{"id":4497,"date":"2025-01-21T06:30:01","date_gmt":"2025-01-21T09:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4497"},"modified":"2025-01-21T06:30:01","modified_gmt":"2025-01-21T09:30:01","slug":"o-produto-do-cartel-seu-escrito-um-estilo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/o-produto-do-cartel-seu-escrito-um-estilo\/","title":{"rendered":"O produto do cartel: seu escrito, um estilo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\">Marilsa Basso EBP\/AMP<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Diretora de Cart\u00e9is e Interc\u00e2mbio da EBP<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4498\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_003-1024x819.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_003-1024x819.png 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_003-300x240.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_003-768x614.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_003.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Surpreendida por esse tema formulado pela Comiss\u00e3o de Cart\u00e9is e Diretoria da Se\u00e7\u00e3o Nordeste de nossa Escola Brasileira, trago uma pequena articula\u00e7\u00e3o que voc\u00eas me permitiram fazer em torno do que podemos especificar, no esfor\u00e7o de uma diferencia\u00e7\u00e3o sustentada, em torno do produto do cartel, esse dispositivo genial que Lacan inventa, bem ao seu estilo.<\/p>\n<p>Assim, coloco como pergunta a afirma\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo dessa nossa Jornada de Cart\u00e9is da Se\u00e7\u00e3o Nordeste: o que \u00e9 um produto de cartel, seu escrito (enfatizo o que no t\u00edtulo deixaram bem claro, \u2018seu\u2019, no singular), e do que se trata um estilo?<\/p>\n<p>Eu poderia responder de modo simples: o produto de um cartel \u00e9 uma escrita que se d\u00e1 a partir de uma investiga\u00e7\u00e3o e da discuss\u00e3o realizada em um pequeno coletivo e cuja produ\u00e7\u00e3o, embora circule entre v\u00e1rios, \u00e9 individual. Isso \u00e9 fato. Mas, problematizo: o que faz essa escrita ser um produto de cartel e o que ela traz de diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais produ\u00e7\u00f5es em psican\u00e1lise que fazemos sem passar por um cartel? E, se uma pesquisa passar por uma discuss\u00e3o em grupos de estudos, em semin\u00e1rios, ou seja, em um coletivo, em que aspecto a formaliza\u00e7\u00e3o desta em uma produ\u00e7\u00e3o escrita a diferenciaria em rela\u00e7\u00e3o a um produto de cartel?\u00a0 E ainda: pode o cartel provocar um estilo?<\/p>\n<p>Vamos aos fundamentos que dividirei em tr\u00eas partes: o cartel e sua estrutura de funcionamento, a escrita como produto e o estilo.<\/p>\n<p>Lacan funda a Escola e, com esse ato de funda\u00e7\u00e3o, prop\u00f5e o cartel. Ou seja, ele mesmo, o dispositivo do cartel, \u00e9 fruto de um ato. Um ato como tal sempre comporta algo de real e, logicamente, n\u00e3o \u00e9 sem efeito. Era um momento em que Lacan se inquietava com a burocratiza\u00e7\u00e3o e a universaliza\u00e7\u00e3o dos discursos que tendiam a um certo didatismo imposto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do analista, e o discurso do mestre tomava a cena. Assim, ao propor um novo modo de funcionamento no ensino de psican\u00e1lise, ele cria o cartel como \u201cm\u00e1quina de guerra antididata\u201d, como um modo de transmiss\u00e3o. Diz ele:<\/p>\n<blockquote><p>Para a execu\u00e7\u00e3o do trabalho, adotaremos o princ\u00edpio de uma elabora\u00e7\u00e3o apoiada num pequeno grupo. Cada um deles (temos um nome para designar esses grupos) se compor\u00e1 de no m\u00ednimo tr\u00eas pessoas e no m\u00e1ximo cinco, sendo quatro a justa medida. MAIS UM encarregado da sele\u00e7\u00e3o, da discuss\u00e3o e do destino a ser reservado ao trabalho de cada um.