{"id":2101,"date":"2019-08-02T15:08:48","date_gmt":"2019-08-02T18:08:48","guid":{"rendered":"http:\/\/ebp.org.br\/rj\/?page_id=2101"},"modified":"2024-04-17T08:05:06","modified_gmt":"2024-04-17T11:05:06","slug":"lancamentos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/biblioteca\/lancamentos\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7amentos"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h2><span style=\"color: #993300;\">Bi\u00eanio 2019-2021<\/span><\/h2>\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Uma nota sobre a edi\u00e7\u00e3o de Arquivos da Biblioteca 16<\/span><br \/>\nArquivos da Biblioteca n\u00ba16<\/h3>\n<h6>Por Andrea Vilanova<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-3077 size-medium\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/lancamento_arquivos_biblioteca_001-300x300.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p>Mais uma edi\u00e7\u00e3o segue fazendo s\u00e9rie com os n\u00fameros publicados desde 1997. Ao mesmo tempo, coloca-se fora da s\u00e9rie por ser a primeira edi\u00e7\u00e3o digital, e por ter sido constru\u00edda inteiramente a partir de encontros virtuais, nesses tempos de isolamento social.<\/p>\n<p>Sabemos que um trabalho de comiss\u00e3o \u00e9 fruto de arranjos contingentes, sob a marca daqueles que se organizam coletivamente em torno de um fazer dirigido \u00e0 Escola. Como um coletivo peculiar, coloca em jogo o lugar de cada um.<\/p>\n<p>Como afirmou Andr\u00e9a Reis, nossa diretora, na abertura dos trabalhos do bi\u00eanio, em 31 de mar\u00e7o de 2019: \u201cMiller retoma o termo enclave, ou ref\u00fagio, usado por Lacan para falar desse talento da Escola de conseguir articular coletivo e singular. A Escola como ref\u00fagio \u00e9 um lugar ao mesmo tempo dentro e fora do mundo\u201d.<\/p>\n<p>Nesses tempos em que a pr\u00f3pria ideia de mundo parece um tanto explodida, sem contornos, como viver essa intrincada rela\u00e7\u00e3o com a civiliza\u00e7\u00e3o, na aus\u00eancia de coordenadas precisas? Como sustentar aquilo que, por um lado, nos causa coletivamente e, por outro, se encarna singularmente para cada um, diante dos impedimentos e exig\u00eancias desses tempos?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-3078\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/lancamento_arquivos_biblioteca_002.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"197\" \/><\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o de Arquivos tentou formular-se como uma resposta poss\u00edvel ao desafio de transmitir nosso fazer Escola, apesar dos tempos que correm, e com o que esses tempos colocam em cena.<\/p>\n<p>Nesse trabalho coletivo \u2013 especialmente o trabalho de edi\u00e7\u00e3o deste n\u00famero que se encerrou no dia do lan\u00e7amento, com a presen\u00e7a e as palavras de muitos colegas \u2013, aprendi um pouco mais sobre o que na mem\u00f3ria resta imperec\u00edvel porque se renova, porque pode se reescrever. Agrade\u00e7o a cada colega de dentro e de fora da comiss\u00e3o pelo enlace criado em torno desse trabalho.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Lan\u00e7amentos da Biblioteca<\/span><br \/>\nArquivos da Biblioteca n\u00ba15<\/h3>\n<p>Foi lan\u00e7ada nossa revista Arquivos da Biblioteca, n\u00ba15. Este n\u00famero trouxe uma novidade. Al\u00e9m do que se renova com os textos, fruto do trabalho de muitos, \u00e9 poss\u00edvel experimentar uma travessia entre o plano f\u00edsico e o virtual, alcan\u00e7ando outras margens.