Roda de conversa:”Exílios e extimidades”

07/11, às 9h

Roda de conversa:”Exílios e extimidades”

Cartel composto por Andréa Reis Santos, Angela C. Bernardes, Doris Diogo, Isabel Lins (mais um) e Maria Silvia Hanna.

O cartel tem se debruçado sobre questões relativas à experiência subjetiva de exílio como relação de extimidade quanto ao próprio gozo. A alteridade interna é uma condição inerente ao ser falante. A leitura do curso de Jacques-Alain Miller, de 1985-86, Extimidade, tem orientado nossa conversa.

Um dos aspectos que nos deteve é relativo ao ódio ao Outro que se manifesta em racismo, xenofobia, homofobia e outras formas de segregação. A intolerância ao gozo do Outro é porque cremos que esse gozo corresponde ao que nos foi subtraído. Mas como o Outro está em mim, diz Miller, na raiz do racismo está o ódio a meu próprio gozo[1]. De que forma esse desconserto estrutural na civilização aparece nos impasses conjugais e familiares? Eu rejeito o gozo do diferente para não me confrontar com meu próprio gozo. Essa é uma indicação clínica da maior relevância.

Com respeito a isso, como situar as pautas identitárias?

A expressão desse ódio dirigido ao gozo estranho é o que se manifesta nas passagens ao ato violentas contra as mulheres, as “bichas”, os “cracudos”?

Apostamos que uma análise pode propiciar um savoir-faire com o ódio de mim, desse estranho interno. Seria essa uma contribuição possível da psicanálise frente ao avanço da cultura do ódio?

[1]Cf Miller, J. A., Extimidad, BsAs, Paidós, 2017, p. 55.
X