{"id":5650130,"date":"2020-11-19T20:16:54","date_gmt":"2020-11-19T23:16:54","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/?page_id=5650130"},"modified":"2021-01-08T11:54:11","modified_gmt":"2021-01-08T14:54:11","slug":"latusa-23","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/numeros-anteriores\/latusa-23\/","title":{"rendered":"Latusa 23"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;5650173&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]\n<h4>23<\/h4>\n<h3><b>DESIGUAL!\u00a0\u00a0<\/b><\/h3>\n<h3>IDENTIDADES E IDENTIFICA\u00c7\u00d5ES NA P\u00d3LIS E NA AN\u00c1LISE<\/h3>\n<h4>2018<\/h4>\n<p><a href=\"#sumario\">Ver o sum\u00e1rio[\/vc_column_text]<div class=\"norebro-button-sc btn-wrap text-left\" \n\tid=\"norebro-custom-69f16660a0766\"\n\t \n\t>\n\n\t<a href=\"#\" \n\t\tclass=\"btn  btn-outline btn-small\">\n\n\t\t\n\t\t<span class=\"text\">\n\t\t\tCOMPRAR\t\t<\/span>\n\n\t\t\n\t\t\t<\/a>\n\n<\/div>[vc_empty_space][vc_column_text]Editora: ANG\u00c9LICA BASTOS<\/a><\/p>\n<h3>Editorial<\/h3>\n<h6>Angela C. Bernardes<\/h6>\n<p>Desigual! Identidades e identificac\u0327o\u0303es na po\u0301lis e na ana\u0301lise<\/p>\n<p>A editoria de Latusa lanc\u0327ou um desafio:\u201cinterrogar as identificac\u0327o\u0303es no fundamento do lac\u0327o social\u201d. Nossa comunidade respondeu com textos desiguais e fundamentais para continuarmos a elaborar questo\u0303es candentes nos lac\u0327os contempora\u0302neos.<\/p>\n<p>A subversa\u0303o das identidades realizada pelos estudos de ge\u0302nero e, por outro lado, o movimento de grupos identita\u0301rios te\u0302m colocado psicanalistas do Campo freudiano a trabalho.<\/p>\n<p>Nos anos 1990, Judith Butler,<sup>1<\/sup> como se sabe, formula uma cri\u0301tica a\u0300s categorias de identidade. Considera que o feminismo se deparava com um problema poli\u0301tico, ao supor que o termo \u201cmulheres\u201d denotasse uma identidade comum. A estrate\u0301gia poli\u0301tica butleriana da\u0301 voz aos mu\u0301ltiplos, a\u0300queles que de outro modo estariam socialmente exclui\u0301dos. A desconstruc\u0327a\u0303o da identidade bina\u0301ria de ge\u0302nero produz a multiplicac\u0327a\u0303o das identidades.As caixinhas se ampliaram e, em 2014, o Facebook passou a oferecer 56 opc\u0327o\u0303es com as quais um usua\u0301rio pode marcar seu ge\u0302nero.<\/p>\n<p>O discurso de ge\u0302neros, como o discurso universita\u0301rio de modo geral, produz um sujeito desidentificado em busca do que possa identifica\u0301-lo. Efeito disso ou na\u0303o, assistimos hoje a uma expansa\u0303o das reivindicac\u0327o\u0303es identita\u0301rias: direito das mulheres, das minorias etc. Os artigos aqui publicados permitira\u0303o destacar aspectos positivos \u2013 de transformac\u0327a\u0303o poli\u0301tica \u2013 e negativos \u2013 de segregac\u0327a\u0303o \u2013 dessa tende\u0302ncia atual.<\/p>\n<p>Os artigos de Stella Jimenez, Marcia Zucchi, Ondina Machado e Mirta Zbrun permitem aprofundar o conceito de identificac\u0327a\u0303o em Freud e Lacan e nos ajudam a avanc\u0327ar na reflexa\u0303o sobre as afirmac\u0327o\u0303es identita\u0301rias. Stella diferencia identificac\u0327a\u0303o e identidade, lembrando que a identificac\u0327a\u0303o sempre deixa um resto. Por isso, como mostra Ondina Machado, na\u0303o existe identificac\u0327a\u0303o total e o sujeito na\u0303o e\u0301 ide\u0302ntico a si mesmo.<\/p>\n<p>Freud lanc\u0327a ma\u0303o da noc\u0327a\u0303o de identificac\u0327a\u0303o desde os primo\u0301rdios da psica- na\u0301lise, inicialmente como fator importante na formac\u0327a\u0303o do sintoma histe\u0301rico.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, em Luto e melancolia,<sup>2<\/sup> entende a posic\u0327a\u0303o melanco\u0301lica pela identificac\u0327a\u0303o narci\u0301sica com o objeto perdido, fazendo obsta\u0301culo ao luto do objeto. Somente nos anos 1920, em seu estudo sobre a psicologia das massas,<sup>3<\/sup> todo um capi\u0301tulo sobre a identificac\u0327a\u0303o vem situa\u0301-la como constitutiva na\u0303o somente deste ou daquele sintoma, mas tambe\u0301m do pro\u0301prio eu.