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a><\/p><\/blockquote>\n<p>Lacan prop\u00f5e, ent\u00e3o, com esse dispositivo, uma pr\u00e1tica que implica uma experi\u00eancia de forma\u00e7\u00e3o. Vou destacar cinco pontos norteadores que hoje podemos extrair das experi\u00eancias de cartel:<\/p>\n<ol>\n<li>Que se fa\u00e7a la\u00e7o em torno de um tema comum.<\/li>\n<li>Que, no la\u00e7o entre v\u00e1rios, haja um, \u2018mais-um\u2019, que marque a diferen\u00e7a sem que ocupe lugar de mestre, que fa\u00e7a fun\u00e7\u00e3o de \u2018menos\u2019 diante das forma\u00e7\u00f5es identificat\u00f3rias imagin\u00e1rias de grupo e que possa operar diante das crises pr\u00f3prias do funcionamento grupal.<\/li>\n<li>Que, nas circula\u00e7\u00f5es dos discursos, algo do real possa ser sustentado e n\u00e3o obstru\u00eddo.<\/li>\n<li>Que o la\u00e7o no coletivo se dissolva ap\u00f3s um tempo de trabalho.<\/li>\n<li>Que a causa anal\u00edtica seja revigorada e fomentada pelos novos produtos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Vemos ainda que, desde o princ\u00edpio, com seu ato pol\u00edtico, Lacan coloca sua pr\u00f3pria solid\u00e3o em uma cria\u00e7\u00e3o que muda o destino da forma\u00e7\u00e3o do analista.<\/p>\n<p>Destaco o que disse Lacan, em 21 de junho de 1964: \u201cFundo \u2013 t\u00e3o sozinho quanto sempre estive em minha rela\u00e7\u00e3o com a causa psicanal\u00edtica &#8211; a Escola Francesa de Psican\u00e1lise\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 interessante pensar que h\u00e1, nesse momento de crise em torno do ensino, um ato que comporta uma solid\u00e3o, e que Lacan opera na crise mesma a partir dessa solid\u00e3o, propondo um coletivo que comporta um ponto \u2018fora\u2019, um \u2018mais-um\u2019 com fun\u00e7\u00e3o de \u2018menos\u2019, de esvaziamento.<\/p>\n<p>Em <em>D<\/em><em>\u2019\u00c9colage<\/em>, anos depois, ele reformula e aprimora o modo de funcionar da Escola, outro momento de crise e dissolu\u00e7\u00e3o, onde ele diz:\u00a0\u201cDou partida \u00e0 Causa Freudiana &#8211; e restauro, em seu favor, o \u00f3rg\u00e3o de base retomado na funda\u00e7\u00e3o da Escola- ou seja, o cartel, cuja experi\u00eancia feita, eu aprimoro a formaliza\u00e7\u00e3o\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Ele segue ent\u00e3o colocando cinco pontos precisos em torno do cartel, o que resumo muito brevemente: o produto pr\u00f3prio de cada um, o mais-um como provocador, a permuta\u00e7\u00e3o e o tempo, a exposi\u00e7\u00e3o peri\u00f3dica dos resultados e das crises, a vetoriza\u00e7\u00e3o do conjunto.<\/p>\n<p>Todo grupo se forma em torno de identifica\u00e7\u00f5es e os efeitos de cola s\u00e3o naturais aos coletivos. Trabalhamos na vertente das desidentifica\u00e7\u00f5es, na busca da singularidade de cada um, mas formamos grupos e coletivos o tempo todo. A genialidade de Lacan est\u00e1 exatamente em propor que, no coletivo, cada um possa suportar o que no la\u00e7o desenla\u00e7a e \u00e9 a partir disso que se pode extrair o \u2018Um\u2019 de cada um. Ent\u00e3o esse pequeno grupo deve estar envolto em uma causa comum que os une, ao mesmo tempo em que deve suportar e at\u00e9 mesmo cernir a diferen\u00e7a singular.<\/p>\n<p>Lacan nos traz a \u201celabora\u00e7\u00e3o provocada\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>, que se d\u00e1 na rela\u00e7\u00e3o com o outro, o que no cartel, segundo \u00c9ric Laurent, vai \u201cda unidade do grupo at\u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de sujeitos divididos, remetidos a sua quest\u00e3o \u00edntima\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>. Esse \u00e9 o ponto que faz a passagem do coletivo ao singular e, por esta via, \u00e9 que podemos pensar no estilo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>O que ocorre nesse funcionamento s\u00e3o encontros te\u00f3ricos, cl\u00ednicos e epist\u00eamicos. H\u00e1 tamb\u00e9m desencontros, crises, fraturas, desconstru\u00e7\u00f5es de saberes previamente adquiridos. Pois bem, tanto nos encontros, quanto, mais-ainda eu diria, nos desencontros e desconstru\u00e7\u00f5es, est\u00e3o as enuncia\u00e7\u00f5es de cada um. Nestas est\u00e3o as p\u00e9rolas de uma articula\u00e7\u00e3o onde cada um pode encontrar um caminho \u00fanico, uma brecha para uma escrita in\u00e9dita.