{"id":66,"date":"2020-11-07T09:24:06","date_gmt":"2020-11-07T12:24:06","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/?page_id=66"},"modified":"2023-10-29T07:03:45","modified_gmt":"2023-10-29T10:03:45","slug":"home","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/","title":{"rendered":"HOME"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;5650310&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]\n<h4>26<\/h4>\n<h3 class=\"p1\">Binarismo em crise:<br \/>\nG\u00eanero e sexo nos tempos que correm<\/h3>\n<h4>2022<\/h4>\n<p><a href=\"#sumario\">Ver o sum\u00e1rio<\/a>[\/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Andr\u00e9a Reis Santos<\/p>\n<h6>Editorial<\/h6>\n<p>A \u00e9poca atual \u00e9 cen\u00e1rio de r\u00e1pidas e intensas transforma\u00e7\u00f5es no campo da sexualidade. Testemunhamos uma mudan\u00e7a de paradigma que, segundo Miller, em seu texto \u201cD\u00f3cil ao Trans\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, produz uma grande perturba\u00e7\u00e3o, uma nova turbul\u00eancia, na guerra imemorial dos sexos. Miller diz que, nesse campo, tudo est\u00e1 de cabe\u00e7a para baixo; a coisa se movimenta e, o solo comum, no qual aprendemos a localizar o papel do analista, o lugar do inconsciente e da interpreta\u00e7\u00e3o, parece estar mais inst\u00e1vel do que nunca.<\/p>\n<p>Atentos a essa movimenta\u00e7\u00e3o, pretendemos fazer de<em> Latusa 26 <\/em>uma experi\u00eancia coletiva de investiga\u00e7\u00e3o sobre o que se passa com a ideia de g\u00eanero e as mudan\u00e7as na sexualidade nos tempos que correm. Esse n\u00famero inaugura o que esperamos que seja uma s\u00e9rie em torno dos impasses do momento atual, a partir do que se apresenta como crise. Nessa s\u00e9rie, buscamos privilegiar, menos o saber que acumulamos, e mais o que nos desacomoda na vida e na cl\u00ednica, os temas dif\u00edceis para a psican\u00e1lise. Nossos F\u00f3runs j\u00e1 v\u00eam produzindo um vivo debate sobre alguns desses temas pol\u00eamicos, que convocam a pensar sobre quest\u00f5es que ultrapassam as fronteiras do nosso enclave, do terreno familiar onde nos sentimos em casa. Temas que nos fazem interrogar de que maneira as ferramentas de que dispomos, nossas refer\u00eancias de base, podem ser operantes para lidar com as mudan\u00e7as da subjetividade da \u00e9poca. Miller abre o debate anunciando que \u201cA tempestade desabou. A crise trans est\u00e1 sobre n\u00f3s\u201d. \u00c9 esse o clima que desejamos trazer para esse n\u00famero de <em>Latusa<\/em> e, se poss\u00edvel, para mais um ou dois n\u00fameros dessa s\u00e9rie.<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, orientarmo-nos em um mundo no qual um binarismo forte como homem\/mulher que, at\u00e9 ent\u00e3o, funcionava quase como um universal, \u00e9 contestado e perde muito da sua consist\u00eancia, resultando na multiplicidade dos g\u00eaneros, testemunha das muta\u00e7\u00f5es no real da \u00e9poca? Quando ZADIG prop\u00f4s interrogar o binarismo preto\/branco para colocar em discuss\u00e3o seus efeitos de segrega\u00e7\u00e3o, fomos compelidos a entrar em uma conversa nada familiar com atores de outras \u00e1reas de saber que evidenciaram limites a partir dos quais somos convocados a fazer a psican\u00e1lise avan\u00e7ar. Atualmente, al\u00e9m dos binarismos homem\/mulher e preto\/branco, estamos acompanhando a difus\u00e3o de um debate, apoiado na constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa que, sob os significantes \u201cdecolonial\u201d e \u201cdescolonial\u201d, coloca em discuss\u00e3o o lugar da tradi\u00e7\u00e3o europeia <em>versus<\/em> a periferia do mundo: a di\u00e1spora negra. Isso vale como fio condutor para repensar um terceiro binarismo, velho\/novo? A conferir.<\/p>\n<p>\u00c0s voltas com o sentimento de que o mundo em que sempre vivemos est\u00e1 sacudido por diferentes tempestades, a ponto de parecer fadado \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, vale perguntar em que mundo estamos e de que maneira a psican\u00e1lise pode navegar nos mares revoltos da \u00e9poca. \u00c9 como se os lugares que, antes, faziam fun\u00e7\u00e3o de terra firme, ponto de chegada de uma travessia, estivessem, eles tamb\u00e9m, em movimento. \u00c9 preciso, portanto, ajustar, de tempos em tempos, nossos aparatos de localiza\u00e7\u00e3o, as chaves de leitura de que a psican\u00e1lise disp\u00f5e, para encontrar ou fazer existir pontos de parada.