[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3>Arquivos da Latusa n\u00ba24<\/h3>\n<p>Acordar para qu\u00ea? Ainda \u00e9 poss\u00edvel sonhar com um futuro quando a realidade atual j\u00e1 se apresenta dist\u00f3pica?\u00a0\u00a0Falamos\u00a0de uma vis\u00e3o de futuro sombrio, com apelo crescente entre os adolescentes, e que de modo especial p\u00f5e em xeque tanto os limites entre fic\u00e7\u00e3o e realidade, quanto ao que chamamos de despertar e de adormecimento. Seguir esse fio nos interessa enquanto psicanalistas e \u00e9 sobre ele, juntamente com o tema dos sonhos, que nos debru\u00e7amos neste n\u00famero de Latusa.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_separator][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\">Fernando Pessoa e as \u2018pe\u00e7as soltas\u2019 da escrita po\u00e9tica.<br \/>\nUm estudo psicanal\u00edtico.<\/span><\/h3>\n<h6>Mirta Zbrun &#8211;\u00a0Membro EBP\/AMP<br \/>\nRio de Janeiro, 28 de junho de 2019.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2183\" src=\"http:\/\/ebp.org.br\/rj\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/desassossegos-1008x1024.jpeg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"254\" \/><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o o convite da Diretoria da EBP-Rio para participar deste evento de lan\u00e7amento da Revista \u2018Desassossego\u2019 da Antena do Campo Freudiano \u2013 Portugal. Uma revista de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana cuja inspira\u00e7\u00e3o veio, segundo seu diretor, Jose Martinho, do poeta Fernando Pessoa. Em esse seu famoso Livro (S) do DESASSOSSSEGOS, em plural porque s\u00e3o tr\u00eas, no primeiro deles pode-se ler <em>\u201cCuidar\u00e1s em nada respeitar, em nada crer, em nada. Guardar\u00e1s da tua atitude ante o que n\u00e3o respeitas a vontade de respeitar alguma coisa; do teu desgosto ante o que n\u00e3o ames o desejo doloroso de amar algu\u00e9m; de teu desapre\u00e7o pela vida guardar\u00e1s a ideia de que deve ser bom vive-la e ama-la. E assim ter\u00e1s constru\u00eddo o alicerce para o edif\u00edcio de teus sonhos.\u201d <\/em><\/p>\n<p>Em recentes visitas \u00e0 cidade de Lisboa tive a oportunidade de participar das atividades da ACF- Portugal, fortalecendo assim meus la\u00e7os de amizade e trabalho com os colegas portugueses. \u00c9 sabido que a literatura e os poetas, sempre interessaram a Freud, considerado ex\u00edmio escritor, suas referencias \u00e0s letras sempre estiveram presentes na sua obra; presentes tamb\u00e9m em Lacan, desde a \u201cCarta roubada\u201d de Edgard Alain-Poe at\u00e9 o Hamlet de Shakespeare. E o poeta Pessoa, sempre despertou o interesse dos psicanalistas, em especial os de l\u00edngua portuguesa.<\/p>\n<p>Neste 1\u00ba n\u00famero de \u201cDesassossego\u201d participei com um escrito que intitulei <em>\u201cAs pecas soltas da escrita po\u00e9tica<\/em>\u201d do qual apresentarei hoje um breve resumo<em>. <\/em>Nele trato da analise da famosa <strong><em>Carta<\/em><\/strong> de Pessoa a Casais Monteiro. Nesse estudo psicanal\u00edtico, procuro aplicar o conceito de \u201clal\u00edngua\u201d (<em>lalangue<\/em>), neologismo lacaniano pelo qual devemos entender uma l\u00edngua cujo sentido \u00e9 sempre um <em>sem sentido<\/em>, uma forma de satisfa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o depende da significa\u00e7\u00e3o. Foi um desafio usar tal conceito para o estudo de uma obra universalmente conhecida e especialmente instigante como a de Pessoa, um dos nomes mais significativos da Poesia em l\u00edngua portuguesa, reconhecido n\u00e3o s\u00f3 pelo extraordin\u00e1rio valor de sua obra po\u00e9tica, bem como pela singularidade de sua cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica; materializada, esta, no fen\u00f4meno liter\u00e1rio dos \u2018heter\u00f4nimos\u2019, que caracteriza e diferencia a obra po\u00e9tica do autor em rela\u00e7\u00e3o a todos os grandes nomes do modernismo portugu\u00eas. A <em>cria\u00e7\u00e3o dos heter\u00f4nimos<\/em> foi desde sempre observada pela cr\u00edtica, <em>numa poss\u00edvel elucida\u00e7\u00e3o psicanal\u00edtica<\/em>.