{"id":1876,"date":"2018-10-01T09:45:36","date_gmt":"2018-10-01T12:45:36","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/rj\/?p=1876"},"modified":"2018-10-01T09:45:36","modified_gmt":"2018-10-01T12:45:36","slug":"raizes-literarias-da-psicanalise-iii-experiencia-e-nao-saber-em-george-bataille-conferencia-de-marcelo-jacques-de-moraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/raizes-literarias-da-psicanalise-iii-experiencia-e-nao-saber-em-george-bataille-conferencia-de-marcelo-jacques-de-moraes\/","title":{"rendered":"Ra\u00edzes Liter\u00e1rias da Psican\u00e1lise III: \u201cExperi\u00eancia e n\u00e3o-saber em George Bataille\u201d \u2013 Confer\u00eancia de Marcelo Jacques de Moraes."},"content":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es de <em>Sonia Carneiro Le\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>\u201cBataille com Lacan\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Georges Bataille trabalha pelo avesso. Fala do informe, do imposs\u00edvel, do n\u00e3o sentido, do n\u00e3o saber e do \u00eaxtase que, segundo ele, \u00e9 a possibilidade de transformar ang\u00fastia em del\u00edcias.<\/p>\n<p>Como qualificar Bataille? Um fil\u00f3sofo? Um santo? Um louco? Foi chamado de <em>inqualific<\/em><em>\u00e1<\/em><em>vel.<\/em><\/p>\n<p>Uma pergunta sempre ficou no ar. Por que Lacan s\u00f3 se referiu a ele em uma \u00fanica nota de rodap\u00e9 nos <em>Escritos,<\/em> apesar de ambos terem tido uma rela\u00e7\u00e3o bem pr\u00f3xima?<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio <em>Encore<\/em>, por exemplo, Lacan trabalha quest\u00f5es em torno do absoluto, de Deus, do amor, do gozo, da m\u00edstica, do significante que faz furo no Outro. Todas essas quest\u00f5es aparecem como tema principal no romance de Bataille, &#8220;Madame Edwarda&#8221;.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio t\u00edtulo do semin\u00e1rio, <em>Encore<\/em>, costumam dizer, pode ter sido inspirado a Lacan a partir da fala da personagem Edwarda, a mulher que n\u00e3o consegue p\u00f4r fim ao seu gozo e pede sempre mais, ainda.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio <em>Encore<\/em>, Lacan fala assim: Eis a\u00ed o que se diz para aquilo que \u00e9 do gozo quando ele \u00e9 sexual. O gozo \u00e9 marcado de um lado por esse buraco que n\u00e3o lhe assegura outra via sen\u00e3o a do gozo f\u00e1lico. Ser\u00e1 que do outro lado algo n\u00e3o pode ser atingido, algo que nos diria como aquilo que at\u00e9 ent\u00e3o somente falha, abertura no gozo, seria realizado?<\/p>\n<p>Bataille n\u00e3o se refere ao gozo. Fala em \u00eaxtase. Se o gozo \u00e9 marcado pela falta, o \u00eaxtase \u00e9 marcado pelo excesso. Um mais, ainda?<\/p>\n<p>Para Bataille, h\u00e1 aquilo que ele chama de uma experi\u00eancia levada ao extremo do poss\u00edvel. E isso tem consequ\u00eancias. Essa experi\u00eancia se dirige ao n\u00e3o saber. E, segundo Bataille, o n\u00e3o saber comunica o \u00eaxtase.\u00a0 Para ele, o n\u00e3o saber \u00e9 antes de tudo ang\u00fastia. Bataille \u00e9 um defensor da ang\u00fastia. Sua obra liter\u00e1ria gira em torno da ang\u00fastia. A experi\u00eancia ao extremo do poss\u00edvel \u00e9 denominada por ele de <em>supl<\/em><em>\u00ed<\/em><em>cio.<\/em> Carrega em si autoridade e promove o sujeito soberano, o sujeito n\u00e3o referido ao saber, j\u00e1 que est\u00e1 atrelada ao desconhecido.<\/p>\n<p>E disse Bataille: \u201cArru\u00edno em mim tudo o que se op\u00f5e \u00e0 ru\u00edna. O homem ins\u00edpido \u00e9 fraco, incapaz de se dilacerar. Fugindo da ang\u00fastia chegamos \u00e0 pobreza vazia. Eu n\u00e3o sou s\u00f3. Eu me sei o reflexo da multid\u00e3o e o somat\u00f3rio de suas ang\u00fastias. A experi\u00eancia interior \u00e9 conquista e, como tal, para outrem. Todo ser humano n\u00e3o indo ao extremo \u00e9 servidor ou inimigo do homem. N\u00e3o consigo conceber a minha vida sen\u00e3o ligada ao extremo do poss\u00edvel. O extremo \u00e9 o \u00fanico ponto por onde o homem escapa de sua estupidez limitada, mas ao mesmo tempo nela so\u00e7obra .Ir ao t\u00e9rmino significa pelo menos isso: que o limite, que \u00e9 o conhecimento, o saber como fim, seja ultrapassado\u201d.<\/p>\n<p>Para Bataille, a experi\u00eancia ao extremo do poss\u00edvel leva \u00e0 fus\u00e3o do objeto e do sujeito, sendo o sujeito o n\u00e3o saber e objeto o desconhecido.<\/p>\n<p>Bataille cita S\u00e3o Jo\u00e3o de Cruz, aquele que caiu nas trevas do n\u00e3o saber numa experi\u00eancia m\u00edstica contemplativa que, diferente do gozo,\u00a0 n\u00e3o demanda satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E trago aqui o poema desse religioso, \u201cCoplas sobre um \u00eaxtase de alta contempla\u00e7\u00e3o\u201d para concluir esta apresenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Entreme donde non supe<\/em><\/p>\n<p><em>Y quedeme no sabendo <\/em><\/p>\n<p><em>Toda a ci\u00ea<\/em><em>ncia transcendendo<\/em><\/p>\n<p><em>Toda a ci\u00eancia transcendiendo. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reflex\u00f5es de Sonia Carneiro Le\u00e3o \u201cBataille com Lacan\u201d &nbsp; Georges Bataille trabalha pelo avesso. 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