{"id":5650097,"date":"2020-11-19T18:44:28","date_gmt":"2020-11-19T21:44:28","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/?page_id=5650097"},"modified":"2026-07-15T11:44:48","modified_gmt":"2026-07-15T14:44:48","slug":"numero-atual","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/numero-atual\/","title":{"rendered":"N\u00famero Atual"},"content":{"rendered":"[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;5650316&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]\n<h4>27<\/h4>\n<h3 class=\"p1\">Transfer\u00eancia na Pr\u00e1tica:<br \/>\nCorpos e discursos nas paix\u00f5es em an\u00e1lise<\/h3>\n<p><a href=\"#sumario\">Ver o sum\u00e1rio<\/a>[\/vc_column_text][vc_empty_space][vc_column_text]Andr\u00e9a Reis Santos<\/p>\n<h2>Editorial<\/h2>\n<h6>ANDR\u00c9A REIS SANTOS<sup>1<br \/>\n<\/sup>DANIELE MENEZES<sup>2<br \/>\n<\/sup>RENATA GOMES MARTINEZ<sup>3<\/sup><\/h6>\n<p>O n\u00famero 27 de Latusa, <em>Transfer\u00eancia na pr\u00e1tica: corpos e discur-sos nas paix\u00f5es em an\u00e1lise<\/em>, est\u00e1 alinhado n\u00e3o apenas ao tema de trabalho que movimentou a Se\u00e7\u00e3o Rio rumo \u00e0s Jornadas Cl\u00ednicas<\/p>\n<p>de 2025, mas tamb\u00e9m ao que o antecedeu \u2013 fruto de uma constru\u00e7\u00e3o coletiva e de m\u00faltiplas resson\u00e2ncias. Nossa proposta, aqui, \u00e9 apresentar a delicada articula\u00e7\u00e3o entre os conceitos e a cl\u00ednica, mostrando a for\u00e7a orientadora do passe desde o in\u00edcio. Os textos trazem o trabalho em torno do que atravessa os corpos e os discursos nas paix\u00f5es em an\u00e1lise, tratado por cada autor a partir de sua posi\u00e7\u00e3o singular na rela\u00e7\u00e3o que es-tabelece com a cl\u00ednica que exerce e com a Escola, que orienta a forma\u00e7\u00e3o. \u00c0 primeira vista, a transfer\u00eancia pode parecer um tema j\u00e1 muito explorado entre n\u00f3s. No entanto, as resson\u00e2ncias das Jornadas da Se\u00e7\u00e3o Rio em 2024 \u2013 <em>A palavra e a pedra: interpreta\u00e7\u00e3o em an\u00e1lise <\/em>\u2013 deixa-ram evidente que, tanto a interpreta\u00e7\u00e3o quanto sua articula\u00e7\u00e3o com o fen\u00f4meno da transfer\u00eancia, longe de serem temas esgotados, continuam sendo assuntos da maior relev\u00e2ncia e atualidade. S\u00e3o temas fundamen-tais para ressituar o lugar que uma experi\u00eancia de an\u00e1lise pode ocupar na vida de algu\u00e9m, especialmente num tempo em que as mudan\u00e7as na civiliza\u00e7\u00e3o se aceleram como nunca, tumultuando a rela\u00e7\u00e3o entre o<\/p>\n<p>sujeito \u2013 ou melhor, o <em>falasser <\/em>\u2013, o objeto e o Outro da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as \u2013 e o tumulto que delas resulta \u2013 estavam no cora\u00e7\u00e3o da proposta inicial deste n\u00famero de <em>Latusa<\/em>, que nasceu da ideia de criar uma s\u00e9rie em torno dos impasses do momento atual. O primeiro projeto consistia em colocar em sequ\u00eancia certos binarismos que pareciam se impor como quest\u00f5es da \u00e9poca a demandar de n\u00f3s uma elabora\u00e7\u00e3o. Ho-mem\/mulher; preto\/branco; velho\/novo foram as duplas que, a partir de uma provoca\u00e7\u00e3o inicial, se alinharam como ponto de partida. Naquele momento, o que nos movia eram \u201ctemas que desacomodam\u201d \u2013 que n\u00e3o