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Intercâmbio

Ecos do Enapol

Ideal e gozo no terrorismo

Ondina Machado

Há um afeto envolvido no terror? A luta do terrorismo islâmico contra o Ocidente se baseia no ódio ao Ocidente? De quê se alimenta o terrorismo?

Ideal ou um gozo novo

Parto da consideração esclarecedora de Laurent, em debate com dois estudiosos sobre o Islã, durante o Pipol 7, ocorrido em Bruxelas, em 2015. Os estudiosos são Feith Benslama, psicanalista de origem tunisiana, professor em Paris-Diderot, e Rachid Benzine, economista marroquino e estudioso dos textos corânicos. Ambos desenvolvem pesquisas sobre a ascensão do terrorismo islâmico. A partir das considerações feitas pelos dois islamólogos Laurent lança a seguinte indagação: “o gozo daquele que se destrói é um retorno ao ideal, uma via rumo ao ideal ou antes uma via rumo a um novo gozo”[1].

É sobre esse recorte que quero trabalhar indagando se o que move os jihadistas é uma causa religiosa, o afeto do ódio, ou, ao contrário, um tipo de gozo inédito até os dias de hoje.

Não sem a perspectiva do sujeito

Ao longo dos séculos, inúmeras invasões e tentativas de ocidentalizar a cultura islâmica foram justificativa para o ódio ao Ocidente. Depois do 11 de setembro, o medo intensificou o preconceito e serviu de justificativa para medidas de segurança adotadas no mundo inteiro, que têm como alvo principal os jovens muçulmanos. Além disso, símbolos sagrados, como a figura de Alá e de Maomé, são alvos de profanação e blasfêmia, o véu é proibido nas escolas francesas e há dificuldade para conseguir emprego por causa das 5 orações diárias. Enfim, tudo corrobora para o mal-estar, que Miller situa no corpo: “Não há corpo de muçulmano que não trema quando o herege blasfema”, ou ainda, “a blasfêmia é uma indecência”[2].

Há também o ataque que corrói bases dessa cultura: o discurso capitalista, os ideais iluministas, a promoção do individualismo, a flexibilização da moralidade, o laicismo, a liberação sexual, a igualdade de gêneros, dentre outras. Mas, para pensarmos o terrorismo a partir da psicanálise, devemos incluir nessa análise os fatores contingentes de um gozo para além das explicações sociais e culturais, ou seja, é necessário humanizar o terrorista, como indicava Lacan[3], advertidos por Miller a não nos deixarmos “hipnotizar pela causa”[4].

Nesse sentido, a contribuição de Benslama e Benzine, tomada pela via proposta por Laurent, traz uma perspectiva particular do que costumamos chamar de “terrorismo islâmico”.

Quem são os terroristas?

Benslama insiste que não há um perfil do terrorista; no entanto, ressalta que eles são majoritariamente jovens muçulmanos entre 15 e 25 anos. Em geral são pobres, vivem em uma “precariedade subjetiva”[5] e clamam por justiça social. De 2013 para cá perceber-se a concorrência de jovens originários da classe média que, diferente dos jovens pobres, clamam por autoridade e definição clara das normas, buscando “retraçar as fronteiras entre a permissão e o proibido de uma forma explícita”[6]. Independente da classe social, têm em comum o sentimento de viverem em um mundo onde não há lugar para eles, de serem vítimas de uma ordem social e política que os exclui e os discrimina por seus hábitos, aparência e costumes. Segundo Khosrokhavar, “o islamismo radical opera uma inversão mágica que transforma o desprezo de si em desprezo do outro e a indignidade em sacralização de si, mesmo que à custa dos outros”[7]. Essa inversão parte de uma indignação da qual os imãs se aproveitam para construírem o ódio que justifica suas ações. O ódio não é consubstancial à violência, mas tem como propriedade fazer laço social, nesse caso, forjando uma identidade.

É justamente essa identidade que Benslama chama de “super-muçulmano”, aquele “que quer ser mais muçulmano do que o muçulmano que é”[8]. Para tal, exacerbam os sinais externos de lealdade nas roupas que vestem, nos rituais que executam e na obsessão pela pureza. Muitos são delinquentes que encontram na jihad uma forma de inscreverem-se no Outro de uma maneira nobre – “vingar uma vida desvalorizada, adquirir um sentimento de existência superior tornando-se heróis”[9]

Segundo Benslama, a oferta de radicalização se beneficia das “falhas subjetivas para transformá-las em um desejo furioso de sacrifício”[10] e fazer deles neo-mártires. O antigo mártir islâmico morria sem querer, como consequência de sua profissão de fé. Já o neo-mártir pratica o auto-sacrifício pelo “desejo de morrer por ódio à vida”[11]. Morrem,  paradoxalmente, em busca de “uma vida mais elevada”[12]. Esses jovens que almejam uma subjetividade heroica pela via da violência, são designados por Khosrokhavar de “heróis negativos”[13].

