{"id":11106,"date":"2020-10-04T18:34:04","date_gmt":"2020-10-04T21:34:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ebp.org.br\/slo\/?page_id=11106"},"modified":"2020-10-04T18:34:04","modified_gmt":"2020-10-04T21:34:04","slug":"argumentos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/slo\/jornadas\/jornadas-da-slof\/argumentos\/","title":{"rendered":"ARGUMENTOS"},"content":{"rendered":"<h3><strong><span style=\"color: #993300;\">Inconsciente, sintoma e formac\u0327a\u0303o do analista<\/span><\/strong><\/h3>\n<h6>Elisa Alvarenga<\/h6>\n<p>Coordenadora da Comissa\u0303o Cienti\u0301fica das 1as JORNADAS SLOf-EBP-AMP Lacan sempre se preocupou com a formac\u0327a\u0303o dos analistas e o ensino da psicana\u0301lise. Em<\/p>\n<p>1957 escreveu \u201cA psicana\u0301lise e seu ensino\u201d [1], onde ja\u0301 se perguntava: o que a psicana\u0301lise nos ensina, como ensina\u0301-lo?<\/p>\n<p>Vinte anos depois, em \u201cTransfere\u0302ncia para Saint Denis\u201d [2], Lacan pergunta: como ensinar o que na\u0303o se ensina? Na\u0303o se ensina universalmente, mas um por um, de maneira contingente, esclarece Miller em \u201cTodo mundo e\u0301 louco\u201d [3].<\/p>\n<p>Ensinar um por um nos faz pensar no que se transmite em uma supervisa\u0303o, caso a caso. Se nos anos 50 Lacan falava da supervisa\u0303o como subjetividade secunda\u0301ria [4], para indicar que o supervisor na\u0303o tem acesso a\u0300 realidade do paciente, mas apenas a\u0300s suas falas transmitidas pelo praticante, ele mostra como o inconsciente e\u0301 estruturado como linguagem.<\/p>\n<p>Ja\u0301 em uma refere\u0302ncia a\u0300 supervisa\u0303o em 1975, no Semina\u0301rio 23 [5], Lacan fala do inconsciente como equi\u0301voco, e na intervenc\u0327a\u0303o do supervisor que pode ressoar sobre o sinthoma do praticante.<\/p>\n<p>Como passamos do inconsciente estruturado como linguagem, na cadeia significante, ao inconsciente do u\u0301ltimo ensino de Lacan, que desaparece ta\u0303o logo se preste atenc\u0327a\u0303o nele (o esp de um laps) [6]?<\/p>\n<p>Se o analista faz parte do conceito de inconsciente [7] e sua presenc\u0327a esta\u0301 destinada a faze\u0302- lo surgir [8], de maneira contingente, perturbando a homeostase da fantasia, podemos rastrear as mudanc\u0327as atrave\u0301s das quais o analista e o inconsciente se presentificam em uma ana\u0301lise.<\/p>\n<p>Na Proposic\u0327a\u0303o de 9 de outubro, Lacan apresenta o matema do sujeito suposto saber, onde a presenc\u0327a do analista po\u0303e a trabalho a cadeia significante atrave\u0301s do discurso do sujeito. Mas, latente a essa cadeia, desenvolvida na fala do analisante, ha\u0301 o referente que e\u0301 o objeto a [9], depositado no analista pelo sujeito. Mais do que a suposic\u0327a\u0303o de saber, o analista encarna esse objeto libidinal que o sujeito coloca nele para fazer existir o Outro da transfere\u0302ncia. O final da ana\u0301lise implica uma certa extrac\u0327a\u0303o desse objeto do Outro e a recuperac\u0327a\u0303o desse objeto como causa do desejo, que o analista produto de uma ana\u0301lise encarnara\u0301 para seus analisantes.<\/p>\n<p>No entanto, o analista produto na\u0303o e\u0301 apenas causa de desejo. Ele e\u0301 tambe\u0301m identificado ao seu sintoma, ou a seus restos sintoma\u0301ticos, restos de gozo que podem perturba-lo em seu ato. Por isso a supervisa\u0303o continua valendo, mesmo depois de terminada a ana\u0301lise. Assim entendemos a afirmac\u0327a\u0303o de Lacan de que a interpretac\u0327a\u0303o pelo equi\u0301voco pode liberar algo do sinthoma [10]\n<h6>1 Lacan, J. A psicana\u0301lise e seu ensino, Escritos. RJ, Zahar, 1998, p. 438-9.<br \/>\n2 Lacan, J. Transfere\u0302ncia para Saint Denis (22.10.1978), Correio 65. SP, EBP, 2010, p. 31.<br \/>\n3 Miller, J.-A. Todo mundo es loco. Bs. As., Paido\u0301s, 2015, p. 337-9.