<\/p>\n<p>Destacarei brevemente quatro pontos que se encontram no meu texto nesta revista:<\/p>\n<p><strong><em>1\u00ba. A linguagem e a lalingua: Pessoa e <\/em><\/strong><em>u<strong>ma l\u00edngua do real.<\/strong><\/em> Entre os muitos documentos deixados \u00e0 posteridade pela fortuna critica do poeta encontramos um que despertou a maior aten\u00e7\u00e3o pela natureza <em>de autoan\u00e1lise<\/em> do processo de cria\u00e7\u00e3o dos heter\u00f4nimos e segue sendo crucial para o conhecimento da <em>estrutura ps\u00edquica<\/em> do poeta. Impressionante pe\u00e7a de sua correspond\u00eancia, em que narra o processo de cria\u00e7\u00e3o dos heter\u00f4nimos. Quando surge o dom\u00ednio da linguagem em sua tenra inf\u00e2ncia, j\u00e1 aparecem personagens, aos quais d\u00e1 nome, e vida pr\u00f3pria, ser\u00e1 este um primeiro ensaio do que ir\u00e1 florescer na idade adulta como seus heter\u00f4nimos. <em><sup>Trata-se da Carta a Adolfo Casais Monteiro, datada de 13 de janeiro de 1935, onde se l\u00ea:<\/sup><\/em> (&#8230;) <em>desde crian\u00e7a tive a tend\u00eancia para criar em meu torno um mundo fict\u00edcio, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (N\u00e3o sei bem entendido, se realmente n\u00e3o existiram, ou se sou eu que n\u00e3o existo. Nestas coisas, como em todas, n\u00e3o devemos ser dogm\u00e1ticos). Desde que me conhe\u00e7o como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, car\u00e1ter e hist\u00f3ria, v\u00e1rias figuras irreais que eram para mim t\u00e3o vis\u00edveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real. Esta tend\u00eancia, que me vem desde que me lembro de ser um eu, tem-me acompanhado sempre, mudando um pouco o tipo de m\u00fasica com que me encanta, mas n\u00e3o alterando nunca a sua maneira de encantar. <\/em>A leitura desta Carta, documento \u00fanico t\u00e3o inspirador nos leva a considerar este escrito da<em> linguagem po\u00e9tica <\/em>de Pessoa como sua<em> lalingua<\/em>, pois<em> n<\/em>\u00e3o implica em di\u00e1logo, e sim em efeitos que s\u00e3o afetos, que <em>n\u00e3o dizem<\/em> respeito ao campo da linguagem, <em>mas ao corpo, ao real<\/em>. Narra como, desde sua mais tenra inf\u00e2ncia, seu mundo esteve povoado de personagens fant\u00e1sticos, cuja fala vinda de uma l\u00edngua outra, e povoaram sua l\u00edngua; l\u00edngua arbitr\u00e1ria, que acreditamos proporcionou ao poeta uma <em>satisfa\u00e7\u00e3o outra, um gozo a mais<\/em>.<\/p>\n<p><strong>2\u00ba. <em>As \u201cpe\u00e7as soltas\u201d do inconsciente real: lalingua onde nascem as heteron\u00edmias; seus outros eu.<\/em><\/strong> A Carta:<em> (&#8230;) A origem dos meus heter\u00f4nimos \u00e9 o profundo tra\u00e7o de histeria que existe em mi. .N\u00e3o sei se sou simplesmente hist\u00e9rico, se sou, mais propriamente, um histero-neurast\u00e9nico. Se eu fosse mulher &#8211; na mulher os fen\u00f4menos hist\u00e9ricos rompem em ataques e coisas parecidas &#8211; cada poema de \u00c1lvaro de Campos (o mais histericamente hist\u00e9rico de mim) seria um alarme para a vizinhan\u00e7a. Mas sou homem &#8211; e nos homens a histeria assume principalmente aspectos mentais; assim tudo acaba