<\/p>\n<p>A experie\u0302ncia da ana\u0301lise promove uma queda nas identificac\u0327o\u0303es na medida em que o sujeito se depara com a inconsiste\u0302ncia do Outro, no qual elas se apoiam. Podemos aqui acompanhar a experie\u0302ncia de Se\u0301rgio Laia nesse sentido. Seu relato de passe mostra como seu recurso histo\u0301rico aos nomes para suprir o que chamou de \u201cfalta de legado paterno\u201d deu lugar, a partir da ana\u0301lise, a\u0300 possibilidade ine\u0301dita de \u201ctampar a dimensa\u0303o real da ex-ste\u0302ncia na\u0303o com identificac\u0327o\u0303es ou nomes, mas com um furo\u201d. Ja\u0301 Fabia\u0301n Fajnwaks, em seu relato aqui publicado, refere-se ao sintagma milleriano \u201cidentidade sinthomal\u201d<sup>4<\/sup> e pergunta se haveria uma \u201cidentidade\u201d produzida em ana\u0301lise, para ale\u0301m das identificac\u0327o\u0303es que se desfizeram. Um e outro nos ensinam algo sobre o destino das identificac\u0327o\u0303es no percurso de uma ana\u0301lise.<\/p>\n<p>A conduc\u0327a\u0303o de uma psicana\u0301lise visa ao que ha\u0301 de singular em cada um e mesmo ao que \u201cem mim e\u0301 de mim ta\u0303o desigual\u201d,<sup>5<\/sup> como canta o poeta. Ainda assim, haveria, segundo Marcus Andre\u0301 Vieira em seu Turba e turbantes, um in- teresse poli\u0301tico, compati\u0301vel com a orientac\u0327a\u0303o da psicana\u0301lise, na inscric\u0327a\u0303o em uma classe, no particular de um grupo identita\u0301rio. Ele sustenta isso a partir do papel desempenhado pela carta de Marielle Franco aos \u201cBastardos da PUC\u201d. Nessa linha, o texto de Marcia Zucchi coloca em tensa\u0303o a poli\u0301tica afirmativa das identidades e a poli\u0301tica psicanali\u0301tica do sintoma, e toma o partido de uma pra\u0301tica da psicana\u0301lise em extensa\u0303o que possa fazer valer o mais pro\u0301prio do co- letivo, assim como a psicana\u0301lise em intensa\u0303o visa ao mais singular de um sujeito. Ainda nessa tema\u0301tica, Mari\u0301cia Ciscato nos fala da resiste\u0302ncia desses grupos \u2013 negros, LGBTQ, mulheres etc. \u2013 como \u201coa\u0301sis no deserto poli\u0301tico em que vi- vemos\u201d. Considera que o desafio do psicanalista na po\u0301lis e\u0301 o de interliga\u0301-los contra o risco de \u201cguetifica\u0301-los\u201d. Clarisse Boechat aborda essa questa\u0303o a partir de sua experie\u0302ncia de trabalho com populac\u0327o\u0303es de rua. Experie\u0302ncia que oferece um inusitado panorama dos diferentes modos de vida e de gozo.<\/p>\n<p>Matheusa, com seu corpo estranho, foi brutalmente assassinada este ano numa favela do Rio. Renata Estrella faz uma leitura de sua obra interrompida. Tal qual o narrador de O homem da multida\u0303o, de Edgar Allan Poe, Renata quer observar a passagem de Matheus, Matheusa, Theusinha pela cidade: corpo em busca de uma escritura.<\/p>\n<p>Num extenso artigo em parceria com Paulo Vidal, Fla\u0301via Bonfim pensa nas pra\u0301ticas de experimentac\u0327a\u0303o sexuais \u2013 poliamores?\u2013 como respostas atuais ao impossi\u0301vel da relac\u0327a\u0303o sexual. Interessa-se em particular pela nomeac\u0327a\u0303o de<\/p>\n<p>\u201cbissexual\u201d como identidade.Ao contra\u0301rio de Matheusa, que ao que parece era ciente da impossi\u0301vel identidade com o corpo, algumas experie\u0302ncias sexuais contempora\u0302neas parecem querer se inscrever como identita\u0301rias.<\/p>\n<p>Ju\u0301lia Reis, em coautoria com Ma\u0301rcia Rosa, aborda a questa\u0303o da identificac\u0327a\u0303o imagina\u0301ria com o significante \u201ctoxico\u0302mano\u201d por consumidores de drogas em tempos de decli\u0301nio do pai. Antonio Almeida tambe\u0301m interpreta como efeito do decli\u0301nio da func\u0327a\u0303o do pai o que ele localiza como um estado de indiferenc\u0327a que se alastra. Serve-se do romance Submissa\u0303o, de Michel Houellebecq, para desenvolver sua hipo\u0301tese.