necessariamente pertencem ao enclave te\u00f3rico da psican\u00e1lise, mas que cada vez mais se apresentam na vida e na cl\u00ednica, convocando-nos a um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi assim com o primeiro binarismo \u2013 projeto-piloto que inaugurou a s\u00e9rie com <em>Latusa <\/em>26, <em>Binarismo em crise: g\u00eanero e sexo nos tempos que correm<\/em>. O trabalho de elabora\u00e7\u00e3o coletiva que orientou a constru\u00e7\u00e3o dessa edi\u00e7\u00e3o foi fruto de uma s\u00e9rie de interroga\u00e7\u00f5es em torno da fluidez dos g\u00eaneros e de suas consequ\u00eancias para os modos de ser homem e ser mulher na atualidade.<\/p>\n<p>Ao iniciar o trabalho com a Comiss\u00e3o formada especialmente para a <em>Latusa <\/em>seguinte \u2013 cuja proposta era investigar as quest\u00f5es que o bina-rismo branco\/preto trazia ao nosso campo \u2013, adentramos um territ\u00f3rio bastante distinto e muito mais complexo. Esse percurso reuniu a Co-miss\u00e3o em torno dos impasses e das incid\u00eancias, na cl\u00ednica, de temas vivos e atuais para a psican\u00e1lise, especialmente a segrega\u00e7\u00e3o e o racismo. No lugar das perguntas, o que prevaleceu nos encontros, como n\u00e3o poderia deixar de ser, foram a import\u00e2ncia e a urg\u00eancia da afirma\u00e7\u00e3o do antirracismo. Como lembraram v\u00e1rios colegas da Comiss\u00e3o, para-fraseando a fil\u00f3sofa e ativista estadunidense Angela Davis: \u201cQuando se trata de racismo, n\u00e3o basta n\u00e3o ser racista \u2013 \u00e9 preciso ser antirracista!\u201d O Brasil carrega as marcas, o ran\u00e7o vergonhoso, de uma hist\u00f3ria colonial e escravocrata. S\u00e3o restos que fazem do corpo negro o principal suporte do que Laurent chama de \u201cobjeto rejeitado\u201d. No texto \u201cRacismo 2.0\u201d, ele afirma que \u201co racismo muda seus objetos \u00e0 medida que as formas<\/p>\n<p>sociais se modificam\u201d<sup>4<\/sup>.<\/p>\n<p>O nosso racismo p\u00f3s-colonial \u00e9 respons\u00e1vel pela barb\u00e1rie contra o corpo negro, pois inclui, naquilo que \u00e9 segrega\u00e7\u00e3o, uma dissimetria radical fundada em uma rela\u00e7\u00e3o de poder. O privil\u00e9gio branco e a vio-l\u00eancia brutal contra os corpos negros nos convocam a tomar posi\u00e7\u00e3o em uma luta pela vida.<\/p>\n<p>Essa realidade, com a qual esbarr\u00e1vamos a cada encontro, acabou por nos impor algumas perguntas: como fazer conversar esse impera-tivo com o campo da psican\u00e1lise? Como incluir o tema do racismo, da branquitude e da luta antirracista em uma revista que tem por fun\u00e7\u00e3o discutir e levar ao p\u00fablico o que pensa a Se\u00e7\u00e3o Rio da EBP sobre algum tema candente da psican\u00e1lise? Seria poss\u00edvel conceber uma revista sobre o racismo na qual pud\u00e9ssemos transmitir algo mais al\u00e9m da den\u00fancia dos horrores que o atravessam?<\/p>\n<p>Ao longo desse tempo, vivemos encontros, reencontros, impasses, caminhos e descaminhos que giravam sempre em torno da pr\u00e1tica anal\u00ed-tica e, sobretudo, da pergunta: \u201cA psican\u00e1lise que praticamos hoje incide sobre quais corpos?\u201d E ainda: \u201cO que orienta nossa pr\u00e1tica e de que lugar escutamos aqueles que nos procuram?