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O Ato Analítico, a Supervisão e a Formação do Analista

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07-08-2019 19:30 - 21:30
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Dando continuidade a atividade de supervisão deste ano, "O ato analítico, a supervisão e a formação do analista", teremos no dia 7/8, às 20h30, a segunda  mesa de trabalhos na qual nos trarão seus comentários dos recortes dos textos abaixo, respectivamente, Laureci Nunes e Leonardo Scofild.

“Pois,  o episódio daqueles  que se podia crer não haverem ficado comigo por acaso permite entrar em contato com o fato de que meu discurso em nada aplaca o horror do ato psicanalítico.

É por isso que a psicanálise, em nossa época,  é o exemplo de um respeito tão paradoxal, que ultrapassa a imaginação, por incidir sobre uma disciplina que só se produz pelo semblante. É  que ele é nu a tal ponto que tremem os semblantes  [semblants] mediante os quais subsistem a religião, a magia, a devoção, tudo que se dissimula da economia do gozo.

Somente a psicanálise descortina o que funda essa economia no intolerável: é o gozo que digo.

Mas, ao descortiná-lo ao mesmo tempo ela o fecha e se alinha ao semblante tão impudente que intima tudo o que do mundo introduz formas.

Direi eu que as pessoas não acreditam no que fazem? Isso seria desconhecer que a crença é sempre o semblante de um ato. Um dia, um dos meus alunos disse a este respeito coisas ótimas:  acreditamos não crer naquilo que professamos fingir, mas é um erro, pois basta um nadinha – que aconteça, por exemplo, aquilo que se anuncia – para percebemos que acreditamos  e que, por acreditarmos, isso dá muito medo.

O psicanalista não quer confiar no inconsciente para se recrutar. Para onde iria ele se percebesse que crê, ao se recrutar, em semblantes de crença?

O inconsciente por sua vez não joga com o semblante. E o desejo do Outro não é um querer na falta”. (Lacan, Discurso na Escola Freudiana de Paris, Outros Escritos, Zahar, 2003, p.286).

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“O que nos importa aqui é o psicanalista em sua relação com o saber do sujeito suposto, não secundária, mas direta.

É claro  que, do saber suposto, ele nada sabe. O Sq da primeira linha nada tem a ver com os S encadeados da segunda e só pode ser encontrado neles por acaso. Assinalamos esse fato para nele reduzir a estranheza da insistência de Freud em nos recomendar  que abordemos cada novo caso  como se não tivéssemos aprendido coisa alguma com suas primeiras decifrações.

Isso não autoriza o psicanalista, de modo algum, a se dar por satisfeito com saber que nada sabe, pois o que se trata é o que ele tem de saber. (Lacan, “ Proposição de 9 de outubro”, Outros Escritos, Zahar, p. 254).

Contamos com sua presença para participar desta instigante investigação que temos feito a respeito deste que é um dos tripés da formação do analista!

Adriana Rodrigues

Cinthia Busato

Jussara Leite

Maria Teresa Wendhausen

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