{"id":11599,"date":"2021-06-16T10:01:10","date_gmt":"2021-06-16T13:01:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?page_id=11599"},"modified":"2021-06-16T10:01:10","modified_gmt":"2021-06-16T13:01:10","slug":"labirintos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/jornadas\/ii-jornadas-ebp-secao-lo-amor-no-tempo-das-coleras\/labirintos\/","title":{"rendered":"Labirintos"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;LABIRINTOS&#8221;][\/eikra-vc-text-title][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">JO\u00c3O, EUG\u00c8NE,\u00a0JOS\u00c9 e JACQUES\u00a0e outras pandemias<\/span><\/h3>\n<h6>Por Simone Vieira e Regina Cheli Prati \u2013 Comiss\u00e3o <em>a<\/em>murados<\/h6>\n<figure id=\"attachment_11846\" aria-describedby=\"caption-attachment-11846\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11846 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/amurados_008_005-300x300.jpg\" alt=\"Fonte:Estad\u00e3o\" width=\"300\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11846\" class=\"wp-caption-text\">Fonte:Estad\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>O tema do nosso \u00faltimo boletim <em>O Amor no tempo das c\u00f3leras e outras Pandemias <\/em>trouxe \u00e0 lembran\u00e7a quatro personalidades geniais e suas po\u00e9ticas, que mostram que estamos sujeitos a diferentes cont\u00e1gios pand\u00eamicos al\u00e9m da terr\u00edvel COVID-19 que h\u00e1 quase dois anos nos imp\u00f5e distanciamentos, perdas materiais, perda das liberdades e principalmente perdas de vidas. Cada um destes g\u00eanios, nos apresenta com seu estilo, um cen\u00e1rio onde o real insiste, resiste, persiste, trazendo em seu bojo nefastas consequ\u00eancias sociais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e pessoais.<\/p>\n<p>O primeiro deles \u00e9\u00a0Jo\u00e3o<strong>, Jo\u00e3o Guimar\u00e3es\u00a0Rosa,<\/strong>\u00a0com\u00a0o\u00a0conto\u00a0<em>Sarapalha<\/em><strong>,<\/strong>\u00a0que encontramos no livro\u00a0Sagarana<sup>1<\/sup><strong>,<\/strong>\u00a0que\u00a0em 1938 teve sua primeira publica\u00e7\u00e3o.\u00a0Em Sarapalha \u201c<em>Quem foi s\u2019embora foram os moradores: os primeiros para o\u00a0<strong>cemit\u00e9rio<\/strong>,\u00a0os outros por a\u00ed a fora, por esse mundo de Deus&#8230;\u201d<\/em><sup>2<\/sup>. Toda regi\u00e3o\u00a0virou uma cidade fantasma\u00a0por conta de um mosquito\u00a0\u201c&#8230;<em>que era o mosquito que punha um bichinho amaldi\u00e7oado no sangue da gente&#8230;Ningu\u00e9m n\u00e3o acreditou&#8230;\u201d<\/em><sup>3<\/sup>. Por\u00e9m restou em\u00a0uma fazenda perto da\u00a0Sarapalha, ardendo da maldita sez\u00e3o,\u00a0da maldita maleita,\u00a0o Primo Argemiro e\u00a0o\u00a0Primo Ribeiro. Eles decidem esperar a morte juntos, numa manifesta\u00e7\u00e3o de amor fraterno\u00a0e uma confian\u00e7a incondicional e\u00a0inabal\u00e1vel,\u00a0inabal\u00e1vel at\u00e9 que uma revela\u00e7\u00e3ode Primo Argemiro: \u201c<em>Eu&#8230;\u00a0eu tamb\u00e9m gostei dela, Primo&#8230;\u201d<\/em><sup>4<\/sup>, d\u00e1 outro rumo \u00e0s coisas.<\/p>\n<p>O segundo\u00a0deles\u00a0\u00e9\u00a0Eug\u00e8ne, <strong>Eug\u00e8ne Ionesco,<\/strong>\u00a0com a pe\u00e7a de teatro <em>O Rinoceronte<\/em><sup>5<\/sup>,<strong>\u00a0<\/strong>escrita\u00a0em 1959.\u00a0O argumento dessa pe\u00e7a\u00a0veio do relato do escritor franc\u00eas Denis de Rougemont, que descreveu\u00a0sua surpresa diante de uma manifesta\u00e7\u00e3o popular nazista, quando o povo diante do <em>F\u00fchrer<\/em>\u00a0entra numa\u00a0contagiosa\u00a0histeria.\u00a0Na cidade fict\u00edcia da pe\u00e7a, onde\u00a0nada\u00a0acontece,\u00a0de repente,\u00a0um rinoceronte enche de poeira a rua, e da\u00ed a cidade e a sociedade se transformam.