É possível perceber que, na causa jihadista, o ideal se apresenta como expressão direta do supereu lacaniano, menos uma causa e mais uma tentativa desesperada de salvar-se da indignidade. Sabemos, por  Miller, que não há salvação pelo ideal, apenas pelo dejeto[14]. Será que para esses jovens o auto-sacrifício seria uma tentativa sublimatória de elevar-se como objetos à dignidade de Coisa?

Como o ideal se torna gozo

Os jovens declaram querer “vingar o ideal islâmico ferido” através da restauração do califado, do retorno às origens e às fundações da fé. A expressão “vingar a minha vida”, presente nas cartas deixadas pelos suicidas à suas famílias, denota, segundo Laurent, um querer dar sentido à vida, propósito de toda religião. Porém, nessas cartas recolhidas por Benslama[15], também é possível verificar a emergência de um gozo paradoxal: esses jovens acreditam que ao se apresentarem a Deus em pedaços, conquistariam “um mérito real”.

Laurent identifica uma equivalência entre esse gozo e o mundo atual no qual “o Ideal do eu empalidece diante da elevação ao zênite do objeto ‘a’, do gozo”[16]. O autor demonstra a ascensão do objeto em detrimento do ideal no desinteresse pelo estudo do Corão, na submissão à uma “polícia de costumes”[17], na espetacularização das execuções e no recrutamento à profissão de fé via internet, uma espécie de califado digital. Ele evidencia “uma alteração particular dos ideais que se atém apenas a um empuxo-a-gozar, um empuxo-a-gozar de uma nova forma, que dá um novo referente ao velho nome de mártir”[18]. Assim, o mártir sai do campo do ideal e se transforma em um objeto que “não pode ser absorvido no dispositivo da civilização”[19].

Brousse ressalta a diferença da violência como forma de gozo daquela embalada por causas revolucionárias. Se antes, revolução era o S1 do discurso do mestre que movia as massas, hoje, o S1 é a violência. O que mudou foi o lugar ocupado pela violência, pois na posição de S1 ela “regula a vida social, os valores, os ideais, as instituições”[20]. O significante revolução interpretava a violência, dava-lhe sentido; hoje “a violência está descoberta, não interpretada”[21]. Quando o Édipo era a norma, suas tramas engendravam o sentido. No além do Édipo novas formas de gozo deixam de ser exceção e, como tendência, ocupam a posição de agente do discurso do mestre. Assim, o objeto a é capturado por um novo significante que toma o lugar do significante mestre: “onde havia a metáfora, há o real”[22], onde havia ideal, há gozo. Os restos do discurso do mestre antigo são hoje elevados à posição de S1, assim é com a violência.


[1] LAURENT, É. O avesso da biopolítica. RJ: Contra Capa, 2016, p. 216.
[2] MILLER, J.-A. A “common decency” de Oumma. Acessível:
encurtador.com.br/ABQZ5. Acesso: 25/06/2019.
[3] LACAN, J. “Introdução teórica às funções da psicanálise em criminologia”. Escritos. RJ: Zahar, 1998. p.137.
[4] MILLER, J.-A. “Crianças violentas”. Em: Opção Lacaniana, n. 77, p. 28.
[5] BENSLAMA, F. Entrevista. Acessível: encurtador.com.br/dhoX0. Acesso: 25/6/2019.
[6] KHOSROKHAVAR, F. “Le héros negatif”. Em: BENSLAMA, F. L’idéal et la cruauté. Éditions Lignes, 2015, p. 38
[7] Id, p. 32.
[8] BENSLAMA, F. Op.cit.
[9] Id.
[10] Id.
[11] Id.
[12] Id.
[13] KHOSROKHAVAR, F. Op. cit., p. 30.
[14] MILLER, J.-A. “A salvação pelos dejetos”. Em: Perspectivas dos Escritos e Outros escritos. RJ: Zahar, 2011, p. 227-233.
[15] BENSLAMA, F. La guerre des subjectivities en Islam. Éditions Lignes, 2014.
[16] LAURENT, É. Op. cit., p. 2016.
[17] Id.
[18] Id.
[19] Id.
[20] BROUSSE, M-H. “Violencia en la cultura”. Em: Bitácora Lacaniana, Violencia y explosión de lo real. Abril, 2017, NEL/ Grama Ediciones, p. 14.
[21] Id.
[22] Id, p. 17.

O que pode brotar da indignação

Andrea Vilanova EBP-Rio

A indignação nos interroga sobre seu lugar entre as paixões e nos coloca a trabalho em busca de um enquadre que nos permita cernir sua estrutura, bem como, sua função nos tempos que correm. Ler o tema da indignação com Miller, em “Comment se revolter?”[1] e com H. Kaufmanner, em “Indignai-vos, porém…”[2] me conduz à tentativa de leitura de uma manifestação artístico-poética que parece conversar com a ideia do que poderia ser uma boa maneira de nos indignarmos.