\u201d Essas perguntas, compartilhadas entre n\u00f3s, levaram-nos a interrogar a pr\u00e1tica anal\u00edtica nas institui\u00e7\u00f5es, nos consult\u00f3rios, na pr\u00e1tica entre v\u00e1rios, nas ruas, nos espa\u00e7os p\u00fablicos e tamb\u00e9m nas pol\u00edticas p\u00fablicas. Fal\u00e1vamos ainda sobre a chegada, nos consult\u00f3rios, de analisantes que at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s apareciam muito pouco \u2013 pessoas negras, ind\u00edgenas, n\u00e3o brancas, trans \u2014 e como n\u00f3s, analistas, os escut\u00e1vamos. E tamb\u00e9m sobre a import\u00e2ncia de uma escuta que pudesse prescindir de saberes pr\u00e9vios diante desses novos casos.<\/p>\n<p>Sob a \u00f3tica da luta antirracista, sabemos claramente qual \u00e9 a dife-ren\u00e7a entre um corpo branco e um corpo negro. Saber-se branco ou saber-se negro s\u00e3o pontos de partida necess\u00e1rios para tomar posi\u00e7\u00e3o diante da barb\u00e1rie do racismo.<\/p>\n<p>Quando nos situamos do outro lado da fronteira, no campo do dis-curso da psican\u00e1lise, n\u00e3o partimos de uma certeza, mas de uma pergun-ta: de que corpo se trata? Podemos falar do corpo a partir de registros diferentes. Al\u00e9m disso, aquilo que se entende por corpo est\u00e1 longe de ter a mesma consist\u00eancia, j\u00e1 que, para a psican\u00e1lise, o corpo n\u00e3o \u00e9 um dado pr\u00e9vio, \u00e9 corpo enquanto constitu\u00eddo por discursos. Esse \u00e9 apenas um dos pontos em que o encontro entre l\u00f3gicas distintas produz mal-entendidos e impasses, exigindo um esfor\u00e7o de tradu\u00e7\u00e3o e de interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como fazer conversar o antirracismo com a l\u00f3gica dessegregativa da psican\u00e1lise? O tema da segrega\u00e7\u00e3o \u00e9 familiar ao nosso campo: a segrega\u00e7\u00e3o faz parte da constitui\u00e7\u00e3o do sujeito tal como \u00e9 definido pela psican\u00e1lise. No entanto, a segrega\u00e7\u00e3o n\u00e3o d\u00e1 conta de tudo o que est\u00e1 em jogo no racismo, pois, nesse caso, n\u00e3o se trata apenas da discrimina\u00e7\u00e3o racial, mas da segrega\u00e7\u00e3o articulada a uma l\u00f3gica de poder. E, quando o poder entra em cena, a conversa muda de tom.<\/p>\n<p>Quando o poder entra em cena, demarcando campos opostos e se-parando oprimidos e opressores, o que a psican\u00e1lise tem a dizer? Como tratar disso com as ferramentas de que o nosso campo disp\u00f5e? Sabemos da tens\u00e3o que se estabelece entre o discurso do mestre e o discurso do analista, e sabemos tamb\u00e9m que \u00e9 somente sendo atravessados pelo discurso anal\u00edtico que, dentro de uma l\u00f3gica de Escola, podemos nos dirigir \u00e0 pol\u00edtica e ao discurso do mestre.<\/p>\n<p>Essas foram apenas algumas das in\u00fameras quest\u00f5es e impasses que nos levaram \u2013 depois de muitas voltas em torno de um ponto de imposs\u00edvel \u2013 a concluir que uma publica\u00e7\u00e3o de psican\u00e1lise sobre o tema do racismo s\u00f3 faria sentido como resultado de um debate permanente e de um trabalho consideravelmente mais preciso sobre o assunto. Um debate que n\u00e3o pode estar restrito ao sempre escasso tempo de gesta\u00e7\u00e3o de uma revista, se queremos trat\u00e1-lo com a aten\u00e7\u00e3o que merece. A quest\u00e3o do racismo, embora n\u00e3o seja nova em nosso campo, \u00e9 uma quest\u00e3o que desacomoda e nos empurra para regi\u00f5es de tensionamento, ao implicar uma conversa entre discursos que partem de l\u00f3gicas diferentes.