\u00a0<em>O Rinoceronte<\/em>\u00a0<em>\u201c\u00e9 uma cr\u00edtica a todo pensamento totalit\u00e1rio, seja ele de direita ou de esquerda, que possa esmagar todos os outros, e que gere um sistema onde n\u00e3o haja mais lugar para qualquer tipo de oposi\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><sup>6<\/sup>.<\/p>\n<p>O terceiro deles \u00e9\u00a0Jos\u00e9,<strong> Jos\u00e9 Saramago,\u00a0<\/strong>Pr\u00eamio Nobel de Literatura<strong>\u00a0<\/strong>com o romance\u00a0<em>Ensaio sobre a cegueira<\/em><sup>7<\/sup>,<strong>\u00a0<\/strong>de1995.\u00a0O livro\u00a0narra a hist\u00f3ria de uma\u00a0epidemia de cegueira branca\u00a0que se espalha por uma cidade\u00a0fict\u00edcia,\u00a0causando um desmoronamento na vida das pessoas\u00a0e\u00a0abalando as estruturas sociais. A cegueira que se espalha indiscriminadamente promove, no seu in\u00edcio,\u00a0o\u00a0confinamento dos cegos, assim como outros\u00a0arranjos sociais.\u00a0Podemos\u00a0propor\u00a0e ler a\u00ed, uma varia\u00e7\u00e3o de\u00a0um velho ditado popular: \u201cem terra de\u00a0novos cegos, quem nunca enxergou \u00e9 rei\u201d.\u00a0A hist\u00f3ria vai tensionando\u00a0mais e mais,\u00a0a ponto de a\u00a0personagem principal chegar\u00a0a uma impactante conclus\u00e3o:\u00a0<em>\u201c&#8230;j\u00e1 est\u00e1 morto o que ainda \u00e9 vivo\u201d<\/em><sup>8<\/sup>.<\/p>\n<p>O quarto\u00a0deles\u00a0\u00e9\u00a0Jacques<strong>, Jacques-Alain Miller,\u00a0<\/strong>que\u00a0em seu curso <em>Un esfuerzo de\u00a0Poes\u00eda<\/em><sup>9<\/sup>, retrata\u00a0o\u00a0que\u00a0diz\u00a0Lacan:\u00a0\u201c<em>El\u00a0psicoan\u00e1lisis\u00a0tambi\u00e9n es una epidemia<\/em><sup>10<\/sup>.\u00a0\u00a0\u201c<em>Lo que \u00e9l llama epidemia, por certo,\u00a0es entonces un\u00a0discurso en\u00a0la medida en\u00a0que se esparce, en\u00a0la medida\u00a0en\u00a0que atrae a seres hablantes, en\u00a0que los\u00a0ordena seg\u00fan las funciones que \u00e9l\u00a0dispone, los atrae por m\u00e9dio de sus\u00a0significantes de sus efectos de verdad, instaura un\u00a0nuevo r\u00e9gimen de la palabra, un\u00a0nuevo r\u00e9gimen de relaci\u00f3n com el cuerpo, una nueva relaci\u00f3n con\u00a0el goce. Y, en\u00a0efecto, Lacan dice que el psicoan\u00e1lisis se inscribe, sobre todo, como una nueva epidemia discursiva\u201d<\/em><sup>11<\/sup>.<strong><em>\u00a0<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Sendo\u00a0assim<strong>\u00a0JO\u00c3O, EUG\u00c8NE,\u00a0JOS\u00c9\u00a0E JACQUES\u00a0<\/strong>ao mesmo tempo em que nos\u00a0apresentam\u00a0um lado desconfortante\u00a0do humano e\u00a0dos desencontros\u00a0nas rela\u00e7\u00f5es humanas, nos\u00a0brindam\u00a0com\u00a0suas\u00a0letras e seus significantes,\u00a0com os quais cada leitor pode\u00a0saber fazer\u00a0outra coisa.<\/p>\n<h6>\u00a0Refer\u00eancias:<\/h6>\n<ol>\n<li>\n<h6>Rosa,\u00a0J. G. <strong>Sagarana<\/strong>. Ed. Jos\u00e9 Olympio:\u00a0Rio de Janeiro,1982.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ibid. p. 118.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ibid. p. 124.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ibid. p. 134.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ionesco, E. <strong>O Rinoceronte<\/strong>. Ed. Abril Cultural: S\u00e3o Paulo, 1976.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ibid. p. XVIII.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Saramago, J<strong>. Ensaio Sobre A Cegueira<\/strong>. Ed. Companhia das Letras:\u00a0S\u00e3o Paulo,\u00a02007.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ibid. p. 189.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Miller, J-A.\u202fUm esfuerzo de poes\u00eda.\u00a0Ed. Paid\u00f3s:\u00a0Buenos Aires, 2016.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ibid. p. 20.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Ibid. p. 21.