{"id":6073,"date":"2021-02-26T08:18:09","date_gmt":"2021-02-26T11:18:09","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/?p=3437"},"modified":"2021-02-26T08:18:09","modified_gmt":"2021-02-26T11:18:09","slug":"como-transitar-entre-litoral-e-encruzilhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/como-transitar-entre-litoral-e-encruzilhada\/","title":{"rendered":"Como transitar entre litoral e encruzilhada?"},"content":{"rendered":"<h6><em>Andrea Vilanova<\/em><\/h6>\n<p>Para come\u00e7ar, vale repassar em linhas gerais algumas coordenadas da abordagem do corpo em Lacan, pelo papel que o tema toma nos tempos atuais, colocando o corpo no centro das discuss\u00f5es, desde a cl\u00ednica \u00e0 pol\u00edtica, passando pela economia e cultura. Tomando aqui brevemente um percurso que ao longo do ensino de Lacan vai da primazia do simb\u00f3lico \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o para o real, temos ao menos tr\u00eas coordenadas fundamentais para pensar o corpo. Partimos de uma leitura na qual o corpo como imagem unificada antecipa-se ao sujeito<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, e sob a a\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico apresenta-se como superf\u00edcie de inscri\u00e7\u00e3o dos significantes do Outro, que o marcam de modo singular. Esta concep\u00e7\u00e3o do corpo mortificado pelo significante localiza o gozo fora do corpo e institui as balizas do sujeito entre o Outro e o objeto. As coordenadas fundamentais que sustentam o modo de satisfa\u00e7\u00e3o \u2013 \u00fanico para cada um \u2013 ancoram-se numa opera\u00e7\u00e3o que celebra o nascimento do vivente como sujeito dividido no Outro da linguagem, ao mesmo tempo que s\u00f3 prescindindo do Outro \u00e9 que poder\u00e1 servir-se dele, tomando ao seu encargo sua posi\u00e7\u00e3o no discurso.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>O imagin\u00e1rio participar\u00e1 dessa montagem como engodo que requer a opera\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico para restituir ao sujeito a nobreza de sua divis\u00e3o sustentada na cadeia significante e na singularidade de sua resposta sintom\u00e1tica, que coloca em cena o Outro, o sujeito e o objeto. E o corpo sob os contornos das zonas er\u00f3genas ganha corporeidade pela perspectiva pulsional \u2013 o corpo libidinal \u2013, no sentido que lhe oferece a s\u00e9rie de objetos freudianos soletrados no corpo, aos quais Lacan acrescenta voz e olhar. Trata-se aqui de uma passagem fundamental que dar\u00e1 ao objeto freudiano um contorno renovado pela leitura de Lacan que inaugura um estatuto original para o objeto. O objeto <em>a<\/em> ter\u00e1, ent\u00e3o, um estatuto l\u00f3gico, ainda que ancorado nas formas epis\u00f3dicas dos objetos soletrados no corpo, localizado entre gozo e significante. Quanto ao vivente na linguagem, Lacan avan\u00e7a e tira maiores consequ\u00eancias das rela\u00e7\u00f5es entre as palavras e os corpos.<\/p>\n<p>Nem s\u00f3 significante, nem s\u00f3 gozo, muito menos uma oposi\u00e7\u00e3o entre gozo e significante, o que temos \u00e9 um imbricado efeito de atravessamentos que marcam e, tamb\u00e9m, vivificam um corpo, como a no\u00e7\u00e3o de letra vem nos advertir e operar a partir da perspectiva do litoral.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Nesta trama, a linguagem vai ganhando materialidade e a l\u00edngua que se fala, tomando corpo. A orienta\u00e7\u00e3o pelo real desaloja a ordem simb\u00f3lica, o real do corpo desliza do real pulsional em dire\u00e7\u00e3o aos efeitos da l\u00edngua e o imagin\u00e1rio sustenta muito mais do que a boa forma. Seguindo Lacan, vai se desenhando uma nova perspectiva para o que pode dar consist\u00eancia a um corpo, e pode estar atrelado a artif\u00edcios que v\u00e3o muito al\u00e9m da imagem do corpo pr\u00f3prio.