<\/p>\n<p>Nesse primeiro momento do trabalho, contamos com a participa\u00e7\u00e3o de Ana Beatriz Zimmermann, Ang\u00e9lica Bastos, Geisa de Assis, Gl\u00f3ria Maron, Louren\u00e7o Ast\u00faa de Moraes, Marina Morena, Marina Gomara, Renata Mendon\u00e7a, Sandra Landim e Vilma Dias, al\u00e9m de Andr\u00e9a Reis Santos como editora e Daniele Menezes e Renata Martinez como coedi-toras<sup>5<\/sup>. A presen\u00e7a de muitos desses colegas que integraram a Comiss\u00e3o inicial se faz notar nos textos que comp\u00f5em a proposta atual da revista. Nesta edi\u00e7\u00e3o, buscamos reunir textos que nos ajudam a pensar a transfer\u00eancia como o tipo de la\u00e7o que, ainda hoje, permite sustentar uma an\u00e1lise. Queremos investigar o que est\u00e1 em jogo nas varia\u00e7\u00f5es das paix\u00f5es \u2013 nas situa\u00e7\u00f5es em que elas colaboram para manter esse la\u00e7o e naquelas em que seus excessos o fazem se romper.<\/p>\n<p>Esperamos interrogar, a partir dos textos reunidos em <em>Latusa <\/em>27, como as paix\u00f5es se encarnam nos corpos e se entrela\u00e7am nos discursos, segundo as chaves de leitura que os diferentes momentos do ensino de Lacan possibilitam. Como manejamos o amor por aquilo que o analista vem a encarnar para um sujeito, a insist\u00eancia amorosa? E o \u00f3dio, que al\u00e9m de sua fun\u00e7\u00e3o estruturante na constitui\u00e7\u00e3o do sujeito, \u00e9 paix\u00e3o que aspira do outro seu rebaixamento e sua nega\u00e7\u00e3o, com seus efeitos de segrega\u00e7\u00e3o? Como nos arranjamos com a recusa de saber, encarnada na paix\u00e3o da ignor\u00e2ncia \u2013 paix\u00e3o que se traduz em uma busca intermin\u00e1vel de sentido, sustentada por uma suposi\u00e7\u00e3o de saber no Outro? Paix\u00e3o que \u00e9, ao mesmo tempo, condi\u00e7\u00e3o da an\u00e1lise e resist\u00eancia a ela, rejei\u00e7\u00e3o ativa ao saber inconsciente. E ainda: como operar, na cl\u00ednica, com as paix\u00f5es que n\u00e3o passam pelo Outro<sup>6<\/sup>, manifestando-se de forma mais evidente nas manias, compuls\u00f5es e depress\u00f5es t\u00e3o frequentes em nossos dias?<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica da an\u00e1lise mudou muito desde os seus prim\u00f3rdios. E, embora alguns princ\u00edpios permane\u00e7am firmes at\u00e9 hoje, tornam-se ne-cess\u00e1rios novos arranjos diante das transforma\u00e7\u00f5es que afetam o Outro da \u00e9poca, os discursos e o modo como eles incidem sobre os corpos.<\/p>\n<p>Levando em conta que a transfer\u00eancia \u00e9 o fio que costura cada an\u00e1li-se, que \u201c\u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do dispositivo\u201d<sup>7<\/sup>, buscamos, neste n\u00famero, recolher seus matizes \u2013 do ensino do passe ao dia a dia da cl\u00ednica, passando pela revis\u00e3o dos conceitos que nos orientam. <em>Corpos e discursos nas paix\u00f5es em an\u00e1lise<\/em>: eis o eixo que atravessa estes textos. Pois \u00e9 no corpo, em seus restos pulsionais, que o discurso deixa marcas; e \u00e9 no la\u00e7o transferencial que essas marcas encontram a chance de se reinscrever.