<\/h6>\n<\/li>\n<\/ol>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221; border_width=&#8221;3&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Bicho de sete cabe\u00e7as<\/span><\/h3>\n<h6>Por Rosangela Ribeiro \u2013 Comiss\u00e3o <em>a<\/em>murados<\/h6>\n<figure id=\"attachment_11756\" aria-describedby=\"caption-attachment-11756\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-11756\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/amurados_006_006.jpg\" alt=\"Imagem: Ercole e L'idra, Antonio del Pollaiolo. Fonte: wikipedia\" width=\"400\" height=\"513\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11756\" class=\"wp-caption-text\">Imagem: Ercole e L&#8217;idra, Antonio del Pollaiolo. Fonte: wikipedia<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cN\u00e3o tem d\u00f3 no peito \/ N\u00e3o tem jeito \/ N\u00e3o tem cora\u00e7\u00e3o que esque\u00e7a \/ N\u00e3o tem ningu\u00e9m que mere\u00e7a \/ N\u00e3o tem p\u00e9 n\u00e3o tem cabe\u00e7a \/ N\u00e3o d\u00e1 p\u00e9 n\u00e3o \u00e9 direito \/ N\u00e3o foi nada eu n\u00e3o fiz nada disso \/ E voc\u00ea fez um bicho de sete cabe\u00e7as \/ Bicho de sete cabe\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>Esses versos de Geraldo Azevedo, cantados por Zeca Baleiro, acompanham as cenas finais do filme <em>Bicho de sete cabe\u00e7as<\/em>, baseado na obra <em>Canto dos Malditos<\/em>, de Austreg\u00e9silo Carrano Bueno. Tais cenas acompanham surtos, dores, abandonos, gritos e a mais pura dor da neglig\u00eancia dentro de um hospital psiqui\u00e1trico. O n\u00facleo da narrativa conta-nos a vida de Neto, um adolescente da periferia, que passa seu tempo entre as salas de aula e os frequentes encontros com amigos para fumar maconha e pichar muros. De fam\u00edlia humilde, Neto, interpretado eximiamente por Rodrigo Santoro, \u00e9 confinado para o tratamento psiqui\u00e1trico a fim de se recuperar dos seus v\u00edcios, mas \u00e9, diante das conting\u00eancias de um sistema de sa\u00fade psiqui\u00e1trico sucateado, submetido a erros diagn\u00f3sticos e a tratamentos torturantes. O filme e suas alegorias n\u00e3o deixam de evocar a figura m\u00edtica da Hidra de Lerna: monstro com corpo de drag\u00e3o, normalmente descrito com uma ou sete cabe\u00e7as, cujo um h\u00e1lito pestilento destru\u00eda a colheita, os rebanhos e os homens. Destru\u00eda, enfim, a vida! Caberia a H\u00e9rcules livrar-se da Hidra.<\/p>\n<p>Alegoricamente, o trabalho herc\u00faleo de diversas institui\u00e7\u00f5es e saberes, dentre eles, a psican\u00e1lise, \u00e9 questionar e suplantar formas desumanas de condutas com pacientes comumente denominados \u201cpsiqui\u00e1tricos\u201d, termo incapaz de lidar com a amplitude de pacientes psic\u00f3ticos, toxic\u00f4manos, dentre outros. As discuss\u00f5es emanam a cada dia, mas estamos longe de dizer que a reforma psiqui\u00e1trica alcan\u00e7ou seus objetivos, apesar de j\u00e1 haver um crescimento de centros como CAPS, n\u00facleos de apoio e discuss\u00f5es. Sobre esse tema, a gama de leituras \u00e9 prof\u00edcua. Sugere-se, aqui, n\u00e3o apenas assistir ao filme, mas tamb\u00e9m a leitura de outro livro que mais anima a discuss\u00e3o. Trata-se de <em>O holocausto brasileiro<\/em>, de Daniela Arbex, sobre o Centro Hospitalar Psiqui\u00e1trico de Barbacena, conhecido apenas por Col\u00f4nia, onde ocorreu uma das maiores barb\u00e1ries da hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n<h6>Site do filme: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=F6Yky54edpo\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=F6Yky54edpo<\/a><br \/>\nCap. 1 do livro <em>O holocausto brasileiro<\/em>: <a href=\"https:\/\/www.intrinseca.com.br\/upload\/livros\/1%C2%BACAP_HolocaustoBrasileiro.pdf\">https:\/\/www.intrinseca.com.br\/upload\/livros\/1%C2%BACAP_HolocaustoBrasileiro.pdf<\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<p><strong>Filmes <\/strong><\/p>\n<h6><strong>Curadoria e montagem: Simone Vieira, Regina Cheli Prati e Wal\u00e9ria Paix\u00e3o &#8211; Comiss\u00e3o Boletim\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong><\/h6>\n<p><span class=\"wpex-responsive-media\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Cat\u00e1logo de filmes Boletim amurados\" width=\"980\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/1Eb7FDWtmfs?