{"id":6071,"date":"2021-02-26T08:16:44","date_gmt":"2021-02-26T11:16:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/?p=3433"},"modified":"2021-02-26T08:16:44","modified_gmt":"2021-02-26T11:16:44","slug":"jornadas-2020-exilios-o-que-nos-resta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/jornadas-2020-exilios-o-que-nos-resta\/","title":{"rendered":"Jornadas 2020 Ex\u00edlios: O que nos resta?"},"content":{"rendered":"<h6><em>Geisa de Assis<\/em><strong>\u00a0<\/strong><\/h6>\n<p>A mim me foi dada a tarefa de transmitir o que pude recolher do acontecimento que foram as Jornadas de 2020. Nunca estive t\u00e3o pr\u00f3xima de uma jornada de nossa Escola. Pude perceber que ela se d\u00e1 em elabora\u00e7\u00e3o, um intenso trabalho de elabora\u00e7\u00e3o que ainda est\u00e1 acontecendo. Para mim \u00e9 dif\u00edcil falar da alegria que vimos como efeito deste intenso trabalho sem falar do desejo que o iniciou e o atravessou em todo instante. Acredito que este desejo transmitido se apresenta em duas apostas: a primeira, em abrir as Jornadas e a Escola, aposta que se exprimiu na estrat\u00e9gia em fazer circular outros corpos, outras vozes, outros saberes, outros modos de gozo e, a segunda aposta foi n\u00e3o apostar no mestre como o meio principal de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No in\u00edcio a quest\u00e3o sobre o que \u00e9 a Jornada para a Escola nos atravessava constantemente. O n\u00f3s aqui diz respeito ao cartel de coordena\u00e7\u00e3o das Jornadas. Aqui vale um desvio para falar sobre o cartel que comp\u00f4s a organiza\u00e7\u00e3o. A aposta em fazer circular e atravessar nossos corpos, outros saberes, saberes n\u00e3o institu\u00eddos na nossa Escola, foi levada t\u00e3o a s\u00e9rio que eu, Thereza De Felice, Marina Morena Torres e Anna Luiza Almeida fomos convidadas para participar deste cartel. Deste lugar \u00eaxtimo, nos colocamos a (muito) trabalho, mas n\u00e3o sem dar algum trabalho. Demos o pontap\u00e9 inicial do argumento, encabe\u00e7amos comiss\u00f5es, coordenamos mesas\u2026 Suamos.<\/p>\n<p>Voltando&#8230; Uma pergunta aparecia nas reuni\u00f5es da coordena\u00e7\u00e3o de diversas maneiras: Quem queremos que v\u00e1 \u00e0s Jornadas? O que queremos transmitir? Como transmitir a psican\u00e1lise sem o lacan\u00eas? Sab\u00edamos que abrir as Jornadas iria mudar o objetivo institu\u00eddo delas, o de transmiss\u00e3o do trabalho da Escola para ela pr\u00f3pria e sua comunidade de interesse, para o desejo de transmiss\u00e3o do trabalho da Escola e de sua comunidade de interesse para ela mesma e para a cidade e, neste mesmo movimento, fazer com que a cidade fa\u00e7a sua transmiss\u00e3o \u00e0 Escola e sua comunidade de interesse. Vemos isto no texto de Maricia Ciscato quando ela aponta que o analista frente \u00e0s diversas apresenta\u00e7\u00f5es da segrega\u00e7\u00e3o pode muito e pouco, muito e pouco que se apresentam na Escuta!<\/p>\n<p>Assim, o grande desafio ao qual a Diretoria convidou a todos n\u00f3s, foi dar o devido peso aos significantes que nomeiam nossa Escola: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise do Rio de Janeiro. A Diretoria e a comiss\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o que formaram o Cartel de Coordena\u00e7\u00e3o estavam orientados por estes significantes: A Escola de Lacan, seu ensino e sua transmiss\u00e3o da Psican\u00e1lise no mundo; a Brasileira que se apresenta para n\u00f3s no Rio de Janeiro, estado onde se encontra o trabalho desta Escola (no Brasil e no Rio) e para onde direciona sua transmiss\u00e3o, estado que pode se apresentar como quest\u00e3o, devido tamb\u00e9m a estrutural segrega\u00e7\u00e3o que o fundamenta. Acredito que este \u00e9 um dos efeitos mais importantes deste trabalho que foram as Jornadas: o atravessamento e o enodamento do nome da Escola como orientador de trabalho e transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>A outra principal aposta, orienta\u00e7\u00e3o de desejo de Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, foi n\u00e3o apostar no mestre, o que j\u00e1 indica que