em sil\u00eancio e poesia&#8230; Isto explica tamb\u00e9m que mal, a origem org\u00e2nica do meu heteronimismo. <\/em>Es<em>t<\/em>e impressionante documento de autoan\u00e1lise, inspirou-me atualiza-lo \u00e0 luz de uma cl\u00ednica lacaniana: esses fen\u00f4menos se materializam nele, implodem, e os vivencia para si mesmo. Na continuidade da leitura vemos um primeiro despertar da heteron\u00edmia com o aparecimento de um primeiro \u201cconhecido inexistente\u201d. Perguntamo-nos: qual a fun\u00e7\u00e3o sintom\u00e1tica, para as \u2018pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o\u2019 as \u201cpe\u00e7as soltas do real\u201d da escrita po\u00e9tica do Pessoa, uma vez que a clinica lacaniana estuda o sintoma nas contingencias do real? \u00a0Um fator suplementar? Talvez de supl\u00eancia. Em Pessoa, pois, existiria na escrita tal processo de \u201cestabiliza\u00e7\u00e3o curativa\u201d com seu efeito de supl\u00eancia, por conta da falta de Um pai real perdido temperadamente, viver\u00e1 na inf\u00e2ncia com a m\u00e3e e o padrasto e mais tr\u00eas irm\u00e3ozinhos, e dep\u00f4s, s\u00f3. Comprova-se como o inconsciente real trabalha na produ\u00e7\u00e3o de uma po\u00e9tica t\u00e3o singular como universal que vem de uma <em>lal\u00edngua pr\u00f3pria<\/em> rica em fantasias infantis que preservou como o tesouro da sua linguagem, a que nasce de seu fabuloso \u201cRomance familiar\u201d, nas idas e vindas entre Lisboa, sua cidade natal, e Durban, &#8211; \u00c1frica do Sul-, segundo lar da sua inf\u00e2ncia e da sua primeira juventude.<\/p>\n<p><strong><em>3o<\/em><\/strong>.<strong><em>\u00a0 A interpreta\u00e7\u00e3o \u2018por ele mesmo\u2019 e a psicanal\u00edtica. <\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>A Carta <\/strong>(&#8230;) c<em>reio que lhe expliquei a origem dos meus heter\u00f4nimos. Se h\u00e1, por\u00e9m qualquer ponto em que precisa de um esclarecimento mais l\u00facido veremos&#8230;, estou escrevendo depressa, e quando escrevo depressa n\u00e3o sou muito l\u00facido) \u00a0<\/em>O poeta interpreta-se na Carta. <em>A<\/em> <strong><em>interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica pauta<\/em><\/strong>-se nas defasagens entre \u201co que se escuta e o que se diz\u201d, entre \u201co que se escreve, e o que se l\u00ea\u201d. Assim, se o que se comunica e se coloca como verdade apresenta-se como da ordem da Proposi\u00e7\u00e3o, pass\u00edvel de se constituir Verdadeiro ou Falso, &#8212; ent\u00e3o a \u201co que se Lee\u201d, para al\u00e9m das encerra uma defasagem, temos ai o lugar da interpreta\u00e7\u00e3o, podemos ler a escrita po\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>4\u00ba.<\/strong><strong><em>O c<\/em><\/strong><strong><em>ampo do gozo onde lalingua escreve:<\/em><\/strong><strong><em> escrita da exist\u00eancia de mundos superiores.<\/em><\/strong> <em>Carta:<\/em> (&#8230;) <em>Como escrevo em nome desses tr\u00eas? \u00a0Sempre que estou cansado ou sonolento, de sorte que tenha um pouco suspensas as qualidades de racioc\u00ednio e de inibi\u00e7\u00e3o; aquela prosa \u00e9 um constante devaneio.<\/em>Unir poesia e psican\u00e1lise talvez n\u00e3o seja t\u00e3o novo, antag\u00f4nicas para alguns, n\u00e3o para aqueles analistas que sempre cultivaram as rela\u00e7\u00f5es da psican\u00e1lise com a arte o teatro e a poesia. Assim, no cerne dos heter\u00f3nimos o poeta experimenta outras vidas, algo retorna no real da sua escrita. <em>Para concluir<\/em>: <strong><em>Um for\u00e7amento do sentido, das palavras, para o saber do gozo: a escrita do for\u00e7amento.