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Cabe aqui um corte na puxada de fios da teoria para retomar o percurso da provoca\u00e7\u00e3o. Essas refer\u00eancias situaram o repert\u00f3rio que orientou a constru\u00e7\u00e3o da provoca\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria, dentro da constru\u00e7\u00e3o da segunda esta\u00e7\u00e3o das 27\u00aa. Jornadas Ex\u00edlios: <em>sinthoma<\/em>, corpo e territ\u00f3rio. A fim de lan\u00e7ar reflex\u00f5es para dar tratamento ao bin\u00f4mio \u201csintoma e territ\u00f3rio\u201d, decidida a falar para leitores de dentro e de fora de nossa comunidade de interesse, procurei falar desses conceitos utilizando uma linguagem capaz de transmitir a complexidade desses temas, ao mesmo tempo colocando-os o mais dentro poss\u00edvel da vida cotidiana. Flavio Cardoso produziu uma rea\u00e7\u00e3o apoiado nos elementos hist\u00f3ricos de suas aulas no circuito Pequena \u00c1frica; Maricia Ciscato escreveu um texto lindo que, se servindo da literatura, encontrou um modo po\u00e9tico para fazer reverberar esse bin\u00f4mio a partir da psican\u00e1lise; e Wallace Lino, por outro lado, nos enviou um v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Realizamos uma chamada de v\u00eddeo: eu, Flavio, Geisa Assis \u2013 coordenadora da esta\u00e7\u00e3o \u2013, Maricia e Wallace. Tivemos uma conversa da qual recortei algumas falas de Wallace Lino, sobretudo pelo que suas palavras provocaram em mim. Muito do que ficou daquela conversa foi ganhando forma com o passar do tempo e o desenrolar das jornadas. A conversa realizada por meio de uma videochamada foi um primeiro encontro entre n\u00f3s. As palavras de Wallace sa\u00edam do repert\u00f3rio conhecido, algumas vezes era como ouvir uma l\u00edngua, na qual reconhecia algumas palavras e ia seguindo, sem que fizessem sentido imediatamente.<\/p>\n<p>Relatando perspectivas pr\u00f3prias sobre o trabalho que realiza no grupo de teatro, pelo modo como se enra\u00edza na comunidade, Wallace me pareceu ir respondendo ao seu modo \u00e0 \u201cprovoca\u00e7\u00e3o\u201d que elaborei. Apoiei-me na concep\u00e7\u00e3o de sintoma como resposta singular que se encontra com a no\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio como alteridade, cujas marcas se inscrevem em cada um de n\u00f3s e nos constituem, um-a-um, pelo que se tra\u00e7a como lugar e, tamb\u00e9m, como la\u00e7o \u2013 nos enlaces e desenlaces \u2013 nas trajet\u00f3rias de uma vida, a partir das posi\u00e7\u00f5es que vamos tomando nesse jogo. Quando Wallace reagiu fazendo quest\u00e3o de situar uma esp\u00e9cie de demarca\u00e7\u00e3o do seu territ\u00f3rio, a partir de signos n\u00e3o compartilhados com o que se situa fora do territ\u00f3rio Mar\u00e9, algo ganhou relevo para mim, indicando que se tratava de uma perspectiva que me pedia um esfor\u00e7o a mais para alcan\u00e7ar os passos de sua fala.<\/p>\n<p>Caminhando pela Mar\u00e9 e pelas propostas que vem desenvolvendo a partir de projetos variados, inclusive acad\u00eamicos, aos quais d\u00e1 um toque muito peculiar subvertendo o que se estabelece como uma expectativa de elabora\u00e7\u00e3o objetiva, Wallace falou <em>en passant<\/em> sobre um projeto. Partindo das religi\u00f5es de matrizes africanas e seus rituais como canal de acesso \u00e0 (re)constru\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias pessoais e coletivas, vai vinculando os residentes daquela localidade a seus antepassados, ao mesmo tempo em que este giro retorna sobre esses atuais residentes, promovendo efeitos de \u201cconstru\u00e7\u00e3o de identidade e de pertencimento\u201d, nas palavras de Wallace.