A perspectiva aberta pela orientação lacaniana nos indica que a indignação revela o estatuto reflexivo da posição do sujeito frente ao Outro da privação, como destaca Kaufmanner, de sua leitura com Miller: “Quando esta visa ao Outro, a trajetória de sua flecha retorna sobre o próprio sujeito. Se a revolta aponta o Outro, aquele que priva, o sujeito mesmo é afetado pelo retorno de sua indignação sobre si mesmo[..]”. Parece não haver escapatória. Do lado dos direitos humanos a perspectiva de fazer valer uma resposta guiada pela justiça distributiva, do lado da psicanálise, estamos às voltas com uma perspectiva advertida sobre a natureza do impossível de suportar subjacente à indignação, como próprio a cada um. A cada um seu gozo, os ônus e bônus dessa condição.

Mas como nos servirmos desta advertência sem cair na desafetação, sem nos desimplicarmos da vida política, quando não podemos simplesmente ignorar o mundo no qual tomamos parte? A indignação pode colocar em cena o imbricado jogo entre o singular do sujeito e o nó de sua posição no Outro social. Como transitar nesse movediço terreno que coloca o Um e o múltiplo em tensão? O que fazer com o gozo de cada um que não se deixa assimilar, nem neutralizar, quando estamos às voltas com outros, ao mesmo tempo em que nos contamos um a um?

A cada dia me pergunto: como metabolizar o impacto da violência de um desgoverno absolutamente desimplicado diante das atrocidades que emanam de suas arbitrariedades, seguindo em frente como cidadã e psicanalista? As palavras de Eve Miller Rose, na abertura do IX Enapol iluminaram um ponto de junção e disjunção que me ajuda a interrogar o modo de compor o que retomo a partir de um lugar onde minha resposta como cidadã não prescinde dos instrumentos de navegação que a psicanálise me oferece, ainda que não se trate de confundir meu lugar de cidadã com meu lugar de psicanalista. Recolhendo o que pude ouvir de suas palavras, trata-se de reconhecer que tomar a ética em termos de dignidade seria elevar o humano à dignidade de sujeito. É o que me orienta. Mas entre cidadã e psicanalista não há equivalência, nem superposição. Creio que, como psicanalista, estar advertida daquilo que em mim não encontra lugar na política dos bens e direitos, me permite calibrar meu lugar de cidadã, meu modo de tomar parte no mundo, nos laços a inventar com os outros. Nada disso é dado de antemão.  Na ausência de respostas prévias, sigo tentando aprender com a arte, lembrando com Freud e Lacan que o artista antecede o psicanalista. E assim, compartilho o que pude recolher de uma manifestação artística de jovens poetas das favelas do Rio de Janeiro que têm feito de certo uso da palavra uma arma potente.

Há alguns meses fui surpreendida por um ataque poético. Uma fala testemunhal ecoa pelos vagões da metrópole. Os “ataques” colocam a voz em primeiro plano. No meio de uma viagem qualquer, uma voz rompe o silêncio: “Ataque!” Imediatamente outros respondem: “poético!” De repente alguém recita: “Em nome do amor se oprime, reprime e ilude/Em nome da paz instaurada, a guerra mata um preto, dentro e fora da favela, a cada 23 minutos”.

O que haveria de poético nisso? Ainda que não seja possível um relato sem a ficção intrínseca ao que a palavra pode oferecer, o dito realismo com que alguns críticos se referem a esta produção literária contemporânea[3], tem sido marca dessas manifestações, onde o poeta grita urgências a partir de uma fala auto-biográfica que necessariamente incorpora a dimensão política das urgências sociais que enuncia. Um ataque de poetas periféricos, como eles próprios se apresentam, suscita surpresa e muitas perguntas. Seu uso da língua para despertar os transeuntes e chamar sobre si alguma atenção, traz a marca da indignação soletrada em palavras duras que retratam a violência e o abandono que marcam seu cotidiano. Impossível não ser afetado. Muitas são as vozes que se atravessam, harmoniosamente ou não, mas é interessante notar o modo como rompem com o anonimato de uma corriqueira viagem num transporte urbano. Eles nos desarmam. Sua intervenção incide sobre nós, sobre cada um que aprecia a beleza ou hostiliza os “esquerdopatas”. Uma cena se monta. Saímos do autismo hipnótico diante das telas dos smartphones.

Muitos eventos, desde o início dos anos 2000, vêm se consolidando com a marca desse uso da língua para retratar a realidade da vida nas favelas, num misto de catarse e produção artística, dita periférica, e que promove um reviramento ao interrogar onde ou qual seria o centro, já que se propõem a testemunhar o drama que se faz seminal no centro de suas vidas, entre o que toca a todos ali e a cada um. Suas palavras escancaram a inexistência do que quer que se possa chamar de sociedade, deixando expostas as valas comuns que expõem o sem-valor da vida dentro da engrenagem do sistema do qual fazemos parte.

