{"id":6742,"date":"2025-03-19T06:54:13","date_gmt":"2025-03-19T09:54:13","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/?page_id=6742"},"modified":"2025-08-04T06:19:05","modified_gmt":"2025-08-04T09:19:05","slug":"seminario-clinico-bienio-2025-2027","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/ensino\/seminarios-4\/seminario-clinico-bienio-2025-2027\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio Cl\u00ednico &#8211; Bi\u00eanio 2025-2027"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text]\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><span style=\"color: #993300;\">Semin\u00e1rio Cl\u00ednico da EBP-Rio<\/span><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Coord. Marcus Andr\u00e9 Vieira<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>&#8220;O ch\u00e3o da cl\u00ednica&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>A cl\u00ednica psicanal\u00edtica n\u00e3o segmenta a realidade, n\u00e3o setoriza. A partir de um problema, o sintoma, colocamos tudo em jogo. Por isso, \u201cFale de tudo e mais um pouco\u201d \u00e9 a regra fundamental.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Parece um nada, mas \u00e9 uma decis\u00e3o instrumental. A aposta na associa\u00e7\u00e3o livre faz efeito: navegando-se, na sess\u00e3o em tudo o que vier, aparecem fragmentos de lembran\u00e7as e outros elementos que at\u00e9 ent\u00e3o ficavam fora de cena. S\u00e3o falas inconscientes que perturbam e mudam o rumo da prosa &#8211; o que, de quebra, trata. O dispositivo anal\u00edtico faz o sintoma falar, sem diretamente visar eliminar o inc\u00f4modo, mas mudar a vida. Apostar nessa premissa e em algumas outras, como a do recalque, da puls\u00e3o e da repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 o que faz acontecer a cl\u00ednica psicanal\u00edtica (sem contar com outras premissas que vieram se incorporar a essas: significante, Outro, mas tamb\u00e9m falasser e lal\u00edngua).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Dito de outra forma, esses conceitos uma vez assumidos pelo praticante, tornam-se\u00a0<em>ferramentas<\/em>. Na sess\u00e3o, por\u00e9m, elas ser\u00e3o mobilizadas por algu\u00e9m bem concreto, o analista.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Lacan dir\u00e1, ent\u00e3o, que as ferramentas da an\u00e1lise podem ser entendidas, cada uma, como modos de querer do praticante, querer ouvir, por exemplo segundo a associa\u00e7\u00e3o livre. Esses quereres constituem o\u00a0<em>desejo do analista<\/em>. A express\u00e3o seria melhor traduzida por\u00a0<em>desejo psicanal\u00edtico<\/em>\u00a0porque n\u00e3o \u00e9 o desejo de algu\u00e9m, mas um modo de querer que, quando d\u00e1 certo, produz an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O conceito, uma vez assumido pelo praticante, torna-se ferramenta. Esse \u201cassumido\u201d n\u00e3o \u00e9 uma decis\u00e3o intelectual, exige uma verdadeira\u00a0<em>muta\u00e7\u00e3o subjetiva<\/em>. \u00c9 preciso ter vivido a surpresa de ser atravessado pelas estranhas falas inconscientes e a subvers\u00e3o que provocam.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por isso, a forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e0s vezes parece convers\u00e3o espiritual. Como se s\u00f3 os iniciados nos mist\u00e9rios da psican\u00e1lise pudessem ser analistas. Aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de cren\u00e7a, crer atrapalha. A cren\u00e7a nos leva para o plano das transcend\u00eancias quando basta, por um lado, experimentar os efeitos das falas inconscientes no pr\u00f3prio discurso e, por outro, aprender a trabalhar com suas manifesta\u00e7\u00f5es e efeitos. E isso se faz em ato, assumindo algumas premissas e apostando nelas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Neste sentido, Freud definiu tr\u00eas caminhos de forma\u00e7\u00e3o, ou de apreens\u00e3o do ba\u00fa de ferramentas de uma an\u00e1lise: an\u00e1lise pessoal, supervis\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o dos conceitos. N\u00e3o vale um sem outro, apenas todos ao mesmo tempo. Lacan acrescenta um quarto elemento para a forma\u00e7\u00e3o: a Escola como espa\u00e7o de investiga\u00e7\u00e3o, trocas e a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nosso roteiro<\/strong><br \/>\nNa s\u00e9rie de encontros que propomos, vamos apostar que \u00e9 poss\u00edvel espalhar essas ferramentas, construindo uma base de conceitos e palavras, o ch\u00e3o da cl\u00ednica.