<\/p>\n<p>Em dado momento a refer\u00eancia \u00e0 encruzilhada se fez, por tudo que representa neste contexto a que ele se refere, mas especialmente, como um enquadre particular. N\u00e3o avan\u00e7amos naquele momento, mas o tema ficou ecoando e me levou a revisitar Luiz Rufino (2019), cujo trabalho, oriundo de uma tese de doutorado, pareceu-me inacess\u00edvel ao primeiro contato, h\u00e1 algum tempo. A partir da reconstru\u00e7\u00e3o dos trabalhos preparat\u00f3rios para a segunda esta\u00e7\u00e3o, no esfor\u00e7o de decanta\u00e7\u00e3o de onde surgiu este escrito, abriu-se uma nova via para acessar o termo encruzilhada. Alcan\u00e7ar um pouco do campo sem\u00e2ntico a que este significante se refere, al\u00e9m do campo epist\u00eamico que as palavras de Wallace sustentam, inaugurou-se para mim uma passagem que permite abrir quest\u00f5es que se colocam para a psican\u00e1lise, a meu ver, na medida em que nos apresentam leituras originais do que se apresenta na cultura e chega a n\u00f3s na complexidade da problem\u00e1tica identit\u00e1ria, exigindo um novo giro com rela\u00e7\u00e3o aos conceitos.<\/p>\n<blockquote><p>A encruzilhada \u00e9 justamente um destes conceitos, que diz o seguinte: n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 um caminho. O projeto da modernidade ocidental construiu a dimens\u00e3o do entendimento de forma polarizada. Existe o certo e o errado, o bem e o mal, deus e o diabo, o civilizado e n\u00e3o-civilizado, o eu e o outro, o familiar e o ex\u00f3tico. A encruzilhada desmantela isso tudo, rompe com os binarismos e aponta uma perspectiva de responsabilidade para nossas escolhas.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Entre mem\u00f3ria, reconstru\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o muitos efeitos subjetivos fundamentais para um grande contingente de pessoas v\u00eam se apoiando em estrat\u00e9gias que parecem particularizar uma dimens\u00e3o de alteridade circunscrita, na qual uma esp\u00e9cie de consist\u00eancia para o corpo \u00e9 convocada, ao mesmo tempo em que se apresenta mais encarnada em signos identit\u00e1rios, no fen\u00f3tipo e at\u00e9 mesmo no gen\u00f3tipo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Esta alteridade consistente coloca o corpo num lugar in\u00e9dito e problematiza a concep\u00e7\u00e3o de imagin\u00e1rio tomada de modo desvalorizado frente ao simb\u00f3lico, ainda que a forma cativante do corpo esteja presente desde a leitura de Lacan no Est\u00e1dio do Espelho.<\/p>\n<p>Se partimos de uma composi\u00e7\u00e3o que colocava a alteridade do lado do simb\u00f3lico e suas incid\u00eancias sobre o vivente \u2013 formulada em termos de marcas e apagamento das marcas, deixando margens num campo de interse\u00e7\u00e3o de onde se extrai o produto, o gozo que, refrat\u00e1rio \u00e0 pr\u00f3pria linguagem, insiste na fala e no modo como cada um pode se servir disso \u2013, precisamos apreender a tor\u00e7\u00e3o que Lacan promove, esvaziando a primazia do simb\u00f3lico, ao promover uma equival\u00eancia entre os registros. De uma leitura na qual o imagin\u00e1rio \u00e9 atrelado ao corpo como imagem \u00e0 concep\u00e7\u00e3o de que o imagin\u00e1rio \u00e9 o corpo, Lacan subverte uma leitura do imagin\u00e1rio como secund\u00e1rio frente aos efeitos do simb\u00f3lico e lan\u00e7a uma perspectiva mais real sobre o corpo. Esta consist\u00eancia, a \u00fanica consist\u00eancia para o ser falante, como recorta Miller<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> da elabora\u00e7\u00e3o de Lacan \u2013 a partir de sua elabora\u00e7\u00e3o sobre Joyce \u2013 o leva a demonstrar que o corpo \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o com a qual tomamos lugar no mundo: \u00e9 com o corpo que erguemos o nosso mundo.