Quando a Escola acontece

Por Andrea Vilanova 

Este é um momento para celebrarmos nosso trabalho de Escola, a partir do alcance da máquina de guerra que é o cartel, nas palavras de Lacan. Vou me servir do significante “ancoragem”, que reverberou na primeira mesa da manhã, para destacar o alcance do trabalho de Escola – na perspectiva do que pode oferecer a cada um e a todos nós aqui reunidos – frente à dureza e à truculência desses tempos que vivemos.

Este esforço de redução, convocado pela diretoria de cartéis e intercâmbio, é fruto de um trabalho realizado ao longo dos dois anos de atividade em nossa diretoria. Pude recortar aqui uma questão que acompanha meu trânsito e que encontrou na realização do cartel com minhas colegas de diretoria Andréa Reis, Ana Tereza e Renata, tendo Paulo Vidal como mais-um, uma chance de dizer algo mais. No caminho, o território da OL foi ganhando cartografias múltiplas, a partir de diferentes experiências de Escola. E, a cada vez, me sustento do que me surpreende nesses passos. 

A Escola, que não se confunde com a instituição na forma de estatutos e afins, emerge como acontecimento, alojando aquilo que aí colocamos de nossa transferência com a OL. Para que haja Escola, não basta estarmos protegidos e acolhidos em um sentimento de pertencimento a um grupo determinado, sob a lógica do reconhecimento. Isso não sustenta Escola, seu avesso não tarda, já sabemos.

O trabalho de Escola, a partir da sustentação de uma posição institucional, ancora-se num desejo que, não sendo anônimo, dá ao cargo uma cara e um estilo. A permuta nos cargos – tempo determinado para esse exercício –, cumpre uma função central para a Escola e, também, para cada um que empresta sua presença a essas funções que constituem a armação que sustenta a existência da Escola, uma estrutura que precisa ser habitada.

Como essa engrenagem não se reduz à burocracia? Como torna-se possível a cada um entrar no jogo como singularidade e daí produzir-se um enlace com os outros? Advertidos de que é a partir daquilo que não se compartilha que algo pode se coletivizar, proponho retomar o Witz como matriz de leitura para uma hipótese de trabalho em torno do acontecimento Escola. 

Entre a solidão do Um e o laço com alguns outros, a cada vez, a Escola acontece. A perspectiva do Witz aponta para isso que acontece, surpreende, irrompe na cena da enunciação em presença de alguns outros, que sancionam uma mensagem que dá corpo ao Outro que se renova em sua inconsistência. São grãos de satisfação, grãos de real que sempre brotam de onde não se espera, e iluminam por instantes um certo saber-se da paróquia, não sem a ironia que isso comporta. 

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