Gomes, e coordenada por Gabriela Malvezzi, associada ao Clin-a, que se apresentou como a pessoa de confian\u00e7a para se responsabilizar por essa empreitada.<\/p>\n<p>Tomo a palavra em nome da diretoria da SLOf composta por Ord\u00e1lia Junqueira, diretora secret\u00e1ria-tesoureira, Ary Farias, diretor de Cart\u00e9is e Interc\u00e2mbio e Bartyra Ribeiro, diretora de biblioteca.<\/p>\n<p>Sigo, acompanhado pelo Conselho da Slof, Elisa Alvarenga, sua presidente, Alberto Murta, Cristiano Pimenta, F\u00e1bio Barreto, Renato Vieira e T\u00e2nia Anchite.<\/p>\n<p>Temos, tanto na EBP, assim como em suas nas se\u00e7\u00f5es, um funcionamento bicameral conforme seu estatuto: \u201cA Diretoria \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o administrativo da\u00a0<strong>SE\u00c7\u00c3O<\/strong>. Cabe a ela coordenar as atividades cient\u00edficas e culturais da\u00a0<strong>SE\u00c7\u00c3O <\/strong>homologadas pelo Conselho;Organizar, conforme normas e objetivos da\u00a0<strong>SE\u00c7\u00c3O<\/strong>, os eventos cient\u00edficos regionais, incluindo-se cursos, semin\u00e1rios, confer\u00eancias, col\u00f3quios e jornadas\u201d. O Conselho Deliberativo \u201c\u00e9 o \u00f3rg\u00e3o consultivo e decis\u00f3rio da\u00a0<strong>SE\u00c7\u00c3O<\/strong>, Ele deve zelar pelos princ\u00edpios \u00e9ticos, doutrin\u00e1rios e pol\u00edticos da <strong>ESCOLA<\/strong>;\u00a0Orientar e deliberar sobre o ensino na <strong>SE\u00c7\u00c3O<\/strong>;Receber, analisar e homologar as propostas de ensino e eventos cient\u00edficos da\u00a0<strong>SE\u00c7\u00c3O <\/strong>encaminhadas pela Diretoria;<strong>\u00a0<\/strong>Elaborar Regimento Interno da <strong>SE\u00c7\u00c3O<\/strong> e submet\u00ea-lo \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o do Conselho Deliberativo da <strong>ESCOLA<\/strong>;\u201d<\/p>\n<p>Quero agradecer \u00e0 Diretoria da EBP, representada por S\u00e9rgio de Castro, seu diretor Geral, e ao Conselho da EBP, representado por sua presidente, Sandra Grostein, a confian\u00e7a, ao me fazerem o convite para participar desse novo passo dado pela EBP.<\/p>\n<p>Como fui diretor e, posteriormente, presidente da EBP em outros tempos, acompanhei de muito perto o funcionamento das ex-delega\u00e7\u00f5es que compunham o panorama da EBP \u00e0 \u00e9poca. Posso dizer que as Delega\u00e7\u00f5es ocuparam um espa\u00e7o privilegiado em minha pauta de diretor e de presidente. Fizemos um trabalho enorme para a constitui\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es que poderiam fornecer solidez para a exist\u00eancia das Delega\u00e7\u00f5es, tirando-as do funcionamento jur\u00eddico informal.Tivemos muitos avan\u00e7os.<\/p>\n<p>Ocorria uma certa autonomia de cada localidade em suas propostas de trabalho, j\u00e1 que as Associa\u00e7\u00f5es gozavam de independ\u00eancia financeira e estatut\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Escola, mas, ao mesmo tempo, nos momentos de crise, a Escola era convocada, abolindo a autonomia e independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje entendo, e estou de pleno acordo com a proposi\u00e7\u00e3o da Escola em tentar fundar uma nova Se\u00e7\u00e3o que inclua tr\u00eas ex-delega\u00e7\u00f5es, ou quem sabe, quatro localidades, que h\u00e1 muito tempo est\u00e3o inseridas na Escola atrav\u00e9s do trabalho de seus membros, aderentes, participantes etc.<\/p>\n<p>Trata-se das extintas Delega\u00e7\u00f5es ES, MT\/MS e GO\/DF.<\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o de tais dispositivos de trabalho, as Delega\u00e7\u00f5es, delimitou, \u00e0 \u00e9poca, espa\u00e7os que reuniam analistas interessados em fundar ou aprofundar o trabalho em torno da psican\u00e1lise da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. La\u00e7os locais j\u00e1 existentes puderam encontrar um lugar simbolicamente instaurado pela EBP, a partir da proximidade geogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>No entanto, com o passar do tempo, tornou-se importante retomar os princ\u00edpios do funcionamento da Escola de Lacan que prev\u00ea, por exemplo, a permuta\u00e7\u00e3o dos cargos ocupados. Se temos um pequeno grupo em torno da causa anal\u00edtica, \u00e9 preciso contar com a diversidade e diferen\u00e7as de posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As Delega\u00e7\u00f5es cresceram, mas n\u00e3o o suficiente para organizarem o coletivo desses analistas em um funcionamento entendido dentro da l\u00f3gica da Escola. Sabemos que a presen\u00e7a de um l\u00edder \u00e9 importante no exerc\u00edcio centr\u00edpeto em torno de um tema, mas \u00e9 necess\u00e1rio que esse l\u00edder esteja aberto \u00e0s for\u00e7as centr\u00edfugas que a forma\u00e7\u00e3o de um grupo instaura.<\/p>\n<p>Coloca-se um dilema: se o l\u00edder local \u00e9 forte e consegue fazer um trabalho sem grandes desvios da Orienta\u00e7\u00e3o original, constitui-se um grupo homog\u00eaneo, que segue a norma do l\u00edder, ou seja, tudo o que Lacan criticou nas forma\u00e7\u00f5es dos grupos da IPA.<\/p>\n<p>Se por outro lado, o l\u00edder \u00e9 fraco e n\u00e3o consegue fazer com que os princ\u00edpios da psican\u00e1lise prevale\u00e7am, o grupo tende \u00e0 err\u00e2ncia, pautada nas paix\u00f5es de cada candidato \u00e0 novo l\u00edder.<\/p>\n<p>Observa-se muitos trabalhadores em torno da psican\u00e1lise nos la\u00e7os institu\u00eddos pela aproxima\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, que se dedicam enormemente \u00e0 sustenta\u00e7\u00e3o de suas posi\u00e7\u00f5es locais.<\/p>\n<p>Trata-se da l\u00f3gica de grupo, que \u00e9 inevit\u00e1vel em qualquer proposta de associa\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Estou aqui, diante de voc\u00eas para tentar cumprir uma proposta que n\u00e3o fui autor.<\/p>\n<p>Coloco-me com muito orgulho, como um dos atores que protagonizam mais um epis\u00f3dio da EBP\/AMP.<\/p>\n<p>Sabemos, desde Freud, da import\u00e2ncia da presen\u00e7a dos corpos na experi\u00eancia anal\u00edtica. Essa recomenda\u00e7\u00e3o se estende para os muitos mecanismos de forma\u00e7\u00e3o do analista, seja a supervis\u00e3o, o cartel, e \u00e0 transmiss\u00e3o te\u00f3rica da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, seguindo tamb\u00e9m a orienta\u00e7\u00e3o de Freud e de Lacan, de que o psicanalista deve estar \u00e0 altura de sua \u00e9poca, \u00e9 preciso avaliaras barreiras impostas pelo espa\u00e7o e pelo tempo.<\/p>\n<p>O mundo contempor\u00e2neo inventou mecanismos de transp\u00f4-las, e n\u00e3o devemos, ao menos, nos furtar a testa-las.<\/p>\n<p>Com a aposta de colocar uma nova Se\u00e7\u00e3o da Escola, em funcionamento, a EBPsubverte os la\u00e7os de trabalho estabelecidos de longa data, baseados nos lugaresnos quais as iniciativas pr\u00f3-Escola foram fundados, ou seja, as tr\u00eas ex-delega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao dispersar o grupo, a Escola amplia a experi\u00eancia de espa\u00e7o e de tempo de seus participantes, e ainda, possibilita a abertura dos la\u00e7os. \u00c9 sempre a oportunidade de respirar!<\/p>\n<p>Podemos testemunhar essa experi\u00eancia se nos pautarmos nos trabalhos de cartel que j\u00e1 participamos.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que o Cartel \u00e9 a c\u00e9lula da Escola. Primeiro ponto: o cartel \u00e9 da Escola, n\u00e3o \u00e9 do grupo local. Segundo ponto: o Mais um \u00e9 um l\u00edder, mas \u00e9 um l\u00edder fraco. Ele sabe n\u00e3o saber, sabe instigar o trabalho em torno de um tema e n\u00e3o dele mesmo. O mais um pode fazer circular os discursos dentro do cartel impedindo as sedimenta\u00e7\u00f5es de espa\u00e7os ocupados. Ele dura dois anos no m\u00e1ximo. Depois \u00e9 dissolvido e \u00e9 preciso permutar. Permutar os participantes, os temas e os lugares ocupados.<\/p>\n<p>Seria importante podermos trabalhar o texto de Lacan D\u2019\u00c9colage, um texto curto que nos d\u00e1 as orienta\u00e7\u00f5es sobre o Cartel, e consequentemente, sobre a Escola.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso fazer valer esse funcionamento do cartel no universo de cada Se\u00e7\u00e3o. Por mais consistente que seja o trabalho a\u00ed constitu\u00eddo, a Escola o desarranja, incomoda, faz circular.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o da Escola que, de certa maneira, se viu inoperante nas Delega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o da AMP em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s Escolas que a comp\u00f5em. \u00c9 a fun\u00e7\u00e3o da Escola UNA! \u00c9 a fun\u00e7\u00e3o dos Cart\u00e9is do Passe que se organizam de tempos em tempos no Col\u00e9gio do Passe, \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o das Comiss\u00f5es da Garantia, Europeia e Americana, dos Encontros, dos Congressos etc.<\/p>\n<p>Podemos dizer que nunca estamos fora do risco de nos desviarmos do que \u00e9 a psican\u00e1lise, por mais prof\u00edcuo que seja o trabalho realizado.<\/p>\n<p>Foi por essa via que o Conselho da EBPdeterminou a extin\u00e7\u00e3o das Delega\u00e7\u00f5es, e me convenceu a aceitar o convite de estar aqui com voc\u00eas.<\/p>\n<p>A SLOf re\u00fane um Brasil diversificado. Vamos enfrentar no dia a dia, da Se\u00e7\u00e3o o que se enfrenta no \u00e2mbito nacional: as diferen\u00e7as dos h\u00e1bitos, dos sotaques, do clima. Circularemos pelo cerrado , pelo pantanal e pela praia.Modos de vida e de la\u00e7os sociais que nos colocar\u00e3o em desafio em fazer valer a cega cortante da verdade freudiana onde quer que ela tenha de incidir.<\/p>\n<p>A minha aposta \u00e9 na constru\u00e7\u00e3o do Um dessa Se\u00e7\u00e3o em forma\u00e7\u00e3o. As atividades das ter\u00e7as-feiras que hoje se inauguram, podem nos colocar diante das diferen\u00e7as que antes nos distanciavam, sem elimin\u00e1-las por completo.<\/p>\n<p>Quando fazemos uma aposta, deixamos cair o que antes era a nossa garantia. Convido a todos que joguem seus dados.<\/p>\n<p>Seguindo Lacan, vamos apostar no funcionamento.<\/p>\n<p>Por enquanto, nenhum de n\u00f3s est\u00e1 \u00e0 altura de declarar: \u201cEu fundo a SLOf\u201d.<\/p>\n<p>Apostando no funcionamento, estamos propondo:<\/p>\n<p><strong>As I Jornadas da SLOf<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Data: 09 e 10 de outubro de 2020<\/li>\n<li>Local: Alian\u00e7a francesa em Bras\u00edla- DF<\/li>\n<li>Convidado: Romildo do R\u00eago Barros<\/li>\n<li>Tema: a ser definido<\/li>\n<\/ul>\n<p>As Jornadas ter\u00e3o como ponto de partida para a apresenta\u00e7\u00e3o de trabalhos os produtos de cart\u00e9is da SLOf.<\/p>\n<p>Em breve voc\u00eas receber\u00e3o not\u00edcias!<\/p>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">PROGRAMA\u00c7\u00c3O<\/span><\/h3>\n<p>Sobre a programa\u00e7\u00e3o podemos observar a l\u00f3gica bicameral que a EBP segue em seu funcionamento: Diretoria e Conselho, como dito acima.<\/p>\n<p>\u00c0 Diretoria cabem as orienta\u00e7\u00f5es epist\u00eamicas sobre o funcionamento do dia-a-dia de uma Se\u00e7\u00e3o. Faremos atividades de Cart\u00e9is e de Bibliotecas que sustentam a vida de uma Se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na atividade de Cart\u00e9is abordaremos tanto o fundamento do Cartel como c\u00e9lula da Escola, como colocaremos a c\u00e9u aberto o que ocorre no \u00e2mbito de nossa Se\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa atividade ocorrer\u00e1 em duas ocasi\u00f5es nesse semestre e estar\u00e1 a cargo de Ary farias.<\/p>\n<p>As atividades de Biblioteca nos trar\u00e3o o que h\u00e1 de mais interessante para a leitura, interpreta\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica das conex\u00f5es com a psican\u00e1lise no contexto atual, sob a responsabilidade de Bartyra Ribeiro de Castro.<\/p>\n<p>A Diretoria abordar\u00e1 os pontos de encontros que temos pela frente no \u00e2mbito da EBP e da AMP. Para o Congresso da AMP em Buenos Aires, que ocorrer\u00e1 de 13 a 16 de abril de 2020, Sandra Grostein, nossa presidente, far\u00e1 uma preparat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Ord\u00e1lia Junqueira nos apresentar\u00e1 o Encontro Brasileiro, e S\u00e9rgio de Castro, nosso Diretor Geral, far\u00e1 o aquecimento desse Encontro que ocorrer\u00e1 em novembro de 2020, em Salvador!