h\u00e1 mestres entre n\u00f3s. N\u00f3s, desta Escola, por transfer\u00eancia, acreditamos na palavra dos mestres. Essa aposta em n\u00e3o apostar nos mestres, em n\u00e3o transmitir a Psican\u00e1lise apenas atrav\u00e9s da palavra dos mestres, nos levou a organizar as Jornadas de outra maneira: tr\u00eas mesas de \u201cparada e decanta\u00e7\u00e3o\u201d do trabalho j\u00e1 iniciado entre Cartel de Coordena\u00e7\u00e3o e convidados, as Esta\u00e7\u00f5es; tr\u00eas Rodas de Conversa trabalhadas e conduzidas pelos cart\u00e9is iniciados a prop\u00f3sito do tema das Jornadas (Ex\u00edlios) e tr\u00eas Cursos. Esta aposta tornou-se uma aposta da Escola e o chat nos ajudou nisso. Presenciamos a palavra circulando entre muitos, para al\u00e9m dos mestres.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o das Jornadas, quase que in\u00e9dita, nos diz deste desejo orientado de transmitir a Psican\u00e1lise atrav\u00e9s do trabalho desta Escola ao Brasil, e mais especificamente ao Rio de Janeiro e, no mesmo movimento, ser tocado pelo Brasil e pelo Rio.<\/p>\n<p>A cidade se presentificou no olhar de Luiz Baltar, que nos apresentou uma est\u00e9tica carioca; na escuta de Mariana Fraga, que iniciou o seu trabalho de escuta aqui no Rio, escutando a loucura t\u00e3o caracter\u00edstica de nossa cidade, que de alguma maneira a ensinou a ouvir a loucura n\u00e3o importa onde Mariana estivesse. Cidade linda e louca que se fundou no sangue e no suor africano, como explicitou Fl\u00e1vio, que hoje lan\u00e7a m\u00e3o de diversas tecnologias, como as palafitas, por exemplo, como defendeu Wallace. Cidade \u201cidentidade estilha\u00e7ada\u201d. Por fim, estilha\u00e7ar a identidade nos apresentou ao \u201cafeto r\u00edgido\u201d que a sustenta, interpreta\u00e7\u00e3o precisa que Aline nos deixou.<\/p>\n<p>O que restou de toda a abertura poss\u00edvel e muito gostosa de presenciar &#8211; havia muita anima\u00e7\u00e3o, alegria e surpresa por estarmos presenciando tamanha circula\u00e7\u00e3o da palavra &#8211; nas Esta\u00e7\u00f5es, as Rodas de Conversa e os Cursos foi este \u201cafeto r\u00edgido\u201d (gozo?) que instaurou uma pergunta para mim: O que n\u00e3o foi poss\u00edvel ouvir? Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil ouvir que n\u00e3o somos todos leopardos? O que n\u00e3o temos de leopardo? Se n\u00e3o somos leopardos, o que somos? N\u00f3s produzimos leopardos?<\/p>\n<p>Aqui, portanto, finalizo, primeiro pedindo desculpas por transmitir t\u00e3o pouco. As Jornadas Ex\u00edlios foram t\u00e3o m\u00faltiplas e grandes, apesar de caber numa tela de celular, que \u00e9 da ordem do imposs\u00edvel transmiti-las todas, s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel transmitir alguma coisa. \u00c9 com esta Coisa que trabalho aqui e ser\u00e1 com a Coisa de cada um diante deste evento especial que poderemos fazer uma bricolagem, a \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Agora sim finalizo, com um inc\u00f4modo que me acompanha desde o in\u00edcio, desde a primeira reuni\u00e3o e que s\u00f3 agora posso transmitir: E os n\u00e3o-exilados? N\u00e3o iremos questionar sua posi\u00e7\u00e3o e qual sua rela\u00e7\u00e3o com o exilado? Eu diria que em parte o n\u00e3o-ex\u00edlio foi questionado, mas ainda h\u00e1 um gozo em n\u00e3o querer saber dos ex\u00edlios que \u201cempreendemos e endossamos\u201d a partir de nossa posi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-exilado, ou melhor, do gozo que temos da posi\u00e7\u00e3o de ex\u00edlio do outro. Este \u00e9 o meu resto, meu objeto <em>a<\/em> causa, das Jornadas 2020 que estava l\u00e1 desde o in\u00edcio: afeto r\u00edgido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geisa de Assis\u00a0 A mim me foi dada a tarefa de transmitir o que pude recolher do acontecimento que foram as Jornadas de 2020. Nunca estive t\u00e3o pr\u00f3xima de uma jornada de nossa Escola. Pude perceber que ela se d\u00e1 em elabora\u00e7\u00e3o, um intenso trabalho de elabora\u00e7\u00e3o que ainda est\u00e1 acontecendo. 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