<\/p>\n<p>Por qu\u00ea? Busca-se um saber, mas l\u00e1 onde se busca, algo se perde e, l\u00e1 onde se perde, pode ocorrer uma inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na circula\u00e7\u00e3o dos discursos que acontece no cartel, a posi\u00e7\u00e3o do \u2018mais-um\u2019 \u00e9 fundamental. Ele tem a fun\u00e7\u00e3o de esvaziar o discurso do mestre que lhe \u00e9 demandado e, ao mesmo tempo, a de provocar um desajuste para que algo novo possa advir. Quando em fun\u00e7\u00e3o de \u2018agente provocador\u2019, \u00e9 no discurso hist\u00e9rico que ele interv\u00e9m. A\u00ed est\u00e1 um momento de circula\u00e7\u00e3o e, nesse intervalo, o modo de fazer de cada um.<\/p>\n<p>Uma palavra endere\u00e7ada ao outro pode se fazer ouvir de outra maneira. \u00c9 disso que se trata o movimento de ir e vir da palavra que, articulada no coletivo, faz eco. E um eco nunca retorna de modo id\u00eantico ao que se pretendia enunciar.<\/p>\n<p>As brechas, os intervalos e os furos nos discursos que tendem \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o s\u00e3o os momentos em que se d\u00e3o lugar ao real intr\u00ednseco no jogo das palavras e das trocas no pequeno coletivo. Estaria a\u00ed o advento da circunst\u00e2ncia que se pode efetuar uma cria\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Ca\u00ed ent\u00e3o numa publica\u00e7\u00e3o da EBP de 2022, sob organiza\u00e7\u00e3o de Graciela Bessa e K\u00e9sia Ramos, intitulada O analista e o estilo.\u00a0 Em um dos textos, Graciela diz:<\/p>\n<blockquote><p>Ao articular estilo e objeto a, Lacan p\u00f5e em jogo a letra uma vez que o objeto n\u00e3o \u00e9 significante (&#8230;). Trabalhar a rela\u00e7\u00e3o entre estilo e letra \u00e9 fundamental pois nos remete \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do escrito, do escrito como sinthoma em que est\u00e1 em jogo um fazer com a letra, letra como marca de gozo, cuja verdade est\u00e1 no real<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Complementa, de forma exemplar, Cassandra Dias Farias:<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 pela letra, impress\u00e3o prim\u00e1ria de lal\u00edngua sobre o corpo vivo, que se constitui, atrav\u00e9s do enodamento do sinthoma, o que h\u00e1 de mais singular no ser falante. Tal caracter\u00edstica se situa para al\u00e9m da l\u00f3gica significante, por escapar ao campo do sentido, colocando em relevo a dimens\u00e3o do objeto<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ela continua: \u201cUm saber-fazer (savoir-y-faire) com a letra que tra\u00e7a uma borda frente ao que h\u00e1 de mais real para cada um, seu modo de gozar. De acordo com o sinthoma, depreende-se o estilo\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>K\u00e9sia Ramos, nesta mesma publica\u00e7\u00e3o, traz uma frase muito precisa: \u201cA inven\u00e7\u00e3o custa o gozo de escrever, um gozo que fica contido no tra\u00e7o. Escrever o saber \u00e9 passar o gozo \u00e0 letra e o estilo \u00e9, ent\u00e3o, um modo de transmiss\u00e3o, uma confiss\u00e3o produzida pela revolu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m da fala\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ora, e o cartel, como pode ele provocar a apari\u00e7\u00e3o de um estilo?