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><em>Sexo, Drogas com e sem Rock\u2019n Roll<\/em> \u2013 nesse boletim trazemos um cat\u00e1logo de filmes inspirado neste tema.<\/p>\n<p>Em 1911, o cine clubista italiano Ricciotto Canudo respons\u00e1vel pela denomina\u00e7\u00e3o do cinema como S\u00e9tima Arte escreveu:<em>\u201cPor ser uma arte do espa\u00e7o e do tempo, o Cinema seria a grande s\u00edntese de todas, a s\u00e9tima arte, pois parte de uma imagem projetada em uma superf\u00edcie, como a pintura ou a fotografia, mas envolve o movimento, relacionando-se ao ritmo, ao tempo e, com isso, envolve o espectador em sua trama\u201d<sup>1<\/sup>.<\/em><\/p>\n<p>Os embara\u00e7os causados por habitarmos a linguagem, e, por conseguinte, sermos marcados pela rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe abre para alguns, como sa\u00edda, o enla\u00e7amento com o Outro das drogas, com o Outro da viol\u00eancia e com o Outro corpo.<\/p>\n<p>Selecionamos e sugerimos algumas obras nas quais vemos o puro gozo de corpos em v\u00e1rios momentos da nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esperamos que gostem de nossas indica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por que o Cinema \u00e9 conhecido como a \u201cs\u00e9tima arte\u201d? In: <a href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\">https:\/\/www.sescsp.org.br<\/a>. Acesso em 14\/08\/2021.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221; border_width=&#8221;2&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]<strong>A favorita (2018 -Y\u00f3rgos L\u00e1nthimos)<\/strong><\/p>\n<h6><strong>Por Rosangela Ribeiro \u2013 Comiss\u00e3o de Boletim<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_11670\" aria-describedby=\"caption-attachment-11670\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-11670\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/boletim_004_005_001-300x174.png\" alt=\"O Outro n\u00e3o existe, mas a paix\u00e3o odienta existe. Eric Laurentt\" width=\"300\" height=\"174\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11670\" class=\"wp-caption-text\">O Outro n\u00e3o existe, mas a paix\u00e3o odienta existe.<br \/>Eric Laurent<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em <em>A favorita<\/em>, do cineasta grego Y\u00f3rgos L\u00e1nthimos, veem-se, em meio a um p\u00e2ntano de intrigas, modula\u00e7\u00f5es do \u00f3dio. Uma hierarquia absoluta, em que a rainha era autoridade suprema e mandava tanto no pal\u00e1cio quanto na pol\u00edtica do pa\u00eds. O filme mostra que o \u00f3dio e o amor podem chegar ao <em>sem limites<\/em>. Aquele, sabe-se, aparece a cada vez que o real se irrompe. O transbordamento desse afeto opera n\u00edveis insuspeitos de crueldade, independentemente do tempo e do espa\u00e7o. Lacan recorre a Santo Agostinho para ilustrar os desdobramentos do \u00f3dio: \u201cVi com meus olhos e conheci bem uma criancinha tomada pelo ci\u00fame: ainda n\u00e3o falava e j\u00e1 contemplava, p\u00e1lida e com uma express\u00e3o amarga, seu irm\u00e3o de leite\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Seja em seu vulcanismo seja em seus c\u00e1lculos detalhadamente tra\u00e7ados, o \u00f3dio traz consigo o desejo do sujeito pelo objeto do outro. Insaci\u00e1vel, \u201co \u00f3dio n\u00e3o se satisfaz com o desaparecimento do advers\u00e1rio. [&#8230;] O \u00f3dio aspira a seu rebaixamento, seja a sua desorienta\u00e7\u00e3o, o seu desvio, o seu del\u00edrio, a sua nega\u00e7\u00e3o detalhada, a sua subvers\u00e3o. \u00c9 nisso que o \u00f3dio, como o amor, \u00e9 uma carreira sem limite\u201d <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.