<\/p>\n<p>Abordaremos tamb\u00e9m a Escola de Lacan!<\/p>\n<p>Tema j\u00e1 muito visitado por todos, mas inesgot\u00e1vel! A L\u00f3gica da Escola est\u00e1 entranhada em nossas experi\u00eancias de an\u00e1lise pessoal, da cl\u00ednica supervisionada e do estudo te\u00f3rico. Entendemos que \u00e9 fundamental retomarmos essa inven\u00e7\u00e3o de Lacan no momento em que estamos juntando tr\u00eas polos de trabalho h\u00e1 muito tempo existente para que possamos discutir os princ\u00edpios da formaliza\u00e7\u00e3o lacaniana que sustentam uma institui\u00e7\u00e3o singular como essa.<\/p>\n<p>Ao Conselho da SLOf caber\u00e1 a tarefa mais propriamente epist\u00eamica. Trabalharemos o curso de Jacques-Alain Miller \u201cO Lugar e o la\u00e7o\u201d, nada mais indicado para nos depararmos com os desafios que certamente encontraremos em nossa empreitada.<\/p>\n<p>O Conselho abordar\u00e1 tamb\u00e9m o Passe, inven\u00e7\u00e3o lacaniana que nos \u00e9 extremamente cara e que redefine a forma\u00e7\u00e3o do analista de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana.<\/p>\n<p>A supervis\u00e3o e a Garantia tamb\u00e9m est\u00e3o na pauta do Conselho.<\/p>\n<p>Preparem-se![\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Reportando a abertura das atividades da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste, em forma\u00e7\u00e3o<\/span><\/h3>\n<p>Nesta \u00faltima ter\u00e7a-feira, dia 03 de mar\u00e7o de 2020, come\u00e7aram as atividades da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste, em forma\u00e7\u00e3o (SLOf).<\/p>\n<p>Interligados pela tecnologia que nos permite transpor os limites geogr\u00e1ficos e vencer obst\u00e1culos jamais imaginados, os quatro territ\u00f3rios desta nova Se\u00e7\u00e3o da EBP se conectou em torno da fala de abertura e de boas vindas de Romulo Ferreira da Silva \u2013 Diretor da SLOf.<\/p>\n<p>Romulo teve a oportunidade de apresentar a configura\u00e7\u00e3o estatut\u00e1ria da EBP e justificar a cria\u00e7\u00e3o desta Se\u00e7\u00e3o de acordo com o funcionamento bicameral da EBP. Nesta fala inicial, houve espa\u00e7o para a descri\u00e7\u00e3o dos cargos dos Membros de Escola ligados, tanto \u00e0 SLOf, quanto \u00e0 Diretoria Geral da EBP, quanto ao seu Conselho Deliberativo e suas fun\u00e7\u00f5es coordena\u00e7\u00e3o as atividades que a nova Se\u00e7\u00e3o levar\u00e1 a cabo no primeiro semestre deste ano.<\/p>\n<p>Foi uma noite bastante concorrida nos quatro lugares da SLOf \u2013 Esp\u00edrito Santo, Goi\u00e1s, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal, onde se localiza a nossa sede jur\u00eddica.<\/p>\n<p>E torno de 100 participantes, distribu\u00eddos pelos diferentes locais, puderam assistir a este lan\u00e7ar de dados numa aposta no desejo decidido dos membros da EBP que se colocam ao trabalho para fazer funcionar efetivamente a Escola de Lacan e suas localidades.<\/p>\n<p>Desejamos \u00f3timo trabalho a todos.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">1\u00aa Noite do Conselho na SLOf<\/span><\/h3>\n<p>Sandra Grostein, Presidente do Conselho da EBP, apresentou o tema do Congresso da AMP &#8211; O sonho, sua interpreta\u00e7\u00e3o e seu uso na cl\u00ednica lacaniana, para questionar se o sonho se presta como via r\u00e9gia para o inconsciente real.<\/p>\n<p>Antes de iniciar propriamente o tema, Sandra nos convidou a todos para o F\u00f3rum Zadig que acontecer\u00e1 em SP, dia 19 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Para abordar o tema do sonho, Sandra se valeu de seu texto publicado no pap\u00e9is II, lendo-o para n\u00f3s, a fim de que pud\u00e9ssemos detalha-lo.<\/p>\n<p>Neste texto, Sandra ressalta que Lacan afirma que o sonho tem a mesma estrutura do desejo, nos lembra que a fun\u00e7\u00e3o do sonho \u00e9 proteger nosso sono das perturba\u00e7\u00f5es e que nada al\u00e9m de um desejo pode colocar nosso aparelho ps\u00edquico a trabalhar.<br \/>\nSandra retoma Lacan em dois momentos outros: Semin\u00e1rios 17 e 8 para trabalhar o despertar. O despertar para continuar sonhando e n\u00e3o nos aproximarmos da verdade, e o despertar pela aproxima\u00e7\u00e3o do sonho ao real.<br \/>\nTratar-se-ia de despertar o analisante? Nos pergunta Sandra em seu texto como ponto relevante onde sonho e sintoma se articulariam.<br \/>\nSandra recorre a Miller em O Ultrapasse, quando coloca duas possibilidades de orienta\u00e7\u00e3o para a cl\u00ednica: orientar-se pelo sintoma ou pela fantasia, articulando pela diferen\u00e7a entre ser e existir.<br \/>\nO sintoma \u00e9 tomado como uma fun\u00e7\u00e3o diferente do sonho, dos lapsos, dos atos falhos e dos chistes.<br \/>\nAssim, mais uma pergunta surge na proposta de Sandra: como avan\u00e7ar para al\u00e9m da fala numa an\u00e1lise?<\/p>\n<p>Assim, Sandra Grostein nos convocou, mais uma vez, a ir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 articula\u00e7\u00e3o da interpreta\u00e7\u00e3o do sonho distinta do sintoma, quando do Congresso da AMP em Buenos Aires, em abril pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Agradecemos muito a Sandra pela sua disposi\u00e7\u00e3o generosa em n\u00f3s colocar a trabalho.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Reportando a 3\u00aa terca da Slof<\/span><\/h3>\n<p>Nesta terceira ter\u00e7a da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste (em forma\u00e7\u00e3o), Elisa Alvarenga \u2013 Presidente do Conselho da SLOf, iniciou a leitura do Semin\u00e1rio de Jacques-Alan Miller \u2013 O Lugar e o La\u00e7o, de 2000 \u2013 como um tema a ser trabalhado rumo ao Um desta nova se\u00e7\u00e3o da EBP.<\/p>\n<p>Elisa come\u00e7a nos lembrando Lacan quando nos ensina que deve renunciar a ser psicanalista quem n\u00e3o alcan\u00e7ar a subjetividade de sua \u00e9poca.<\/p>\n<p>Elisa comentou o primeiro cap\u00edtulo do texto estabelecido por Graciela Brodsky, intitulado La tentaci\u00f3n del psicoanalista, partindo da aposta no passe, na Escola de Lacan. A tenta\u00e7\u00e3o do psicanalista, conforme Miller nos traz, \u00e9 a de tornar-se um cl\u00ednico. Cl\u00ednico \u00e9 aquele que se separa do que ele \u00e9.<\/p>\n<p>Elisa ressalta que \u2018o lugar e o la\u00e7o\u2019 pode ser tomado igualmente como \u2018o lugar \u00e9 o la\u00e7o\u2019, o que coloca cada um no lugar de analisante. A asson\u00e2ncia sonora entre lien (lugar) e lieu (la\u00e7o) nos remete ao fato de que, por um lado est\u00e1 o la\u00e7o e por outro, o lugar, e que o analista, em sua pr\u00e1tica, est\u00e1 em dois lugares. O psicanalista faz parte do conceito do inconsciente fazendo parte da cl\u00ednica da qual ele \u00e9 causa.<\/p>\n<p>Elisa segue com Lacan para nos dizer que o ensino s\u00f3 acontece verdadeiramente quando acontece algo novo.<\/p>\n<p>No que tange ao controle, Miller dedica parte deste cap\u00edtulo ressaltando que o que se controla \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o entre o lugar e o la\u00e7o. Da mesma forma que h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o entre controle e passe, pois, no passe, o passante vem contar a um outro, algo sobre um terceiro.<\/p>\n<p>Elisa lembra Miller em O Banquete dos Psicanalistas quando diz que Lacan usou algo do controle para formular sobre o passe, como um encontro com o lugar da experi\u00eancia, como uma subjetividade secund\u00e1ria. Uma quest\u00e3o sobre que consequ\u00eancias o analista extrai quando n\u00e3o cede \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de se tornar um cl\u00ednico. Disso depende o la\u00e7o entre a psican\u00e1lise e o psicanalista. Existem an\u00e1lises e analistas.<\/p>\n<p>Igualmente nos foi lembrado na explana\u00e7\u00e3o de Elisa, que Freud inventou a psican\u00e1lise e uma institui\u00e7\u00e3o para proteg\u00ea-la. Desta, Lacan foi excomungado \u2013 assim ele dizia para enfatizar o car\u00e1ter religioso que tomou a IPA, quando deixa de fora algu\u00e9m que causa problemas.<\/p>\n<p>Desta excomunh\u00e3o, Lacan funda a sua Escola com a pergunta sobre o que \u00e9 um psicanalista em seu cerne. Neste sentido, a Escola de Lacan faz uma aposta naquele que se autoriza como psicanalista e coloca o passe como um de seus pilares onde se verifica a articula\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise do praticante \u00e0 terap\u00eautica. Esta seria a pr\u00f3pria reinven\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Reinventar a psican\u00e1lise \u00e9 a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de que a psican\u00e1lise continue a existir a partir da experi\u00eancia de cada um.<\/p>\n<p>Elisa termina enfatizando sobre a dificuldade que temos tido de transmitir a psican\u00e1lise nas bases do \u00faltimo ensino de Lacan.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">NOITE PREPARAT\u00d3RIA PARA O 23\u00ba ENCONTRO BRASILEIRO DO CAMPO FREUDIANO<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #993300;\">O feminino infamiliar &#8211; Dizer o indiz\u00edvel<\/span><\/h3>\n<h6>Por Ord\u00e1lia Junqueira &#8211; Diretora Secret\u00e1ria Tesoureira da SLOf<\/h6>\n<p>Ord\u00e1lia come\u00e7a dizendo que o feminino interessa \u00e0 psican\u00e1lise e nos lembra que a causa anal\u00edtica n\u00e3o entra em quarentena. O real se imp\u00f5e ao subjetivo determinando um antes e um depois, rompendo barreiras e inventando novas formas de trabalho.<\/p>\n<p>Nada est\u00e1 e nada ser\u00e1 como antes.<\/p>\n<p>Ord\u00e1lia se serve de textos de Miquel Bassols,\u00a0 J\u00e9sus Santiago e de Eric Laurent para referenciar seu relato.<\/p>\n<p>Ord\u00e1lia nos traz que o deslocamento da tradu\u00e7\u00e3o de <em>unheimlich<\/em> como estranho, inquietante, para infamiliar exige uma mudan\u00e7a de foco, pois o coloca como mais familiar que se gostaria de admitir. Algo do inconsciente se apresenta no familiar que se torna estranho. Estes fen\u00f4menos implicam o sujeito deixando-o perplexo e o interroga.<\/p>\n<p>Para trabalhar o mais familiar e o mais estranho, Ord\u00e1lia nos lembra uma anedota de Freud quando este encontra um velho saindo de sua cabine, enquanto ele entrava, e el, somente depois de se questionar sobre quem seria aquele velho, se d\u00e1 conta de que estava diante do espelho. Aquela era a sua imagem refletida.<\/p>\n<p>Ord\u00e1lia anuncia que trabalhar\u00e1 os eixos te\u00f3ricos do 23\u00ba Encontro Brasileiro ao longo destas Noites Preparat\u00f3rias e que hoje, se deter\u00e1 sobre o Eixo I \u2013 O REAL SEM LEI.<\/p>\n<p>Ela aproveita a conting\u00eancia na qual nos encontramos \u2013 isolamento dom\u00e9stico por causa da pandemia de coronav\u00edrus, para dizer que h\u00e1 um tempo de compreender em jogo quanto a este real. Como uma sombra, citando Laurent. E aproxima o <em>unheimlichI<\/em> freudiano \u2013 um imposs\u00edvel de dizer, e o lacaniano \u2013 a extimidade.<\/p>\n<p>Os textos de refer\u00eancia deste Eixo servem de base para esta apresenta\u00e7\u00e3o: Freud, em 1919 &#8211; Das <em>unheimlich<\/em> \u2013 como o imposs\u00edvel de dizer; O argumento do Encontro; o texto da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica, e o texto Das <em>unheimlich<\/em>, de Fernando Vitali (todos publicados em Boletim on line, n\u00bas 01 e 02).<\/p>\n<p>H\u00e1 o sabido, o sab\u00edvel e o n\u00e3o sab\u00edvel. H\u00e1 o indiz\u00edvel do feminino e o desejo de dizer de outra maneira os efeitos da inquietante estranheza. H\u00e1 o familiar, surgindo no infamiliar; h\u00e1 o estranho, surgindo no familiar.<\/p>\n<p>O <em>unheimlich<\/em> nos serve como b\u00fassola para a cl\u00ednica e isso quer dizer que interroga a sua presen\u00e7a na cl\u00ednica do cotidiano e na pr\u00f3pria an\u00e1lise dos analistas.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio imposto pelo coronav\u00edrus nos obriga a lidar com num estranho inquietante.