{"id":11396,"date":"2021-04-14T07:04:17","date_gmt":"2021-04-14T10:04:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?page_id=11396"},"modified":"2021-04-14T07:04:17","modified_gmt":"2021-04-14T10:04:17","slug":"eixos-tematicos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/jornadas\/ii-jornadas-ebp-secao-lo-amor-no-tempo-das-coleras\/eixos-tematicos\/","title":{"rendered":"Eixos tem\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Eixos tem\u00e1ticos&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]O tema do amor \u00e9 realmente inesgot\u00e1vel e sem d\u00favida a maior inspira\u00e7\u00e3o em todas as suas faces para os escritores, artistas, compositores. Tamb\u00e9m persegue os intelectuais e at\u00e9 mesmo os cientistas. Segundo Lacan, os pr\u00f3prios analistas s\u00f3 falam de amor. Ent\u00e3o, embora redundantes, convidamos a todos para que escrevam e proponham seus textos. Para orient\u00e1-los quanto ao recorte, nossa comiss\u00e3o cient\u00edfica prop\u00f5e tr\u00eas eixos tem\u00e1ticos:<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Eixo I: <\/strong><\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O amor e o acontecimento: pandemia, pol\u00edtica, segrega\u00e7\u00e3o, novos la\u00e7os e g\u00eanero<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Por<\/strong><strong> Luis Francisco Camargo<\/strong><\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-11456\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/amurados_001_004.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"231\" \/><\/p>\n<p>Para al\u00e9m do inconsciente int\u00e9rprete, encontramos os acontecimentos no terreno do Um, do inconsciente real. As suas inscri\u00e7\u00f5es n\u00e3o dependem somente da for\u00e7a do impacto da conting\u00eancia, mas principalmente de um trabalho de inclus\u00e3o num discurso. Atualmente, somos convocados pelo Outro social a nos manifestarmos sobre a pandemia, a pol\u00edtica, a segrega\u00e7\u00e3o, os estudos culturais e as teorias de g\u00eanero. Somos convidados a falar, escrever e inscrever na experi\u00eancia da psican\u00e1lise os acontecimentos, a incluir o novo. Por um lado, provocados a constituir novos la\u00e7os de discurso. Por outro, a reposicionar a dimens\u00e3o radical da experi\u00eancia da psican\u00e1lise na contemporaneidade. O amor tem um papel fundamental, pois promove a condescend\u00eancia do gozo ao desejo e a inclus\u00e3o do outro na sua radical singularidade. O amor \u00e9 um acontecimento. Sua realiza\u00e7\u00e3o implica na cess\u00e3o de gozo e nos seus rearranjos. A pandemia, a pol\u00edtica, os novos destinos das puls\u00f5es e seus modos de satisfa\u00e7\u00e3o, que podem constituir comunidades e micrototalidades, bem como as novas solu\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas e as diferentes modalidades de la\u00e7os, colocam constantemente em xeque as tentativas de adapta\u00e7\u00f5es do Ser ao Outro, demonstrando o fracasso das taxionomias sobre o inclassific\u00e1vel do gozo e, consequentemente, a evid\u00eancia da inexist\u00eancia do Outro. Estamos no tempo das tens\u00f5es entre o Um e o m\u00faltiplo, diante da queda do patriarcado e do avan\u00e7o da pluraliza\u00e7\u00e3o dos Nomes-do-Pai. Experimentamos no social o regime do gozo que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se inscrever, o regime do gozo como tal. Convidamos a todos a escrever para as nossas Jornadas sobre o impacto destes novos acontecimentos na experi\u00eancia da psican\u00e1lise; com amor.