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo que escolhemos \u2013 <em>Transfer\u00eancia na pr\u00e1tica: corpos e discur-<\/em><em>sos nas paix\u00f5es em an\u00e1lise <\/em>\u2013 traduz a aposta de que n\u00e3o h\u00e1 teoria sem o pulsar da cl\u00ednica, nem cl\u00ednica sem o rigor conceitual que sustenta a dire\u00e7\u00e3o do tratamento.<\/p>\n<p><strong>I. O ensino do passe<\/strong><\/p>\n<p>A primeira se\u00e7\u00e3o percorre o ensino do passe, lugar em que se transmite o que uma an\u00e1lise produz em seu t\u00e9rmino. Carolina Koretzky aborda a separa\u00e7\u00e3o dolorosa e o avesso do amor, revelando a solid\u00e3o que sustenta o fim de an\u00e1lise; Mariana G\u00f3mez situa a passagem da transfer\u00eancia ao analista para a Escola, destacando o desejo de Escola como destino pol\u00edtico; Ondina Machado, em seus matizes, reflete sobre os diversos modos da transfer\u00eancia em duas an\u00e1lises, articulando o amor, o gozo e a queda da suposi\u00e7\u00e3o de saber. Esses testemunhos mostram que o fim de an\u00e1lise n\u00e3o dissolve a transfer\u00eancia, mas a desloca, nesses casos, con-vertendo-a em desejo decidido, em amor advertido e em transfer\u00eancia de trabalho dirigida \u00e0 Escola.<\/p>\n<p><strong>II \u2013 Conceitos: ferramentas da cl\u00ednica<\/strong><\/p>\n<p>Na segunda se\u00e7\u00e3o, reunimos textos que revisitam conceitos fundamen-tais, mostrando sua pertin\u00eancia no manejo cl\u00ednico. Come\u00e7ando pelos mais \u00eaxtimos, Miquel Bassols explora os paradoxos da transfer\u00eancia como condi\u00e7\u00e3o e obst\u00e1culo; Carolina Koretzky examina a passagem das paix\u00f5es do ser \u00e0s paix\u00f5es da alma, situando uma \u00e9tica da puls\u00e3o; Fernanda Otoni Brisset reflete sobre as paix\u00f5es da greta, onde o real irrompe e desestabiliza o simb\u00f3lico; Carlos Augusto Nic\u00e9as interroga a contratransfer\u00eancia como conceito ilus\u00f3rio, recolocando o lugar do desejo do analista; Romildo do R\u00eago Barros retoma o paradoxo do amor genu\u00edno e do enlace falso; Ana Lucia Lutterbach articula a posi\u00e7\u00e3o anal\u00ed-tica ao semblante e \u00e0 posi\u00e7\u00e3o feminina; Marcus Andr\u00e9 Vieira sistematiza os elementos da transfer\u00eancia como ferramentas de trabalho; Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros prop\u00f5e uma leitura original da fun\u00e7\u00e3o do sujeito suposto saber, em sua articula\u00e7\u00e3o com tempo, repeti\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o; e Maria Silvia Hanna nos brinda com importantes elabora-\u00e7\u00f5es sobre o amor de transfer\u00eancia no campo das psicoses. Esta se\u00e7\u00e3o mostra como os conceitos permanecem ferramentas vivas, n\u00e3o apenas para a teoria, mas para sustentar a cl\u00ednica em toda a sua complexidade.<\/p>\n<p><strong>III. Na pr\u00e1tica: not\u00edcias do div\u00e3<\/strong><\/p>\n<p>A terceira se\u00e7\u00e3o traz a cl\u00ednica em sua diversidade e urg\u00eancia. Isabel do R\u00eago Barros Duarte discute a tens\u00e3o entre transfer\u00eancia e interpreta\u00e7\u00e3o; Maria In\u00eas Lamy aborda a adolesc\u00eancia, do recurso \u00e0s \u201ctribos\u201d at\u00e9 a inven\u00e7\u00e3o de uma fantasia singular; Paula Borsoi mostra como o \u00f3dio de si pode se transformar em trabalho transferencial; Jefferson Nascimen-to reflete sobre