<\/p>\n<p>Ord\u00e1lia nos emociona ao final quando traz o desabafo de uma m\u00e9dica italiana, do hospital San Carlo, de Mil\u00e3o, frente \u00e0 dor das despedidas daqueles condenados pelo coronav\u00edrus, que a solicitam que diga algo do indiz\u00edvel aos seus familiares.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>A ESCOLA DE LACAN<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>R\u00f4mulo Ferreira da Silva<\/h6>\n<p>No \u00faltimo dia 12 de maio, a SLOf se encontrou online para escutar sobre a Escola de Lacan nas palavras de seu Diretor Geral, Romulo Ferreira da Silva, que come\u00e7ou dizendo que a Escola de Lacan n\u00e3o \u00e9 uma sociedade de analistas, nem um conselho profissional (CRM, CRP etc.), visto que os Conselhos podem dizer sobre o que venha a ser um m\u00e9dico, um psic\u00f3logo, etc. No entanto, no que diz respeito \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do psicanalista, h\u00e1 duas perguntas como pontos de partida: o que \u00e9 a psican\u00e1lise e o que \u00e9 o psicanalista?<\/p>\n<p>Romulo nos lembrou Lacan em seu \u201cAto de Funda\u00e7\u00e3o\u201d (1964), fruto de um longo percurso hist\u00f3rico e em conson\u00e2ncia com a reconquista do campo freudiano, quando disse que estavam \u201chabilitados de pleno direito aqueles que (ele mesmo formou), e que est\u00e3o convidados a contribuir para introduzir, dessa forma\u00e7\u00e3o, o bem-fundado da experi\u00eancia\u201d. Desta orienta\u00e7\u00e3o, Lacan estabeleceu os cart\u00e9is e concebeu tr\u00eas Se\u00e7\u00f5es para a sua Escola: 1) A Se\u00e7\u00e3o de Psican\u00e1lise Pura; 2) A Se\u00e7\u00e3o de Psican\u00e1lise Aplicada; e A Se\u00e7\u00e3o do Recenseamento do Campo Freudiano. Neste texto, \u201cDa Escola como experi\u00eancia inaugural\u201d, ainda extraiu, dentre outras citas, \u201cO ensino da psican\u00e1lise s\u00f3 pode transmitir-se de um sujeito para outro pelas vias de uma transfer\u00eancia de trabalho\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em \u201cA proposi\u00e7\u00e3o de 9 de outubro\u201d (1967), Lacan institui dois gradus, o Analista Membro da Escola (AME) e o Analista da Escola (AE). Entre estes dois gradus, uma tens\u00e3o e uma aproxima\u00e7\u00e3o. Retroativamente, surgem duas l\u00f3gicas referentes \u00e0s Se\u00e7\u00f5es anteriormente criadas por Lacan: Se\u00e7\u00e3o 1 est\u00e1 mais na l\u00f3gica do n\u00e3o-todo e as outras duas, mais na l\u00f3gica do todo.<\/p>\n<p>Romulo tomou esta tens\u00e3o para trabalhar a rela\u00e7\u00e3o entre Instituto e Escola, uma vez que em 1968, Lacan fundou o Departamento de Psican\u00e1lise da Universidade de Paris-VIII, marcando uma diferen\u00e7a entre o que se transmite na Escola e o que se ensina na Universidade. Em 1976, criou os cursos e respectivos diplomas do DEA (um equivalente ao nosso Mestrado) e do Doutorado, dando consequ\u00eancia ao que Freud (1919) havia dito sobre o ensino da Psican\u00e1lise na Universidade, visto que \u00e9 um lugar de transmiss\u00e3o de saber consolidado. Neste mesmo texto, Freud ressalta que, no entanto, o psicanalista n\u00e3o ser\u00e1 formado ali.<\/p>\n<p>Ainda em um percurso hist\u00f3rico, Jacques-Alain Miller (1977) faz a anexa\u00e7\u00e3o da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica no Departamento de Psican\u00e1lise, formalizando as Se\u00e7\u00f5es de Psican\u00e1lise Aplicada e do Recenseamento do Campo Freudiano, na Universidade, a fim de levar para dentro desta \u201cuma defini\u00e7\u00e3o lacaniana da cl\u00ednica e estabelecer conex\u00f5es, comportando cursos e uma pr\u00e1tica de apresenta\u00e7\u00e3o de pacientes.\u201d E a cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o do Campo Freudiano (Lacan, 1979), inaugurando um espa\u00e7o diferente daquele da Escola Freudiana de Psican\u00e1lise (EFP) e da Universidade, para a difus\u00e3o da psican\u00e1lise e da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. Em 1987, Jacques-Alain Miller funda o Instituto do Campo Freudiano \u201cpara desenvolver a tarefa de ensino e investiga\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, levando-a a outros pa\u00edses.\u201d<\/p>\n<p>Esta tens\u00e3o entre Escola e Instituto se localiza e se estabiliza na manuten\u00e7\u00e3o de l\u00f3gicas de funcionamento que se distinguem por princ\u00edpios completamente distintos \u2013 trazendo de um texto de J\u00e9sus Santiago. O objetivo final \u00e9 n\u00e3o fazer uma sociedade de psicanalistas, mas uma Escola \u201cconstitu\u00edda ao redor de um \u2018n\u00e3o saber o que \u00e9 o analista\u2019, por\u00e9m, sempre buscando sabe-lo\u201d.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">ATIVIDADE DO CONSELHO<\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">PORQUE A SUPERVIS\u00c3O<\/span><\/h3>\n<h6>Elisa Alvarenga-\u00a0<strong>Presidente da SLOf<\/strong><\/h6>\n<p>Inaugurando o novo espa\u00e7o na SLOf chamado PASSE E SUPERVIS\u00c3O, Elisa Alvarenga aborda porque a supervis\u00e3o, iniciando com os pilares da Escola de Lacan \u2013 Cartel e Passe. No entanto, a Supervis\u00e3o, como se coloca na forma\u00e7\u00e3o do psicanalista?<\/p>\n<p>Elisa traz Lacan e cita Miller tomando a supervis\u00e3o como sendo uma forma de proteger o paciente. Numa refer\u00eancia a Miller, li\u00e7\u00e3o de 11 de maio de 2011 \u2013 o SER E O UM, lembra que o que se ensina numa supervis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 essencialmente a arte do diagn\u00f3stico, mas transmitir ao supervisando sobre a pot\u00eancia de sua palavra, isto \u00e9, como interpretar.<\/p>\n<p>Elisa percorreu pontos do ensino de Lacan quanto \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o: primeiramente criacionista, baseada no desejo, para que a fala do analista tenha import\u00e2ncia para o analisante, \u00e9 preciso que a sua fala seja rara para ter valor. No segundo ensino, n\u00e3o mais centrado no inconsciente e na cadeia significante, mas no gozo, diz Miller, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia entre cl\u00ednica estrutura e cl\u00ednica acontecimento onde se aloja a pr\u00e1tica da supervis\u00e3o. Mas n\u00e3o podemos distinguir acontecimento de estrutura e isso d\u00e1 lugar \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tomando Lacan em 1953, Elisa se apoia em Eric Laurent em seu livro O Avesso da Biopol\u00edtica (2016) para lembrar que Lacan teve o cuidado de ligar interpreta\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o na \u00e9poca do falasser, desde a primeira li\u00e7\u00e3o do Semin\u00e1rio 23 \u2013 O uso l\u00f3gico do sinthoma.<\/p>\n<p>Elisa abordou, ent\u00e3o, a supervis\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o no primeiro e no \u00faltimo ensino de Lacan. Partindo do inconsciente estruturado como uma linguagem, o controle enfatizava o dom\u00ednio do simb\u00f3lico sobre o imagin\u00e1rio. A supervis\u00e3o seria o lugar onde desapareceria o suposto dom cl\u00ednico impenetr\u00e1vel postulado por alguns analistas e criticado por Lacan. Laurent utiliza o termo \u2018placa sens\u00edvel\u2019, o mesmo trazido por Lacan a respeito da fun\u00e7\u00e3o dos passadores no passe, para falar do analista\/supervisando, para dizer sobre a sensibilidade de colher os ditos do analisante. O supervisando, podendo ser colocado em uma posi\u00e7\u00e3o diferente da sugerida pelo termo \u2018controle\u2019, mas em \u2018supervis\u00e3o\u2019 (vantajosamente sugerido por Lacan), melhor ainda, \u2018super audi\u00e7\u00e3o\u2019, o melhor fruto a ser colhido seria aprender a se colocar em uma posi\u00e7\u00e3o de \u2018subjetividade secund\u00e1ria\u2019, de $ (posi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o saber), onde coloca imediatamente o supervisor. Nessa \u00e9poca, Lacan pensava a rela\u00e7\u00e3o analisante\/psicanalista como intersubjetiva \u2013 antes de elaborar a posi\u00e7\u00e3o do psicanalista como objeto para o analisante.<\/p>\n<p>Passando pelo Discurso de Roma e chegando ao Semin\u00e1rio 12 \u2013 Problemas cruciais para a psican\u00e1lise, Elisa cita Lacan quando diz: \u201cA psican\u00e1lise s\u00f3 valer\u00e1 o que voc\u00ea valer quando se tornar psicanalista. Ela n\u00e3o ir\u00e1 al\u00e9m do ponto que pode te conduzir\u201d. Isso levar\u00e1 ao que Lacan prop\u00f4s, mais tarde quanto ao analista se colocar como objeto causa de desejo de seus analisantes, conduzindo seus analisantes a partir do ponto em que pode alcan\u00e7ar sendo analista.<\/p>\n<p>A partir do falasser, Lacan estrutura de forma completamente diferente a experi\u00eancia da supervis\u00e3o, sua rela\u00e7\u00e3o com a transmiss\u00e3o das regras da interpreta\u00e7\u00e3o. Elisa trouxe Miller (2002): \u201cleva-se para a supervis\u00e3o sua divis\u00e3o, suas palpita\u00e7\u00f5es, supondo que, no ato anal\u00edtico, o analista se abstraia disso\u201d.<\/p>\n<p>Em 1953, supunha-se que o analista operasse como sujeito at\u00e9 que o ato anal\u00edtico foi definido em fun\u00e7\u00e3o do analista enquanto objeto <u>a<\/u>; a supervis\u00e3o consistia em uma \u2018ressubjetiva\u00e7\u00e3o do psicanalista\u2019, que comparece na supervis\u00e3o como sujeito barrado que d\u00e1 testemunha de sua falta-a-ser e quer saber.<\/p>\n<p>\u201cSe hoje partimos, n\u00e3o apenas do objeto <u>a<\/u>, mas tamb\u00e9m, do falasser, como ficam as posi\u00e7\u00f5es do analista praticante e do analista supervisor?\u201d Com esta pergunta, Elisa passou \u00e0 segunda parte: Lacan, 1975.<\/p>\n<p>Semin\u00e1rio 23, primeira aula, Lacan enfatiza a transmiss\u00e3o das regras da interpreta\u00e7\u00e3o centrada no uso do equ\u00edvoco como arma contra o sinthoma em duas etapas: 1) quando s\u00e3o como um rinoceronte e, 2) quando se libera algo do sinthoma. \u201cCom efeito, \u00e9 unicamente pelo equ\u00edvoco que a interpreta\u00e7\u00e3o opera. \u00c9 preciso que haja alguma coisa no significante que ressoe. As puls\u00f5es s\u00e3o, no corpo, o eco do fato de que h\u00e1 um dizer. Esse dizer, para que ressoe, para que consoe, \u00e9 preciso que o corpo lhe seja sens\u00edvel, e ele o \u00e9. Porque o corpo tem orif\u00edcios, dos quais, o mais importante, \u00e9 o ouvido, porque ele n\u00e3o pode se tapar, se fechar. \u00c9 por esse vi\u00e9s que o corpo responde ao que chamei de voz\u201d (Lacan).<\/p>\n<p>Passa-se do rinoceronte ao equ\u00edvoco, do \u2018eles t\u00eam sempre raz\u00e3o (<em>raison<\/em>)\u2019 para \u2018aquilo que ressoa (<em>reson<\/em>)\u2019. Como passar do <em>logos<\/em> como raz\u00e3o para o <em>logos<\/em> como o que ressoa? Como passar do rinoceronte \u2013 o analista recolhido em seu ato, devendo livrar-se de suas palpita\u00e7\u00f5es para estar no ato anal\u00edtico? Um segundo tempo abre-se. Da interpreta\u00e7\u00e3o como sintoma\/sentido\/significa\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o como aquela que ressoa, um escrito na fala, a \u00fanica que pode liberar algo do sinthoma. Trata-se de utilizar-se de lal\u00edngua, do equ\u00edvoco pelo qual a interpreta\u00e7\u00e3o opera. \u00a0Trata-se de utilizar o dizer de forma que, na fala, o efeito de escrito fa\u00e7a surgir o equ\u00edvoco que toca o sinthoma por sua resson\u00e2ncia. No corpo falante, as puls\u00f5es s\u00e3o os tra\u00e7os, s\u00e3o o eco do fato de que h\u00e1 um dizer que tocou o corpo. Um escrito na fala \u2013 operar com o S<sub>1<\/sub>, equivalente \u00e0 letra (Laurent: A interpreta\u00e7\u00e3o: da verdade ao acontecimento).<\/p>\n<p>Elisa seguiu enriquecendo o debate sobre o rinoceronte trazendo o Teatro do Absurdo em alus\u00e3o \u00e0 submiss\u00e3o humana e \u00e0 sua animaliza\u00e7\u00e3o diante de uma ideologia, a partir de uma apresenta\u00e7\u00e3o de Elenice de Castro (EBPMG) que toma o rinoceronte como aquele que faz qualquer coisa, como o supervisando, regido por uma l\u00f3gica subjetiva, que se v\u00ea alienado \u00e0 l\u00f3gica da fantasia. Neste momento, a escuta do analista se fecha ao contingente.