<\/p>\n<p>Com o decl\u00ednio da norma f\u00e1lica e as mudan\u00e7as que decorrem da\u00ed, as montagens de si passam a responder a uma nova l\u00f3gica. Para compreender o alcance dessas mudan\u00e7as e nos posicionarmos diante delas, seguimos o fio do binarismo em crise, buscando interrogar, n\u00e3o s\u00f3 o que <em>os trans<\/em> colocam em evid\u00eancia sobre novos arranjos com a sexualidade, mas, principalmente, o que <em>o trans<\/em>, como paradigma da \u00e9poca esclarece sobre o que \u00e9 ser homem, ser mulher, ou, nem um nem outro, nos tempos que correm.<\/p>\n<p>Abrimos esse n\u00famero de <em>Latusa<\/em> com a poesia e a presen\u00e7a l\u00facida e generosa do nosso convidado Tom Grito. Tom n\u00e3o faz parte de nossa comunidade anal\u00edtica, vem de outras bandas, do mundo da poesia urbana, do ativismo no coletivo <em>Slam das Minas<\/em><a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, e entra na conversa, ajudando a localizar pontos de impasse que produziram o efeito de nos fazer avan\u00e7ar em um terreno ainda pouco familiar para muitos de n\u00f3s. <em>Latusa com poesia<\/em> foi uma atividade em dois tempos. Primeiro, em um ambiente mais reservado, em que fizemos uma pr\u00e9via da atividade seguinte, com Marcus Andr\u00e9 Vieira e comigo, como entrevistadores, e Marina Morena Torres, filmando, tamb\u00e9m entrando na conversa. Essa entrevista est\u00e1 publicada, aqui, em forma de texto. Na segunda atividade, presencial e aberta ao p\u00fablico, na Sede da Se\u00e7\u00e3o Rio, retomamos muitas das perguntas que foram propostas no encontro anterior e pudemos escutar do Tom, al\u00e9m da for\u00e7a de sua poesia, not\u00edcias sobre a fun\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da poesia urbana, a diferen\u00e7a entre milit\u00e2ncia e ativismo, a montagem de si como um processo e n\u00e3o como um produto final e, ainda, sobre o papel do coletivo <em>Slam das Minas<\/em> como um lugar seguro, lugar de onde foi poss\u00edvel, para ele e para alguns outros, dar in\u00edcio ao processo de transi\u00e7\u00e3o. Estes temas est\u00e3o destacados nas marca\u00e7\u00f5es que segmentam o v\u00eddeo, publicado aqui, desse encontro de <em>Latusa com poesia<\/em><strong>. <\/strong>A presen\u00e7a de Tom Grito nos ajudou a entrar \u201ccom tato\u201d no acalorado debate que inclui a multiplicidade de temas que orbitam em torno das muta\u00e7\u00f5es do binarismo homem\/mulher na nossa \u00e9poca.<\/p>\n<p>O trabalho da comiss\u00e3o de <em>Latusa<\/em>, na investiga\u00e7\u00e3o dos efeitos dessa desestabiliza\u00e7\u00e3o do binarismo, come\u00e7ou com a pesquisa de uma ampla bibliografia de base, nosso ponto de partida. Buscamos nossas refer\u00eancias para localizar, no ensino de Lacan, os fundamentos que nos serviram de b\u00fassola para avan\u00e7ar no mar agitado do debate da \u00e9poca, sem sucumbir \u00e0 tempestade de que nos fala Miller. Foi a primeira etapa de trabalho em que nos dedicamos \u00e0 leitura e conversa com convidados que, de alguma maneira, estavam envolvidos com o tema: Eliane Costa Dias, Marcus Andr\u00e9 Vieira, Margarida Assad, Niraldo de Oliveira Santos e Ram Mandil participaram de nossas reuni\u00f5es e foram interlocutores importantes na primeira etapa da constru\u00e7\u00e3o da revista.