Fazer da revolta arte, tocar o outro com suas palavras parece ser o nervo sensível desse modo de produzir com a própria voz uma audiência que lhes ateste dignidade, reconhecimento e lhe renda dinheiro para sobreviver. Fazer da indignação um ato de fala faz ecoar o princípio de que é preciso ser escutado para que o atributo de existência vigore, instaurando uma vida dentro da vida que chega a todos nós pelas manchetes. E mais ainda, ao tomar a palavra de modo performático, esses jovens fazem dela um projétil que pode furar a massa de uns e instaurar Outro possível. Colocando a voz em cena dão corpo a uma satisfação que atravessa o desalento coletivo e faz vibrar o instante.

Esses jovens não se apresentam como pobres pedintes. Passam o chapéu, de fato, mas é a reação do público que lhes retorna e liga uma chave interessante, reatando um laço, na vivacidade de um gesto que dá testemunho de um antes e um depois do happening dentro do vagão do metrô. A contingência do encontro vigora e sua efemeridade faz vibrar a vida possível no meio de um dia como outro qualquer. Marcus André me perguntou qual seria a articulação entre o que fazem esses coletivos e o que ocorre em uma análise? A produção de deslocamentos inauditos, respondi.

A indignação impactada pela surpresa de um encontro pode ressignificar um dia, produzir perguntas, provocar deslocamentos, instaurar brechas. Permite tornar vívida a diferenciação que Miller propõe, ao colocar a queixa do lado de uma posição de impotência e a indignação, como revelação de um impossível.


[1] La Cause Freudienne, n.75, juin, 2017.
[2] https://ix.enapol.org/es/indignai-vos-porem-2/
[3] Slans de poesia – batalhas de poesia falada
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PREPARATÓRIA IX ENAPOL ÓDIO, COLÉRA E INDIGNAÇÃO

O trabalho do psicanalista deveria ser fazer de todos poetas[1]

Renata Estrella e Andrea Vilanova

Entre os ataques poéticos na cidade, as batalhas de SLAM tomaram força no Brasil a partir dos protestos de 2013, sendo uma luta de intervenções poéticas, às vezes com júri popular, competições e prêmios, onde os versos carregam a intensidade de palavras de indignação, que denunciam o genocídio nas favelas, a opressão contra mulheres, o racismo. O movimento surgiu nos Estados Unidos na década de 1980 com intuito de levar recitais de poesia da academia a um público mais popular. No Brasil, os SLAMs fizeram o caminho contrário, surgidos nas áreas mais pobres da cidade, conseguiram reverberar por toda parte. Em geral, as intervenções poéticas nas batalhas carregam grande crítica político-social, tratando das diversas vertentes da segregação desde sempre vivida pelas populações mais carentes no Brasil.

O que haveria de poético nisso? Um ataque de poetas periféricos, como eles próprios se apresentam, suscita surpresa e muitas perguntas. Seu uso da língua para despertar os transeuntes e chamar sobre si alguma atenção, traz a marca da indignação soletrada em palavras duras que retratam a violência e o abandono que marcam seu cotidiano. Impossível não ser afetado. Muitas são as vozes que se atravessam, harmoniosamente ou não, mas é interessante notar o modo como rompem com o anonimato de uma corriqueira viagem num transporte urbano, por exemplo, nos desarmando. Uma cena se monta. Saímos do autismo hipnótico diante das telas dos smartphones. Saímos do nosso espaço protegido, talvez acomodado, amedrontado, impotente.

Um pouco disso parece ter sido vivido na seção Rio de Janeiro/ EBP em atividade preparatória ao IX ENAPOL, no dia 12/08. Apostando no que a poesia pode nos ensinar sobre um tema que suscita experiências como a falência da palavra, o esgarçamento do dizer, a passagem ao ato, diante do ódio, da cólera e da indignação, a comissão de biblioteca organizou uma conversação com dois poetas, Letícia Brito e Alberto Pucheu. Além de poeta, Letícia é produtora da cena carioca de poesia, atualmente integra a produção e realização do Slam das Minas RJ e é autora do livro Antes que seja tarde: para se falar de poesia. Alberto Pucheu, poeta e ensaísta, é professor de teoria literária da Faculdade de Letras da UFRJ. Autor do livro de poesias Para que poetas em tempos de terrorismos? e do livro de ensaios Que porra é essa – poesia?

O encontro parece ter presentificado, em nossa comunidade, a potência da poesia, que joga com o que poderia ser, o que não necessariamente é, mas existe, conforme lembrado por Alberto a partir da Poética. “Não é ofício de poeta narrar o que aconteceu; é, sim, o que poderia acontecer”[2], tomando poderia como tradução da ideia de potência em grego. Ressoou como um encontro inédito, que talvez produza perguntas, deslocamentos, instaure brechas.