<\/p>\n<p>Tomando Ana\u00eblle Lebovits-Quenehen sobre o analista-supervisor, ressalta que \u00e9 tamb\u00e9m em ato que o rinoceronte rejeita o racismo e a domestica\u00e7\u00e3o. A aprova\u00e7\u00e3o de Lacan, ensina ao rinoceronte a n\u00e3o ser, ele mesmo, racista em sua pr\u00e1tica. Que ele mesmo suporte, em ato, a singularidades de seus analisantes.<\/p>\n<p>A segunda etapa da supervis\u00e3o, mencionada por Lacan no Semin\u00e1rio 23, que visa jogar com o equ\u00edvoco para liberar o sinthoma encontra, no Semin\u00e1rio 24, um contraponto entre supervis\u00e3o e an\u00e1lise pessoal, a partir de uma interven\u00e7\u00e3o de Alain Didier Weill, que permite que se compreenda melhor o dito de Lacan no semin\u00e1rio anterior \u2013 a supervis\u00e3o como o lugar onde o analisante \u00e9 convocado a responder pelo que diz, diferentemente da an\u00e1lise regida pela Associa\u00e7\u00e3o Livre.<\/p>\n<p>Elisa conclui com o exemplo do testemunho de passe de Domenico Consenza, apresentado por Laura Rubi\u00e3o, em Minas Gerais, 2019, publicado no blog da AMP: A supervis\u00e3o para al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico: o funcionamento sinthom\u00e1tico.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">NOITE PREPARAT\u00d3RIA PARA O 23\u00ba ENCONTRO BRASILEIRO DO CAMPO FREUDIANO<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"color: #993300;\">O feminino infamiliar &#8211; Dizer o indiz\u00edvel &#8211; Salvador \u2013 BA<\/span><\/p>\n<h6>Por S\u00e9rgio de Castro &#8211; Diretor Geral da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/h6>\n<p>Para esta segunda noite preparat\u00f3ria, a SLOf teve a prazer de receber o Diretor Geral da EBP \u2013 S\u00e9rgio de Castro que trouxe um texto bastante intrigante para o debate conosco. Como nos disse Romulo Ferreira da Silva em sua apresenta\u00e7\u00e3o, \u201cum verdadeiro canteiro de obras\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio de Castro come\u00e7ou sua fala agradecendo o convite e reiterou a todos que o Encontro Brasileiro segue sendo organizado e dever\u00e1 acontecer em novembro, conforme previsto.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio nos lembra, de in\u00edcio, que o neologismo Infamiliar \u00e9 a proposta de tradu\u00e7\u00e3o de Ernani Chaves e Pedro Heliodoro Tavares, para a forma substantiva <em>Das unheimliche<\/em>, t\u00edtulo do c\u00e9lebre ensaio de Freud de 1919. \u00a0Ressalta a dificuldade da tradu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 tamb\u00e9m para a l\u00edngua latina especialmente por ela conjugar o termo heimliche, o dom\u00e9stico, o familiar, o \u00edntimo, com seu oposto, o n\u00e3o familiar.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio n\u00e3o se deteve na quest\u00e3o de que Freud situa, em tal palavra, algo do que Lacan, tamb\u00e9m num neologismo, chamar\u00e1 de \u00eaxtimo. Deteve-se nas refer\u00eancias recentes de autores do Campo Freudiano como Miquel Bassols e publicada em Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n.79, dir\u00e1 que: \u201cSe tiv\u00e9ssemos que transpor literalmente o termo em nossa l\u00edngua (o espanhol, no caso, mas com os mesmos impasses e dificuldades que o portugu\u00eas), ent\u00e3o melhor seria falar de \u201cO in-familiar\u201d. Da mesma forma, trouxe tamb\u00e9m da rec\u00e9m publicada resposta de Lacan a Marcel Ritter<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>, a observa\u00e7\u00e3o feita por Lacan de que o UN presente em algumas palavras alem\u00e3s-como unheilimch, unbewusste- inconsciente- assim como o Unerkant, o n\u00e3o reconhecido, se liga e remete a um limite, um limite\u00a0 do diz\u00edvel. Tomando do Editorial do n\u00famero 102 da Revista <em>La Cause du d\u00e9sir<\/em>, S\u00e9rgio de Castro lembrou \u201cFabian Fajnwaks que acolheu a sugest\u00e3o feita pelo fil\u00f3sofo Jean-Luc Nancy o termo Unheimliche por <em>inqui\u00e9tante etranget\u00e9<\/em> \u2013 inquietante estranheza &#8211; seria inadequada \u2013 e que <em>inquietante familiarit\u00e9 <\/em>&#8211; inquietante familiaridade, seria melhor e mais pr\u00f3xima do sentido em alem\u00e3o. Dir\u00e1 Freud \u201cO infamiliar \u00e9 uma esp\u00e9cie do que \u00e9 aterrorizante, que remete ao velho conhecido, h\u00e1 muito \u00edntimo\u201d (P. 33, O infamiliar, ed. Aut\u00eantica)\u201d.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s toda esta explana\u00e7\u00e3o sobre o termo, S\u00e9rgio de Castro tomou o ensaio de Freud, lembrou que este indica \u201ca ang\u00fastia como pr\u00f3pria a tais acontecimentos, e ao final os indexar\u00e1 ao recalcado e a seu retorno\u201d. Para S\u00e9rgio, \u201ctais fen\u00f4menos ser\u00e3o sempre mais ou menos inesperados, com algo de invasivo em seu car\u00e1ter de surpresa e ang\u00fastia suscitada, e em maior ou menor grau, rompendo ou for\u00e7ando par\u00e2metros simb\u00f3lico\/imagin\u00e1rios previamente delimitados e supostamente est\u00e1veis. Ser\u00e1 por tais vias que nos perguntaremos aqui, se uma certa aproxima\u00e7\u00e3o com o gozo feminino tal como proposto no avan\u00e7ado de seu ensino por Lacan, n\u00e3o poderia ser interessante\u201d.<\/p>\n<p>Foram inclu\u00eddos, fen\u00f4menos infamiliares extra\u00eddos do conto de Hofmann e elementos contempor\u00e2neos: \u201cRefiro-me aqui aos recursos t\u00e9cnico-cient\u00edficos da gen\u00e9tica e da\u00a0 medicina contempor\u00e2nea, por exemplo, que transformam e produzem organismos vivos, que cirurgicamente criam muta\u00e7\u00f5es corporais inimagin\u00e1veis para Freud e seu mundo, ou a internet e suas redes n\u00e3o hierarquizadas e sem um centro organizador, dos quais nos valemos de um hoje, aos recursos e inger\u00eancias na vida de cada um desse Outro constitu\u00eddo a partir dos arquivos de Big-Data que a cada dia sabem mais sobre n\u00f3s mesmos e constituem todo um novo e estranho imagin\u00e1rio que incide sobre n\u00f3s e sobre decis\u00f5es que acredit\u00e1vamos terem sido tomadas na intimidade e no privado\u201d.<\/p>\n<p>A partir destes pontos, S\u00e9rgio de Castro prop\u00f4s uma quest\u00e3o: \u201cse tamb\u00e9m, ao situarmos e nos aproximarmos do fen\u00f4meno do infamiliar em sua atualidade, o retorno do recalcado enfatizado por Freud como pr\u00f3prio desse fen\u00f4meno, n\u00e3o dever\u00e1 ser pensado\u00a0 numa conjuntura onde o Nome-do-Pai, como constatamos em nossa orienta\u00e7\u00e3o,\u00a0 como agente do recalcamento, n\u00e3o incidir\u00e1\u00a0 mais de forma t\u00e3o determinante sobre o falasser. Ou seja, entre a ang\u00fastia e, para o Freud de ent\u00e3o, seu correlato, o retorno do recalcado, apresentados ao longo do ensaio como elementos pr\u00f3prios, ainda que n\u00e3o exclusivos, do sentimento de infamiliaridade\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio tomou o Semin\u00e1rio de Lacan, A Ang\u00fastia \u2013 Semin\u00e1rio 10, para trabalhar esta quest\u00e3o, uma vez que \u201co XXIII Encontro Brasileiro pretende cotejar, articular, distinguir, cl\u00ednica e epistemicamente, o feminino- ou, o gozo feminino, esse conjunto aberto sem uma delimita\u00e7\u00e3o precisa- que, adianto, n\u00e3o ser\u00e1 uma prerrogativa exclusiva das mulheres, do infamilair freudiano, tal qual, o artigo de Freud, apostamos, nos permite fazer. O alcance e o resultado de tal cotejamento poder\u00e1, como creio ter indicado, nos surpreender\u201d.<\/p>\n<p>Em \u201cO Semin\u00e1rio, Livro XX, mais ainda, Lacan avan\u00e7a de forma decisiva em suas elabora\u00e7\u00f5es sobre o feminino. Se, no in\u00edcio de seu ensino, uma posi\u00e7\u00e3o feminina era definida a partir de sua rela\u00e7\u00e3o com o falo [&#8230;] Situar uma posi\u00e7\u00e3o feminina apenas articulada ao falo, e portanto a uma opera\u00e7\u00e3o de recalcamento, como o vemos, a partir da f\u00f3rmula da met\u00e1fora paterna, n\u00e3o nos parece ent\u00e3o uma via suficiente para o que visamos no Encontro Brasileiro. Ser\u00e1 preciso ir mais al\u00e9m, como o far\u00e1 Lacan\u201d. Pois, \u201cos momentos iniciais de Lacan, ser\u00e3o, segundo Miller, momentos de grande otimismo, uma vez que o simb\u00f3lico, em tese, seria capaz de recobrir todo o imagin\u00e1rio e significantizar toda a puls\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>As elabora\u00e7\u00f5es apresentadas sobre o esfor\u00e7o de Lacan, no\u00a0 Livro 10, para circunscrever o gozo num objeto <em>a<\/em>, como termo heterog\u00eaneo e exce\u00e7\u00e3o dada ao gozo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 linguagem, dez anos depois, no Livro 20, mais ainda, ser\u00e1 formulada distintamente. S\u00e9rgio coloca que \u201ctal regime de exce\u00e7\u00e3o, que tentava elementarizar um real, ser\u00e1 estendido e tocar\u00e1, sob a designa\u00e7\u00e3o de \u201cn\u00e3o todo f\u00e1lico\u201d, os fundamentos mesmos da linguagem. A pr\u00f3pria ultrapassagem lacaniana de uma lingu\u00edstica saussureana, com suas elabora\u00e7\u00f5es sobre lalangue feitas ali evidenciam a dire\u00e7\u00e3o que Lacan dava \u00e0 quest\u00e3o. JAM chamar\u00e1 a aten\u00e7\u00e3o para a escrita do J mai\u00fasculo proposta ali por Lacan, que o levar\u00e1 a pensar na estrutura do n\u00f3, mais que na estrutura da linguagem. Miller falar\u00e1, em Coisas de fineza, na li\u00e7\u00e3o de 14\/01\/2009, que, \u201ccom o J (jota mai\u00fasculo) a coisa explodiu\u201d\u201d.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio pergunta \u201cse a\u00a0 tese desenvolvida por Miller em sua Teoria de Turim relativa \u00e0 feminiza\u00e7\u00e3o do mundo n\u00e3o seria\u00a0 compat\u00edvel com tais elabora\u00e7\u00f5es do Semin\u00e1rio\u00a0 livro 20. A dissemina\u00e7\u00e3o que assistimos de um gozo n\u00e3o todo f\u00e1lico incidindo sobre as modalidades do la\u00e7o social contempor\u00e2neas poder\u00e1 ser pensada a partir da\u00ed\u201d, parece-lhe. \u201cAqui tamb\u00e9m podemos apontar, para nos referirmos a debates e quest\u00f5es atuais, ao n\u00e3o binarismo do regime de gozo a que chega Lacan. Como n\u00e3o se trata, com a f\u00f3rmula lacaniana [para n\u00e3o todo X , fi X] , de complementariedade de gozos ou de uma simples oposi\u00e7\u00e3o sim\u00e9trica, n\u00e3o estamos mais regidos pelo binarismo do 1\/0, presen\u00e7a\/aus\u00eancia ou falo\/ castra\u00e7\u00e3o\u201d \u201c Tal gozo, n\u00e3o todo f\u00e1lico, ser\u00e1 generalizado por Lacan, o que permite a Miller dizer que: \u201cPelo vi\u00e9s do gozo feminino digamos que Lacan percebeu o que era o regime do gozo como tal\u201d\u201d. (O ser e o UM, 2\/3\/2011.)<\/p>\n<p>S\u00e9rgio de Castro encerra abrindo para quest\u00f5es importantes que abrem para pontos candentes da contemporaneidade como:<\/p>\n<p>\u201cA l\u00f3gica feminina do n\u00e3o todo prescindiria inteiramente de uma refer\u00eancia ao falo? O gozo dito \u201cn\u00e3o-todo-f\u00e1lico\u201d j\u00e1 n\u00e3o o convocaria, ao falo, como um ponto a partir do qual outras delimita\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser feitas? \u00c9 certo que o infamiliar que nos interessa no Encontro apresenta-se, como creio ter indicado nessa apresenta\u00e7\u00e3o do tema, num al\u00e9m do falo.\u00a0 Mas uma refer\u00eancia ao falo, ainda que para indicar algo al\u00e9m dele, n\u00e3o nos permitiria estabelecer termos distintivos entre o empuxo \u00e0 mulher, o objeto <em>a<\/em> no z\u00eanith social, a feminiza\u00e7\u00e3o do mundo, ou uma perspectiva do feminino que n\u00e3o fosse apenas supereg\u00f3ica?\u201d<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a explana\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio de Castro, F\u00e1bio Paes Barreto foi convidado a comentar e abrir para o debate.<a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a>[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Atividade do Conselho da SLOF<\/span><\/h3>\n<p>No \u00faltimo dia 15 de setembro, aconteceu mais uma atividade do Conselho da SLOF. A Conselheira T\u00e2nia Regina Anchite Martins apresentou a sexta aula do Curso de Jacques-Alain Miller <em>O lugar e o La\u00e7o<\/em>, intitulada <em>Fora-sentido. <\/em>O texto da aula foi estabelecido por Graciela Brodsky e dividido em cinco subt\u00edtulos: A psican\u00e1lise e seu duplo, Psicoterapia e puls\u00e3o, Psicoterapia e fantasia, Psicoterapia e sentido, e S\u00e9rie sem fim. T\u00e2nia Regina abordou os pontos centrais de cada uma dessas partes do texto.