{"id":12605,"date":"2023-05-09T15:32:39","date_gmt":"2023-05-09T18:32:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?page_id=12605"},"modified":"2023-05-09T15:32:39","modified_gmt":"2023-05-09T18:32:39","slug":"argumento-iv-jornadas-ebp-secao-lo-que-loucura-e-essa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/jornadas\/iv-jornadas-ebp-secao-lo-que-loucura-e-essa\/argumento-iv-jornadas-ebp-secao-lo-que-loucura-e-essa\/","title":{"rendered":"Argumento"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;12602&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title title=&#8221;Argumento IV Jornadas da EBP-LO&#8221;][\/eikra-vc-text-title][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Giovanna Quaglia &#8211; EBP\/AMP<br \/>\nCoordenadora Geral das IV Jornadas da EBP-LO<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">O aforismo: \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a>, de Lacan, j\u00e1 vem ecoando na comunidade da Se\u00e7\u00e3o Leste Oeste, seja pelas resson\u00e2ncias da fala de Jacques-Alain Miller ao lan\u00e7ar o t\u00edtulo do pr\u00f3ximo Congresso da AMP<a href=\"#_edn2\" name=\"_ednref2\">[ii]<\/a> ou a partir das atividades do Conselho no Semin\u00e1rio de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, bem como nas atividades da Diretoria. Partindo de \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d, lan\u00e7amos como tema para nossas pr\u00f3ximas jornadas \u201c<em>Que loucura \u00e9 essa?<\/em>\u201d, propondo uma fronteira entre o universal, o singular e como os dois se articulam. \u00c9 nessa fric\u00e7\u00e3o entre o globalizado nos ideais da civiliza\u00e7\u00e3o e o que incide de singular na indaga\u00e7\u00e3o \u201cQue loucura \u00e9 essa?\u201d que somos convocados a pensar a psican\u00e1lise engajada na subjetividade de nossa \u00e9poca e, dado esse horizonte, refletir sobre os modos atuais de articula\u00e7\u00e3o da loucura de cada um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escutado em sua singularidade, nenhum humano seria normal se considerarmos a ruptura que \u00e9 o encontro contingente com a linguagem. Desse modo, o del\u00edrio \u00e9 universal porque somos falantes. Uma an\u00e1lise nos mostra que tamb\u00e9m somos <em>loucos<\/em>, e que cada um tem sua l\u00edngua pr\u00f3pria, apesar da l\u00edngua comum a todos. <em>Fazemos de conta<\/em> que estamos falando as mesmas coisas, seguindo a norma linguageira, no entanto \u00e9 nos sonhos, nos chistes, nos atos falhos, no sintoma, que algo escapa e nos adverte a respeito da <em>verdade <\/em><em>mentirosa<\/em> da igualdade universal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando perguntamos \u201cQue loucura \u00e9 essa?\u201d lan\u00e7amos algo na <em>temporalidade<\/em><a href=\"#_edn3\" name=\"_ednref3\">[iii]<\/a>, cruzamos o instante de ver, para sermos i\u00e7ados ao tempo para compreender. Assim, podemos pensar que o demonstrativo \u201cessa\u201d no tema de nossas Jornadas indaga aquilo que est\u00e1 implicado na transfer\u00eancia, uma vez que a pergunta ter\u00e1 sua solu\u00e7\u00e3o dirigida ao Outro, lan\u00e7ando a possibilidade de olharmos para o que acontece em uma an\u00e1lise, na peculiaridade de solu\u00e7\u00f5es que parecem loucura. Como indicou Lacan, em uma an\u00e1lise pode-se descobrir \u201cjustamente at\u00e9 que ponto o sujeito dito, considerado normal n\u00e3o o \u00e9\u201d<a href=\"#_edn4\" name=\"_ednref4\">[iv]<\/a>. Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer entrar a no\u00e7\u00e3o de normaliza\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, enquanto analisantes, vivemos essa experi\u00eancia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uma an\u00e1lise trata da singularidade, sendo a experi\u00eancia de um saber suposto, sem ordem ou coer\u00eancia, como ensinar algu\u00e9m sobre isso? O discurso anal\u00edtico n\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria de ensino, indicou Lacan. E \u00e9 a\u00ed que tocamos em outra sutileza de nosso tema: Ensinar \u00e9 uma loucura? Como pensar ent\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o do analista? Freud<a href=\"#_edn5\" name=\"_ednref5\">[v]<\/a> nos indicou os of\u00edcios imposs\u00edveis \u2013 governar, ensinar e analisar! Para refletir sobre isso, \u00e9 essencial perceber a ambiguidade da palavra imposs\u00edvel, naquilo que toca a conting\u00eancia. Ent\u00e3o, como pensar essa loucura de ser analista, sem ter como miragem o momento de tor\u00e7\u00e3o na passagem de analisante a analista?