\u00a0 <em>A favorita<\/em> revela, pela arte cinematogr\u00e1fica, algumas artimanhas criadas pelo homem movido por esse afeto.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Primo Levi<\/strong><\/p>\n<h6><strong>Por Simone Vieira \u2013 Comiss\u00e3o de Boletim<\/strong><\/h6>\n<figure id=\"attachment_11671\" aria-describedby=\"caption-attachment-11671\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-11671\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/boletim_004_005_002-300x180.png\" alt=\"Foto: Ag\u00eancia O Globo\" width=\"300\" height=\"180\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11671\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia O Globo<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>\u00c9 isto um homem? <\/strong>(1)<\/p>\n<p><em>\u201cMeu nome \u00e9 174.517; fomos batizados, levaremos at\u00e9 a morte essa marca tatuada no bra\u00e7o esquerdo.\u201d <\/em>(LEVI, 1988, p.33).<\/p>\n<p>Esse \u00e9 Primo Levi, (1919\/1987), um italiano de Turin. Ele \u00e9 um sobrevivente. Qu\u00edmico de forma\u00e7\u00e3o foi deportado para Auschwitz em 1944, aos 24 anos. Passou \u201cpouco tempo\u201d no campo de concentra\u00e7\u00e3o, mas tempo suficiente para que o peso dessa nefasta experi\u00eancia fizesse com que ele escrevesse esse texto, na inten\u00e7\u00e3o de libertar-se do que foi vivido e de torn\u00e1-lo um alerta para as gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>No decorrer do livro, uma pergunta se imp\u00f5e: \u00c9 poss\u00edvel libertarmo-nos de uma experi\u00eancia em que<em> \u201cdos 650 judeus deportados com ele, sobraram apenas tr\u00eas?\u201d<\/em><\/p>\n<p>A partir desse traum\u00e1tico encontro com o Real, Primo Levi nos entrega a desconcertante constata\u00e7\u00e3o: \u201c<em>os personagens dessas p\u00e1ginas n\u00e3o s\u00e3o homens. A humanidade ficou sufocada, sob a ofensa padecida ou infligida a outros (\u2026)\u201d<\/em> (LEVI, 1988, p.180), estando o homem de um lado ou do outro do campo de concentra\u00e7\u00e3o. Talvez da\u00ed venha a impactante pergunta que d\u00e1 nome a esse livro: <strong>\u00e9 isso um homem?<\/strong> A leitura desse livro nos convoca ent\u00e3o a questionarmo-nos sobre o que podemos dizer dos campos de concentra\u00e7\u00e3o da atualidade.<\/p>\n<p>Meu profundo respeito a todos aqueles marcados nos corpos e na vida pelo \u00f3dio.<\/p>\n<p>Tem coisas que n\u00e3o podemos deixar esquecer.<\/p>\n<p><strong>A escrita do trauma<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><em>\u201c&#8230;Lacan avan\u00e7ar\u00e1 alguns passos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 tese da sujei\u00e7\u00e3o ao gozo do Outro e suas rela\u00e7\u00f5es com a segrega\u00e7\u00e3o: quando n\u00e3o se sabe o que \u00e9 o gozo, e quando n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel normaliz\u00e1-lo ou subjug\u00e1-lo, o caminho mais corriqueiro ao qual se recorre \u00e9 o de rejeit\u00e1-lo\u201d<\/em> (MACEDO, 2014, p.86).<\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_11672\" aria-describedby=\"caption-attachment-11672\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-11672\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/boletim_004_005_003-300x300.png\" alt=\"Foto: @editorarocco\" width=\"300\" height=\"300\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-11672\" class=\"wp-caption-text\">Foto: @editorarocco<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Primo Levi, a escrita do trauma<\/em> (2) \u00e9 um minucioso e delicado trabalho que Luc\u00edola Freitas de Mac\u00eado (EBP\/AMP) faz da obra <em>Primo Levi, \u00e9 isso um homem? <\/em>de Primo Levi.