<br \/>\n4 Lacan, J. Func\u0327a\u0303o e campo da fala e da linguagem em psicana\u0301lise, Escritos, op. cit., p. 254.<br \/>\n5 Lacan, J. O sinthoma. RJ, Zahar, 2007, p. 18.<br \/>\n6 Lacan, J. Introduc\u0327a\u0303o a\u0300 edic\u0327a\u0303o inglesa do Semina\u0301rio 11, Outros Escritos. RJ, Zahar, 2003, p. 567.<br \/>\n7 Lacan, J. Posic\u0327a\u0303o do inconsciente, Escritos, op. cit., p. 848.<br \/>\n8 Lacan, J. Os quatro conceitos fundamentais da psicana\u0301lise. RJ, Zahar, 1985, p. 121.<br \/>\n9 Lacan, J. Proposic\u0327a\u0303o de 9 de outubro sobre o psicanalista da Escola, Outros Escritos, op. cit., p. 253-4. 10 Lacan, J. O sinthoma, op. cit., p. 18.<\/h6>\n<hr \/>\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Formac\u0327a\u0303o do analista, uma imersa\u0303o, um caminho<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Orda\u0301lia Alves Junqueira<br \/>\nCoordenadora Geral das 1as JORNADAS SLOf-EBP-AMP<\/h6>\n<p>No Ato de fundac\u0327a\u0303o (da EFP), Lacan (1964) faz a pergunta central da Escola: O que e\u0301 um analista? E se interroga sobre Como se formam os analistas. [1] Miller (2001) sugere que nos perguntemos sobre o fato: quando se trata de psicana\u0301lise, existe um certo desconforto quanto ao uso da palavra &#8220;formac\u0327a\u0303o\u201d sendo que, na formac\u0327a\u0303o psicanali\u0301tica, trata-se de conseguir um operador que permita dirigir um tratamento anali\u0301tico, enlac\u0327ando aqui uma questa\u0303o: como preparar operadores adequados para esta operac\u0327a\u0303o? [2]\n<p>Desde Freud, ja\u0301 se sabe que na\u0303o ha\u0301 psicanalista nato; na\u0303o se e\u0301 analista por natureza, por \u201cdom\u201d. O psicanalista e\u0301 o resultado de sua ana\u0301lise, sendo que ningue\u0301m havia expressado isso nesses termos antes de Lacan. A questa\u0303o que se coloca e\u0301: havera\u0301 outro conhecimento, distinto do conhecimento pro\u0301prio para avaliar a formac\u0327a\u0303o? E se existe, qual seria? Como podemos estruturar isso? Como podemos avaliar isso? Se na\u0303o ha\u0301 uma dida\u0301tica da formac\u0327a\u0303o &#8211; a mesma e\u0301 determinada por uma poli\u0301tica &#8211; ao mesmo tempo, segundo Miller (2001), Lacan mante\u0301m requisitos de conhecimento muito elevados para o analista.<\/p>\n<p>Lacan enfatiza em todos os seus escritos a necessidade de uma doutrina de formac\u0327a\u0303o que se delineia em termos do que se deve saber, sendo que, em cada texto, da\u0301 uma inflexa\u0303o precisa a este programa de formac\u0327a\u0303o. Entretanto, Miller (2001) ressalta que Lacan nunca estabelece uma formac\u0327a\u0303o por meio de cursos, pois ele pensava em uma formac\u0327a\u0303o por imersa\u0303o, ou seja, uma formac\u0327a\u0303o em que o sujeito esta\u0301 imerso em um ambiente de saber que o convidaria a nadar, a inventar seu pro\u0301prio caminho em um ambiente episte\u0302mico.[3]\n<p>Na u\u0301ltima parte do texto Variantes do tratamento padra\u0303o [4], quando diz que o que o psicanalista deve saber e\u0301 ignorar o que ele sabe, Lacan (1955) reserva para o analista o lugar da \u201cdouta ignora\u0302ncia\u201d, que e\u0301 uma forma de colocar o conhecimento em posic\u0327a\u0303o de suposic\u0327a\u0303o. No mesmo texto, com um rigor e\u0301tico, Lacan (1955) ilumina, tambe\u0301m, o outro lado da formac\u0327a\u0303o afirmando que: \u201ctoda ana\u0301lise dida\u0301tica tem a obrigac\u0327a\u0303o de analisar os motivos que fizeram o candidato escolher a carreira de analista\u201d, dando um destaque a\u0300 paixa\u0303o, que \u201cdeve dar sentido a toda formac\u0327a\u0303o anali\u0301tica. \u201d [5]\n<p>Cabe ressaltar que o caminho para uma formac\u0327a\u0303o anali\u0301tica e\u0301 longo, cheio de impasses, de surpresas, de mudanc\u0327as de posic\u0327a\u0303o e que, durante o percurso, ale\u0301m da ana\u0301lise pessoal, va\u0301rios momentos podem funcionar como \u201cefeitos de formac\u0327a\u0303o\u201d, no caso a caso, na singularidade: no encontro com um texto (de Freud ou Lacan); em uma experie\u0302ncia de cartel, de supervisa\u0303o ou em uma escuta de depoimento de passe; talvez em uma participac\u0327a\u0303o em mesas de trabalho em Jornadas\/Encontros ou de transmissa\u0303o em semina\u0301rios, como tambe\u0301m na experie\u0302ncia em ocupar um cargo \u201cburocra\u0301tico\u201d em alguma insta\u0302ncia da Escola.