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra diretriz, despontar algo do imposs\u00edvel n\u00e3o \u00e9 o que faz a arte? O artista n\u00e3o \u00e9 aquele atravessado por alguma coisa, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o do enredo delirante da fala, que cria outra dimens\u00e3o para a experi\u00eancia de nossas loucuras? Teatro, literatura, cinema, escultura, pintura, m\u00fasica, dan\u00e7a, arquitetura&#8230;\u00a0 O objeto da arte n\u00e3o nos faz loucos, nem nos salva da loucura, mas como espectadores, seu efeito nos deixa um pouco mais fora da realidade, do senso comum, desfigura a norma, contornando com a est\u00e9tica o vazio radical e singular deixado pela impossibilidade de dar sentido. \u201cQue \u00e9 a vida? Uma ilus\u00e3o, uma sombra, uma fic\u00e7\u00e3o&#8230; toda a vida \u00e9 sonho, e os sonhos, sonhos s\u00e3o.\u201d Escreveu La Barca <a href=\"#_edn6\" name=\"_ednref6\">[vi]<\/a>, na pe\u00e7a A vida \u00e9 sonho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alucina\u00e7\u00e3o, del\u00edrio, devaneio, doidice, insensatez, maluquice, desatino, desvario, elucubra\u00e7\u00f5es, fantasias que habitam a intimidade&#8230; M\u00faltiplos modos para a eclos\u00e3o das crises e suas respostas sintom\u00e1ticas, nomea\u00e7\u00f5es para o que escapa ao senso comum do que \u00e9 a realidade, e a experi\u00eancia da psican\u00e1lise nos indica que \u201ccada um s\u00f3 acredita profundamente no seu sintoma. [&#8230;] \u00e9 por isso que o sintoma n\u00e3o se reduz \u00e0 psicopatologia.&#8221; <a href=\"#_edn7\" name=\"_ednref7\">[vii]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, na contemporaneidade, notamos a tend\u00eancia do \u201csou quem digo ser\u201d, cada um no seu estilo de vida. Entre a universaliza\u00e7\u00e3o dos significantes e a particulariza\u00e7\u00e3o dos modos de gozo, surgem movimentos de \u201cdespatologiza\u00e7\u00e3o generalizada\u201d, que, a partir de grupos de iguais, reivindicam seus direitos, em uma redu\u00e7\u00e3o do sujeito a si mesmo, formas de identidade que rejeitam o Outro (<em>heteros<\/em>). O que pode se traduzir, como indicado por Miller, pela \u201cdesapari\u00e7\u00e3o programada da cl\u00ednica\u201d <a href=\"#_edn8\" name=\"_ednref8\">[viii]<\/a>, mas isso n\u00e3o parece uma loucura?<em>Todo mundo \u00e9 normal<\/em>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outra vertente da exclus\u00e3o do Outro, a tenta\u00e7\u00e3o dos extremismos totalit\u00e1rios visa submeter uma \u00fanica forma do mesmo. Exagero e radicalismo, fen\u00f4menos contempor\u00e2neos como \u00e9 o caso da viol\u00eancia, intoler\u00e2ncia, segrega\u00e7\u00e3o, racismo, fanatismo, que levam a cenas de <em>barb\u00e1rie<\/em>. Cenas <em>loucas<\/em> que assistimos pelo mundo globalizado. Que normalidade \u00e9 essa que n\u00e3o suporta a diferen\u00e7a? Tempos do \u201cmundo imundo\u201d <a href=\"#_edn9\" name=\"_ednref9\">[ix]<\/a>, que se revela como forma destrutiva da civiliza\u00e7\u00e3o, face da puls\u00e3o de morte. Que loucura \u00e9 essa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis os desafios com os quais nos deparamos no momento atual: fazer-nos presentes como psicanalistas, n\u00e3o apenas na cl\u00ednica, mas tamb\u00e9m na cidade, no campo pol\u00edtico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, uma palavra sobre a escolha do local de nossas IV Jornadas em Bras\u00edlia <a href=\"#_edn10\" name=\"_ednref10\">[x]<\/a>. Para os que n\u00e3o conhecem a cidade, o Plano Piloto \u00e9 o cruzamento de duas retas: o Eixo Monumental do Oeste-Leste e o Eixo Rodovi\u00e1rio Sul-Norte. Dois Eixos se cruzam na Rodovi\u00e1ria do Plano Piloto, que tem, logo adiante, o Museu Nacional da Rep\u00fablica, escultura a c\u00e9u aberto, miragem de Oscar Niemeyer, em formato de semiesfera, objeto agalm\u00e1tico, para ocuparmos com nossas Jornadas!