<\/p>\n<p>Alguns desses textos de refer\u00eancia em nosso campo est\u00e3o publicados aqui, na rubrica \u201cFundamentos\u201d. Miquel Bassols abre essa s\u00e9rie e foi uma b\u00fassola importante com o texto \u201cFundamentos da Sexua\u00e7\u00e3o em Lacan\u201d, no qual detalha \u201ca nova l\u00f3gica da sexua\u00e7\u00e3o\u201d, proposta por Lacan, a partir do quadro das f\u00f3rmulas qu\u00e2nticas da sexua\u00e7\u00e3o. Ele demonstra que essa constru\u00e7\u00e3o de Lacan nos conduz al\u00e9m do binarismo rec\u00edproco entre os sexos, al\u00e9m do pressuposto f\u00e1lico, que funciona para \u201ctodos\u201d, al\u00e9m do \u00c9dipo, e d\u00e1 lugar \u00e0 l\u00f3gica feminina do \u201cum por um\u201d. Bassols nos ajuda a entender de que modo a perspectiva da psican\u00e1lise subverte a l\u00f3gica dos universais, que \u00e9 solid\u00e1ria do binarismo entre os dois significantes, homem\/mulher, em que se funda a sexua\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, induzida pelas formas ideais da masculinidade e da feminidade. \u00c9 um texto fundamental para dar tratamento a uma s\u00e9rie de mal-entendidos que povoam o debate atual entre a psican\u00e1lise e os outros discursos, em torno do tema da sexualidade.<\/p>\n<p>Contamos tamb\u00e9m com o artigo in\u00e9dito de Fabian Fajnwaks, \u201cEros\u00e3o do binarismo e ascens\u00e3o do fluido\u201d<strong>, <\/strong>no qual se dedica a circunscrever em que e por que o binarismo sexual estaria em crise. Ele faz uma leitura dessa crise como sintoma do decl\u00ednio da ordem simb\u00f3lica e de uma esp\u00e9cie de err\u00e2ncia do gozo, quando este n\u00e3o \u00e9 mais situado no Outro. O autor identifica, na fluidez que decorre da\u00ed \u2013 presente na s\u00e9rie de termos que comportam o prefixo trans \u2013, um dos significantes mestres de nosso tempo. Ajuda-nos, assim, a deslocar o tema do binarismo, a partir da perspectiva da Psican\u00e1lise, percorrendo as refer\u00eancias, desde Freud at\u00e9 Lacan.<\/p>\n<p>Outro texto de refer\u00eancia para elucidar quest\u00f5es de base e ajudar a desfazer equ\u00edvocos foi \u201cA diferen\u00e7a entre transexual e transg\u00eanero: de que se trata para a psican\u00e1lise?\u201d<strong>, <\/strong>de Eliane Costa Dias. A autora recorda que Lacan aproximou a transexualidade da psicose e nota que, muitas vezes, essa abordagem persiste como palavra final sobre a quest\u00e3o, com a transexualidade sendo tomada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 foraclus\u00e3o e ao empuxe-\u00e0-mulher. Prop\u00f5e considerar, no entanto, que, 2021, chamado por Miller de \u201co ano trans\u201d, \u00e9 tamb\u00e9m o ano em que nos preparamos para encarar A rela\u00e7\u00e3o sexual e A mulher, que n\u00e3o existem, e pergunta em que medida o ultim\u00edssimo ensino de Lacan nos permitiria ampliar a abordagem da crise trans, j\u00e1 que os trans, hoje, n\u00e3o s\u00e3o mais o que eram no tempo de Lacan. \u201cTrans, hoje, quer dizer muito mais. (&#8230;) As quest\u00f5es colocadas pelos sujeitos trans interrogam a cl\u00ednica psicanal\u00edtica (em sua pr\u00e1tica e em sua teoria), mas interrogam tamb\u00e9m o momento da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. Ao diferenciar os termos transexual e transg\u00eanero, ela revela a dimens\u00e3o pol\u00edtica que est\u00e1 em jogo na abordagem desse tema.<\/p>\n<p>Dimens\u00e3o pol\u00edtica que Marcus Andr\u00e9 Vieira, no texto \u201cO que se cristaliza em uma identidade\u201d, desloca para o centro da cena e d\u00e1 a ela todo o seu valor. Ele prop\u00f5e retomar, em um novo contexto, de nova maneira, rela\u00e7\u00f5es entre sujeito e gozo, discutindo os modos de apresenta\u00e7\u00e3o do sujeito com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 identidade. Sem perder de vista o que \u00e9 pr\u00f3prio ao discurso da psican\u00e1lise, vai al\u00e9m da cr\u00edtica ao fen\u00f4meno que ele chama de tribalismo generalizado. Apoiando-se na teoria dos quatro (mais um) discursos de Lacan, interroga a forma de la\u00e7o social que seria pr\u00f3pria ao discurso da psican\u00e1lise para, finalmente, arriscar um elogio da identidade como ponto de partida, muitas vezes necess\u00e1rio e vital na dire\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia de extimidade a que uma an\u00e1lise pode conduzir.