<\/p>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Eixo II:<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O amor na experi\u00eancia psicanal\u00edtica<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Por Cristiano Pimenta e Denizy\u00ea Zacharias <\/strong><\/h6>\n<p>\u201cEu n\u00e3o sabia explicar<\/p>\n<p>n\u00f3s dois,<\/p>\n<p>ela mais eu<\/p>\n<p>porque eu e ela&#8230;\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-11470\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/eixo2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" \/>Os versos acima pertencem \u00e0 can\u00e7\u00e3o de Chico Buarque chamada <em>\u201cPorque era ela, porque era eu\u201d<\/em>. Eles apontam para aquilo que Miller formula em <em>El partenaire-s\u00edntoma<\/em>, a saber, \u201co estatuto eminente do amor (no \u00faltimo ensino de Lacan) \u00e9 suprir a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe\u201d (Miller, 2008, p. 158). E \u00e9 nisso que \u201cvemos surgir o amor em uma fun\u00e7\u00e3o in\u00e9dita&#8230; a de estabelecer a conex\u00e3o com o Outro&#8230; \u00e9 um amor que est\u00e1 pensado ao n\u00edvel do real\u201d (Miller, 2008, p. 157). Podemos investigar o amor ao n\u00edvel do Imagin\u00e1rio e do Simb\u00f3lico, mas h\u00e1 tamb\u00e9m o amor ao n\u00edvel do real, onde subsiste o que n\u00e3o sabemos explicar pelo simples fato de que a\u00ed as palavras n\u00e3o s\u00e3o suficientes.<\/p>\n<p>\u201c&#8230; \u00edamos tontos os dois<\/p>\n<p>assim ao l\u00e9u,<\/p>\n<p>r\u00edamos chor\u00e1vamos sem raz\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 um fato que quando algu\u00e9m se lan\u00e7a na experi\u00eancia anal\u00edtica \u201ctransforma\u00e7\u00f5es se produzem; aquilo que aparece ao sujeito como revela\u00e7\u00f5es vai se sucedendo. E, em sua vida h\u00e1 ecos de que as coisas mudam.\u201d (Miller, 2011, p. 142). Pois bem, gostar\u00edamos de indagar a respeito das mudan\u00e7as no modo de amar do sujeito contempor\u00e2neo, tanto no interior do tratamento \u2013 nas rela\u00e7\u00f5es do analisando com o analista, na transfer\u00eancia positiva ou negativa, assim como na contratransfer\u00eancia \u2013 quanto nas rela\u00e7\u00f5es amorosas na vida do sujeito.<\/p>\n<p>Assim, a quest\u00e3o do amor, os seus dramas, suas armadilhas, as defesas de que cada sujeito se vale, devem ser investigadas. Os amores loucos e os amores dos loucos, dos Trans, dos homos e dos heteros, igualmente. \u00c0s vezes, o tratamento do neur\u00f3tico vai no sentido de um <em>consentir com o amor<\/em>, n\u00e3o sem que esse delicado percurso seja \u00e1rduo, doloroso, recheado de \u00f3dio e c\u00f3lera.De todo modo, \u00e9 inevit\u00e1vel percorr\u00ea-lo para que se abra a possibilidade de que <em>um amor mais digno<\/em> se d\u00ea.<\/p>\n<p>\u201c&#8230; sei que o que tinha de ser<\/p>\n<p>se deu;<\/p>\n<p>Porque era ela,<\/p>\n<p>Porque era eu.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o poder\u00edamos deixar de investigar tamb\u00e9m o amor na \u00e9poca em que a fun\u00e7\u00e3o paterna est\u00e1 fraturada, quando prevalece a dimens\u00e3o dos \u201cUns sozinhos\u201d. \u00c9 a\u00ed que o sujeito se vale dos aplicativos para que o <em>encontro<\/em> se d\u00ea, sobretudo em tempos de pandemia. Esta obrigou o tratamento anal\u00edtico a recorrer \u00e0 tela do celular ou do computador para que a palavra pudesse circular e n\u00e3o ser estancada. A investiga\u00e7\u00e3o do amor na experi\u00eancia anal\u00edtica \u00e9, portanto, ampla e convidativa.<\/p>\n<h6>Refer\u00eancias:<\/h6>\n<h6>Lacan, J.; O semin\u00e1rio, livro 20, mais ainda. Rio de Janeiro; Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>Miller, J.