<\/p>\n<p>A t\u00f4nica dessa aula gira em torno da quest\u00e3o anunciada por Miller logo de in\u00edcio, a diferen\u00e7a entre a psican\u00e1lise e a psicoterapia, na medida em que ambas se confundem em nome da terap\u00eautica. Segundo Miller, a psican\u00e1lise produziu e alimentou seu pr\u00f3prio semblante, a psicoterapia, e este a envolve, paralisa e vampiriza. O tratamento que ele prop\u00f5e para abordar este problema n\u00e3o \u00e9 o recurso \u00e0 Institui\u00e7\u00e3o, \u00e0s regras ou a tradi\u00e7\u00e3o, ele prop\u00f5e abord\u00e1-lo pela pr\u00e1tica e pela orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para trabalhar essa quest\u00e3o da diferen\u00e7a entre a psican\u00e1lise e a psicoterapia, Miller recorre ao <strong>SENTIDO<\/strong>, como ele anuncia no t\u00edtulo dessa aula, pois toma como refer\u00eancia a resposta dada por Lacan em 1973, em <em>Televis\u00e3o<\/em>, quando ele perguntou para Lacan sobre a diferen\u00e7a entre psican\u00e1lise e psicoterapia.<\/p>\n<p>T\u00e2nia Regina acompanhou Miller em sua proposta de escutar a resposta dada por Lacan, e de elucubrar sobre a possibilidade de Lacan ter dado outras duas respostas al\u00e9m da que ele deu em 1973. A <strong>primeira resposta<\/strong> que Lacan n\u00e3o deu, utiliza o grafo do desejo. Dentre os pontos abordados, destaca-se que a psicoterapia se restringiria ao primeiro n\u00edvel do grafo, portanto, a quest\u00e3o do gozo n\u00e3o ser\u00e1 colocada e a consist\u00eancia do Outro ser\u00e1 preservada. Miller destaca que o pr\u00f3prio da opera\u00e7\u00e3o anal\u00edtica seria o acesso ao segundo piso do grafo, admitir o gozo e a inconsist\u00eancia do Outro. A <strong>segunda resposta<\/strong> que Lacan n\u00e3o deu, diz Miller, \u00e9 que a psicoterapia se inscreve no discurso do mestre. Miller questiona por que Lacan n\u00e3o deu esta resposta j\u00e1 que em <em>Televis\u00e3o<\/em> mesmo, ele trabalha com os matemas dos discursos. Sobre a <strong>terceira resposta<\/strong>, aquela dada por Lacan em <em>Televis\u00e3o<\/em>, Miller destaca a simplicidade e o sarcasmo.\u00a0 Lacan demarca apenas o sentido como tra\u00e7o distintivo entre a psicoterapia e psican\u00e1lise. Al\u00e9m disso, diz Miller, Lacan nos faz rir do sentido, o sentido sexual, o senso comum, a sensatez, e por fim o bem que pode conduzir ao pior.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s um longo percurso para resituar o sentido, Lacan em 1973, o rejeita e o coloca no lado da psicoterapia, ou seja, o sentido passa a ser o que distingue a psicoterapia da psican\u00e1lise. Lacan passa da semantofilia a semantofobia. Ent\u00e3o, Miller destaca o fato de Lacan ter dado como resposta o sentido e n\u00e3o as outras, e diz que isto, at\u00e9 ent\u00e3o, havia passado desapercebido: este ponto de n\u00e3o retorno, nunca mais o sentido. Portanto, a rejei\u00e7\u00e3o ao sentido \u00e9 radical, gerando uma mudan\u00e7a decisiva de orienta\u00e7\u00e3o no ensino de Lacan.<\/p>\n<p>T\u00e2nia Regina sublinha das considera\u00e7\u00f5es de Miller, que o <strong>FORA-SENTIDO<\/strong> \u00e9 a aposta decisiva de Lacan no intuito de separar a psican\u00e1lise do seu semblante, a psicoterapia. O fora-sentido n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 a servi\u00e7o de transmitir o saber que se pode elaborar a partir da psican\u00e1lise, mas \u00e9 principalmente um investimento na pr\u00e1tica da psican\u00e1lise. Os matemas j\u00e1 serviram a Lacan como uma forma de transmiss\u00e3o do fora-sentido, e \u00e9 a partir deste ponto que Lacan come\u00e7a a trabalhar com o n\u00f3 borromeano, inaugurando seu \u00faltimo ensino.<\/p>\n<p>Miller considera este \u00faltimo ensino n\u00e3o conclusivo, precisando ser explorado. Feito de peda\u00e7os e contradit\u00f3rios, faltando um ponto de basta. Com a teoria dos n\u00f3s a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de ponto \u00e9 questionada por Lacan, portanto est\u00e1 colocada em quest\u00e3o a no\u00e7\u00e3o de retroa\u00e7\u00e3o, e principalmente o conceito de finitude.<\/p>\n<p>T\u00e2nia Regina acompanhou Miller e apresentou os desdobramentos das mudan\u00e7as inauguradas por Lacan em seu \u00faltimo ensino. Destacam-se as mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de Lacan sobre o final de an\u00e1lise, sobre o passe, sobre o lugar do <em>sinthoma<\/em>. Segundo T\u00e2nia Regina, Miller nos mostra que psican\u00e1lise orientada pelo fora-sentido provoca uma transmuta\u00e7\u00e3o nos valores psicanal\u00edticos. Ele diz que se trata aqui do avesso de Lacan. O <em>sinthoma<\/em> \u00e9 colocado no centro da cl\u00ednica. A trajet\u00f3ria do mais al\u00e9m n\u00e3o orienta mais a cl\u00ednica. O n\u00f3 borromeano corta o mais al\u00e9m. O gozo n\u00e3o \u00e9 mais uma transgress\u00e3o, mas est\u00e1 por todos os lados: \u201cOnde isso fala, isso goza\u201d. Ou seja, a palavra agora se desvaloriza, torna-se tagarelice, o sentido imbecilidade e a linguagem tamb\u00e9m \u00e9 atingida. A linguagem que como estrutura j\u00e1 teve o n\u00edvel de real, com a chegada de <em>lalingua<\/em>, torna-se juntamente com a gram\u00e1tica, elucubra\u00e7\u00f5es. Nessa dire\u00e7\u00e3o, o sujeito \u00e9 sistematicamente substitu\u00eddo pelo <em>falasser<\/em> quando se fala da experi\u00eancia cl\u00ednica, considerando que o gozo e o corpo est\u00e3o sempre concernidos. Bem como tudo que se relaciona com o sentido cai por terra: o conhecimento, o mundo, o todo. O privil\u00e9gio passa a ser do real fora-sentido e sem lei, o real imposs\u00edvel de negativar.<\/p>\n<p>T\u00e2nia Regina percorreu essa sexta aula de 10 de janeiro de 2001, de ponta a ponta, al\u00e9m disso recorreu a algumas refer\u00eancias do pr\u00f3prio Miller e de Lacan, que propiciaram um aprofundamento das quest\u00f5es trazidas por Miller em 2001: o <em>Ato de Funda\u00e7\u00e3o<\/em> escrito por Lacan em 1964 (nele recortou a contribui\u00e7\u00e3o sobre psican\u00e1lise pura e psican\u00e1lise aplicada \u00e0 terap\u00eautica); a contribui\u00e7\u00e3o feita por Miller em 1992, em um Congresso em Rennes, que foi publicado com o t\u00edtulo <em>Psican\u00e1lise e psicoterapia<\/em>, na Revista da Escola da Causa, 22 e na Freudiana, 10 (em que destacou \u00a0o grafo do desejo, a posi\u00e7\u00e3o do analista e o desejo do analista); o Semin\u00e1rio 17, <em>O avesso da psican\u00e1lise<\/em> (T\u00e2nia Regina utilizou esse texto para aprofundar as elabora\u00e7\u00f5es de Lacan a respeito do discurso do psicanalista e seu avesso, o discurso do mestre).<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s a explana\u00e7\u00e3o de T\u00e2nia Regina, F\u00e1bio Paes Barreto foi convidado a comentar e abrir o debate.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]Resenha da atividade de 13 de outubro de 2020<\/p>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>A pr\u00e1tica psicanal\u00edtica em tempos de pandemia<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>R\u00f4mulo Ferreira da Silva<\/strong><\/h6>\n<p>R\u00f4mulo faz a abertura dessa atividade recordando a fala de Romildo do R\u00eago Barros nas Primeiras Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste (em forma\u00e7\u00e3o), retomado por Bartyra Ribeiro de Castro de que \u201cestamos longe de podermos nos posicionar realmente quanto aos efeitos dos atendimentos virtuais\u201d. Por\u00e9m, insiste que essa reuni\u00e3o se dedica a recolher o que cada um vem enfrentando, debatendo e elaborando ao longo desses meses nos quais estamos praticando de forma intensa e regular os atendimentos remotos, \u201cn\u00e3o nos cabe recuar diante desse desafio, pois seguimos praticando e chamando o que estamos fazendo de psican\u00e1lise. A fun\u00e7\u00e3o do controle, colocada por Lacan em um sentido mais amplo \u00e9 de colocar \u00e0 c\u00e9u aberto se o que estamos fazendo continua sendo psican\u00e1lise.\u201d<\/p>\n<p>R\u00f4mulo lembra que o X ENAPOL j\u00e1 foi anunciado, ocorrer\u00e1 nos dias 09 e 10 de outubro de 2021 em Santiago do Chile e o tema ser\u00e1 <em>O novo no amor \u2013 modalidades contempor\u00e2neas dos la\u00e7os. <\/em>O texto de apresenta\u00e7\u00e3o de Lizbeth Ahumada Yanet, presidente do pr\u00f3ximo ENAPOL, publicado na lista <em>Aqui Fapol<\/em> no dia 09 de outubro de 2020, nos conecta ao tema: \u201cComo na imagem do cartaz que lhes apresentamos, os la\u00e7os se entrecruzam, os equilibristas se sustentam no fio, percorrem a corda em seus monociclos uma e outra vez; e, no meio, se encontram com outros que por sua vez v\u00e3o e vem; mas sim, advertidos de que o percurso enquanto tal traz consequ\u00eancias. O analista-equilibrista, por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>A cidade de Santiago do Chile enfeitada com a imponente Cordilheira dos Andes ser\u00e1 o lugar do encontro. Nossos colegas da NEL Santiago, junto com as comiss\u00f5es cient\u00edficas e de organiza\u00e7\u00e3o, j\u00e1 est\u00e3o a postos, subiram no fio e come\u00e7am os malabarismos e as cambalhotas que preparam nosso encontro.\u201d<\/p>\n<p>Foram sete os colegas que enviaram textos para animar a conversa: Alberto Murta, Renato Vieira, Denizye Zaccarias, Bartyra de Castro, Ord\u00e1lia Junqueira, Cristiano Pimenta e F\u00e1bio Barreto.<\/p>\n<p>Alberto Murta destacou a pergunta: Qual \u00e9 o estatuto desse Real na nossa \u00e9poca? Quando ele arremata que <em>o futuro da Psican\u00e1lise depende do Real<\/em>, considerando que a agita\u00e7\u00e3o deste Real em jogo \u00e9 inerente \u00e0 manifesta\u00e7\u00e3o do COVID 19. Ou seja, que n\u00e3o podemos nos furtar em manej\u00e1-la, em testemunhar o nosso manejo.<\/p>\n<p>E enfatiza \u201cque os efeitos da nossa pr\u00e1tica n\u00e3o passam pelo <em>furor <\/em>sucesso\u201d, abrindo a discuss\u00e3o para a ideia de que o sucesso da psican\u00e1lise \u00e9 o seu fracasso e nos remetendo \u00e0s nossas jornadas, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do analista.<\/p>\n<p>Renato Carlos Vieira nos diz que \u201co COVID-19 chegou entre n\u00f3s e, diante desse real da civiliza\u00e7\u00e3o, ficou mais evidente que h\u00e1 um real do corpo que se goza que tamb\u00e9m deve ser visado nas modula\u00e7\u00f5es das palavras via <em>gadgets<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>Retoma que \u201cnessa \u00e9poca estamos a nos reinventar com as \u201cpr\u00e1ticas remotas\u201d e que \u201ca partir delas, visa-se n\u00e3o o comum, mas sim a singularidade do caso a caso.\u201d Renato d\u00e1 o testemunho de sua experi\u00eancia particular no enfrentamento da doen\u00e7a, parafraseando Cazuza: \u201ceu vi a cara da morte e ela estava viva\u201d, o que produziu uma interpreta\u00e7\u00e3o ao estilo <em>che vuoi<\/em>?<\/p>\n<p>Ainda por outra via, Renato acrescenta que, \u201cpor ser uma realidade transindividual, a subjetividade de uma \u00e9poca tamb\u00e9m afeta \u00e0 Escola sujeito.\u201d<\/p>\n<p>Denizye Zacharias aponta para o trabalho de rever e repensar o lugar do analista e da psican\u00e1lise, dizendo que o \u201cisolamento, para alguns ele apazigua o modo de gozo, enquanto para outros ocorre o contr\u00e1rio.\u201d Ela destaca que \u201co aplicar a psican\u00e1lise nas condi\u00e7\u00f5es que cada um dos praticantes p\u00f4de recorrer, \u00e9 um enveredar-se no fazer para, no posteriori, deixar-se interrogar.\u201d Uma pergunta \u00e9 colocada por R\u00f4mulo: \u201cVoc\u00ea estaria propondo que estamos em tempos de psican\u00e1lise aplicada, deixando em suspenso a quest\u00e3o da psican\u00e1lise pura? Que tamb\u00e9m destaca o quadro de Ren\u00e9 Magritte trazido por Denizye, nos \u201ccontrastes (<em>chiaroscuro<\/em>), a obscuridade at\u00e9 o espa\u00e7o iluminado \u2013 ou vice-versa \u2013 d\u00e3o o teor do quadro\u201d.