Nós que somos cidadãos e psicanalistas, não estamos alheios ao impacto da violência de um desgoverno absolutamente desimplicado diante das atrocidades que emanam de suas arbitrariedades. Como seguir em frente? A arte abriu em cada um de nós presentes um sulco por onde seguir ali, naquele encontro, permitindo tornar vívida a diferenciação proposta por Jacques-Allain Miller[3], ao colocar a queixa do lado de uma posição de impotência e a indignação, como revelação de um impossível.

Esta parece ser uma das saídas que temos encontrado para nuançar o ódio, a cólera e a indignação, como parece ter proposto Alberto ao retomar a Ilíada. Ele lembra que a primeira palavra da primeira poesia do Ocidente é ira, um pedido à Musa Ira para cantar, o que dispara a guerra de Tróia, por Homero, uma poesia. Assim, talvez, inventar diferentes modos de odiar, diferentes formas de se indignar, esgarçando e incluindo no discurso o que hoje parece se apresentar sólido e consistente, como uma rocha interrompendo o caminho. É o que nos ensina Letícia com seu generoso testemunho e sua poesia que parecem fazer uso da palavra como uma arma potente, não sem ira, raiva e indignação.


[1]Fala de Letícia Brito à seção Rio de Janeiro/ EBP durante aconversação preparatória ao IX ENAPOL, no dia 12/08/2019.
[2]ARISTÓTELES. Poética. Tradução Eudoro de Sousa. 2. ed. Imprensa Nacional – Casa da Moeda. 1990. Série Universitária. Clássicos de Filosofia, p.451.
[3]MILLER, J.A. Comment se revolter?La Cause Freudienne, n.75, juin, 2017.

O último poema

Leticia Brito (trecho[1])

A cada três minutos um palhaço comete suicídio
A cada trinta segundos de rotina, 47 poetas são mortos
Cerca de 73% da população operária já foi, um dia, poeta
O genocídio de artistas pelo capital tem dados alarmantes
E confirmando as estatísticas
aqui jaz o poeta

O poeta morreu
Foi sufocado por contas a pagar
horários a cumprir
e metas a bater
A rotina matou o poeta
Toda a sensibilidade foi congelada
e colocada em tubos de ensaio
para ser entendida por gerações futuras

O poeta agora pensa dentro da caixa
Pude ver seu corpo quase sem esperança
na porta do CCBB
rondando as estações do metrô
esperando que algum amigo lhe ofereça um livreto

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 Para que poetas Em tempos de terrorismos?

Alberto Pucheu (trecho)[2]

na disputa entre o estado e o terrorismo,
na conciliação do estado e as empresas
pelo lucro do capital acima de tudo,
na sobreposição do templo com o banco
dispondo a cada momento da fé ou do crédito
de todo exército com as armas em sua defesa,
na definição do dinheiro (que já foi chamado
de homem) como único animal que bombardeia,
fico com as pessoas comuns, quaisquer,
com os rios, os bichos e as matas, com os que sentem
na pele até não serem mais capazes de sentir.
terrorista, hoje, é o outro, o que, coisificado, escapa
às diversas escalas, maiores ou menores,
da época do pau de selfie que vivemos,
terrorista, hoje, repito, é o outro, o inferno
do outro, o outro enquanto inferno, terror.
abrir as portas para o mais próximo, para o mais
parecido, para o semelhante, é um gesto belo
e necessário, mas é pouco quando, ao mesmo tempo,
o outro, quem quer que seja o outro,
o outro mesmo, o tido como o mais distante,
é trancafiado do lado de fora, bombardeado,
e, antes, fabricado para ser exatamente o outro


[1] Brito, L. O último poema. Em Mel Duarte (org) Querem nos calar: poemas para serem lidos em voz alta. Ilustrações de Lela Brandão. São Paulo: Planeta do Brasil, 2019. pp 105-107.
[2] PUCHEU, A. Para que poetas em tempos de terrorismos? Rio de Janeiro: Beco do Azougue Editorial, 2017, p.21.
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Cinema e Psicanálise

Coordenação: Stella Jimenez e Ana Martha Wilson Maia

Neste ano, trabalharemos o tema As paixões do ser: Amor, ódio e ignorância.

Com este tema, daremos continuidade ao que vínhamos trabalhando: A subversão nos tempos atuais, subversão de costumes e de paradigmas, que acabou sendo atropelada por uma eclosão, também muito atual, das paixões mais primárias.

Cinema e Psicanálise

Debate sobre Bicho de 7 cabeças

Stella Jimenez e Ana Martha Maia

Mariana Mollica centrou sua apresentação nas dificuldades da família do protagonista. A mãe depressiva e o pai muito autoritário, habitado pela paixão da ignorância, que não conseguiam escutar as angústias do filho adolescente. Esta situação se redobrou no hospital no qual é internado sem seu consentimento.

