{"id":6089,"date":"2021-07-08T09:14:12","date_gmt":"2021-07-08T12:14:12","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/?p=3895"},"modified":"2021-07-08T09:14:12","modified_gmt":"2021-07-08T12:14:12","slug":"eixo-tematico-arte-e-artificios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/eixo-tematico-arte-e-artificios\/","title":{"rendered":"EIXO TEM\u00c1TICO: ARTE E ARTIF\u00cdCIOS"},"content":{"rendered":"<p>O tratamento do real que as artes imprimem no mundo se reafirma sempre, em qualquer tempo. O real se imp\u00f5e e resiste \u00e0 representa\u00e7\u00e3o. E nesse v\u00e1cuo que se produz, a arte como ato e como a\u00e7\u00e3o, se materializa. A arte acaba tamb\u00e9m operando no mundo das coisas, com suas disrup\u00e7\u00f5es, uma pol\u00edtica pr\u00f3pria: inven\u00e7\u00e3o, corte, descontinuidade. Neste momento em que atravessamos horas a fio de trabalho nas plataformas digitais, experimentamos efeitos que nos interrogam. Como, para al\u00e9m de qualquer fic\u00e7\u00e3o, recriar em ato uma recomposi\u00e7\u00e3o da vida, a partir da vida online? Ao lado disso, toda uma vida, e de muitos, transcorre offline, visitada pelos assombros da morte, encarnada tamb\u00e9m na viol\u00eancia, na trucul\u00eancia, no descaso.<\/p>\n<p>Freud e Lacan n\u00e3o recuaram em aprender com a arte e em apontar o efeito de suas inven\u00e7\u00f5es no tratamento da dor de existir de quem a cria ou de quem dela usufrui. Quer seja enquanto recurso face ao imposs\u00edvel de suportar, quer seja na frui\u00e7\u00e3o da contempla\u00e7\u00e3o da beleza que vela o horror, ou ainda, na surpresa, quando somos olhados por uma obra que excede a tela da beleza e produz deslocamentos.<br \/>\nA arte \u00e9 assim, ato que as palavras n\u00e3o recobrem e, por isso, pode ser um recurso para cada um, aberto a diversos efeitos, como o enlace entre corpo e nome que Joyce nos ensina. Ao lado disso, ao lan\u00e7ar m\u00e3o de suas inven\u00e7\u00f5es singulares, sintom\u00e1ticas, cada um pode tamb\u00e9m criar artif\u00edcios pr\u00f3prios para fazer frente \u00e0s irrup\u00e7\u00f5es do real contingente. A vida em tempos de pandemia amplifica a experi\u00eancia do real e pede contornos para fazer borda, \u00e0 beira de um sentimento de mundo em rota de colis\u00e3o.<br \/>\nA cada um, no confronto com o isolamento social e as restri\u00e7\u00f5es de circula\u00e7\u00e3o, ou na impossibilidade de seguir as recomenda\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias, a ang\u00fastia do adoecimento, o medo da morte e a fragilidade da vida exigem um esfor\u00e7o a mais. Como apelar para os pr\u00f3prios artif\u00edcios, sempre singulares, para lidar com as conting\u00eancias de existir nesses tempos?<br \/>\nConvidamos cada um de voc\u00eas a entrar nesse esfor\u00e7o de leitura para recolhermos o que vem se depositando em solu\u00e7\u00f5es nas artes visuais, na literatura, no cinema, na cl\u00ednica, nas ruas e onde mais se puder encontrar marcas dos modos de viver que respondam aos desafios de nosso tempo.<\/p>\n<h6>Andrea Vilanova e Cristina Duba<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tratamento do real que as artes imprimem no mundo se reafirma sempre, em qualquer tempo. O real se imp\u00f5e e resiste \u00e0 representa\u00e7\u00e3o. E nesse v\u00e1cuo que se produz, a arte como ato e como a\u00e7\u00e3o, se materializa. A arte acaba tamb\u00e9m operando no mundo das coisas, com suas disrup\u00e7\u00f5es, uma pol\u00edtica pr\u00f3pria: inven\u00e7\u00e3o,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-6089","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-textos","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6089"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6089\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6089"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=6089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}