<\/p>\n<p>Ainda na s\u00e9rie das refer\u00eancias de base, levamos para a nossa discuss\u00e3o \u201cIdentidade, diversidade e diferen\u00e7a dos sexos\u201d, em que S\u00e9rgio Laia faz uma leitura apurada do texto \u201cNota sobre a crian\u00e7a\u201d, de Lacan, especialmente ali onde profetisa o fracasso das utopias comunit\u00e1rias. Ele prop\u00f5e um paralelo com o \u201cthe dream is over\u201d, de John Lennon, para colocar em destaque a articula\u00e7\u00e3o que Lacan estabelece entre a fam\u00edlia conjugal, sua fun\u00e7\u00e3o de res\u00edduo e a ideia de uma transmiss\u00e3o irredut\u00edvel. Da\u00ed, avan\u00e7a para o Lacan de dez anos depois, no <em>Semin\u00e1rio: Dissolu\u00e7\u00e3o<\/em>, para introduzir o mal-entendido que as crian\u00e7as corporificam nas rela\u00e7\u00f5es entre os sexos. Mal-entendido que se estende a todos os seres falantes e que o transsexual nos apresenta em um tipo de <em>slow motion.<\/em> S\u00e9rgio Laia avalia os avan\u00e7os alcan\u00e7ados pela Lei de Identidade de G\u00eanero, vigente na Argentina, desde 2012, mas alerta para aquilo que, mesmo depois de desfeitos alguns mal-entendidos, permanece na opacidade do gozo, como enigma que a lei n\u00e3o alcan\u00e7a.<\/p>\n<p>Romildo do R\u00eago Barros, em \u201cHaver\u00e1 um paradigma trans?\u201d, encerra a rubrica \u201cFundamentos\u201d com a pergunta que serviu de pano de fundo para o trabalho de <em>Latusa<\/em>. Romildo rel\u00ea o bel\u00edssimo conto de Guimar\u00e3es Rosa, <em>A terceira margem do Rio<\/em>, de onde destaca a ideia de um lugar inventado entre duas margens, o leito, lugar de passagem, apresentado por ele como uma esp\u00e9cie de met\u00e1fora do prefixo <em>trans<\/em>: n\u00e3o origem, nem destino, mas trajeto, transi\u00e7\u00e3o. Prop\u00f5e, ainda, a quest\u00e3o que nos colocou a trabalho: \u201cN\u00e3o ser\u00e1 este o verdadeiro esc\u00e2ndalo do surgimento do trans na cultura, o de ter acrescentado algo ao universo suposto da diferen\u00e7a sexual, que dividia a humanidade em dois sexos&#8230;?\u201d<\/p>\n<p>De alguma maneira, os textos que publicamos em seguida, na rubrica \u201cDeclina\u00e7\u00f5es\u201d, nos pareceram formas poss\u00edveis de abordar e dar tratamento a esse esc\u00e2ndalo.<\/p>\n<p>Clotilde Leguil, no texto \u201cO acontecimento da sexualidade com Lacan, al\u00e9m e aqu\u00e9m do Falo\u201d, tra\u00e7a um percurso que tem como ponto de partida os efeitos da libera\u00e7\u00e3o da palavra, provocados pelo movimento #<em>metoo<\/em>, verdadeiro terremoto \u2013 nas palavras da autora. Segue o fio da an\u00e1lise elaborada por \u00c9ric Marty, em <em>O sexo dos Modernos<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>, e tamb\u00e9m em sua conversa com Miller, publicada em <em>Lacan Quotidien<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, de onde extrai elementos para interrogar o acontecimento da sexualidade a partir da ambiguidade do consentimento na vida amorosa e sexual, seguindo seu plano de pesquisa em torno da fronteira opaca que se estabelece entre \u201cceder\u201d e \u201cconsentir\u201d.\u00a0 Leguil prop\u00f5e arrancar o acontecimento da sexualidade da quest\u00e3o do binarismo e seu al\u00e9m, para levar em conta o corpo e o sujeito, j\u00e1 que, para ela, em psican\u00e1lise, n\u00e3o se trata de pensar a sexualidade apenas a partir do binarismo ou de seu al\u00e9m, mas desde a marca deixada pelo acontecimento da sexualidade, antes mesmo que o <em>falasser<\/em> possa subjetivar o que lhe acontece.<\/p>\n<p>\u201cSujeito do inconsciente, um n\u00e3o-bin\u00e1rio?\u201d, de Dalila Arpin, traz para o debate a presen\u00e7a forte da cl\u00ednica pensada a partir da perspectiva borromeana. Ela faz um percurso que parte de uma apresenta\u00e7\u00e3o de pacientes conduzida por Lacan, e tamb\u00e9m de seu semin\u00e1rio in\u00e9dito de 1979, <em>La topologie et le temps<\/em>, para extrair, da\u00ed, o que ela chama de uma \u201ctopologia da transforma\u00e7\u00e3o\u201d, que serve de chave de leitura para um caso da cl\u00ednica contempor\u00e2nea. Inclui, nesse percurso, quest\u00f5es sobre a sexua\u00e7\u00e3o, sob a \u00f3tica do \u00faltimo ensino de Lacan. Com a ideia do n\u00f3 borromeano generalizado, ele prop\u00f5e que cabe a cada ser falante lidar com um buraco e n\u00e3o mais com um objeto, ou um significante: o n\u00f3, como supl\u00eancia, todos em tr\u00e2nsito entre as consist\u00eancias, e o terceiro sexo como lugar de passagem e n\u00e3o como um estado.<\/p>\n<p>Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros pergunta: \u201cComo viver a inf\u00e2ncia hoje?