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>14\/4<\/strong>\u00a0Sujeito (o corte e o furo),<br \/>\n<strong>12\/5<\/strong>\u00a0Transfer\u00eancia (os enlaces e os significantes),<br \/>\n<strong>09\/6<\/strong>\u00a0Objeto (o resto e a causa),<br \/>\n<strong>11\/08<\/strong>\u00a0Fantasia e Falasser (o discurso e o la\u00e7o),<br \/>\n<strong>15\/09<\/strong>\u00a0Repeti\u00e7\u00e3o (a rotina e a surpresa),<br \/>\n<strong>13\/10<\/strong>\u00a0Corpo e Gozo (desassossegos e prazer),<br \/>\n<strong>17\/11<\/strong>\u00a0Lal\u00edngua (resson\u00e2ncia e letra),<br \/>\n<strong>08\/12<\/strong>\u00a0Sintoma (bricolagem e itera\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>Para n\u00e3o perder de vista o quanto as ferramentas em quest\u00e3o s\u00f3 funcionam no espa\u00e7o do encontro anal\u00edtico, partiremos de fragmentos cl\u00ednicos, apresentados por convidados em v\u00eddeos pr\u00e9-gravados.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Humus humano<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apostar em uma apropria\u00e7\u00e3o concreta das ferramentas a partir da imers\u00e3o em uma discuss\u00e3o cl\u00ednica parece vital dada a tend\u00eancia \u00e0 tribaliza\u00e7\u00e3o atual da civiliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o no sentido da comunidade, da taba, mas de uma sociedade constitu\u00edda de grupos relativamente fechados em si mesmo, muitas vezes uns contra os outros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o que a \u00e9poca coloca para a psican\u00e1lise poderia se formular, ent\u00e3o, da seguinte maneira: \u201csuas ferramentas de fala funcionam em quais tribos?\u201d Se apenas nos aculturados pelo dito \u201cocidente\u201d em qu\u00ea e do que ela poderia ser emancipat\u00f3ria? Dito de outro modo: s\u00f3 fazendo parte da tribo dos psicanalistas \u00e9 poss\u00edvel se tornar psicanalista? Se a forma\u00e7\u00e3o \u00e9 mergulho, e sempre continuada, que l\u00edngua temos que aprender para apreender as ferramentas e conceitos da psican\u00e1lise?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A psican\u00e1lise tem uma pretens\u00e3o maior, suas coisas s\u00e3o as do \u201chumus humano\u201d como disse certa vez Lacan. Est\u00e3o por a\u00ed nos cora\u00e7\u00f5es e corpos, desde que haja fala, desde que se precise de palavras. S\u00e3o transversais \u00e0s tribos e, por isso mesmo, foi poss\u00edvel na hist\u00f3ria da psican\u00e1lise ir muito al\u00e9m do atendimento individual e dos consult\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Trabalho<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os semblantes e fic\u00e7\u00f5es em torno da figura do m\u00e9dico, do doutor, e do intelectual, foram utilizadas tanto por Freud quanto Lacan, mesmo deixando claro que o trabalho do analista n\u00e3o \u00e9 nem o do s\u00e1bio nem o do pensador. Se partimos do fato da tribaliza\u00e7\u00e3o, assumiremos que \u00e9 preciso reconhecer e se servir das apar\u00eancias com que somos identificados pelo Outro. Recus\u00e1-las em nome do real informe da cl\u00ednica, s\u00f3 nos levar\u00e1 \u00e0 ser identificados com uma seita.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por que n\u00e3o destacar o trabalho que nos re\u00fane? Trabalho faz comunidade? Sim e n\u00e3o. J. A. Miller demonstra precisamente como Lacan prop\u00f4s uma Escola de trabalhadores quando criou uma institui\u00e7\u00e3o de praticantes de psican\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A melhor maneira de situar o trabalho que conta \u00e9 o de destacar o trabalho de quem est\u00e1 em an\u00e1lise, dito por Lacan, analisante. Ele est\u00e1 \u00e0s voltas com um trabalhador ideal, nos termos de Lacan, o inconsciente. O inconsciente nunca para de repor nos sonhos aquilo que teimamos em jogar fora durante o dia por imposs\u00edveis de dizer com nossas palavras, mas como disse Drummond \u201cLutar com palavras \u00e9 a luta mais v\u00e3. Entanto lutamos mal rompe a manh\u00e3\u201d.<\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_empty_space]<a href=\"https:\/\/us02web.zoom.us\/j\/83196357355?pwd=D0uXf0yHiibmhjbyFdWbpgJ88LBZRy.1\" class=\"vcex-button theme-button red inline\"><span class=\"vcex-button-inner theme-button-inner\">LINK ZOOM<\/span><\/a> [vc_column_text]<strong>ID da reuni\u00e3o:<\/strong> 831 9635 7355<br \/>\n<strong>Senha:<\/strong> 202929[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text] Semin\u00e1rio Cl\u00ednico da EBP-Rio Coord. Marcus Andr\u00e9 Vieira &#8220;O ch\u00e3o da cl\u00ednica&#8221; A cl\u00ednica psicanal\u00edtica n\u00e3o segmenta a realidade, n\u00e3o setoriza. A partir de um problema, o sintoma, colocamos tudo em jogo. Por isso, \u201cFale de tudo e mais um pouco\u201d \u00e9 a regra fundamental. 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