<\/p>\n<p>Esta pesquisa se torna refinada com a chave de leitura utilizada por Luc\u00edola, a no\u00e7\u00e3o de <em>extimidade<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0\u201c<em>O inassimil\u00e1vel \u00e9 traum\u00e1tico e se repete. Este n\u00facleo ser\u00e1 designado por Miller, na esteira de Lacan, como o n\u00facleo \u00eaxtimo: Freud chamou esse n\u00facleo de mais al\u00e9m do princ\u00edpio de prazer; Lacan chamou de a Coisa, depois de objeto a, e posteriormente de peda\u00e7o de real e acontecimento de corpo.\u201d <\/em>(MACEDO, 2014, p.238-239).<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa chave aplicada ao texto de Levi, abre uma outra perspectiva de interpreta\u00e7\u00e3o. O que poderia se tornar mais um relato vitimizado, torna-se um <strong>testemunho<\/strong>. Testemunho de uma experi\u00eancia traum\u00e1tica, onde o imposs\u00edvel de dizer se presentifica.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>O testemunho de extimidade, concerne \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do sujeito em sua rela\u00e7\u00e3o ao inconsciente, decorrente de uma implica\u00e7\u00e3o \u00e9tica e frente ao real traum\u00e1tico [&#8230;], e de sua decis\u00e3o de testemunhar\u201d.<\/em>(MACEDO, 2014, p.191).<\/p><\/blockquote>\n<p>Esse \u00e9 o cerne do que Luc\u00edola persegue nas letras de Levi, uma vez que o \u201c<em>testemunho poder\u00e1 manter vivo o sobrevivente\u201d <\/em>(MACEDO, 2014, p.314).<\/p>\n<h6><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/h6>\n<ul>\n<li>\n<h6>Levi, Primo.<em> \u00c9 isso um homem? <\/em>Rio de Janeiro: Editora Rocco Ltda, 1988.<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>Mac\u00eado, Luc\u00edola Freitas de. <em>PRIMO LEVI, a escrita do trauma<\/em>. Rio de Janeiro: Subversos, 2014.<\/h6>\n<\/li>\n<\/ul>\n<hr \/>\n<p><strong>Uma solu\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel<\/strong><\/p>\n<h6><strong>Por Andr\u00e9 Pacheco \u2013 Comiss\u00e3o de Boletim<\/strong><\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-11673\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/boletim_004_005_004-201x300.png\" alt=\"\" width=\"201\" height=\"300\" \/>Em um pa\u00eds marcado pela polariza\u00e7\u00e3o, pela aridez no solo da comunica\u00e7\u00e3o e pela banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia elevada \u00e0 categoria de espet\u00e1culo, uma artista de 130 quilos \u00e9 surpreendida e brutalmente agredida com uma barra de ferro por um homem que se considera uma &#8220;pessoa de bem&#8221;, tudo se passa \u00e0s vistas das centenas de espectadores que assistiam em pleno sil\u00eancio. A motiva\u00e7\u00e3o? O \u00f3dio entre dois irm\u00e3os, Raquel e Alexandre.<\/p>\n<p>Lacan indica que \u201cse o amor aspira ao desenvolvimento do ser do outro, o \u00f3dio quer o contr\u00e1rio, ou seja, sua humilha\u00e7\u00e3o, sua derrota, seu desvio, seu del\u00edrio, sua nega\u00e7\u00e3o detalhada, sua subvers\u00e3o\u201d (1). \u00c9 o que se pode observar na rela\u00e7\u00e3o das personagens fortemente caracterizada por ressentimentos do passado, que parecem impulsionados pelo contexto hostil em que vive uma na\u00e7\u00e3o. De um lado, a <em>performancer<\/em> faz do seu corpo o objeto de sua arte a fim de conquistar o direito de ser uma mulher obesa, chegando ao limite entre a arte e a pornografia; do outro, um empres\u00e1rio, dono de uma rede de academias <em>fitness<\/em>, s\u00f3cio de um pastor neopentecostal, distingue-se por seu envolvimento com esquemas il\u00edcitos e liga\u00e7\u00f5es com a mil\u00edcia. A intoler\u00e2ncia m\u00fatua torna imposs\u00edvel a tal <em>solu\u00e7\u00e3o de dois Estados<\/em> e uma tr\u00e9gua: a aniquila\u00e7\u00e3o do outro, sua exclus\u00e3o da s\u00e9rie,torna-se patente, trazendo \u00e0 baila os efeitos do mecanismo da <em>Austossung<\/em> primordial (2).