\u201d, e busca demonstrar \u201co que Lacan nos ensina sobre a sexua\u00e7\u00e3o na atualidade\u201d. Ros\u00e1rio nos lembra que o encontro com o sexual \u00e9 sempre marcado pelo fracasso, mas que, cada \u00e9poca coloca esse fracasso em evid\u00eancia de uma maneira diferente das outras.\u00a0 Ela analisa as mudan\u00e7as do simb\u00f3lico no s\u00e9culo XXI e a maneira como crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o afetados por essas mudan\u00e7as, como elas se arranjam diante dos impasses em rela\u00e7\u00e3o ao falo e, ainda, <strong>\u00e0<\/strong>s novas formas de fazer fam\u00edlia. Afirma que o tabuleiro onde se joga a vida sexual est\u00e1 bem sacudido e prop\u00f5e buscar, naquilo que Lacan introduziu com suas <em>f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, <\/em>uma orienta\u00e7\u00e3o para responder a uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre o processo da sexua\u00e7\u00e3o que ela descreve e problematiza ao longo do texto, colocando em destaque o fato de que a abordagem lacaniana da sexualidade faz furo em qualquer pretens\u00e3o ao universal como totalidade. Ela insiste na import\u00e2ncia de sustentar espa\u00e7o vazio e tempo para escolha no processo de autorizar-se de si em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 posi\u00e7\u00e3o sexuada de cada um. Tempo e espa\u00e7o necess\u00e1rios para que cada um possa adotar e modificar, \u00e0 sua maneira, as nomea\u00e7\u00f5es que recebe.<\/p>\n<p>Luc\u00edola Freitas de Mac\u00eado, em \u201cFeminismos\u201d, explora o campo de tensionamento entre discursos de naturezas distintas e aposta na import\u00e2ncia da interlocu\u00e7\u00e3o entre a psican\u00e1lise e os discursos de g\u00eanero, abordada por ela a partir daquilo que o discurso anal\u00edtico subverte na rela\u00e7\u00e3o com os outros \u2013 o do mestre e o universit\u00e1rio. Ela percorre uma s\u00e9rie de refer\u00eancias sobre o tema para colocar o acento nos efeitos do corte operado por Lacan, com a l\u00f3gica do n\u00e3o todo \u2013 l\u00f3gica que permite uma leitura do feminino como algo que n\u00e3o se universaliza e n\u00e3o se essencializa.<\/p>\n<p>Margarida Assad, em \u201cMasculinismo, um movimento al\u00e9m do falo\u201d, entra no debate sobre o feminino, mais especificamente sobre a feminiza\u00e7\u00e3o do mundo, pelo tema nada usual do movimento masculinista, corrente que vem se alastrando pelo mundo nos \u00faltimos tempos e que testemunha uma das maneiras da \u00e9poca de colocar em quest\u00e3o a pergunta sobre o que \u00e9 um homem.<\/p>\n<p>Concluindo a s\u00e9rie, Oscar Reymundo, com \u201cAlgumas quest\u00f5es da vida <em>trans<\/em>\u201d<em>, <\/em>prop\u00f5e discutir pontos delicados em torno do que est\u00e1 em jogo na decis\u00e3o de mudan\u00e7a de sexo. Destaca que a busca de uma solu\u00e7\u00e3o para a dificuldade em habitar um corpo n\u00e3o se reduz a uma quest\u00e3o de \u201cexercer o direito \u00e0 opera\u00e7\u00e3o\u201d. Prop\u00f5e pensar a quest\u00e3o a partir do que chama de uma l\u00f3gica da heran\u00e7a: \u201cuma heran\u00e7a n\u00e3o pode n\u00e3o ser recebida, h\u00e1 que decidir com cuidado que destino dar ao que se recebeu, porque h\u00e1 decis\u00f5es que se tomam na vida e das quais n\u00e3o h\u00e1 retorno\u201d.\u00a0 Conclui lembrando que, naquilo que buscam os trans, nem sempre se trata de querer transformar o corpo que se tem, mas, sim, em alguns casos, de querer ter um corpo, o que faz toda a diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Depois desse primeiro tempo de constru\u00e7\u00e3o de um solo comum a partir de uma bibliografia de base, e com o intuito de incluir a comunidade da se\u00e7\u00e3o Rio na elabora\u00e7\u00e3o que desejamos provocar, a comiss\u00e3o de <em>Latusa<\/em> se dividiu em quatro grupos de trabalho, incluindo diversos colegas da Se\u00e7\u00e3o Rio para a constru\u00e7\u00e3o de relat\u00f3rios que serviram de ponto de partida para uma conversa\u00e7\u00e3o que se deu, por sua vez, em dois tempos. Primeiro, com um encontro entre os participantes dos quatro grupos em que os relat\u00f3rios foram apresentados e discutidos e, um m\u00eas depois, com uma atividade aberta ao p\u00fablico, com a reescrita dos relat\u00f3rios, que contou tamb\u00e9m com a presen\u00e7a de alguns dos convidados participantes da primeira fase de prepara\u00e7\u00e3o da revista.