Ela falou sobre a segregação dos sujeitos que não se alinhavam com os ideais normativos da sociedade e articulou essa situação com o genocídio que atualmente acontece nas favelas, onde só pelo fato de um sujeito ter uma cor diferente ou ser pobre já é considerado fora dos padrões e passível de ser assassinado. Este tema repercutiu vivamente no público que retomou a situação mediante exemplos.

Ressaltou, também, a sabedoria dos psicóticos, como eles enunciam pérolas, tanto a respeito do saber lidar com a situação, como de produzir beleza em forma de poesia.

Pedro Gabriel Delgado colocou duas questões cruciais.

Primeira: Os internos do hospital aparecem em situações extremamente degradadas. Isso é só cenográfico? Ele responde que não, lembrando que na época em que ele e outros psiquiatras iniciaram a luta antimanicomial os internos eram tratados dessa mesma forma. De fato, o filme é baseado num livro autobiográfico de

Austregésilo Carrano Bueno que se tornou ativista da luta antimanicomial e escritor.

Segunda questão: é possível retroceder até uma situação semelhante? Com o apoio de diversos depoimentos da plateia, ele conclui que seria impossível, pois atualmente foi dada voz aos internos e às famílias dentro dos hospitais. Todavia, é possível sim e existe um retrocesso: os alojamentos substitutivos à internação estão sem orçamento, o que tem sido investidos nos hospitais. Os CAPs estão sendo substituídos por comunidades religiosas.

Os hospitais de internação voltaram a operar com a terapia electroconvulsivante para além de sua indicação específica, ou seja, em casos de melancolia grave que não cede com psicoterapia e medicação, assim como na catatonia.  Novamente esta terapia de choque é usada com finalidades correcionais e as consequências desse tipo de terapia continuam a ser um certo déficit neuronal.

O debate foi muito animado, com perguntas e intervenções muito interessantes.

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Cinema e Psicanálise

Debate sobre o filme: A grande dama do cinema.

Angela Bernardes comenta os estragos de um luto não elaborado: os sujeitos ficam presos ao passado. Neste caso, um passado de glórias e glamour, pois somente quando os protagonistas enfrentam o risco de uma nova perda, conseguem substituir o passado e viver o presente.

Para Alexandre Lambert, este filme funciona como uma boa aula de roteiro. Ele sublinha que toda história sempre traz uma moral, implícita ou explícita (como neste filme), e que se uma história se apresenta como imparcial, leva consigo a mensagem mais insidiosa.

Foi discutido o amódio presente nas relações de amizade e nas relações de um casal. No filme, por vezes aparece mais claramente o ódio e noutras, o amor.

Por que as relações de amizade são mais potentes contra a pulsão de morte do que as de casal? A pergunta fica sem reposta.

O filme mostra, também, que não existe amizade no neoliberalismo.

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Resumo do debate: Varda por Agnés

Debatedoras: Gloria Seddon, psicanalista e artista plástica e Fátima Pinheiro, psicanalista e artista plástica da EBP/AMP

Foi uma enorme emoção assistir o filme desta pioneira, seja como mulher, cineasta ou revolucionária. Em seguida, tivemos um vivo debate no qual foram destacados vários temas:

– O amor presente na sua obra, amor dirigido ao Outro, já que para ela os outros eram mais importantes que ela mesma.

– Exemplo de arte como forma de resistência e fator de mudança.

– Importância do desejo dirigido aos Outros, na diferença da história de jovem mulher retratada num filme dos filmes de Varda, que ao longo de sua vida vai cortando seus laços até morrer.

– Importância do humor na sua obra : surge uma pergunta no debate sobre a forma com que Varda transmite sua experiência – se seria pela via da ironia ou do humor – e se conclui que se trata de uma nota lúdica.

– Crítica sobre os efeitos mortíferos do neoliberalismo que trata tudo como produtos.

– O relevo que a diretora dá ao entorno: não se limita a focar nas figuras centrais. Ela sempre vê o que usualmente não se olha.

– Elevar o objeto à dignidade da coisa: Varda eleva (literalmente falando) pessoas e coisas desprezadas pela sociedade de consumo e lhes dá um papel predominante.

– Criação de novas palavras e de novos conceitos para definir suas criações e sua arte.

Além destas observações, o debate se centrou na diferença entre arte efêmera e a caducidade rápida dos produtos da sociedade de consumo, no império da pulsão de morte.

E foi discutida a diferença entre criação (ex -nihilo) e a invenção (a partir de elementos já existentes.)

Debate sobre o filme Snowden

Por Ana Martha Maia e Stella Jimenez

Embora tenha sido lançado em 2016, sua exibição trouxe uma plateia participativa e numerosa. O debate foi muito animado, do qual destacamos alguns dos principais pontos levantados.