<\/em> Carta: <\/strong>(&#8230;) <em>por volta de 1912, salvo erro (que nunca pode ser grande), veio-me \u00e0 ideia escrever uns poemas de \u00edndole pag\u00e3. Esbo\u00e7aras-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava afazer aquilo.<\/em> A letra, nessa carta-letra, como materialidade \u00e9 a ess\u00eancia do significante enquanto tra\u00e7o, \u00e9 o suporte material do discurso. Pensamos neste ensaio ter alcan\u00e7ado, ao menos em parte, o prop\u00f3sito de demonstrar n\u00e3o s\u00f3 o alto valor de uso que fez Pessoa da L\u00edngua portuguesa como o interesse real de seu estudo para a psican\u00e1lise, em especial para a psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, cujas refer\u00eancias foram utilizadas.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;2151&#8243; onclick=&#8221;img_link_large&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;2154&#8243; onclick=&#8221;img_link_large&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;2153&#8243; onclick=&#8221;img_link_large&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][vc_single_image image=&#8221;2152&#8243; onclick=&#8221;img_link_large&#8221;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]\n<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>O desassossego da l\u00edngua<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>A revista Desassossegos inicia sua s\u00e9rie bem a gosto de seu t\u00edtulo: em seu primeiro n\u00famero, em tr\u00eas se\u00e7\u00f5es, ela homenageia a l\u00edngua portuguesa, Fernando Pessoa e a pr\u00f3pria Psican\u00e1lise, assim resumindo o enorme campo que cobre.<\/p>\n<p>Desassossegos, que lhe d\u00e1 nome, \u00e9 palavra que designa de forma quase precisa o alvoro\u00e7o, a inquietude, a balb\u00fardia, de que se constitui uma l\u00edngua, com seu aluvi\u00e3o de erros, singularidades, inven\u00e7\u00f5es, usos, h\u00e1bitos, de restos, cristais de restos, enfim, fragmentos de l\u00ednguas e de vida.<\/p>\n<p>Desassossegos, com seus profusos \u201cs\u201d \u2013 quantas palavras abrigam tantos \u201cs\u201d? &#8211; \u00e9 uma bela palavra que se insinua em nossos olhos e ouvidos, que sibila e corta com uma riqueza desconcertante de sons aliterados a sugerir e engendrar em n\u00f3s algo da imperiosa satisfa\u00e7\u00e3o po\u00e9tica a que Fernando Pessoa nos conduz . Inspirado no livro dos Desassossegos, de pe\u00e7as soltas, como nos diz Mirta Zbrun, \u00e9 a prova mais tang\u00edvel de que s\u00f3 h\u00e1 \u201cfragmentos, fragmentos, fragmentos\u201d, como cita Jos\u00e9 Martinho.<\/p>\n<p>Uma palavra sobre as se\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><strong>A l\u00edngua portuguesa.<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Talvez uma das principais per\u00edcias na organiza\u00e7\u00e3o desse n\u00famero seja abordar numa primeira se\u00e7\u00e3o a l\u00edngua portuguesa, sua vida inquietante, sua eleg\u00e2ncia viva e m\u00faltipla, talvez algo desengon\u00e7ada na sua bricolagem autom\u00e1tica, os retalhos que resultam de suas coloniza\u00e7\u00f5es, invas\u00f5es, tantos estrangeirismos e imperfei\u00e7\u00f5es que\u00a0 tornam a l\u00edngua portuguesa\u00a0 viva, capaz de produzir m\u00faltiplas geringon\u00e7as lingu\u00edsticas, para aproveitar o termo de Filipe Pereirinha, geringon\u00e7as e engenhocas (eu acrescento) de dizer e escrever que se inventam. Tudo isso que determina o desassossego que anima a nossa l\u00edngua. Sempre estrangeira.<\/p>\n<p>Nessa se\u00e7\u00e3o Filipe Pereirinha nos traz a palavra fundamental \u201cgeringon\u00e7a\u201d para designar, ou melhor, nomear o que pode ser a melhor arte do \u00faltimo ensino de Lacan.