<\/p>\n<p>Uso o termo apari\u00e7\u00e3o aqui no sentido de manifestar-se, fazer aparecer, mas ele toca tamb\u00e9m o car\u00e1ter repentino, e talvez toque o divino no sentido metaf\u00f3rico. Por qu\u00ea? Algo do fora-de-sentido pode surgir ali mesmo na circunst\u00e2ncia onde os saberes escapam \u00e0 intencionalidade. Logo, pode ser pelo vazio de sentido previamente adquirido que se pode escrever um sentido que faz la\u00e7o, que conjuga, enoda aquilo que tende ao fora. Chegamos \u00e0 dobradi\u00e7a, ao \u2018dentro e fora\u2019 do cartel, ao \u2018dentro e fora\u2019 do coletivo.<\/p>\n<p>Do dentro que faz fora, do coletivo ao singular, da letra, marca de gozo que se destaca, se desconecta de das amarra\u00e7\u00f5es discursivas, ao que de singular pode \u2018aparecer\u2019. A \u2018apari\u00e7\u00e3o\u2019 de um estilo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a quest\u00e3o do tempo. Da constitui\u00e7\u00e3o de um grupo \u00e0 entrada em um cartel, h\u00e1 um tempo. Um tempo \u00e9, para n\u00f3s, l\u00f3gico e particular, assim como cada cartel a ser constitu\u00eddo tem seu tempo e sua l\u00f3gica. Diz Nohem\u00ed Brown:<\/p>\n<blockquote><p>O real em jogo no cartel pode se manifestar, tamb\u00e9m, em diferentes momentos: nos impasses com rela\u00e7\u00e3o ao saber de cada um de seus membros, na forma como ele se constitui, no funcionamento do grupo, na elabora\u00e7\u00e3o do produto, nas dificuldades de dissolu\u00e7\u00e3o ou permuta\u00e7\u00e3o etc. Inclusive, \u00e9 necess\u00e1rio um tempo para a escolha do Mais-um e para o modo como o Mais-um pode operar<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Um cartel dito tradicional \u00e9 proposto de um a dois anos. Um fulgurante, remetido ao tempo pr\u00e9vio de um evento ou de uma atividade de Escola. Mas e o tempo de elabora\u00e7\u00e3o de cada um no cartel? Ele est\u00e1 articulado a dois momentos: o do individual e o do coletivo. Esses tempos n\u00e3o est\u00e3o necessariamente em sintonia: sofrem interfer\u00eancias do acaso, no interior mesmo da circula\u00e7\u00e3o de discursos, de saberes e n\u00e3o saberes de cada um que se dispuser a essa entrega na experi\u00eancia. Uma experi\u00eancia, sabemos, \u00e9 sempre \u00fanica, singular. Tomamos ent\u00e3o esses princ\u00edpios quanto ao tempo e \u00e0 modalidade, como norteadores. Nesse sentido, pode-se extrair de um cartel mais de um produto ou mesmo nenhum. \u00c9 o risco da pr\u00f3pria experi\u00eancia que permite escan\u00e7\u00f5es, ela est\u00e1 sujeita ao encantamento, \u00e0s crises, \u00e0 emerg\u00eancia do sujeito divido, do \u00fanico ou do nada. Enfim, um produto \u00e9 esperado, mas nunca obrigat\u00f3rio, caso contr\u00e1rio estar\u00edamos na burocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em uma publica\u00e7\u00e3o da EOL, chamada 4 m\u00e1s uno, Patricio \u00c1lvarez Bay\u00f3n, em um texto intitulado Lo real del cartel, traz uma conclus\u00e3o interessante:<\/p>\n<blockquote><p>Podemos localizar, a t\u00edtulo de conclus\u00e3o, tr\u00eas poss\u00edveis sintomas do cartel, e tamb\u00e9m, por que n\u00e3o, tr\u00eas poss\u00edveis sintomas da Escola: o sentido, o grupo, a hierarquia quando se torna burocracia. Diante deles, tr\u00eas respostas, tr\u00eas formas do real do redemoinho estabelecido por Lacan: o imposs\u00edvel de saber, a conting\u00eancia, a dissolu\u00e7\u00e3o ou permuta\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Isso implica uma compreens\u00e3o l\u00f3gica: um grupo se forma, um cartel se constitui e se declara \u00e0 Escola, seu lugar de la\u00e7o. Se desenvolve e se dissolve para que n\u00e3o fique em elocubra\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias. Entretanto, o que se extrai \u00e9 um ponto que ir\u00e1 agregar por toda forma\u00e7\u00e3o, permanente: do analista e da Escola.