<\/p>\n<p>Os relat\u00f3rios s\u00e3o varia\u00e7\u00f5es em torno do mesmo tema e trazem a leitura que cada grupo produziu, tomando como provoca\u00e7\u00e3o um trecho do ensino de Lacan, na li\u00e7\u00e3o de 09\/04\/74, do <em>Semin\u00e1rio, livro 21<\/em>, onde ele afirma que \u201co ser sexuado s\u00f3 se autoriza de si mesmo e de alguns outros\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Os quatro relat\u00f3rios, os pequenos textos das resson\u00e2ncias, nos quais alguns dos participantes da conversa\u00e7\u00e3o d\u00e3o not\u00edcias do que os desacomodou e provocou na conversa e a grava\u00e7\u00e3o com a \u00edntegra da atividade tamb\u00e9m est\u00e3o publicados nessa edi\u00e7\u00e3o e t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de levar a p\u00fablico uma mostra do que a Se\u00e7\u00e3o Rio p\u00f4de avan\u00e7ar sobre o tema, nessa importante etapa da constru\u00e7\u00e3o de <em>Latusa 26<\/em>.<\/p>\n<p>Na rubrica \u201cFlashes do div\u00e3\u201d, contamos com a contribui\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios colegas do Conselho e da Diretoria da Se\u00e7\u00e3o Rio, que aceitaram a delicada tarefa de extrair de sua cl\u00ednica uma pequena vinheta que pudesse localizar a maneira com que cada um vem se encontrando com os desafios da \u00e9poca, diante das novas modalidades de arranjo com a sexualidade. S\u00e3o elas: Ana Beatriz Freire, \u00c2ngela Batista, Cristina Frederico, Maricia Ciscato, Rachel Amin e Ruth Cohen.<\/p>\n<p>Finalmente, conclu\u00edmos a travessia com \u201cIncid\u00eancias do Passe\u201d, porto de chegada que d\u00e1 lugar \u00e0 pot\u00eancia da transmiss\u00e3o incompar\u00e1vel que podemos extrair de um testemunho de fim de an\u00e1lise. Nessa rubrica, publicamos \u201cParadoxal Virilidade\u201d, um dos testemunhos de Fabian Fajnwaks, AE entre os anos de 2015 e 2018. Nesse escrito, ele destaca, do seu percurso de an\u00e1lise, as mudan\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como idealizava a virilidade e seus semblantes. Ele circunscreve a opera\u00e7\u00e3o pela qual p\u00f4de situar o real em jogo no fantasma do <em>parl\u00eatre<\/em>, e mudar de posi\u00e7\u00e3o frente ao jugo f\u00e1lico, de forma a aceder a uma posi\u00e7\u00e3o desejante, permitindo-lhe estar mais perto, como homem, de uma mulher.<\/p>\n<p>Essa <em>edi\u00e7\u00e3o\/experi\u00eancia<\/em> de travessia que foi <em>Latusa<\/em> se deve ao trabalho de um coletivo desejante e implicado, que remou junto, do come\u00e7o ao fim, formado pela sua comiss\u00e3o, e tamb\u00e9m por muitos outros. Fizeram parte dela: Carolina Dutra, Gl\u00f3ria Maron, Louren\u00e7o Ast\u00faa de Moraes, Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros, Maria Corr\u00eaa de Oliveira, Marina Morena Torres, Marina Sodr\u00e9, Paula Borsoi, Sandra Landim e Ang\u00e9lica Bastos que, al\u00e9m de participar da comiss\u00e3o, foi uma esp\u00e9cie de \u201ccorrespondente internacional\u201d, no contato direto com os autores estrangeiros. Contamos com os colegas da Se\u00e7\u00e3o Rio, que foram muitos, e compuseram os grupos de trabalho para produzir os relat\u00f3rios que nortearam a conversa\u00e7\u00e3o. Seus nomes constam em cada um dos quatro relat\u00f3rios. Al\u00e9m disso, contamos com alguns \u00eaxtimos que fizeram diferen\u00e7a no momento da conversa\u00e7\u00e3o: Eliane Costa Dias, Marcus Andr\u00e9 Vieira, Niraldo de Oliveira Santos e Oscar Reymundo.