{"id":6064,"date":"2020-10-19T18:58:18","date_gmt":"2020-10-19T21:58:18","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/?p=3011"},"modified":"2020-10-19T18:58:18","modified_gmt":"2020-10-19T21:58:18","slug":"o-exilio-e-a-identificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/o-exilio-e-a-identificacao\/","title":{"rendered":"&#8220;O Ex\u00edlio e a identifica\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<h6>por Christiane alberti<\/h6>\n<p>&#8220;- Fora de<\/p>\n<p>\u00c9 a no\u00e7\u00e3o de \u201cfora de\u201d, contida na defini\u00e7\u00e3o do termo \u201cex\u00edlio\u201d, que me serviu de fio condutor. Ex\u00edlio significa ser expulso para fora de, e significava inicialmente tormenta, dor. \u00c9 nomear precisamente o que adv\u00e9m aos sujeitos que, por quaisquer raz\u00f5es, se encontram em um contexto de ex\u00edlio for\u00e7ado ou querido, fora daquilo que era seu lugar, o lugar do Outro no qual ele se inscrevia como sujeito: sua home, sua p\u00e1tria, sua \u201ccasa\u201d [chez soi], seu mundo. Esta expuls\u00e3o para fora do Outro, para fora de sua par\u00f3quia, indica que s\u00f3 h\u00e1 ex\u00edlio para os seres falantes. Ao passo que falamos de migra\u00e7\u00e3o para os animais. O ex\u00edlio se mostra sempre como uma dor de existir, ser arrancado [arrachement] para fora do lugar do Outro, e para fora de si. Mesmo quando ele \u00e9 querido.<\/p>\n<p>Eu me lembro \u2013 e \u00e9 sem d\u00favida uma das raz\u00f5es que me trazem aqui hoje \u2013 de um trabalho de mestrado que Sofia Guaraguara defendeu no departamento de psican\u00e1lise da Universidade Paris VIII, no qual ela se interessou justamente pelas jovens mulheres que deixaram tudo em seus pa\u00edses, incluindo seus filhos. Ela se interrogou a fundo sobre esta vontade obscura, ou enigm\u00e1tica \u00e0 primeira vista, que lhes levava a deixar seus pa\u00edses e a dirigirem-se \u00e0 Europa, frequentemente nas piores condi\u00e7\u00f5es. Foi muito interessante que no cerne de seu trabalho de pesquisa havia esta pergunta sobre o que leva algu\u00e9m a encontrar-se fora de seu lugar, fora de sua fam\u00edlia. Destaquemos aqui que alguns sujeitos est\u00e3o sempre fora de, jamais em casa [chez soi], um ex\u00edlio existencial, Nenhum lugar, em parte alguma, para retomar o t\u00edtulo de Christa Wolf.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ent\u00e3o \u00e9 de saber o que se deixa e o que se leva consigo, aquilo que cola na nossa pele. Os pr\u00f3ximos? Os objetos? A vida que inventamos para n\u00f3s mesmos, a hist\u00f3ria que nos contamos sobre nossa exist\u00eancia, sobre a vida que fundamentalmente n\u00e3o tem sentido, a m\u00e1quina de produzir sentido que comp\u00f5e nosso del\u00edrio ou ainda nosso modo de n\u00e3o querer saber sobre o que faz a condi\u00e7\u00e3o humana e o que faz nossa debilidade? Em resumo, fic\u00e7\u00f5es, identifica\u00e7\u00f5es que vestem os corpos e os sustentam, \u00e9 isso exatamente o traumatismo fundamental do ser falante: podemos acreditar que \u00e9 a morte que traumatiza, mas do ponto de vista de Lacan \u00e9 o contr\u00e1rio, \u00e9 a vida que traumatiza, pois ela n\u00e3o tem sentido, e desde que nos damos conta disso, como um clar\u00e3o \u2013 pois nem sempre podemos ver isso. Quando acontece um ex\u00edlio ou um atentado, \u00e9 onde finalmente surge o trauma. O ex\u00edlio \u00e9 como uma trajet\u00f3ria do horror em dire\u00e7\u00e3o ao ideal, que vai e volta. Mas n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo horror. Eu gostaria de me deter sobre essa travessia. Eis algumas quest\u00f5es a partir das quais eu gostaria de me orientar. &#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Alberti, C. &#8220;O Ex\u00edlio e a identifica\u00e7\u00e3o&#8221; Tradu\u00e7\u00e3o de Anna Luiza Almeida, No prelo.<\/h6>\n<h6>*Voc\u00eas encontram o texto publicado na \u00edntegra em franc\u00eas na revista\u00a0<em>Exils, regard psycanalytiques<\/em>, organizada pela Associaciation\u00a0Genevoise des Psychologogues.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Christiane alberti &#8220;- Fora de \u00c9 a no\u00e7\u00e3o de \u201cfora de\u201d, contida na defini\u00e7\u00e3o do termo \u201cex\u00edlio\u201d, que me serviu de fio condutor. 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