<\/p>\n<p>Bartyra Ribeiro de Castro se ancora no \u201cn\u00e3o desejo de curar\u201d na decis\u00e3o de sustentar os atendimentos remotos como \u201cuma alternativa para que o sujeito pudesse se colocar com seus impasses e ang\u00fastias, onde se perdeu a cren\u00e7a no futuro\u201d<\/p>\n<p>Essa coloca\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nos remete \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre psican\u00e1lise pura e aplicada, e Bartyra nos traz a quest\u00e3o da psicose como o tema mais delicado nessas circunst\u00e2ncias. \u201calgumas vezes se fez necess\u00e1rio ir presencialmente ao consult\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o colocada \u00e9 se o diagn\u00f3stico pode nos orientar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 op\u00e7\u00e3o presencial\/remoto quando retomarmos paulatinamente os atendimentos presenciais.<\/p>\n<p>Ord\u00e1lia Junqueira apresenta uma excelente articula\u00e7\u00e3o entre a pr\u00e1xis anal\u00edtica na vertente do controle que nos remete \u00e0s elabora\u00e7\u00f5es sobre o funcionamento da Escola em tempos de pandemia, utilizando a refer\u00eancia de Miller \u201cat\u00e9 a impossibilidade em se permanecer em um mesmo <em>porto <\/em>por muito tempo\u201d. Achei precisa essa contribui\u00e7\u00e3o que nos convoca a renovar nossos portos, como fez Freud em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 psiquiatria de sua \u00e9poca, Lacan tamb\u00e9m o fez em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Freud e a si mesmo. Momento precioso de Miller \u201cquanto \u00e0 forma de \u201cconduzirmos nosso <em>remo <\/em>nesse momento de escolha for\u00e7ada aos atendimentos <em>online<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u201cComo <em>orientarmos <\/em>ent\u00e3o, n\u00f3s analistas, diante da impossibilidade em continuarmos no mesmo <em>porto<\/em>?\u201d<\/p>\n<p>O controle surpreende com a localiza\u00e7\u00e3o pontual do desejo do analista. O que, certamente, tem repercuss\u00e3o na fun\u00e7\u00e3o que se ocupa na Escola.<\/p>\n<p>Cristiano A. Pimenta avalia que a \u201can\u00e1lise remota se mostrou uma ferramenta imprescind\u00edvel para ajudar o <em>falasser<\/em> a enfrentar o real pr\u00f3prio do seu inconsciente, aquele que \u201cse revela na cl\u00ednica como o imposs\u00edvel de suportar\u201d, referindo-se \u00e0 Jacques-Alain Miller, o que nos questiona tamb\u00e9m sobre a psican\u00e1lise aplicada e pura.<\/p>\n<p>Cristiano avalia tamb\u00e9m que \u201c\u00e9 preciso localizar o que se perde e o que se ganha nos atendimentos remotos\u201d, colocando quest\u00f5es que \u201cnecessitamos de tempo para responder: seria poss\u00edvel para quem faz sua an\u00e1lise em outra cidade, estado ou pa\u00eds, fazer sess\u00f5es on-line at\u00e9 que possa viajar? Seria poss\u00edvel uma an\u00e1lise mista? Qual seria o efeito de se ter sess\u00f5es on-line sobre as sess\u00f5es presenciais?\u201d<\/p>\n<p>F\u00e1bio Paes Barreto apresenta o tema <em>A Cura Psicanal\u00edtica na Pandemia: para al\u00e9m da conting\u00eancia, <\/em>dizendo que pessoalmente, nunca teve \u201cum posicionamento francamente contr\u00e1rio \u00e0 psican\u00e1lise online\u201d. Mas, n\u00e3o sem colocar o privil\u00e9gio \u201cdo encontro entre os corpos e que um corpo vivo \u00e9 aquilo que d\u00e1 suporte para o real do gozo\u201d.<\/p>\n<p>F\u00e1bio, assim como Alberto, aponta menos para o sucesso, no sentido de extrair maiores consequ\u00eancias para a psican\u00e1lise.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]<strong>RESENHA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mulher, Amor e Gozo: mist\u00e9rios do feminino &#8211; <\/strong><em>S\u00f4nia Vicente (EBP\/AMP)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>Esta resenha consiste na conversa\u00e7\u00e3o estabelecida ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o de S\u00f4nia Vicente sobre o tema \u201cMulher, Amor e Gozo:\u00a0 mist\u00e9rios do feminino\u201d.<\/p>\n<p>Ord\u00e1lia Junqueira abriu o encontro agradecendo a presen\u00e7a e generosidade de S\u00f4nia Vicente, Coordenadora Geral do XXIII Encontro do Campo Freudiano. Ela, por sua vez, teceu seus agradecimentos e apontou ser um tema que tem sua complexidade, tanto a mulher, quanto o amor e o gozo. E nos convidou a uma conversa\u00e7\u00e3o. Vem se ocupando destes temas para elucidar quest\u00f5es sobre o gozo feminino, como prepara\u00e7\u00e3o para o XXIII Encontro, cujo t\u00edtulo \u00e9 \u201cO Feminino Infamiliar: dizer o indiz\u00edvel\u201d. Ela destacou que nos encontros preparat\u00f3rios, \u201ca quest\u00e3o que tem insistido tem seu foco na afirma\u00e7\u00e3o de Lacan, que marca o in\u00edcio do seu ultim\u00edssimo ensino, que o que ele entreviu pelo vi\u00e9s do gozo feminino, ele o generalizou e o concebeu e fez dele o regime do gozo como tal \u2013 gozo fora da engrenagem edipiana\u201d.<\/p>\n<p>Sua exposi\u00e7\u00e3o contemplou os seguintes subtemas: A mulher e o amor, Amor cort\u00eas, Amor e n\u00f3, Gozo e sexua\u00e7\u00e3o, Gozo feminino e gozo como tal. Percurso que vai de um apelo ao amor, pura devasta\u00e7\u00e3o, ao \u201camor mais digno\u201d &#8211; amor ao sinthoma.<\/p>\n<p>Para finalizar sua apresenta\u00e7\u00e3o, S\u00f4nia Vicente nos presenteou com uma vinheta cl\u00ednica \u201cesse caso eu o trouxe pelo encanto&#8230;ela petrificou no pulsional e ficou destruindo o encanto dela&#8230;n\u00e3o h\u00e1 significante que possa dizer do ser dela&#8230; ela n\u00e3o d\u00e1 conta\u201d. Est\u00edmulo para uma boa conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONVERSA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p><strong>ORD\u00c1LIA,<\/strong> abrindo a conversa\u00e7\u00e3o disse ser um trabalho para\u00a0 tr\u00eas encontros,<strong> \u201c<\/strong>eu decantei tr\u00eas pontos principais, todos tem rela\u00e7\u00e3o\u00a0 com o mist\u00e9rio\u201d .O<strong> primeiro ponto<\/strong> foi a constata\u00e7\u00e3o \u201cNada se pode dizer do amor\u201d, \u201cnada se pode dizer da mulher\u201d, ambos est\u00e3o no campo do n\u00e3o sabido. Algo do mist\u00e9rio. \u00c9 uma l\u00f3gica que aponta o furo e o real sem sentido e a\u00ed vem &#8230; o homem expressa-se pela poesia. A mulher escapole do homem..a\u00ed ele fica encantado \u2026 puxei essa pergunta porque vem um <strong>segundo ponto<\/strong> , voc\u00ea traz duas perguntas, o que \u00e9 uma mulher para um homem? A\u00ed, Lacan nos responde \u00e9 o seu sintoma. Um homem cr\u00ea numa mulher como ele cr\u00ea no sintoma e vem o enigma a decifrar \u201co que \u00e9 uma mulher?\u201d a\u00ed , o que seria o sintoma? E a segunda quest\u00e3o que voc\u00ea traz \u00e9 \u201co que \u00e9 um homem para uma mulher?\u201d que voc\u00ea diz que n\u00e3o \u00e9 uma coisa t\u00e3o clara.. uma mulher s\u00f3 ama um homem quando \u00e9 privada daquilo que ele d\u00e1., ou seja, ela reconhece nele a sua falta e ao mesmo tempo voc\u00ea traz aqui algo da devasta\u00e7\u00e3o porque voc\u00ea diz\u00a0 o homem pra mulher \u00e9 uma afli\u00e7\u00e3o e uma devasta\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o clivando as duas, o homem se expressa pela poesia com a mulher e o homem se apresenta como uma devasta\u00e7\u00e3o para a mulher. E isso vai desembocar no <strong>terceiro ponto<\/strong>, que me tocou,&#8230;quando uma mulher se dirige ao lugar de seu gozo <em>n\u00e3o-todo<\/em>, que \u00e9 o suplementar&#8230;\u00e9 o outro da falta que ela encontra, mas esse outro ele n\u00e3o pode ser encontrado e justamente o confronto com essa aus\u00eancia d\u00e1 conta do car\u00e1ter louco e enigm\u00e1tico do amor e do gozo feminino. E a\u00ed eu vou enla\u00e7ar o iniciozinho que voc\u00ea destacou trazendo a mitologia e os deuses amor e loucura&#8230;que eu gostei muito. O amor e a loucura se enla\u00e7am para sempre e a\u00ed a pergunta: o amor \u00e9 louco, misterioso? a mulher \u00e9 louca, misteriosa\/ e o gozo \u00e9 algo da loucura e misterioso? A\u00ed eu enla\u00e7o com o t\u00edtulo \u2026 enfim, paro por aqui\u201d.<\/p>\n<p><strong>R\u00d5MULO: \u201c&#8230;<\/strong>eu acho que est\u00e1 mais ou menos no mesmo ponto que Ord\u00e1lia colocou e a\u00ed a gente passa para S\u00f4nia\u2026 eu queria\u2026 talvez abrir um pouco mais a quest\u00e3o da devasta\u00e7\u00e3o&#8230;porque acho que \u00e9 um cap\u00edtulo muito dif\u00edcil, pelo menos para mim, e acho que voc\u00ea traz alguma coisa que me elucida quando voc\u00ea diz que\u00a0 n\u00f3s podemos dar conta da forma erotoman\u00edaca do amor, na mulher, que ela est\u00e1 sempre imaginando o lugar da amada. O que faz ent\u00e3o ela repetir sempre essa demanda infinita de amor. E a\u00ed voc\u00ea cita que o Lacan faz um contraponto no Lacan a erotomania, dizendo que um homem \u00e9 sempre para uma mulher, nessa perspectiva erot\u00f4noma, afli\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o..<strong>.uma primeira pergunta <\/strong>, voc\u00ea considera que no amor, na mulher, naquele que se coloca do lado feminino, na f\u00f3rmula da sexua\u00e7\u00e3o, \u00e9 sempre erotoman\u00edaco? Uma d\u00favida que eu tenho, porque eu achei muito interessante quando voc\u00ea &#8230;aborda a devasta\u00e7\u00e3o dizendo que a mulher pode se colocar\u00a0 em priva\u00e7\u00e3o extrema, inclusive a morte, quando est\u00e1 na posi\u00e7\u00e3o de devastada, quer dizer, a partir do amor erotoman\u00edaco ela pode ficar na posi\u00e7\u00e3o de\u00a0 devastada ou no estado de deslumbramento, \u00e9 quando ela pode escutar desse homem, desse conector algumas palavras de amor, ent\u00e3o eu queria que voc\u00ea abrisse um pouco mais\u2026 o amor na mulher \u00e9 sempre erotoman\u00edaco?<\/p>\n<p><strong>ANA ROG\u00c9RIA: <\/strong>A minha pergunta \u00e9 o que temos discutido um pouco as Quartas-feiras no Semin\u00e1rio..\u00e9 uma coisa que fico assim intrigada, eu achei muito interessante essa pesquisa que voc\u00ea trouxe, que a gente j\u00e1 tinha trabalhado essa quest\u00e3o que vais substituindo o gozo feminino at\u00e9 no gozo, nos pr\u00f3prios Semin\u00e1rios do Lacan. Mas, me parece que quando a gente vai nessa mesmo perspectiva do Lacan, n\u00e3o bin\u00e1ria, fica muito dif\u00edcil, \u2026 quando a gente vai trabalha nessa perspectiva&#8230;num caso cl\u00ednico, quando faz uma reflex\u00e3o em torno disso,\u00a0 parece que sempre h\u00e1 uma necessidade de voltar para algo bin\u00e1rio, n\u00e3o? Porque quando a gente fala, essencialmente numa posi\u00e7\u00e3o feminina e numa masculina, mesmo que sejam posi\u00e7\u00f5es de gozo a partir da sexua\u00e7\u00e3o, , me parece muito dif\u00edcil articular alguma coisa, que n\u00e3o seja minimamente bin\u00e1ria, porque se a gente\u00a0 coloca em perspectiva a pr\u00f3pria significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica j\u00e1 se faz algo bin\u00e1rios, nesse sentido, &#8230;eu vejo que gente tem esse esfor\u00e7o de trazer essa quest\u00e3o fora do binarismo\u2026 que \u00e9 a proposta da psican\u00e1lise, mas acho que h\u00e1 uma certa dificuldade, talvez pela pr\u00f3pria impossibilidade de n\u00e3o fazer algo de duas posi\u00e7\u00f5es, ou de uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a outra.<\/p>\n<p><strong>BARTYRA<\/strong>: \u201cVoc\u00ea estava trabalhando o devastada como o encontro com o sil\u00eancio de um homem, ent\u00e3o a minha pergunta \u00e9 se\u00a0 o deslumbramento falaria do encontro com as palavras de um homem, porque diria de algo do ser dessa mulher?<\/p>\n<p><strong>S\u00d4NIA: <\/strong>Eu vou come\u00e7ar pela da <u>Ana Rog\u00e9ria <\/u>porque na verdade \u00e9 tudo o que eu quis dizer com mist\u00e9rio. H\u00e1 gozo, isso \u00e9 um mist\u00e9rio. E isso tem a ver, para mim&#8230; quando Lacan vai no ultim\u00edssimo, tem a ver com a repercuss\u00e3o do furo primordial&#8230;h\u00e1 gozo, h\u00e1 um, do um enquanto real, n\u00e3o mais do Um enquanto tra\u00e7o, mas o Um enquanto furo. Quando a gente fala h\u00e1 gozo&#8230; eu entendo assim, a gente tem que falar como subst\u00e2ncia gozante. H\u00e1 um corpo que se goza. Eu fiz todo esse desenvolvimento pr\u00e1 chegar a\u00ed. H\u00e1 s\u00f3 resson\u00e2ncia, resson\u00e2ncia de que? N\u00e3o s\u00e3o de significantes, \u00e9 desse Um. Do Um enquanto furo. Ent\u00e3o quando<u> Bartyra<\/u> pergunta.., quando ele fala de deslumbramento n\u00e3o tem a ver com palavras, tem a ver muito mais com o gozo m\u00edstico que \u00e9 direto no corpo. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o direta do corpo, nas m\u00edsticas, com Deus, mas n\u00e3o passa pelas palavras. \u00c9 um gozo mudo sem palavras&#8230;. Quando Miller d\u00e1 pr\u00e0 gente ler o sinthoma, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais da ordem do saber-fazer , \u00e9 s\u00f3 da ordem de ler de uma outra forma&#8230;\u00e9 uma subjetividade que n\u00e3o aparece, \u00e9 s\u00f3 um objeto, na verdade \u00e9 um corpo que goza. Ent\u00e3o estou tentando , Ana Rog\u00e9ria, n\u00e3o me referir mais ao binarismo que est\u00e1 no Semin\u00e1rio XX\u2026 Lacan queria tirar essa hist\u00f3ria do binarismo&#8230; E\u00a0 o amor \u00e9 erotoman\u00edaco porque quando ela se dirige, o seu gozo <em>n\u00e3o-todo,<\/em> o que ela encontra no outro \u00e9 aus\u00eancia, \u00e9 s\u00f3 isso que interessa a ela. Por mais significante qu possa vir no Outro \u00e9 s\u00f3\u00a0 no primeiro momento, o que repercute \u00e9 o vazio, por isso <u>Ord\u00e1lia <\/u>o homem tem que abord\u00e1-la \u00e9 da ordem da poesia&#8230;mas a poesia \u00e9 furo, \u00e9 s\u00f3 furo. O poeta, ele n\u00e3o p\u00f5e sentido na poesia, quem d\u00e1 o sentido somos n\u00f3s. N\u00f3s frente ao furo de uma\u00a0 poesia, n\u00f3s damos o sentido\u2026 Esse sentimento da mulher de se sentir sempre a amada tem a ver com, a gente sempre p\u00f5e que a primeira da devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o da menina\u00a0 com a m\u00e3e. Toda mulher tem um ponto de devasta\u00e7\u00e3o. Mas eu penso que tem a ver com uma nova vers\u00e3o do pai, a <em>pervers\u00edon.<\/em> Essa\u00a0 mulher que ele vai chamar da deusa que vai comandar o mundo, \u00e9 aquela mulher que \u00e9 causa de desejo desse homem e que\u00a0 se apossa dele. \u00c9 ela que comanda, porque o homem precisa crer que existe uma mulher, da\u00ed a import\u00e2ncia tamb\u00e9m da refer\u00eancia do amor cort\u00eas\u2026 a mulher do trovador n\u00e3o existe, porque naquela \u00e9poca, S\u00e9culo XIII. A mulher n\u00e3o existia\u2026 a mulher come\u00e7ou a existir como dama de xadrez, Nossa Senhora, e o o trovador come\u00e7ou a dizer palavras de amor para uma dama inexistente.\u00a0 O homem fala para uma mulher que n\u00e3o existe. A mulher \u00e9 uma a uma. Ele fala para uma mulher que o capturou e \u00e9 causa\u00a0 do desejo dele. E, nesse sentido, ele faz poesia porque &#8230;mas ele fala muito mais do furo, por isso fala que a dama \u00e9 o inv\u00f3lucro do nada. Ele ao involucrar o nada, ele cria a dama, que \u00e9 nada. A mulher n\u00e3o existe. E sim ele cr\u00ea, cria uma mulher para ser seu sintoma, pr\u00e1 na fantasia mant\u00ea-lo como f\u00e1lico, como objeto que vai fazer a rela\u00e7\u00e3o sexual existir. Mas, na verdade isso \u00e9 sempre falho. \u00c9 por isso que Lacan diz que nada se pode dizer do amor e nada se pode dizer da mulher&#8230; porque os dois tem estatuto de falta, a mulher n\u00e3o existe e o amor e o amor n\u00e3o pode ser definido&#8230;\u2026 \u00e9 por isso que a\u00ed ele vai trabalhar o<em> amuro<\/em>, entre o homem e a mulher h\u00e1 o\u00a0 muro da linguagem. E que a gente tem que ver al\u00e9m do muro. O que tem al\u00e9m do muro? O<em> a <\/em>os signos bizarros no corpo da sexualidade, porque na verdade o ser, o sexo, a gente tem <em>asexo, <\/em>o ser n\u00e3o \u00e9 sexuado. \u00c9 s\u00f3 quando entram as palavras de amor&#8230;Ela precisa reconhecer nele a sua falta, porque \u00e9 com a falta\u00a0 que se ama. N\u00e3o se ama com nada consistente, porque o amor tem a ver com o desejo e n\u00e3o com o gozo\u2026 a falta que nos permite desejar. O gozo que se tem que abrir a m\u00e3o para conceder o desejo.<\/p>\n<p><strong>ALBERTO MURTA<\/strong>: \u201c&#8230;Gostei muito da sua investiga\u00e7\u00e3o, que voc\u00ea est\u00e1 realizando e das quest\u00f5es que j\u00e1 foram arroladas a\u00ed\u2026 se voc\u00ea teve oportunidade de investigar,\u00a0 de trabalhar um pouco mais, essa quest\u00e3o que voc\u00ea colocou se servindo do Lacan, da posi\u00e7\u00e3o do homem na rela\u00e7\u00e3o com a mulher, e isso voc\u00ea j\u00e1 colocou muito bem quando \u00e9 a devasta\u00e7\u00e3o, mas voc\u00ea usou tamb\u00e9m a afli\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 afli\u00e7\u00e3o voc\u00ea tem algum coment\u00e1rio mais a fazer? &#8230; a afli\u00e7\u00e3o que um homem\u00a0 pode, digamos assim,\u00a0 desencadear numa mulher&#8230;\u201d\u2026 Do\u00a0 outro lado, eu queria entrar nesse debate que me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, que foi patrocinado pela\u00a0 pergunta ou coment\u00e1rio da Ana Rog\u00e9ria., queue diz respeito\u00a0 ao binarismo, ou biparti\u00e7\u00e3o presentes nas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o. Ela manteve uma certa posi\u00e7\u00e3o, dizendo que no fundo, ainda, tem uma certa preval\u00eancia do binarismo em Lacan. Eu diria que sim, parcialmente, porque \u00e9 interessante que assim como h\u00e1 um certo binarismo nas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o h\u00e1 tamb\u00e9m o binarismo no que Freud vai chamar de dualidade pulsional..\u00a0 \u00e9 verdade que Lacan no decorrer do seu ensino diluiu essa biparti\u00e7\u00e3o no campo da sexualidade, e tamb\u00e9m diluiu acima de tudo o conflito da dualidade no contexto da puls\u00e3o freudiana, e chegou nisso que voc\u00ea\u00a0 muito bem pontuou, h\u00e1 gozo. Quando a gente chega nessa dimens\u00e3o do h\u00e1 gozo , voc\u00ea fez resson\u00e2ncias no \u201ch\u00e1 gozo\u201d quer seja habitando esse \u201ch\u00e1 gozo\u201d com a quest\u00e3o do h\u00e1 Um, mas ao mesmo tempo evidenciando que o pr\u00f3prio h\u00e1 gozo \u00e9 j\u00e1 \u00e9 por ele mesmo a resson\u00e2ncia , que prov\u00e9m, disso que voc\u00ea colocou muito bem, do furo real.. ora, neste instante a\u00ed, j\u00e1 que \u00e9 uma\u00a0 resson\u00e2ncia, n\u00f3s a\u00ed, encarnamos, se podemos dizer assim,\u00a0 um monismo\u2026 e nesse momento a\u00ed por encarnar um monismo,\u00a0 gente pode falar h\u00e1 um monismo no <em>sinthoma<\/em>&#8230;<\/p>\n<p><strong>S\u00d4NIA<\/strong>: Exatamente.<\/p>\n<p><strong>ALBERTO MURTA: <\/strong>\u201c&#8230;isso me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o, porque voc\u00ea usou um termo, dizer, h\u00e1 um gozo.. ora, \u00e9 interessante que uma das \u00faltimas das defini\u00e7\u00f5es das puls\u00f5es para Lacan se escreve tamb\u00e9m na ordem do dizer&#8230;de que h\u00e1 um dizer<\/p>\n<p><strong>S\u00d4NIA<\/strong>: no corpo<\/p>\n<p><strong>ALBERTO MURTA<\/strong>: \u00c9\u2026 o dizer tamb\u00e9m faz resson\u00e2ncia, o conector do dizer \u00e9 <em>lal\u00edngua. <\/em>E <em>lal\u00edngua <\/em>\u00e9 um terreiro f\u00e9rtil dos equ\u00edvocos, e \u00e9 \u00e0 luz do equ\u00edvoco que ele consegue, de uma forma ou de outra, nos legar algo que diz respeito ao gozo, dizendo por exemplo, h\u00e1 gozo.<\/p>\n<p><strong>CLEUDES<\/strong>: A minha quest\u00e3o tamb\u00e9m passa por a\u00ed. Eu tamb\u00e9m fa\u00e7o parte do Semin\u00e1rio da S\u00f4nia, das Quartas-feiras&#8230; Pensei no deslumbramento como a outra face da pr\u00f3pria devasta\u00e7\u00e3o, porque pressup\u00f5e posi\u00e7\u00f5es extremas. O deslumbramento, ao meu ver, tem a ver com a excessiva idealiza\u00e7\u00e3o do outro, e quando isso cai, e sempre cai, ela sucumbe, ela cai na devasta\u00e7\u00e3o. Na posi\u00e7\u00e3o do deslumbramento ela \u00e9 tudo para o outro, tudo para o homem, e quando isso cai, ela \u00e9 nada, ent\u00e3o eu penso a devasta\u00e7\u00e3o como a outra face do deslumbramento&#8230;me parece que ela se devasta porque ela se deslumbra, porque ela idealiza excessivamente o outro.<\/p>\n<p><strong>S\u00d4NIA: <\/strong>\u201c\u2026Sobre o que o<u> Beto<\/u>\u00a0 me perguntou\u2026 sobre a afli\u00e7\u00e3o\u2026. s\u00e3o ideias, designa\u00e7\u00f5es do pior, porque elas, afli\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mais danosas que o sintoma. No semin\u00e1rio <em>O osso de uma an\u00e1lise. <\/em>o Lacan vai dizer que a mulher um sintoma \u00e9 para o homem ,\u00a0 e o homem \u00e9 para a mulher uma devasta\u00e7\u00e3o e a diferen\u00e7a \u00e9 que o sintoma \u00e9 localiz\u00e1vel. O\u00a0 gozo do sintoma \u00e9 cont\u00e1vel e a devasta\u00e7\u00e3o , n\u00e3o. Ent\u00e3o essa \u00e9 uma diferen\u00e7a, e \u00e9 uma afli\u00e7\u00e3o porque designa o pior, designa aquilo que \u00e9 imposs\u00edvel de dizer&#8230; designa algo que a\u00ed&#8230;que causa horror porque \u00e9 quando o falasser se submete a entregar o seu ser,\u00a0 algo que \u00e9 mais precioso a ele,\u00a0 ao outro\u2026e \u00e9 diferente a afli\u00e7\u00e3o do deslumbramento, situa\u00e7\u00e3o de \u00eaxtase.\u00a0 E, eu concordo com voc\u00ea <u>Cleudes<\/u> que n\u00e3o se sustenta, quer dizer que, no fundo, uma coisa ou outra, leva realmente ao pior, de voc\u00ea ser objeto do gozo do outro.. isso leva a gente para o gozo, que foi a pergunta de <u>Ana Rog\u00e9ria<\/u> e que o<u> Beto<\/u> complementou. Beto, Eu considero o binarismo quando tem alguma refer\u00eancia ao falo, ent\u00e3o no Semin\u00e1rio 20, quando Lacan faz as f\u00f3rmulas\u00a0 da sexua\u00e7\u00e3o o referente dele ainda \u00e9 o falo. Porque quando vai para a posi\u00e7\u00e3o feminina , ele vai dizer n\u00e3o toda submetida \u00e0 fun\u00e7\u00e3o f\u00e1lica. Quando ele vai avan\u00e7ando, depois&#8230;ele vai se afastando e vai falando s\u00f3, porque a\u00ed ele vai para a topologia, n\u00e3o a topologia dos n\u00f3s, do toro, vai trabalhar o toro, trabalhar com o real, &#8230;ele vai trabalhar o toro e \u00e9 esse furo que faz resson\u00e2ncia. O furo ressoa o tempo inteiro e esse Um\u00a0 \u00e9 que vai acompanhar a gente pela vida inteira. A\u00ed tem uma fixa\u00e7\u00e3o de gozo que todas as outras coisas que acontecem na vida \u00e9 topol\u00f3gico, \u00e9 furo, ao redor disso \u00e9 que o simb\u00f3lico vai fazendo os furos. O furo n\u00e3o existe antes, s\u00f3 tem furo porque o simb\u00f3lico comp\u00f5e esse furo&#8230;mas eu queria dizer desse monismo, porque quando Lacan vai dizer que a puls\u00e3o \u00e9 um eco do dizer\u00a0 corpo ele est\u00e1 n\u00e3o mais na dualidade pulsional, ele est\u00e1 s\u00f3 com, se agente pegar em termos de <em>am\u00f3dio<\/em>, com o \u00f3dio, com a\u00a0 puls\u00e3o de morte, com essa primeira expuls\u00e3o que acontece, &#8230;algo que \u00e9 um estranho familiar\u2026. H\u00e1 gozo, n\u00e3o h\u00e1 significante, h\u00e1 um corpo que se goza.<\/p>\n<p>&#8230;Quest\u00f5es sobre o caso cl\u00ednico\u2026<\/p>\n<p><strong>ENCERRAMENTO<\/strong><\/p>\n<p>Ord\u00e1lia encerrou o encontro agradecendo, tamb\u00e9m em nome da Diretoria da SLOF, \u00e0 S\u00f4nia pelo\u00a0 trabalho e a disponibilidade em nome da Diretoria. S\u00f4nia Vicente se despediu, agradecendo aos Colegas por uma boa conversa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h6>Por Adriana Gonring, 17 de Novembro de 2020.<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><strong><span style=\"color: #993300;\">Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana \u201cO lugar e o la\u00e7o\u201d<\/span> <\/strong><\/h3>\n<p>No dia 17 de novembro de 2020, Fabio Paes Barreto apresentou o oitavo cap\u00edtulo \u201cO \u00faltimo ensino de Lacan\u201d.<\/p>\n<p>Renato Carlos Vieira coordenou essa atividade e abriu a noite lembrando que h\u00e1 quase um ano ocorreu a primeira reuni\u00e3o do Conselho da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste em Forma\u00e7\u00e3o (SLOF), em que se decidiu por trabalhar esse Semin\u00e1rio de Jacques-Alain Miller. Renato sublinhou que o per\u00edodo nomeado por Miller como <em>\u00faltimo ensino de Lacan<\/em> traz uma concep\u00e7\u00e3o de real distinta dos momentos anteriores.