-A.; El partenaire s\u00edntoma; Buenos Aires; Paid\u00f3s, 2008.<\/h6>\n<h6>Miller, J.-A.; Perspectiva dos escritos e Outros escritos de Lacan; Rio de Janeiro; Zahar, 2011.<\/h6>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Eixo III<\/strong><\/span><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O amor nos campos da religi\u00e3o, da sociedade, da ci\u00eancia, das artes, da mitologia, da filosofia e mais ainda&#8230;<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6><strong>Por Claudia Murta <\/strong><\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-11471\" src=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/eixo3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"313\" \/>Ao iniciar seu Semin\u00e1rio \u201cA transfer\u00eancia\u201d, Lacan anuncia que \u201cno come\u00e7o era o amor\u201d, base da experi\u00eancia anal\u00edtica, base de sua teoria. Em se tratando de psican\u00e1lise, o amor, no ponto m\u00e1ximo de sua elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, \u00e9, antes de tudo, uma pr\u00e1tica e, para falar de amor, decide comentar o \u201cBanquete\u201d de Plat\u00e3o que, dos textos sobre o amor, \u00e9 o mais comentado de todos os tempos. Contudo, Lacan faz uma abordagem muito original do texto plat\u00f4nico, tomando-o por \u201crelat\u00f3rios de sess\u00f5es anal\u00edticas\u201d e sua leitura segue o caminho de uma psican\u00e1lise. Acompanhando o coment\u00e1rio lacaniano, ao passarmos pelos primeiros discursos apresentados no texto plat\u00f4nico, deparamo-nos com o amor percebido a partir do campo da religi\u00e3o, da sociedade, da ci\u00eancia, e das artes tr\u00e1gicas, c\u00f4micas e pastel\u00e3o; campos esses que, al\u00e9m da mitologia e da pr\u00f3pria filosofia, s\u00e3o fecundos para as flechas certeiras de Eros.<\/p>\n<p>O primeiro discurso se desenvolve pelo \u00e2ngulo da religi\u00e3o e Lacan adverte que, para Fedro, falar de amor \u00e9 falar de teologia. Diante do segundo discurso, proferido, dessa vez, por Paus\u00e2nias, Lacan aponta uma apresenta\u00e7\u00e3o social das rela\u00e7\u00f5es de amor. O discurso seguinte \u00e9 exposto por Erix\u00edmaco do ponto de vista m\u00e9dico e cient\u00edfico. Em rela\u00e7\u00e3o aos discursos de Arist\u00f3fanes, comedi\u00f3grafo, e Agat\u00e3o, tragedi\u00f3grafo, Lacan comenta que h\u00e1 entre eles um jogo: onde se poderia esperar a com\u00e9dia sobre o amor, encontra-se a trag\u00e9dia; onde se poderia esperar a trag\u00e9dia sobre o amor, depara-se com o fiasco. J\u00e1, quando se espera que a filosofia venha a dizer a verdade sobre o amor, Plat\u00e3o apresenta o mito e, por fim, diante de Alcib\u00eddes, S\u00f3crates aparece, segundo a avalia\u00e7\u00e3o de Lacan, como o primeiro analista da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Assim, os campos da religi\u00e3o, da sociedade, da ci\u00eancia, das artes, da mitologia, da filosofia, admitem, junto \u00e0 psican\u00e1lise, portas de entrada para a aproxima\u00e7\u00e3o do tema do amor, mas&#8230;\u00a0 Aten\u00e7\u00e3o e muito cuidado na passagem pelo labirinto do amor, um novelo de l\u00e3 em m\u00e3o pode ser indicado.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][eikra-vc-text-title style=&#8221;style2&#8243; title=&#8221;Eixos tem\u00e1ticos&#8221;][\/eikra-vc-text-title][vc_column_text]O tema do amor \u00e9 realmente inesgot\u00e1vel e sem d\u00favida a maior inspira\u00e7\u00e3o em todas as suas faces para os escritores, artistas, compositores. 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