<\/p>\n<p>Tivemos a alegria de contar com a forte presen\u00e7a do poeta convidado Tom Grito, que tanto nos ensinou, e com Marcus Andr\u00e9 Vieira que, al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o nas duas entrevistas do <em>Latusa com Poesia<\/em>, foi um interlocutor presente em todos os momentos em que precisamos de um \u00eaxtimo para iluminar quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Latusa 26 contou tamb\u00e9m com o trabalho cuidadoso de Ana Beatriz Zimmerman, Bruna Guaran\u00e1, Maria Corr\u00eaa de Oliveira, Carolina Dutra, Louren\u00e7o Ast\u00faa de Moraes, Renata Estrella, V\u00e2nia Gomes e Viviane de Lamare, na equipe de tradu\u00e7\u00e3o, e, ainda, com Marina Sodr\u00e9 e Larissa Pinto Martha, na transcri\u00e7\u00e3o das nossas reuni\u00f5es e da entrevista com Tom Grito. J\u00e9ssica Nogueira fez uma revis\u00e3o atenta das refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas e Thereza De Felice foi respons\u00e1vel pela revis\u00e3o detalhada do portugu\u00eas. Gabriela de Azevedo Fernandes Lopes assina o belo trabalho de edi\u00e7\u00e3o dos dois v\u00eddeos.<\/p>\n<p>Esta edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o seria poss\u00edvel sem o empenho decidido de Sandra Landim, Louren\u00e7o Ast\u00faa de Moraes, Thereza De Felice e Bruno Senna, que foram parceiros preciosos na conclus\u00e3o do processo de editora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nossa linda capa se deve \u00e0 arte de Louren\u00e7o Ast\u00faa de Moraes, que conversa com a identidade visual das nossas 29<sup>as<\/sup> Jornadas, sobre <em>L\u00f3gicas Coletivas nos tempos que correm, <\/em>tamb\u00e9m de sua autoria<em>.<\/em><\/p>\n<p>L\u00f3gica coletiva que n\u00e3o comparece apenas na imagem, mas que sustentou toda a travessia que resultou na constru\u00e7\u00e3o dessa edi\u00e7\u00e3o de <em>Latusa<\/em>. O que temos aqui \u00e9 o produto de um trabalho coletivo de pesquisa e investiga\u00e7\u00e3o sobre os instrumentos de localiza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o que a psican\u00e1lise nos oferece e que s\u00e3o permanentemente ajustados para seguirem operantes, servindo de b\u00fassola e clareando trechos de opacidade. Instrumentos que nos permitem navegar em \u00e1guas revoltas pelas tempestades dos tempos que correm, principalmente quando um tanto de vida acontece, n\u00e3o em terra firme de uma ou de outra margem, mas, como nos fala Romildo, na terceira, feita de leito, lugar inventado entre duas margens.<\/p>\n<p>Boa leitura a todos!<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MILLER, J.-A. <strong>D\u00f3cil ao trans.<\/strong> 2021. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/uqbarwapol.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/JAM-DOCILE-AU-TRANS-PT.pdf&gt;. Acesso em: 03\/11\/2022.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Coletivo art\u00edstico que organiza batalhas l\u00fadico po\u00e9ticas de forma itinerante no estado do Rio de Janeiro. Para ler mais sobre, acesse &lt;www.slamdasminasrj.com.br&gt;.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MARTY, E. <strong>Le sexe des modernes:<\/strong> pens\u00e9e du Neutre et th\u00e9orie du genre. Paris: Seuil, 2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 MARTY, E.; MILLER, J. A. Entretien sur le sexe des modernes. <strong>Lacan Quotidien<\/strong>, n. 947, p. 18, 21 mar. 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/lacanquotidien.fr\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/LQ-927-A.pdf. Acesso em: 15 out. 2022.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 LACAN, J. Le\u00e7on 11 du 9 avril 1974.\u00a0 <em>In<\/em>: LACAN, J.<strong> Le seminaire, livre 21<\/strong>: Les non-dupes errent. Paris: [s.n.], 1981. 201 p. In\u00e9dit.<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"s1\"> <a name=\"sumario\"><\/a>SUM\u00c1RIO<\/span><\/h3>\n<p class=\"p4\">Editorial<\/p>\n<p>11\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Editorial<\/p>\n<p>Andr\u00e9a Reis Santos<\/p>\n<h3>LATUSA COM POESIA<\/h3>\n<p>23\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Latusa com Poesia &#8211; Entrevista com Tom Grito<\/p>\n<h3>FUNDAMENTOS<\/h3>\n<p>35\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Fundamentos da sexua\u00e7\u00e3o em Lacan<\/p>\n<p>Miquel Bassols<\/p>\n<p>43\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eros\u00e3o do binarismo e ascens\u00e3o do fluido<\/p>\n<p>Fabian Fajnwaks<\/p>\n<p>51\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A diferen\u00e7a entre transexual e transg\u00eanero:<br \/>\nde que se trata para a psican\u00e1lise?