<\/p>\n<p>Ao longo do romance de Michel Laub, l\u00ea-se a den\u00fancia de um gozo com o \u00f3dio. Nos diversos relatos de viol\u00eancia, a constante \u00e9 a dignidade perdida. Embora haja a tentativa de dar voz, a palavra falha e a dignidade segue fora da cena, apontando para a imaginariza\u00e7\u00e3o do real. N\u00e3o h\u00e1 socializa\u00e7\u00e3o do gozo como efeito sublimat\u00f3rio (3), mas a obscenidade do gozo de uma sociedade odiosa. A obra pode ser lida como um agudo indicativo da relev\u00e2ncia do analista cidad\u00e3o e sua aposta na salva\u00e7\u00e3o pelos dejetos, ins\u00edgnia de sua causa.<\/p>\n<h6>Refer\u00eancias:<\/h6>\n<ul>\n<li>\n<h6>LACAN, J. \u201cO semin\u00e1rio livro 1: os escritos t\u00e9cnicos de Freud\u201d. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2009, p. 360<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>FREUD, S. \u201cA nega\u00e7\u00e3o\u201d. Aut\u00eantica, Belo Horizonte, 2016, p. 309<\/h6>\n<\/li>\n<li>\n<h6>MILLER, J-A. \u201cA salva\u00e7\u00e3o pelos dejetos\u201d. In: Perspectivas dos Escritos e Outros Escritos de Lacan, Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 2011, p. 229<\/h6>\n<\/li>\n<\/ul>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> <em>LAURENT, Eric. Disruption de la jouissance dans les folies sous transfert\u201d Conf. XI. <\/em><em>Congresso da AMP, Barcelona, abril\/2018.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> LACAN, J. \u201cA agressividade em psican\u00e1lise\u201d. In: <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998, p. 117.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro I, os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1983, p.316.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator color=&#8221;juicy_pink&#8221; border_width=&#8221;2&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">A Princesa de Cl\u00e8ves<\/span><\/h3>\n<h6><strong>Por Simone Souza Vieira \u2013 Comiss\u00e3o de Boletim<\/strong><\/h6>\n<blockquote><p>\u201c\u2026 a Princesa de Cl\u00e8ves se dedica a preservar o sentido do desejo, o desejo enquanto sentido, ao instalar-se em um amor cort\u00eas perpetuamente \u2013 o que significa que reconhece o amor enquanto significa\u00e7\u00e3o vazia, e que se dedica a encarnar a aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual na aus\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o carnal\u201d (MILLER, 2013, p. 179).<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-11595\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/mini_amurados008.png\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" \/>Miller no <em>El Ultim\u00edssimo Lacan<\/em> aborda o sentido do desejo a partir do amor cort\u00eas. Ele toma um cl\u00e1ssico da literatura para localizar um exemplo magistral sobre esse tema.<\/p>\n<p>Trata-se do livro A Princesa de Cl\u00e8ves, considerado o primeiro romance moderno da literatura francesa.<\/p>\n<p>Escrito por Madame de Lafayette no s\u00e9c. XVII, o livro traz como pano de fundo uma quest\u00e3o:\u201c<em>o que faz balan\u00e7ar o cora\u00e7\u00e3o de uma mulher?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Numa trama recheada de sobressaltos sobre a vida amorosa da princesa de Cl\u00e8ves, encontramos a protagonista dividida entre manter-se num casamento com o pr\u00edncipe de Cl\u00e8ves, a quem n\u00e3o amava, ou se entregar ao amor correspondido pelo senhor de Nemours, belo cavalheiro, que ela conhece na corte.<\/p>\n<p>A trama ent\u00e3o acontece numa corte onde todos os personagens mentem, escamoteiam e dissimulam, mas a princesa de Cl\u00e8ves n\u00e3o. Ela pretende ser uma representante da \u00e9tica, da boa educa\u00e7\u00e3o, da sinceridade e da honestidade. Cabe questionar \u201c<em>que lugar a virtude ocupa no mundo corrompido da corte?\u201d<\/em><\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio desenrola-se, o drama amoroso da princesa de Cl\u00e8ves, que tem como desfecho sua decis\u00e3o de viver a plenitude de um amor cort\u00eas.