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abrem-se, por esses recortes, algumas interroga\u00e7\u00f5es que nos servir\u00e3o de guia para explorar o tema destas Jornadas! Cl\u00ednica, ensino, arte e pol\u00edtica: pe\u00e7as soltas para pensar \u201cQue loucura \u00e9 essa?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Convidamos todos ao trabalho!<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a>Lacan, J.\u201cTransfer\u00eancia para Saint Denis? Lacan a favor de Vincennes!\u201dIn: Correio, Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, (65). S\u00e3o Paulo: abril, 2010\/1978, p.31.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref2\" name=\"_edn2\">[ii]<\/a> Miller, J.A. \u201cTodo mundo \u00e9 louco \u2013 AMP 2024\u201d. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana 85, dezembro 2022.p. 08-18.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref3\" name=\"_edn3\">[iii]<\/a> Lacan, J. \u201cO tempo l\u00f3gico e a asser\u00e7\u00e3o de certeza antecipada\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.1998. p. 197-213.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref4\" name=\"_edn4\">[iv]<\/a> Lacan, J.(1960-1961) Semin\u00e1rio, livro 8: a transfer\u00eancia. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor, 1992.p. 312.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref5\" name=\"_edn5\">[v]<\/a> Freud, S. \u201cA an\u00e1lise finita e infinita\u201d. In: Fundamentos da Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica. Obras Incompletas de Sigmund Freud. Belo Horizonte. Autentica, 2017\/1939, p 315-364.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref6\" name=\"_edn6\">[vi]<\/a> La Barca, C. (1635) A vida \u00e9 sonho. Editorial Estampa \u2013 Seara Nova. (anota\u00e7\u00f5es pessoais)<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref7\" name=\"_edn7\">[vii]<\/a> Laurent, E. \u201cO del\u00edrio da normalidade\u201d. In: Loucuras, sintomas e fantasias na vida cotidiana. Belo Horizonte: Scriptum, 2011, p. 45-56.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref8\" name=\"_edn8\">[viii]<\/a> Miller, J.A. \u201cTodo mundo \u00e9 louco \u2013 AMP 2024\u201d. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana 85, dezembro 2022,p.11.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref9\" name=\"_edn9\">[ix]<\/a> Lacan, J. \u201cA terceira\u201d. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00ba 62. S\u00e3o Paulo: Eolia, 2011, p.11<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref10\" name=\"_edn10\">[x]<\/a> A Capital Federal \u00e9 a cidade sede da nossa Se\u00e7\u00e3o Leste-Oeste. Local escolhido para nos fazermos presentes, como psicanalistas, diante da barb\u00e1rie de 08 de janeiro 2023!<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;12602&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title title=&#8221;Argumento IV Jornadas da EBP-LO&#8221;][\/eikra-vc-text-title][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] Giovanna Quaglia &#8211; EBP\/AMP Coordenadora Geral das IV Jornadas da EBP-LO O aforismo: \u201cTodo mundo \u00e9 louco\u201d[i], de Lacan, j\u00e1 vem ecoando na comunidade da Se\u00e7\u00e3o Leste Oeste, seja pelas resson\u00e2ncias da fala de Jacques-Alain Miller ao lan\u00e7ar o t\u00edtulo do pr\u00f3ximo Congresso da AMP[ii] ou a&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":12601,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-12605","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/12605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12605"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/12605\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/12601"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}