Snowden denunciou e mostrou que a NSA e a CIA monitoravam todos os cidadãos do mundo por meio de seus celulares e computadores. Mesmo estando desligados, com estes aparelhos é possível ativar um “nervo ótico” que permite ver e escutar tudo o que está sendo feito e falado pelo sujeito. No filme, aparece a Petrobras, Dilma e Lula sendo observados. Snowden declarou que esse monitoramento serve para se apoderar dos recursos de outros países e para derrocar ou debilitar governos não alinhados com os objetivos estratégicos dos EEUU. É uma estratégia de guerra e a CIA e a NSA estão em guerra contra todos. O pre-sal corresponde a um terço das reservas petrolíferas do mundo.

Neste cenário, qual é o papel da imprensa?  Vimos, com a presença do jornalista convidado, Geraldo Mainenti, que o dever ético é publicar os fatos de interesse público, devidamente checados. E como funciona a mídia no Brasil? É subserviente da Cia e da NSA, já que defendem os mesmos objetivos: os interesses neoliberais das grandes corporações que querem lucrar cada vez mais. Todas essas corporações, por sua vez, são canalizadas para a indústria das armas e da guerra. Então, os grandes jornais publicam fatos não confirmados e omitem outros, sempre servindo ao capital financeiro. Neste sentido, surgiu um trocadilho: liberdade de imprensa não é liberdade de empresa.

Foi discutido o papel dos jornalistas: muitos se submetem à linha executiva para não perder o emprego. Mas sempre é possível fazer uma escolha ética, como Geraldo Mainenti: ele se demitiu de todos os órgãos que falseavam intencionalmente os acontecimentos.

Foi um erro de Lula continuar a subsidiar a Globo? Teria que ser criada uma mídia mais democrática? Muitos apostaram no papel da Internet como veículo de informação independente.

Foi levantado o fato de que nesse campo da SNA, a CIA e as corporações também há contradições. E que um só homem, com seu desejo, como disse Lenita Bentes, conseguiu sacudir esse imenso poder.

Foi colocada a pergunta de por que a população não reage ao conhecer as notícias veiculadas pelo Intercept. Será que a população está imbecilizada?  Foi respondido que duas grandes paixões humanas foram mobilizadas propositalmente para cegar à população: a paixão do ódio e a paixão da ignorância. Frente a estas paixões claudicam os argumentos e as evidências. Como se opor a elas?

Uma possibilidade seria por meio da cultura. Levar a arte, o teatro, o cinema, para comunidades que só contam com as igrejas para amenizar suas angústias.

Apesar de não ter sido retomada no debate, achamos impactante a resposta que deu Snowden ao ser interrogado sobre a possibilidade de ser morto: Todos vamos morrer. O importante é a maneira em que se vive.

Aconteceu na Cidade

Sobre Psicanálise e Cinema

Por Ana Martha Maia e Stella Jimenez

Debate sobre o filme Elefante, de Gus Van Sant: dois adolescentes invadem a escola, disparam a esmo e morrem logo depois. Debatedores: Cristina Duba e Sergio Javier Ferreira, cientista social. O debate foi muito animado! De inicio, Cristina Duba falou sobre o título do filme e o relacionou a uma parábola chinesa. Elefante seria uma referência à frase “Tem um elefante na sala”, ou seja, algo muito grande e incômodo que todo mundo finge não ver.  E também a uma parábola chinesa que narra como diferentes cegos querem definir um elefante a partir do pedaço que tocam: nunca chegam ao elefante total. Assim, Cristina situou o papel do indefinível frente a um ato tão radical. Ambos debatedores assinalaram o papel da meritocracia nos EEUU, onde desde a infância aparece a bipartição: ser perdedor ou bem-sucedido. O público presente comentou diferentes aspectos que o filme aborda, como a facilidade de se conseguir armas, a exclusão social e os jogos de vídeo game. Houve um certo consenso em torno do fato de que existiriam certos elementos que se poderiam pautar, embora sempre ficaria algo de inconclusivo:

Em pessoas que se sentiram excluídas, se a ideologia dominante faz apologia do uso de armas, pode surgir não só o desejo de vingança senão também a fantasia delirante de se construir um lugar social importante, ainda que depois da morte.

O fácil acesso à compra de armas.

Garotos que não conseguem separar realidade de jogo, por não poderem metaforizar.

Sobre a importância dos videogames não houve uma conclusão definitiva, já que alguns participantes insistiram em que os jogos e os filmes violentos teriam um papel muito importante em incitar estes atos.

http://ebp.org.br/rj/2019/08/05/elefante/

https://www.youtube.com/watch?v=iazq0z8bYBE

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Apresentação Leituras em Cena

Renata Martinez
05/07/2019

Olá boa noite, é com imenso prazer que dou as boas vindas a todos hoje! Essa é uma noite especial para nós do “Leituras em Cena”. Nós abrimos nossas janelas para os Insetos, abrimos nossa casa, a seção Rio da Escola Brasileira de Psicanálise, para receber presenças tão importantes nessa trajetória que construímos até aqui.