<\/p>\n<p>Agradecemos a todos os colegas que enviaram seus textos para Latusa, a Isabel Lins pela delicada resenha do livro de Maria Silvia Hanna, a Se\u0301rgio Laia pelo registro de seu testemunho de passe e aos colegas da AMP Franc\u0327ois Ansermet, Fabia\u0301n Fajnwaks e E\u0301ric Laurent, que cederam seus artigos aqui traduzidos. Ansermet, em seu artigo sumamente cli\u0301nico sobre os momentos de crise, lanc\u0327a a aposta de aproveitar-se da crise, da continge\u0302ncia, para inventar o novo.<\/p>\n<p>Em seu tocante artigo sobre Lacan analisante, E\u0301ric Laurent nos apresenta o percurso do analisante que \u201csoube afrontar o insuporta\u0301vel da questa\u0303o feminina para um homem\u201d e, grac\u0327as a\u0300 letra, formular o matema para a posic\u0327a\u0303o feminina da sexuac\u0327a\u0303o.<\/p>\n<p>Ange\u0301lica Bastos, editora de Latusa, com sua comissa\u0303o de publicac\u0327a\u0303o, fez um belo trabalho, que so\u0301 sera\u0301 conclui\u0301do pelo leitor.<\/p>\n<p>Boa leitura!<\/p>\n<hr \/>\n<h6>1 BUTLER, J. Problemas de ge\u0302nero: feminismo e subversa\u0303o da identidade (1990). Rio de Janeiro: Civilizac\u0327a\u0303o Brasileira, 2018. 16a ed.<\/h6>\n<h6>2 \u00a0FREUD, S. \u201cLuto e melancolia\u201d (1917). In: Obras completas, vol. 12. Sa\u0303o Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 170\u201394.<\/h6>\n<h6>3 \u00a0FREUD, S.\u201cPsicologia das massas e ana\u0301lise do eu\u201d (1921). In: Obras completas, vol. 15. Sa\u0303o Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 13\u2013112.<\/h6>\n<h6>4 \u00a0MILLER, J.-A. El ultimi\u0301simo Lacan (2007). Buenos Aires: Paido\u0301s, 2013, p. 140.<\/h6>\n<h6>5 \u00a0Verso da letra da mu\u0301sica O quereres, de CaetanoVeloso.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_separator][vc_column_text]<a name=\"sumario\"><\/a><\/p>\n<h2>SUM\u00c1RIO<\/h2>\n<h3>Editorial<\/h3>\n<p>ANGELA\u00a0 C. BERNARDES<\/p>\n<h3>ARTIGOS<\/h3>\n<p>Lacan analisante<br \/>\n\u00c9RIC LAURENT<\/p>\n<p>Turba e turbantes<br \/>\nMARCUS\u00a0 ANDR\u00c9 VIEIRA<\/p>\n<p>Qual identidade funda o sinthoma?<br \/>\nFABI\u00c1N FAJNWAKS<\/p>\n<p>Algumas considera\u00e7\u00f5es sobre a identidade<br \/>\nSTELLA \u00a0JIMENEZ<\/p>\n<p>A crise e o tempo<br \/>\nFRAN\u00c7OIS ANSERMET<\/p>\n<p>No deserto<br \/>\nMARICIA CISCATO<\/p>\n<p>Apontamentos sobre a \u201cidentidade\u201d em intens\u00e3o e em extens\u00e3o<br \/>\nMARCIA ZUCCHI<\/p>\n<p>O imposs\u00edvel da identifica\u00e7\u00e3o:identidade ao sinthoma e grupos identit\u00e1rios<br \/>\nONDINA MACHADO<\/p>\n<p>Identifica\u00e7\u00e3o e modalidades de gozo da \u00e9poca<br \/>\nMIRTA ZBRUN<\/p>\n<p>A identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria com o significante \u201csou toxic\u00f4mano\u201d e o decl\u00ednio do amor ao pai<br \/>\nJ\u00daLIA REIS DA SILVA MENDON\u00c7A M\u00c1RCIA ROSA<\/p>\n<p>A contemporaneidade e a er\u00f3tica da \u00a0experimenta\u00e7\u00e3o<br \/>\nPAULO EDUARDO VIANA VIDAL FLAVIA BONFIM<\/p>\n<p>P\u00f3lis de poliamores: uma leitura das ruas<br \/>\nCLARISSE BOECHAT<\/p>\n<p>O horror da (in)diferen\u00e7a<br \/>\nANTONIO ALBERTO PEIXOTO DE ALMEIDA<\/p>\n<p>Corpos \u00e0 procura de escrituras<br \/>\nRENATA ESTRELLA<\/p>\n<h3>PASSE<\/h3>\n<p>Identificar, nomear, furar<br \/>\nS\u00c9RGIO LAIA<\/p>\n<h3>RESENHA<\/h3>\n<p><em>Transfer\u00eancia no campo da psicose \u2013 uma quest\u00e3o<\/em>, de Maria Silvia Hanna<br \/>\nMARIA\u00a0 SABEL \u00a0LINS<\/p>\n<h3>RESUMOS \/ ABSTRACTS<\/h3>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;5650173&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text] 23 DESIGUAL!\u00a0\u00a0 IDENTIDADES E IDENTIFICA\u00c7\u00d5ES NA P\u00d3LIS E NA&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":5650101,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5650130"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5650130"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5650130\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5650301,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5650130\/revisions\/5650301"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5650101"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5650130"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}