<\/p>\n<p>Resumidamente, pode-se dizer que o lo\u0301cus da formac\u0327a\u0303o anali\u0301tica e\u0301 a ESCOLA que dispo\u0303e de seus va\u0301rios dispositivos, a saber: os Carte\u0301is; o Ensino, a Biblioteca, suas publicac\u0327o\u0303es, o Instituto; e do procedimento original do Passe, criado por Lacan, insta\u0302ncia de garantia de formac\u0327a\u0303o para recolher o valor dida\u0301tico de uma ana\u0301lise.<\/p>\n<p>No sentido mais cla\u0301ssico, sabe-se que a formac\u0327a\u0303o anali\u0301tica inclui a tri\u0301ade: ana\u0301lise pessoal, supervisa\u0303o e ensino sendo que, no Ato de fundac\u0327a\u0303o, em 1964, Lacan precisa que a formac\u0327a\u0303o do analista tambe\u0301m esta\u0301 articulada ao trabalho de cartel: \u201cEsse objetivo de trabalho e\u0301 indissocia\u0301vel de uma formac\u0327a\u0303o&#8230;\u201d[6]\n<p>Assim, seguindo esse trilho lacaniano, os textos a serem apresentados nas mesas de trabalho das 1as JORNADAS SLOf-EBP-AMP &#8211; que acontecera\u0303o em 9\/10 de outubro\/2020, cujo tema sera\u0301: Como se forma um analista- devera\u0303o advir dos carte\u0301is.<\/p>\n<p>As 1as JORNADAS da Sec\u0327a\u0303o Leste-Oeste (em formac\u0327a\u0303o) contara\u0303o com a presenc\u0327a do ilustre convidado Romildo do Re\u0302go Barros (AME-EBP\/AMP), que proferira\u0301 duas Confere\u0302ncias: uma de abertura e outra de encerramento.<\/p>\n<p>A Coordenac\u0327a\u0303o e a Comissa\u0303o Cienti\u0301fica das Jornadas, juntamente com a Diretoria da SLOf, aguardam que se sintam imersos nesse ambiente de saber e de formac\u0327a\u0303o anali\u0301tica. Convidamos e convocamos a todos a nadarem nestas a\u0301guas e a inventarem seu pro\u0301prio caminho de formac\u0327a\u0303o, na paixa\u0303o que o cartel os tem conduzido, ao saber e a\u0300 produc\u0327a\u0303o. Manoel de Barros, em algum lugar de sua vasta obra \u201cletral\u201d, poetiza: deveri\u0301amos dar espac\u0327o ao tipo de saber que tem forc\u0327a de fonte&#8230;<\/p>\n<h6>[1] LACAN, J. [1964\/2003] Ato de fundac\u0327a\u0303o. Outros Escritos. RJ: Zahar, 2003, p. 235.<br \/>\n[2] MILLER [2001]. Ti\u0301tulo traduzido como: El desbroce de la formacion analitica . Introduccion a la Clinica Lacaniana, Conferencias en Espana, RBA, Barcelona, 2006, p. 527-541. Em france\u0302s: Le De\u0301broussaillage de la formation analytique. In: L&#8217;E\u0301cole de la Cause freudienne | \u00ab La Cause freudienne \u00bb 2008\/1 N\u00b0 68 | pages 120 a 129. https:\/\/www.cairn.info\/revue-la-cause-freudienne-2008-1-page-120.htm<br \/>\n[3] Ibid.<br \/>\n[4] LACAN, J. [1955\/1998) Variantes do tratamento-padra\u0303o. Escritos. RJ: Zahar, 1998. [5] op. Cit. Pa\u0301g. 360.<br \/>\n[6] LACAN, J. [1964\/2003] Ato de fundac\u0327a\u0303o. Op. cit.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inconsciente, sintoma e formac\u0327a\u0303o do analista Elisa Alvarenga Coordenadora da Comissa\u0303o Cienti\u0301fica das 1as JORNADAS SLOf-EBP-AMP Lacan sempre se preocupou com a formac\u0327a\u0303o dos analistas e o ensino da psicana\u0301lise. Em 1957 escreveu \u201cA psicana\u0301lise e seu ensino\u201d [1], onde ja\u0301 se perguntava: o que a psicana\u0301lise nos ensina, como ensina\u0301-lo? 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