<\/p>\n<p>Marcus Andr\u00e9, por sua vez, nos faz entreouvir, atrav\u00e9s do imposs\u00edvel de traduzir, a tradu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e os efeitos de resson\u00e2ncia, recorrendo a Guimar\u00e3es Rosa e o primoroso conto do onceiro-on\u00e7a e sua linguon\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Pessoa. <\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Martinho aborda, em um primeiro artigo, as loucuras de Pessoa, em seus heter\u00f4nimos, e, em um segundo artigo, o uso de sua poesia para apanhar o mundo moderno ao p\u00e9 da letra, tomando a letra como subst\u00e2ncia de gozo, em sua exalta\u00e7\u00e3o futurista do mundo moderno.<\/p>\n<p>M\u00e1rcia Rosa, por sua vez, ir\u00e1 abordar a rela\u00e7\u00e3o da poesia de Pessoa com seu uso muito pr\u00f3prio da psiquiatria, a seu servi\u00e7o, e do autodiagn\u00f3stico, como tentativa de dar conta da multiplica\u00e7\u00e3o de eus como recurso para lidar com o que designava como vazio de si, e o esc\u00e2ndalo e o perigo \u00e0 ordem a que este vazio devastador conduziria.<\/p>\n<p>Por fim,\u00a0 Mirta Zbrun aborda minuciosamente atrav\u00e9s do fio sens\u00edvel de sua correspond\u00eancia, como nos demonstrou em seu texto, a rela\u00e7\u00e3o entre a escrita po\u00e9tica sob seus heter\u00f4nimos e a psican\u00e1lise lacaniana.<\/p>\n<p><strong>Psican\u00e1lise. <\/strong><\/p>\n<p>Filipe Pereirinha abre essa Se\u00e7\u00e3o com o primoroso texto \u201cA cada um sua l\u00edngua\u201d, em que atrav\u00e9s de um exemplo muito preciso e sugestivo nos demonstra que a l\u00edngua \u00e9 feita desse aluvi\u00e3o de equ\u00edvocos, de desordem, que \u00e9 a dimens\u00e3o viva e inquieta da l\u00edngua quando mordida pelo inconsciente, essa l\u00edngua em fuga. \u00c9 essa l\u00edngua aflita, desassossegada e estrangeira que produz o inconsciente e a verdade do sujeito numa an\u00e1lise, a l\u00edngua de que se goza.<\/p>\n<p>Em \u201cO corpo, sua imagem e o resto\u201d, Marcelo Veras tratar\u00e1 do corpo para a medicina e para a psican\u00e1lise, bem como o sintoma m\u00e9dico que rompe o sil\u00eancio dos \u00f3rg\u00e3os, como assinalava Canguilhem, e sua diferen\u00e7a com o sintoma para a psican\u00e1lise que fala de outra coisa que n\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os e cuja voz n\u00e3o buscamos calar, mas sustentar como dizer.<\/p>\n<p>Por fim, M L\u00eddia Arraes Alencar e Cristina Duba abordamos a quest\u00e3o da supervis\u00e3o em psican\u00e1lise buscando articul\u00e1-la \u00e0s no\u00e7\u00f5es de responsabilidade e ato anal\u00edtico, fazendo sobressair a dimens\u00e3o de aposta. Isso se exemplifica num fragmento de supervis\u00e3o, onde o elemento da surpresa tem valor retificador da posi\u00e7\u00e3o do analista.<\/p>\n<p>Leitura agrad\u00e1vel, Desassossegos n\u00e3o nos sossega, mas nos permite gozar de suas palavras e dos efeitos que podemos extrair das resson\u00e2ncias do seu texto. Agradecemos, afinal, a oportunidade de partilhar essa experi\u00eancia de escrita e leitura de desassossegos que se encontram sem, no entanto, se recobrirem, separadas e unidas por, desculpem a imagem, um oceano lingu\u00edstico.<\/p>\n<h6>Cristina Duba<br \/>\n27.06.19<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text] Bi\u00eanio 2019-2021 Uma nota sobre a edi\u00e7\u00e3o de Arquivos da Biblioteca 16 Arquivos da Biblioteca n\u00ba16 Por Andrea Vilanova Mais uma edi\u00e7\u00e3o segue fazendo s\u00e9rie com os n\u00fameros publicados desde 1997. 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