{"id":1891,"date":"2018-10-25T19:51:10","date_gmt":"2018-10-25T22:51:10","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/rj\/?p=1891"},"modified":"2018-10-25T19:51:10","modified_gmt":"2018-10-25T22:51:10","slug":"jornada-de-carteis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/jornada-de-carteis\/","title":{"rendered":"Jornada de Cart\u00e9is"},"content":{"rendered":"<p><strong>29\/09 &#8211; Jornada de Cart\u00e9is<\/strong><\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio de Monique Vincent<\/strong><\/p>\n<p>Nossa Jornada de Cart\u00e9is de 2018 contou com a presen\u00e7a de Ram Mandil (AME da EBP), nosso convidado, que nos falou sobre os fundamentos dos carteis e tamb\u00e9m foi o comentador das tr\u00eas mesas realizadas.<\/p>\n<p>Inicialmente, Ram Mandil traz uma pergunta fundamental: qual o efeito das muta\u00e7\u00f5es sociais sobre os carteis?\u00a0Lacan coloca o cartel como \u00f3rg\u00e3o de base da escola. Tomado desta forma, \u201do acento recai mais sobre a dimens\u00e3o coletiva, transindividual, do dispositivo, do que sobre a participa\u00e7\u00e3o individual de seus membros\u201d. Fundado sobre a teoria dos pequenos grupos, o cartel tem um n\u00famero limitado de participantes, 3 +1, como articula\u00e7\u00e3o m\u00ednima que venha a gerar um furo e garantir o turbilh\u00e3o. A partir desse furo de turbilh\u00e3o, assegura-se que cada um ali esteja em nome pr\u00f3prio, com a singularidade de seu sintoma, numa aposta de que esta singularidade interessa aos demais\u00a0participantes. O n\u00famero pequeno \u00e9 uma busca de romper com o ilimitado e an\u00f4nimo do espirito religioso. Ressaltou tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de que o cartel funcione como dispositivo de conversa\u00e7\u00e3o, contrapondo-se ao empuxo do um, ao individualismo de massas t\u00e3o presente no mundo contempor\u00e2neo. O car\u00e1ter democr\u00e1tico que se d\u00e1 na tens\u00e3o entre a comunidade e o lugar do Um coloca a dimens\u00e3o pol\u00edtica do cartel.\u00a0Esse sendo, como exposto acima, seu diferencial e tendo na presen\u00e7a do mais um o elemento necess\u00e1rio para que n\u00e3o se caia \u201cno individualismo completo\u201d (Lacan, J. \u201dReligion and the Real\u201d, in: <em>The Lacanian Review<\/em>, n.1).<\/p>\n<p>As tr\u00eas mesas trouxeram ao debate casos cl\u00ednicos que,\u00a0nas\u00a0constru\u00e7\u00f5es e quest\u00f5es levantadas,\u00a0permitiram\u00a0perceber a import\u00e2ncia do cartel.<\/p>\n<p>Os trabalhos foram organizados em tr\u00eas eixos principais para a reflex\u00e3o: o feminino, a pol\u00edtica (racismo e terrorismo) e a psicose (e psicose ordin\u00e1ria).<\/p>\n<p>Quest\u00f5es como a articula\u00e7\u00e3o entre falo e sexua\u00e7\u00e3o, perpassando o tema da identidade, t\u00e3o em evid\u00eancia atualmente, a busca das rela\u00e7\u00f5es virtuais, escancarando nossa dificuldade diante da evid\u00eancia da n\u00e3o exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, a posi\u00e7\u00e3o do analista, suas interven\u00e7\u00f5es,\u00a0e a percep\u00e7\u00e3o daquilo\u00a0que produz efeito, foram levantadas e debatidas. A pr\u00e1tica anal\u00edtica assegura essa tens\u00e3o entre o singular e a coletividade.<\/p>\n<p>O momento pol\u00edtico atual nos\u00a0traz\u00a0uma reflex\u00e3o sobre a pr\u00e1tica da psican\u00e1lise quando se esvai a democracia. A democracia n\u00e3o \u00e9 natural. O cartel, propiciando a constru\u00e7\u00e3o de um saber atravessado pelo Outro, permite a circularidade dos discursos singulares, indicando uma pr\u00e1tica pol\u00edtica calcada sobre a democracia e sobre o esfor\u00e7o necess\u00e1rio para sua exist\u00eancia. Assim, o momento pol\u00edtico, seja dos cart\u00e9is, seja da Escola ou do mundo, coloca a possibilidade de pensarmos essa articula\u00e7\u00e3o entre o singular e o coletivo. Com as modifica\u00e7\u00f5es dos la\u00e7os sociais na contemporaneidade, h\u00e1 uma mudan\u00e7a na pot\u00eancia disruptiva dos cart\u00e9is quanto \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es massivas que impedem o surgimento do novo? Supondo que essas modifica\u00e7\u00f5es possam ser sujeitas, como fen\u00f4meno do social, aos sempre presente empuxos \u00e0s identifica\u00e7\u00f5es, a resposta poder\u00e1 ser \u201csim\u201d. Os cart\u00e9is, se suportados em suas dificuldades, podem continuar a exercer seus benef\u00edcios de privilegiar e permitir a singularidade.<\/p>\n<p>Concluo com perguntas feitas nos trabalhos e na fala de Ram Mandil: teriam ainda os cart\u00e9is for\u00e7a para derivar esta tend\u00eancia contempor\u00e2nea ao individualismo numa boa dire\u00e7\u00e3o? Pelo menos no \u00e2mbito e alcance da psican\u00e1lise nas Escolas da AMP.<\/p>\n<p>Ram Mandil nos informa que no Relat\u00f3rio da Secretaria de Cart\u00e9is de 2017 j\u00e1 se chamou a aten\u00e7\u00e3o para certa afinidade entre os cart\u00e9is e os la\u00e7os sociais contempor\u00e2neos. Permanece, no entanto, na forma em que se estrutura o cartel e na fun\u00e7\u00e3o do mais um, a potencialidade para que prevale\u00e7a o \u201cfuro do turbilh\u00e3o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>29\/09 &#8211; Jornada de Cart\u00e9is Coment\u00e1rio de Monique Vincent Nossa Jornada de Cart\u00e9is de 2018 contou com a presen\u00e7a de Ram Mandil (AME da EBP), nosso convidado, que nos falou sobre os fundamentos dos carteis e tamb\u00e9m foi o comentador das tr\u00eas mesas realizadas. 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