<\/p>\n<p>Por se tratar de uma obra cl\u00e1ssica, torna-se tamb\u00e9m uma obra atemporal, e at\u00e9 mesmo atual, vide sua adapta\u00e7\u00e3o moderna para o cinema \u2013 A Carta, filme de 1999, do cineasta portugu\u00eas Manoel de Oliveira.<\/p>\n<p>Tanto no livro do s\u00e9c. XVI quanto no filme do s\u00e9c. XXI encontramos personagens que mant\u00e9m invari\u00e1veis os imbr\u00f3glios das rela\u00e7\u00f5es humanas e, por conseguinte, da n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>A partir disso, como poder\u00edamos pensar o que Miller nos trouxe sobre o amor cort\u00eas enquanto aquilo que preserva o sentido do desejo na contemporaneidade?<\/p>\n<p>Vale a pena conferir A Princesa de Cl\u00e8ves.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Miller, J-A. <em>El ultim\u00edssimo Lacan.<\/em> Buenos Aires: Paidos, 2013.<\/h6>\n<h6>Lafayette, M-M P. de la Vergne. <em>A princesa de Cl\u00e8ves\/ Madame de Lafayette<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 2004.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">A carta (Manoel de Oliveira, 1999)<\/span><\/h3>\n<h6><strong>Por Regina Cheli Prati \u2013 Comiss\u00e3o de Boletim<\/strong><\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-11568 size-medium\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/amurados009-207x300.png\" alt=\"\" width=\"207\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>Manoel de Oliveira, cineasta portugu\u00eas, trouxe para o cinema uma adapta\u00e7\u00e3o atualizada do romance <em>A princesa de Cl\u00e8ves<\/em> (1678) de Madame de La Fayette. Neste filme Catherine de Chartres \u00e9 uma jovem linda que sofreu uma desilus\u00e3o amorosa e que se casa sem amar com Louis de Cl\u00e8ves um m\u00e9dico atencioso que a ama imensamente. Ap\u00f3s o casamento, Catherine se apaixona pelo cantor Pedro Abrunhosa e \u00e9 correspondida. Educada para serforte e para n\u00e3o macular sua reputa\u00e7\u00e3o, Catherine se mantem distante de Pedro, mas confessa seu amor a uma amiga. Desobrigada da fidelidade pela morte do marido, o \u00e2mago da hist\u00f3ria se d\u00e1 pela maneira que a personagem escolhe para explicar \u00e0 amiga a decis\u00e3o que tomou. Isso nos remete ao que disse Stevens (2007) a respeito do amor cort\u00eas como a inven\u00e7\u00e3o de um la\u00e7o al\u00e9m do er\u00f3tico que representa o imposs\u00edvel do la\u00e7o sexual com o objeto,ou seja, a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe. O filme recebeu o Pr\u00eamio do J\u00fari no Festival de Cannes de 1999.<\/p>\n<p>Assista em:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6sxeIcZj6jY&amp;t=2504s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6sxeIcZj6jY&amp;t=2504s<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancia<\/h6>\n<h6>Stevens, Alexandre. <em>Amor e Nome-Do-Pai<\/em>. In: Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n\u00b0 50, dezembro de 2007, S\u00e3o Paulo, p. 48-51.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;LABIRINTOS&#8221;][\/eikra-vc-text-title][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text] JO\u00c3O, EUG\u00c8NE,\u00a0JOS\u00c9 e JACQUES\u00a0e outras pandemias Por Simone Vieira e Regina Cheli Prati \u2013 Comiss\u00e3o amurados O tema do nosso \u00faltimo boletim O Amor no tempo das c\u00f3leras e outras Pandemias trouxe \u00e0 lembran\u00e7a quatro personalidades geniais e suas po\u00e9ticas, que mostram que estamos sujeitos a diferentes cont\u00e1gios pand\u00eamicos al\u00e9m da terr\u00edvel&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":11373,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-11599","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/11599","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11599"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/11599\/revisions"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/11373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11599"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}