Muitos sabem que esse evento estava marcado para a noite do 17 de maio, mas tivemos que adiá-lo pelo caos que se instalou após as chuvas que deixaram nossa cidade amputada. Confesso que hoje pela manhã me deu um certo friozinho na barriga… Esse adiamento inverteu uma ordem e fez com que apresentássemos o Leituras aqui na seção, numa noite de 2a feira, antes da própria Leitura ocorrer.

O projeto, acolhido fortemente pela atual Diretoria,  já tem uma estrada e acho importante situá-la rapidamente. Assim como apresentar os “coletivos” envolvidos e quem os sustenta.

Serei breve: começamos a nos reunir, Maricia Ciscato, Isabel do Rego Barros Duarte e eu, Renata Martinez,  em março de 2018. Em julho, juntaram-se a nós Dinah Kleve, Natasha Berditchevsky, Patricia Patterson e Thereza De Felice. O que nos uniu foi a angústia diante dos tempos atuais, diante de nossa clínica e dos acontecimentos a nossa volta, a sensação frequente de “fim do mundo”, ou melhor, do fim de um tipo de mundo em que acreditamos e apostamos. Brincávamos na época que éramos “corpos angustiados”…

Não me canso de repetir e novamente escolho o mesmo fato pra ilustrar o que estou dizendo: março de 2018, assassinato de Marielle Franco, comoção, indignação, mas também paralisia e frustração. Claro que, bem antes disso ou de lá pra cá, presenciamos muitos acontecimentos bizarros, muita coisa se passou… E o mal estar permaneceu ou mesmo cresceu. O “Leituras em cena” tem sido uma nova maneira de lidar com tudo isso.

A psicanálise, desde Freud, nos oferece ferramentas de leitura para o mal estar na civilização. Mas nossa ideia era explodir as fronteiras, queríamos trabalhar com outras línguas de tratamento do mal estar. A arte, mais especificamente o teatro, pelo impacto da palavra e pela presença dos corpos – atores e plateia – , nos pareceu um caminho a seguir e foi nessa busca que Insetos se apresentou pra nós.

Eu tinha assistido a peça no CCBB em maio e, em agosto, quando a Editora Cobogó lançou o livro, inserimos o texto em nossos encontros. Que potência de transmissão! A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida… Frase de Oscar Wilde que vocês poderão verificar daqui a pouco, ao ouvirem a leitura…

Nessa peça que comemora os 30 anos da Cia dos Atores, o texto de Jô Bilac, foi intensamente trabalho pelo diretor convidado, Rodrigo Portella, que não pode estar aqui hoje conosco, e pelos atores Cesar Augusto, Gustavo Gasparani, Marcelo Olinto e Marcelo Valle – esses maravilhosos que estão aqui -, e mais Susana Ribeiro, cuja ausência sentimos muito. Coletivamente, puseram a mão na massa e criaram os personagens e seu próprio texto adaptado para o espetáculo no palco.

A publicação de Insetos é linda e faz parte da coleção Dramaturgia da Editora Cobogó, que tem hoje uma coleção enorme de teatro contemporâneo, são 58 títulos publicados! Se quiserem, vocês podem comprar o livro ali na casa 16. A edição traz as duas versões do texto lado a lado, é um trabalho muito delicado.  Queremos agradecer imensamente à Isabel Diegues, editora chefe da Cobogó que está aqui hoje pra participar da conversa e topou a parceira conosco com muita empolgação.

Essa é a terceira vez que nós nos encontramos para uma roda de conversa. Por “nós” quero dizer a Cia dos Atores, a editora Cobogó e o Leituras em Cena. Em dezembro, a convite da Cia dos Atores, estivemos no palco da Sede das Cias na Lapa após o espetáculo para uma conversa com diretor, atores, editora e a plateia. Em fevereiro, foi a vez de adentrarmos a Carpintaria, uma galeria de arte que aposta no diálogo com outras linguagens. Ali, numa conversa animada, nos misturarmos às artes plásticas e aos atores na exposição “Perdona que no te crea” cujas fronteiras se queriam mesmo borradas. Foram duas experiências intensas.

Agora, para esquentar nossa terceira conversa pública convidamos o psicanalista Marcus André Vieira e o escritor Luiz Eduardo Soares.

Marcus é de casa, psicanalista da EBP/AMP, conduz há dois anos um seminário intitulado “A psicanálise do fim do mundo”. Muitas das ideias que nos impulsionam a sustentar o “Leituras em Cena” foram retiradas desse seminário e não podíamos deixar de convidá-lo para estar aqui conosco.

O Luiz Eduardo além de cientista político, antropólogo e escritor é amante e conhecedor de teatro. O Luiz esteve em nosso 2o encontro na Carpintaria quando participou da leitura e da excelente conversa que tivemos lá. Apostamos que sua contribuição e suas ideias nos trarão força para seguirmos trabalhando.

Passemos então a leitura de cenas de Insetos e depois a conversa! Obrigada

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