<\/p>\n<p>A ideia de passagens que a letra comporta, entre objeto e significante, que acompanha o conceito de litoral, parece muito precisa por permitir o atravessamento entre campos distintos, o que resulta em territ\u00f3rios vivos, carregados de tra\u00e7os heterog\u00eaneos com matizes pulsantes. Que lugar para a ret\u00f3rica do litoral quando nos encontramos no cora\u00e7\u00e3o da tem\u00e1tica identit\u00e1ria, pois n\u00e3o se trata de tomar a marca pela perspectiva de uma singularidade carregada de certa ilegibilidade, suportada num modo de gozo pr\u00f3prio? Como pensar essa opera\u00e7\u00e3o norteada pela singularidade mais radical quando deparamos com o corpo, cuja consist\u00eancia \u00e9 tomada a partir de tra\u00e7os compartilhados que operam como ins\u00edgnias de pertencimento a um ou outro grupo? Como ler a encruzilhada que ressignifica pertencimento, hist\u00f3ria e lugar subjetivo frente \u00e0 matriz de leitura que o litoral oferece a n\u00f3s psicanalistas?<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, o que temos em comum, n\u00e3o \u00e9 o la\u00e7o social, pol\u00edtico ou religioso, mas nosso corpo, nossa biologia. Transformamos o corpo humano num novo Deus: o corpo como a \u00faltima esperan\u00e7a de definir o bem comum.\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> No entanto, na impossibilidade de um bem comum diante dos efeitos nefastos da horizontalidade, fruto da dissolu\u00e7\u00e3o de orientadores universais, trata-se de achar lugar em meio \u00e0s categorias que proliferam, e, em alguns casos at\u00e9 operam, mas nem sempre s\u00e3o capazes de acolher o modo de cada um habitar um corpo. Neste campo h\u00edbrido, para al\u00e9m das fronteiras, \u00e9 com o corpo que seguimos. O corpo segue como a pr\u00f3pria encruzilhada onde cada um vai se ancorar, a seu modo e o psicanalista pode tomar parte nisso, como uma possibilidade de encontro nesses caminhos cruzados.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cf. Lacan, J. Est\u00e1dio do espelho<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Cf. Lacan, J. Sem 11<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cf. Lacan em Lituraterra em Outros Escritos<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver a elabora\u00e7\u00e3o de Lacan a respeito das possibilidades de sustenta\u00e7\u00e3o da consist\u00eancia corporal para al\u00e9m da imagem do corpo, Semin\u00e1rio, livro 23, na li\u00e7\u00e3o \u201cA escrita do ego\u201d, especialmente.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/reportagens\/pedagogia-das-encruzilhadas-\">https:\/\/educacaointegral.org.br\/reportagens\/pedagogia-das-encruzilhadas-<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a><a href=\"https:\/\/www.almapreta.com\/editorias\/realidade\/teste-de-dna-proporciona-encontro-com-passado-e-futuro-mais-conectado-com-origem-africana\">https:\/\/www.almapreta.com\/editorias\/realidade\/teste-de-dna-proporciona-encontro-com-passado-e-futuro-mais-conectado-com-origem-africana<\/a>; <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/a-africa-nos-genes-do-povo-brasileiro\/\">https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/a-africa-nos-genes-do-povo-brasileiro\/<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a><a href=\"https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/TemplateImpresion.asp?intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9\">https:\/\/www.wapol.org\/pt\/articulos\/TemplateImpresion.asp?intPublicacion=13&amp;intEdicion=9&amp;intIdiomaPublicacion=9&amp;intArticulo=2742&amp;intIdiomaArticulo=9<\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> http:\/\/ea.eol.org.ar\/04\/pt\/template.asp?lecturas_online\/textos\/laurent_hemos_transformado.html<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andrea Vilanova Para come\u00e7ar, vale repassar em linhas gerais algumas coordenadas da abordagem do corpo em Lacan, pelo papel que o tema toma nos tempos atuais, colocando o corpo no centro das discuss\u00f5es, desde a cl\u00ednica \u00e0 pol\u00edtica, passando pela economia e cultura. 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