{"id":6088,"date":"2021-07-08T09:07:23","date_gmt":"2021-07-08T12:07:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/?p=3893"},"modified":"2021-07-08T09:07:23","modified_gmt":"2021-07-08T12:07:23","slug":"argumento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/argumento\/","title":{"rendered":"ARGUMENTO"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>\u201cTalvez o que a gente tenha que fazer n\u00e3o \u00e9 eliminar a queda, mas inventar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos\u201d<br \/>\n(Ailton Krenak)<\/p><\/blockquote>\n<p>De repente o mundo estanca, a morte nos cerca e o medo impera. A vida, que conhec\u00edamos at\u00e9 ent\u00e3o, \u00e9 colocada em suspenso. Impactados pelo instante de ver e, em busca de um tempo para compreender que traga um certo apaziguamento, prosseguimos. Como disse Miquel Bassols, n\u00e3o podemos contar com o final do t\u00fanel e \u201c&#8230;quem sabe n\u00e3o seja melhor ficar ali um pouco mais inventando alguma coisa antes de sair. Podemos fazer isso. E sempre com a liberdade da palavra. Sem ela, o sujeito do desejo nunca poder\u00e1 existir nem persistir.\u201d[1]\n<p>Um ano depois, a que ponto chegamos? A vida seguiu, atravessada por perdas e descobertas, e j\u00e1 podemos pensar nas marcas da pandemia.<\/p>\n<p>\u2018Existirmos, a que ser\u00e1 que se destina?\u2019 \u2013 a pergunta de Caetano Veloso, a partir do suic\u00eddio do amigo, parece ressoar a cada instante. Diante dessa quest\u00e3o irrespond\u00edvel, \u00e9 preciso inventar respostas. Quais os nomes da vida? O nome surge a partir do imposs\u00edvel de se dizer, revelando que \u00e9 preciso consentir com o furo para que as inven\u00e7\u00f5es emerjam.<\/p>\n<p>\u2018Os Nomes da Vida\u2019 remetem ainda aos Nomes do Pai, na medida em que contribuem para o enodamento dos tr\u00eas registros e evidenciam o modo que cada um encontrou para se virar ao longo desse tempo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a experi\u00eancia da psican\u00e1lise foi tocada profundamente durante a pandemia. Em que outro momento tantas pessoas procuraram an\u00e1lise, acossadas pelo sofrimento ps\u00edquico brutal engendrado pela pandemia? Qual o lugar e a responsabilidade do analista no mundo pand\u00eamico? Como conduzir as an\u00e1lises com a transforma\u00e7\u00e3o imposta pelo confinamento, na medida em que o encontro passou a se dar atrav\u00e9s das telas de computadores e smartphones? Como o corpo se faz a\u00ed presente e quais seus efeitos?<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse tempo, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que n\u00e3o h\u00e1 experi\u00eancia de an\u00e1lise online. A nossa tarefa deve ser, antes, tirar consequ\u00eancias das mudan\u00e7as que se impuseram. N\u00e3o devemos nos manter na nostalgia do que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9, mas sim buscar, como diz Lacan, &#8220;alcan\u00e7ar em seu horizonte a subjetividade de sua \u00e9poca[2]\u201d. Cabe-nos pensar os lugares e sentidos \u2013 mesmo provis\u00f3rios \u2013\u00a0 que esta frase deve assumir hoje para que n\u00e3o se torne apenas um bord\u00e3o.<\/p>\n<p>Interroga\u00e7\u00f5es abrem-se a partir da\u00ed. Qual o lugar da psican\u00e1lise e da forma\u00e7\u00e3o dos analistas nos tempos online? Como se d\u00e3o as emerg\u00eancias do real e seu velamento na vida virtual? Qual a fun\u00e7\u00e3o das artes durante a pandemia e de quais artif\u00edcios cada um lan\u00e7a m\u00e3o para a travessia desse per\u00edodo?<\/p>\n<p>S\u00e3o essas as quest\u00f5es que propomos discutir nos tr\u00eas eixos que constituem as XXVIII Jornadas da EBP-Rio e ICP\/RJ: Psican\u00e1lise e Forma\u00e7\u00e3o, o Real e o Virtual, Artes e Artif\u00edcios.<\/p>\n<p>Em um momento em que a morte assombra o mundo e um genoc\u00eddio toma conta do nosso pa\u00eds, nosssas Jornadas apostam na vida e seus nomes, buscando circunscrever as inven\u00e7\u00f5es que brotam em meio \u00e0 crise e ao horror.<\/p>\n<p>Lacan diz que \u00e9 preciso que o psicanalista \u201c&#8230;conhe\u00e7a bem a espiral a que o arrasta sua \u00e9poca na obra cont\u00ednua de Babel, e que conhe\u00e7a sua fun\u00e7\u00e3o de int\u00e9rprete na disc\u00f3rdia das l\u00ednguas.\u201d[3]. O chamado est\u00e1 feito e n\u00e3o podemos dele nos esquivar. A vida na nossa \u00e9poca, seus nomes e l\u00ednguas, virtuais ou n\u00e3o, nos convocam ao trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Adriano Aguiar e Maria In\u00eas Lamy<br \/>\n(coordenadores da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6>[1] Bassols, M. \u201cO que podemos encontrar no final do t\u00fanel?\u201d. Em: EBP, Correio Express n. 019, 15 de maio de 2020.<br \/>\n[2] Lacan, J. \u201cFun\u00e7\u00e3o e campo da palavra e da linguagem\u201d. Em: Escritos, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Ed., 1998, p. 322.<br \/>\n[3] Idem.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cTalvez o que a gente tenha que fazer n\u00e3o \u00e9 eliminar a queda, mas inventar milhares de paraquedas coloridos, divertidos, inclusive prazerosos\u201d (Ailton Krenak) De repente o mundo estanca, a morte nos cerca e o medo impera. A vida, que conhec\u00edamos at\u00e9 ent\u00e3o, \u00e9 colocada em suspenso. 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