<\/p>\n<p>F\u00e1bio Paes Barreto percorreu o texto do oitavo cap\u00edtulo e ressaltou os principais pontos de cada um dos seis subt\u00edtulos: T<em>radu\u00e7\u00e3o<\/em>, D<em>issolu\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>Autonomia<\/em>, <em>O fazer e o saber<\/em>, <em>Debilidade mental<\/em> e C<em>onvite ao realismo<\/em>.<\/p>\n<p>Antes de acompanhar o percurso feito por Miller nessa aula de 24 de janeiro de 2001, F\u00e1bio indicou a leitura do texto \u201cO \u00faltimo ensino de Lacan\u201d publicado na Revista Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00famero 35. F\u00e1bio sublinhou que as estratifica\u00e7\u00f5es de tempos feitas por Miller: primeiro, segundo, \u00faltimo e ultim\u00edssimo ensino de Lacan n\u00e3o \u00e9 cronol\u00f3gica e sim l\u00f3gica e que nesse oitavo cap\u00edtulo essa marca\u00e7\u00e3o fica ainda mais clara.<\/p>\n<p>Na primeira divis\u00e3o do texto, nomeada como <em>Tradu\u00e7\u00e3o, <\/em>Miller afirma que Lacan inventou uma<em> nova l\u00edngua <\/em>com a finalidade de traduzir a de Freud. Segundo Miller, o \u00faltimo ensino de Lacan vai mais al\u00e9m da tradu\u00e7\u00e3o de Freud. Situou que o marco desse per\u00edodo \u00e9 a Confer\u00eancia dada por Lacan em 1974, intitulada \u201cA terceira\u201d. E seu desdobramento ocorreu na sequ\u00eancia dos semin\u00e1rios: <em>RSI<\/em>, <em>Le Sinthome, L\u2019Insu que sait de L\u2019Une-b\u00e9vue s\u2019aille \u00e0 mourre<\/em>, <em>Moment de clonclure<\/em> e, <em>in fine<\/em>, <em>Dissolution<\/em>, que se centram no n\u00f3 borromeano. Lacan, assim como em seu escrito \u201c<em>O Atordito,<\/em> ir\u00e1 evocar figuras topol\u00f3gicas, sem nunca t\u00ea-las desenhado, com o intuito de destacar no discurso as rela\u00e7\u00f5es, os la\u00e7os em quest\u00e3o\u201d. Embora Miller evoque os semin\u00e1rios e textos escritos por Lacan nesse per\u00edodo do \u00faltimo ensino, ele mesmo diz que n\u00e3o h\u00e1 \u201cum escrito que fixe seu sentido e que precise seu alcance\u201d. Em outros termos, esse per\u00edodo \u201cconserva um car\u00e1ter aberto\u201d, mas ao mesmo tempo possui \u201cum aspecto apor\u00e9tico, como se nos top\u00e1ssemos com uma impossibilidade de concluir\u201d. Esse tempo marcado pela \u201cabertura\u201d, pode ser \u201ccapaz de nos socorrer no presente, na qual a psican\u00e1lise pura e aplicada mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o menos n\u00edtida do que antes\u201d. Al\u00e9m disso, Miller afirma que o \u00faltimo ensino de Lacan nos leva a \u201cdefini\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise como imposs\u00edvel\u201d, \u201cmuito mais real\u201d.<\/p>\n<p>Ainda sobre esse ponto da <em>Tradu\u00e7\u00e3o<\/em>, Miller destacou que a primeira pontua\u00e7\u00e3o fundamental feita por Lacan em sua leitura de Freud, foi a de \u201cespecificar que a fun\u00e7\u00e3o da palavra \u2013 sustentada pelo campo da linguagem \u2013 \u00e9 a \u00fanica opera\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica anal\u00edtica\u201d. Lacan, em Roma, lan\u00e7ou sua primeira pontua\u00e7\u00e3o da palavra e tamb\u00e9m sua terceira pontua\u00e7\u00e3o, \u201cque inaugura algo totalmente diferente, um regime de pensamento completamente distinto concernente \u00e0 psican\u00e1lise\u201d.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia do texto, no subt\u00edtulo <em>Dissolu\u00e7\u00e3o<\/em>, F\u00e1bio acompanhou o desenvolvimento feito por Miller em torno do que ele nomeou como primeira pontua\u00e7\u00e3o, se referindo a um momento do ensino de Lacan em que ele distribuiu a teoria anal\u00edtica nos tr\u00eas registros: o real, o imagin\u00e1rio e o simb\u00f3lico. Segundo Miller, \u201cLacan procedeu repartindo os elementos, os conceitos e suas refer\u00eancias, entre tr\u00eas registros da experi\u00eancia\u201d. Miller explicita que esses registros s\u00e3o como gavetas, no sentido da leitura feita por Lacan em termos da estrutura da linguagem. Para Miller os registros s\u00e3o \u201cconjuntos\u201d, ou seja, \u201ch\u00e1 alguns elementos aos quais consideramos que pertencem ao real, outros ao imagin\u00e1rio, e outros ao simb\u00f3lico\u201d.<\/p>\n<p>No momento em que Lacan se debru\u00e7ava na tradu\u00e7\u00e3o de Freud, seu movimento correspondia em ir em dire\u00e7\u00e3o ao \u00b4registro do simb\u00f3lico. Nos termos de Miller, \u201cse considera que esse transporte de termos at\u00e9 ao simb\u00f3lico, este transporte chamado <em>simboliza\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>significantiza\u00e7\u00e3o<\/em> reflita igualmente o que tem na experi\u00eancia anal\u00edtica\u201d. Esse movimento n\u00e3o comparece no \u00faltimo ensino de Lacan, ao contr\u00e1rio h\u00e1 uma \u201cruptura\u201d. Nesse sentido, Miller prop\u00f4s o termo <em>Dissolu\u00e7\u00e3o<\/em> em substitui\u00e7\u00e3o a nomea\u00e7\u00e3o <em>Tradu\u00e7\u00e3o. <\/em>Ou seja, \u201cno \u00faltimo ensino de Lacan (&#8230;) j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 em jogo a tradu\u00e7\u00e3o, a simboliza\u00e7\u00e3o, ou a formaliza\u00e7\u00e3o dos conceitos de Freud, (&#8230;) o que constatamos \u00e9 mais uma dissolu\u00e7\u00e3o dos conceitos freudianos, uma passagem da tradu\u00e7\u00e3o a dissolu\u00e7\u00e3o\u201d. Na leitura de Miller, \u201cLacan pretende passar pela mesma trituradora todos os conceitos de Freud\u201d. Em outros termos, no \u00faltimo ensino de Lacan \u201ch\u00e1 um rebaixamento do simb\u00f3lico\u201d, \u201cno ensino de Lacan, o simb\u00f3lico passa da supremacia ao rebaixamento\u201d, o que implica na constata\u00e7\u00e3o de Miller de que no \u00faltimo ensino ocorre o contr\u00e1rio da ideia da \u201csalva\u00e7\u00e3o pela palavra\u201d, \u201ca palavra tem mais o valor de parasita, at\u00e9 de c\u00e2ncer, de epidemia\u201d. Por esta via encontramos (&#8230;) um rebaixamento do sentido\u201d.<\/p>\n<p>No terceiro subt\u00edtulo, <em>Autonomia<\/em>, o destaque continuou sendo o percurso de Lacan em termos de rebaixamento do sentido, o que segundo Miller possibilitou no segundo ensino haver lugar para o fora-sentido. Ou seja, \u201chavia pois um lugar para o fora-sentido, para o saber em qualidade de articula\u00e7\u00e3o fora-sentido dos significantes, ainda que esse rebaixamento do sentido se fez em proveito do significante, dos matemas, da escritura\u201d. Miller alerta que \u00e9 preciso n\u00e3o confundir isso com o \u00faltimo ensino de Lacan, pois nesse \u00faltimo n\u00e3o apenas ocorre o rebaixamento do sentido, mas tamb\u00e9m um \u201crebaixamento do significante e do saber\u201d. Lacan passou a se interessar e se interrogar sobre a fona\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 \u201cLacan contra Lacan em seu \u00faltimo ensino\u201d.<\/p>\n<p>F\u00e1bio destaca o exemplo dado por Lacan em seu escrito \u201cLituraterra\u201d, a met\u00e1fora da chuva que faz marcas na terra, para falar sobre os dois tipos de escritura sublinhados por Miller: \u201cH\u00e1 uma escritura que se aplica a palavra e que guarda rela\u00e7\u00e3o com o sentido, e ademais h\u00e1 uma escritura pura, desligada do sentido e por onde \u00e9 capaz de valer como real. Lacan situa seu n\u00f3 [n\u00f3 borromeo] no n\u00edvel desta escritura pura\u201d.<\/p>\n<p>A nomea\u00e7\u00e3o dada a essa parte do texto, <em>Autonomia<\/em>, pareceu colocar em quest\u00e3o o que Miller apresentou em termos de uma autonomia do sentido, do significante, na qual o Uno vem em dire\u00e7\u00e3o a essa tentativa de escapar do sentido, exatamente por n\u00e3o fazer la\u00e7o.<\/p>\n<p>Em <em>O fazer e o saber<\/em>, F\u00e1bio sublinhou que no \u00faltimo ensino de Lacan h\u00e1 uma primazia do fazer em detrimento do saber, pois o saber est\u00e1 do lado do sentido. Lacan se dirige ao \u201cpuro real sem lei\u201d, o que implicou em colocar em quest\u00e3o n\u00e3o somente o que tem sentido, mas tamb\u00e9m o que constitui o saber. Nesse sentido, foi preciso \u201cseparar o saber do real\u201d, \u201cnesta via Lacan encontra seu n\u00f3, com o qual faz de tudo para escapar do sentido e do saber\u201d. Na leitura de Miller, Lacan toma o n\u00f3 \u201ccomo o paradigma do real\u201d, na medida em que \u201cdesafia a elucubra\u00e7\u00e3o de saber\u201d. Segundo Miller, Lacan chegou a fazer a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: <em>\u201cEste \u00e9 meu n\u00f3, este \u00e9 o real\u201d. <\/em>Em sua interpreta\u00e7\u00e3o, \u201cLacan quis fazer com que o n\u00f3 borromeo nos represente o que ocupa o furo de saber, e que aqui o fazer prevalece sobre o saber\u201d.<\/p>\n<p>Em seguida, no subt\u00edtulo <em>Debilidade mental<\/em>, Miller refor\u00e7ou esse esfor\u00e7o de Lacan em seu \u00faltimo ensino, a ponto de se distanciar da ci\u00eancia (desenvolveu uma <em>semantofobia<\/em> e <em>epistemofobia<\/em>) e, com isso, priorizou a arte. F\u00e1bio destacou a frase de Lacan \u201cfazer-se tolo de um real\u201d, que para ele tem conex\u00e3o com o final de an\u00e1lise e com o <em>\u201csavoir y faire\u201d<\/em>. Para Miller, Lacan nos convida a \u201cser tolos\u201d, visando a n\u00e3o introdu\u00e7\u00e3o do sentido, ou faz\u00ea-lo o m\u00ednimo poss\u00edvel. Ser tolo implica em se haver com o real, com \u201cum real entendido como exclus\u00e3o do sentido, que implica um sem fim, um <em>nada de conclus\u00e3o<\/em>\u201d. Nessa visada, Miller afirmou que n\u00e3o se deve levar ao extremo essa proposi\u00e7\u00e3o, mas que se trata de uma dire\u00e7\u00e3o que leva \u00e0 debilidade mental, nomeado por ele como \u201cconceito fundamental\u201d, que incide diretamente no conceito de inconsciente, pois \u201cLacan substitui o conceito freudiano de inconsciente pelo de debilidade mental: lhe d\u00e1 o mesmo uso\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, no sexto e \u00faltimo subt\u00edtulo <em>Convite ao realismo<\/em>, F\u00e1bio sublinhou a l\u00f3gica do fantasma e o estatuto do objeto <em>a<\/em>, que ganham uma outra dimens\u00e3o no \u00faltimo ensino de Lacan. F\u00e1bio acompanhou Miller, que apresentou mais um esfor\u00e7o do Lacan em seu \u00faltimo ensino \u201cde desprender-se da perspectiva do simb\u00f3lico [posta na l\u00f3gica do fantasma]\u201d, o que implicou rever o estatuto do objeto <em>a<\/em>, que antes era atribu\u00eddo ao real, e que passa a \u201cn\u00e3o ser mais que um semblante, e um semblante que n\u00e3o chega mais al\u00e9m que o ser. Neste ponto h\u00e1 que distinguir seriamente entre o ser e o real\u201d. Miller explicitou essa distin\u00e7\u00e3o entre o ser e o real: \u201co ser \u00e9 ter sentido. Nisso consiste a dist\u00e2ncia entre o ser e o real. As extravag\u00e2ncias do ser s\u00e3o justamente as que invocam o real. O que aqui pode nos inspirar \u00e9 um sadio convite ao realismo, quer dizer, a ser tolos frente ao real sem contarmos hist\u00f3rias\u201d. Este convite abre uma s\u00e9rie de quest\u00f5es para a pr\u00f3pria psican\u00e1lise, pois como disse Miller \u201cem psican\u00e1lise contamos hist\u00f3rias, nos contamos em hist\u00f3rias, fazemos hist\u00f3rias\u201d. Essa mudan\u00e7a implica num redirecionamento do passe, que segundo Miller passa a ser \u201ca \u00faltima hist\u00f3ria que contamos a prop\u00f3sito do real\u201d.<\/p>\n<p>Ao final da exposi\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio foi aberto o debate. Muitas quest\u00f5es e contribui\u00e7\u00f5es foram feitas pelos presentes.<\/p>\n<h6>Resenha feita por Renata Tavares Imperial.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Abertura das Atividades da SLOf em 03 de mar\u00e7o de 2020. Boa noite a todos, Primeiramente, para quem n\u00e3o me conhece, meu nome \u00e9 R\u00f4mulo Ferreira da Silva e estou exercendo a fun\u00e7\u00e3o de diretor Geral da Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste da EBP, em forma\u00e7\u00e3o. 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