os impasses que emperram a an\u00e1lise e o manejo \u00e9tico da resist\u00eancia; Clarisse Boechat percorre os confins da transfer\u00eancia a partir do inconsciente real; Renata Mendon\u00e7a e Marina Morena Torres situam a cl\u00ednica diante do racismo estrutural, destacando como a psi-can\u00e1lise pode operar a passagem do universal ao singular; Vilma Dias mostra a for\u00e7a cl\u00ednica e simb\u00f3lica da tran\u00e7agem como pr\u00e1tica terap\u00eau-tica e cultural; Ruth Helena Pinto Cohen apresenta a inven\u00e7\u00e3o de um \u201cconsult\u00f3rioruth\u201d na cl\u00ednica com a psicose; e Rachel Amin interroga a transfer\u00eancia no autismo como experi\u00eancia refrat\u00e1ria ao Outro. Esta se\u00e7\u00e3o evidencia que o cotidiano da cl\u00ednica \u00e9 m\u00faltiplo e se escreve sem-pre no encontro singular entre analista e analisante, onde corpo, gozo e discurso se enla\u00e7am de modos in\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Do passe \u00e0 cl\u00ednica, dos conceitos \u00e0s inven\u00e7\u00f5es, este n\u00famero percor-re a transfer\u00eancia em sua riqueza e em seus impasses. O que atravessa os textos \u00e9 a insist\u00eancia do real, que n\u00e3o se deixa domesticar, mas que encontra, na pr\u00e1tica anal\u00edtica, modos de se escrever.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><sup>2<\/sup>Membro da EBP\/ AMP<\/h6>\n<h6><sup>2<\/sup>Cartelizante pela EBP Se\u00e7\u00e3o Rio<\/h6>\n<h6><sup>3<\/sup>Membro da EBP\/AMP<\/h6>\n<h6><sup>4<\/sup>LAURENT, \u00c9ric. O racismo 0. <strong>Lacan cotidiano <\/strong>[portugu\u00eas], n. 371, 26 jan. 2014. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/02\/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html?m=1\">http:\/\/ampblog2006.blogspot.com\/2014\/02\/lacan-cotidiano-n-371-portugues.html?m=1.<\/a> Acesso em: 16 set. 2025. Ou LAURENT, \u00c9ric. O racismo 2.0. <strong>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 67, p. 31-35, dez. 2013. ISSN 15193128.<\/h6>\n<h6><sup>5<\/sup>Agradecemos a essa Comiss\u00e3o e tamb\u00e9m a Aspazia Barcelos, Maira Rossi e Ana J\u00falia Guinle, que, junto com Marina Gomara, foram respons\u00e1veis pelas excelentes transcri\u00e7\u00f5es\/relatorias das nossas reuni\u00f5es.<\/h6>\n<h6><sup>6<\/sup>LAURENT, \u00c9ric. Segundo semin\u00e1rio: Paix\u00f5es da alma. In: LAURENT, \u00c9ric. <strong>Paix\u00f5es do parl\u00eatre<\/strong>, Salvador: Escola Brasileira de Psican\u00e1lise Se\u00e7\u00e3o Bahia, p. 51-73.<\/h6>\n<h6><sup>7<\/sup>MILLER, Jacques-Alain. <strong>El banquete de los analistas<\/strong>. Los cursos psicoanal\u00edticos de Jacques-Alain Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2010. p. 25-27. ISBN 950-12-8852-8<\/h6>\n[\/vc_column_text][vc_separator][vc_column_text]\n<h3 class=\"p1\"><span class=\"s1\"> <a name=\"sumario\"><\/a>SUM\u00c1RIO<\/span><\/h3>\n<p class=\"p4\">Editorial<\/p>\n<h3>Editorial<\/h3>\n<p>Andr\u00e9a Reis Santos<br \/>\nDaniele Menezes<br \/>\nRenata Gomes Martinez<\/p>\n<h3>I. Ensino do passe<\/h3>\n<p>Carolina Koretzky &#8211; <strong>Uma separa\u00e7\u00e3o dolorosa<\/strong><\/p>\n<p>Mariana G\u00f3mez &#8211; <strong>O destino da transfer\u00eancia ao final: Passe e pol\u00edtica de Escola<\/strong><\/p>\n<p>Ondina Machado &#8211; <strong>Matizes da transfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<h3>II. Conceitos: ferramentas da cl\u00ednica<\/h3>\n<p>Miquel Bassols &#8211; <strong>Os paradoxos da transfer\u00eancia <\/strong><\/p>\n<p>Carolina Koretzky &#8211; <strong>Paix\u00f5es do ser, paix\u00f5es da a-lma <\/strong><\/p>\n<p>Fernanda Otoni Brisset &#8211; <strong>As paix\u00f5es da greta na pr\u00e1tica anal\u00edtica <\/strong><\/p>\n<p>Carlos Augusto Nic\u00e9as &#8211; <strong>Uma quest\u00e3o de sujeito (nota sobre a contratransfer\u00eancia) <\/strong><\/p>\n<p>Romildo do R\u00eago Barros &#8211;<strong> Transfer\u00eancia, entre amor genu\u00edno e enlace falso <\/strong><\/p>\n<p>Ana Lucia Lutterbach &#8211; <strong>Os analistas, as mulheres e o truque<\/strong><\/p>\n<p>Marcus Andr\u00e9 Vieira &#8211;<strong> Elementos do trabalho na transfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Maria do Ros\u00e1rio Collier do R\u00eago Barros &#8211; <strong>O sujeito suposto saber em quest\u00e3o: transfer\u00eancia&#8230;\u00a0<\/strong>Maria Silvia Garcia Fern\u00e1ndez Hanna &#8211; <strong>Algumas elabora\u00e7\u00f5es sobre o amor na psicose\u00a0<\/strong><\/p>\n<h3>III. Na pr\u00e1tica: not\u00edcias do div\u00e3<\/h3>\n<p>Isabel do R\u00eago Barros Duarte &#8211; <strong>Alguns aspectos da rela\u00e7\u00e3o entre transfer\u00eancia e interpreta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Maria In\u00eas Lamy &#8211; <strong>Da \u2018tribo\u2019 \u00e0 fantasia: um percurso sob transfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Paula Borsoi 144 &#8211; <strong>Al\u00e9m do \u00f3dio, a transfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Jefferson Nascimento &#8211; <strong>Impasses na transfer\u00eancia: desafios e possibilidades na cl\u00ednica&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Clarisse Boechat &#8211; <strong>Leituras litor\u00e2neas nos confins da transfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Renata Lucindo Ferreira Mendon\u00e7a &#8211; <strong>Racismo estrutural: do universal ao singular de cada sujeito<\/strong><\/p>\n<p>Marina Morena Torres &#8211; <strong>Algumas notas sobre ra\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Vilma Dias &#8211; <strong>Tran\u00e7ar e tecer a transfer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Ruth Helena Pinto Cohen &#8211; <strong>Um lugar na transfer\u00eancia: consult\u00f3rioruth<\/strong><\/p>\n<p>Rachel Amin &#8211; <strong>A transfer\u00eancia e o UM no autismo&#8230;<\/strong><\/p>\n<h3>RESUMOS\/ABSTRACT<\/h3>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_single_image image=&#8221;5650316&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text] 27 Transfer\u00eancia na Pr\u00e1tica: Corpos e discursos nas paix\u00f5es&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5650097"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5650097"}],"version-history":[{"count":21,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5650097\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5650322,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/5650097\/revisions\/5650322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/rj\/latusa\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5650097"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}