<\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o compartilhada, cuja elabora\u00e7\u00e3o se disp\u00f5e a ser feita em num coletivo de cartel, est\u00e1 sujeita a interven\u00e7\u00f5es e pode findar em um produto in\u00e9dito, \u00e0s vezes nem mesmo esperado pelo pr\u00f3prio autor da escrita. Isso se d\u00e1 pelas provoca\u00e7\u00f5es consentidas, eu diria, ali no pr\u00f3prio dispositivo.<\/p>\n<p>O \u2018deixar-se levar na experi\u00eancia\u2019 permite um \u2018ir e vir\u2019, um \u2018dentro e fora\u2019, ou seja, permite o jogo do real impl\u00edcito no pr\u00f3prio dispositivo. Sim, esse funcionamento, uma vez que possibilita o vazio, a desconstru\u00e7\u00e3o, o sujeito dividido, pode fazer um movimento de descolamento e neste um estilo. Um descolamento das identifica\u00e7\u00f5es, do sintoma de grupo, de saberes pr\u00e9vios.<\/p>\n<p>O estilo surge pela express\u00e3o de cada um ao se lan\u00e7ar na experi\u00eancia de real, na perspectiva da manifesta\u00e7\u00e3o do inconsciente: \u2018seu\u2019 escrito, um estilo!<\/p>\n<p>Desejo a todos uma boa experi\u00eancia nessa Jornada que se inscreve ao estilo de cada um.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> LACAN, J. (1964). Ato de funda\u00e7\u00e3o. In: <em>Outros Escritos<\/em>, Rio de Janeiro: Zahar, 2003, p. 235.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> \u00a0Idem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> \u00a0LACAN, J. (1980). <em>D<\/em><em>\u2019\u00e9colage<\/em>. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.wapol.org\/\">www.wapol.org<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Idem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>\u00a0LAURENT, \u00c9. O real e o grupo. In: Cartel novas leituras. EBP, 2021. Org. Nohem\u00ed I. Brown.\u00a0 p. 33.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> BESSA, G.\u00a0 Argumento &#8211; O analista e o estilo. In: O analista e o Estilo. Conversa\u00e7\u00e3o das bibliotecas da EBP.\u00a0 2022. p. 16.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> \u00a0DIAS, C. O analista e o estilo. In: O analista e o Estilo. Conversa\u00e7\u00e3o das bibliotecas da EBP.\u00a0 2022. p. 46.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> \u00a0Idem. p. 47.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><sup>[9]<\/sup><\/a> RAMOS, K. O analista e o estilo In: O analista e o Estilo. Conversa\u00e7\u00e3o das bibliotecas da EBP.\u00a0 2022. p. 87.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> BROWN, N. A porta do cartel. In: Cartel novas leituras. EBP, 2021. Org. Nohem\u00ed I. Brown.\u00a0 P 154.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> \u00c1LVAREZ, P. Lo real del cartel. In\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.cuatromasunoeol.com\/edicion\/004.portada\">4 M\u00e1s-Uno | Secretar\u00eda de Carteles de la Escuela de la Orientaci\u00f3n Lacaniana<\/a>. EOL. 2023.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marilsa Basso EBP\/AMP Diretora de Cart\u00e9is e Interc\u00e2mbio da EBP Surpreendida por esse tema formulado pela Comiss\u00e3o de Cart\u00e9is e Diretoria da Se\u00e7\u00e3o Nordeste de nossa Escola Brasileira, trago uma pequena articula\u00e7\u00e3o que voc\u00eas me permitiram fazer em torno do que podemos especificar, no esfor\u00e7o de uma diferencia\u00e7\u00e3o sustentada, em torno do produto do cartel,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-4497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-litoraneo","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4497"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4497\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4499,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4497\/revisions\/4499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4497"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=4497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}