<\/p>\n<p>Eliane Costa Dias<\/p>\n<p>61\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O que se cristaliza em uma identidade<\/p>\n<p>Marcus Andr\u00e9 Vieira<\/p>\n<p>71\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Identidade, diversidade e diferen\u00e7a dos sexos<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Laia<\/p>\n<p>85\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Haver\u00e1 um paradigma Trans?<\/p>\n<p>Romildo do R\u00eago Barros<\/p>\n<h3>DECLINA\u00c7\u00d5ES<\/h3>\n<p>91\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O acontecimento da sexualidade com Lacan,<\/p>\n<p>al\u00e9m e aqu\u00e9m do binarismo<\/p>\n<p>Clotilde Leguil<\/p>\n<p>103\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sujeito do inconsciente, um n\u00e3o-bin\u00e1rio?<\/p>\n<p>Dalila Arpin<\/p>\n<p>119\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Como viver a inf\u00e2ncia hoje? O que Lacan nos ensina sobre<br \/>\na sexua\u00e7\u00e3o na atualidade<\/p>\n<p>Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros<\/p>\n<p>127\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Feminismos<\/p>\n<p>Luc\u00edola Freitas de Mac\u00eado<\/p>\n<p>135\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Masculinismo, um movimento al\u00e9m do falo<\/p>\n<p>Margarida Assad<\/p>\n<p>139\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Algumas quest\u00f5es da vida Trans<\/p>\n<p>Oscar Reymundo<\/p>\n<h3>A CONVERSA\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>145\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Gl\u00f3ria Maron (relatora), Bruna Guaran\u00e1,<br \/>\nIsabel do R\u00eago Barros Duarte,<br \/>\nMaria Antunes, Maricia Ciscato,<br \/>\nSandra Landim e Vanda Assump\u00e7\u00e3o Almeida<\/p>\n<p>153\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ang\u00e9lica Bastos (relatora)<br \/>\nEliana Bentes, L\u00edvia Sales,<br \/>\nLouren\u00e7o Ast\u00faa de Moraes,<br \/>\nMaria S\u00edlvia Garcia Fernandez Hanna,<br \/>\nPaula Legey<\/p>\n<p>159\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paula Borsoi (relatora), Dinah Kleve,<br \/>\nFrancisca Menta e Ondina Machado<\/p>\n<p>171\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Maria Corr\u00eaa de Oliveira (relatora),<br \/>\nAndr\u00e9a Vilanova, \u00c2ngela Batista,<br \/>\nM\u00e1rcia Zucchi, Maria do Ros\u00e1rio Collier do<br \/>\nR\u00eago Barros, Marina Morena Torres<\/p>\n<h3>RESSON\u00c2NCIAS DA CONVERSA\u00c7\u00c3O<\/h3>\n<p>179\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Maria Corr\u00eaa de Oliveira<\/p>\n<p>181\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Maricia Ciscato<\/p>\n<p>185\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Marina Morena Torres<\/p>\n<p>189\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Niraldo de Oliveira Santos<\/p>\n<p>193\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Oscar Reymundo<\/p>\n<h3>FLASHES DO DIV\u00c3<\/h3>\n<p>197\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ana Beatriz Freire<\/p>\n<p>199\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c2ngela Batista<\/p>\n<p>201\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Cristina Frederico<\/p>\n<p>203\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Maricia Ciscato<\/p>\n<p>205\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Rachel Amin<\/p>\n<p>207\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ruth Helena Pinto Cohen<\/p>\n<h3>INCID\u00caNCIAS DO PASSE<\/h3>\n<p>211\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Paradoxal virilidade<\/p>\n<p>Fabian Fajnwaks<\/p>\n<h3>TABELA N\u00c3O DEFINITIVA DE G\u00caNEROS<\/h3>\n<h3>RESUMOS\/ABSTRACT<\/h3>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;5650310&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text] 26 Binarismo em crise: G\u00eanero e sexo nos tempos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/66"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66"}],"version-history":[{"count":41,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/66\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5650312,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/66\/revisions\/5650312"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}