{"id":4488,"date":"2025-01-21T06:21:22","date_gmt":"2025-01-21T09:21:22","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4488"},"modified":"2025-01-21T06:34:07","modified_gmt":"2025-01-21T09:34:07","slug":"histeria-masculina-consideracoes-sobre-a-direcao-do-tratamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/histeria-masculina-consideracoes-sobre-a-direcao-do-tratamento\/","title":{"rendered":"Histeria Masculina? Considera\u00e7\u00f5es sobre a dire\u00e7\u00e3o do tratamento"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\">Marina Fragoso \u2013 Participante da NPJ<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: 13px;\">Cartel: Histeria Masculina, mais-um: Jorge Assef<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4489\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_006-1024x819.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_006-1024x819.png 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_006-300x240.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_006-768x614.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/litoraneo_016_006.png 1080w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>Adicionar a terminalidade masculina para pensar a histeria seria redundante quando vamos mais al\u00e9m do \u00c9dipo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sexua\u00e7\u00e3o? \u00c9 a partir dos adere\u00e7os da feminilidade que a histeria se defende do feminino atrav\u00e9s do seu padecimento \u00e0 flor da pele que tenta dar consist\u00eancia a um corpo. A respeito disso, Recalde pontua: \u201cO sujeito hist\u00e9rico faz um uso peculiar, por exemplo, da estrutura\u00e7\u00e3o de um corpo que se sustenta no pai como defesa ao real do feminino\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, de maneira que a posi\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica reivindica uma consist\u00eancia referida ao falo na tentativa da constitui\u00e7\u00e3o de um significante localizado no corpo do Outro.<\/p>\n<p>Podemos pensar o lugar da identifica\u00e7\u00e3o viril a partir de Moraga, a qual a relaciona com: \u201cum tra\u00e7o do outro na forma\u00e7\u00e3o do eu. Este se monta a partir de um s1, um significante que est\u00e1 em outro corpo\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>. Lacan discorre que a quest\u00e3o que constitui o sintoma hist\u00e9rico, tanto em homens quanto em mulheres, \u00e9 a mesma: \u201ca mulher se interroga sobre o que \u00e9 ser uma mulher, do mesmo modo que um sujeito macho se interroga sobre o que \u00e9 ser uma mulher\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o interrogar-se sobre o feminino, uma das consequ\u00eancias do sintoma hist\u00e9rico pode ser a identifica\u00e7\u00e3o a um tra\u00e7o viril. Sobre isso, prop\u00f5e Leguil: \u201c\u00c9 para n\u00e3o nos interrogarmos sobre o que \u00e9 uma mulher que nos remetemos aos estere\u00f3tipos, os quais apresentam um saber dogm\u00e1tico sobre o seu ser\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Na histeria masculina n\u00e3o seria diferente: o sujeito hist\u00e9rico faz uso dos adere\u00e7os de virilidade para dar conta da sua dissimetria, da sua rela\u00e7\u00e3o com a falta. Ainda nesse sentido,\u00a0 Lacan afirma em seu <em>Semin\u00e1<\/em><em>rio 3<\/em>, ao comentar um caso, que, no que se refere \u00e0 histeria em homens, a consequ\u00eancia anat\u00f4mica hist\u00e9rica vai para al\u00e9m da biologia, desta feita, \u201cNada na anatomia nervosa recobre, seja o que for, do que \u00e9 produzido nos sintomas hist\u00e9ricos. \u00c9 sempre de uma anatomia imagin\u00e1ria que se trata\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>, uma vez que \u00e9, tamb\u00e9m, pela via imagin\u00e1ria que o sintoma hist\u00e9rico se estabelece.<\/p>\n<p>O sintoma hist\u00e9rico que se constitui em uma combina\u00e7\u00e3o entre verdade e falsidade faz uso da matriz imagin\u00e1ria para construir um sintoma que \u2013 enquanto defesa a um real \u2013 busca consist\u00eancia no Outro para dar contorno ao campo pulsional. Quando esse sistema falha, a histeria produz o sintoma conversivo como resposta. Dessa forma, \u201cPara ter reconhecimento da sua feminilidade, ser-lhe-ia preciso realizar a assun\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio corpo, sem que ela continue exposta ao despeda\u00e7amento funcional (para nos referirmos \u00e0 contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rica do est\u00e1dio de espelho), que constitui os sintomas de convers\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O ponto que norteia uma neurose vai em dire\u00e7\u00e3o a uma quest\u00e3o. No caso da histeria, uma pergunta que se endere\u00e7a a um mestre como agente de saber sobre uma verdade: \u201cO que \u00e9 uma mulher?\u201d. Ao pensar a dire\u00e7\u00e3o do tratamento na histeria em homens ou mulheres \u00e9 preciso que o discurso anal\u00edtico se instaure, despregando a consist\u00eancia desse Outro enigm\u00e1tico que a histeria sup\u00f5e saber sobre seu pr\u00f3prio eu. Nessa dire\u00e7\u00e3o, partindo de uma desidentifica\u00e7\u00e3o a esse Outro absoluto, a inser\u00e7\u00e3o da invers\u00e3o dial\u00e9tica na rela\u00e7\u00e3o transferencial tem como desdobramento permitir que a estrutura hist\u00e9rica possa constituir um desejo de saber sobre o Um, desarticulado a uma pergunta universal, aproximando-se de uma posi\u00e7\u00e3o mais feminina e situando-a no mais al\u00e9m da identifica\u00e7\u00e3o viril.<\/p>\n<p>Quando Lacan localiza, no <em>Semin\u00e1<\/em><em>rio 20<\/em>, a postula\u00e7\u00e3o de que A mulher n\u00e3o existe sen\u00e3o barrando-se o A que a universaliza, localiza o feminino como um gozo n\u00e3o-todo referenciado ao falo, marcado pela indetermina\u00e7\u00e3o. Tendo como norte essa indetermina\u00e7\u00e3o que funda a <em>ex-sist\u00ea<\/em><em>ncia<\/em>, pensar a dire\u00e7\u00e3o do tratamento na histeria \u00e9 ir na contram\u00e3o da mascarada hist\u00e9rica que tenta fazer existir a complementariedade da rela\u00e7\u00e3o sexual, sem se antecipar nas tenta\u00e7\u00f5es interpretativas, mas oferecendo um caminho para que as retifica\u00e7\u00f5es subjetivas sobre a exist\u00eancia da Outra mulher possam se dissipar em uma outra rela\u00e7\u00e3o com o feminino, como pontua Lai\u00f3n<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>: \u201cUma an\u00e1lise pode permitir a um ser falante tratar o seu recha\u00e7o ao feminino e possibilitar que haja uma virilidade orientada pelo <em>sinthome<\/em>, uma inven\u00e7\u00e3o frente ao feminino\u201d.<\/p>\n<p>Orientar uma an\u00e1lise nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 dar um tratamento ao sintoma hist\u00e9rico na dire\u00e7\u00e3o de reformular, no um a um da sua singularidade, o que cada hist\u00e9rico poder\u00e1 inventar da sua <em>ex-sist\u00ea<\/em><em>ncia<\/em>, tomando como norte que: se na histeria o que est\u00e1 em quest\u00e3o \u00e9 o que \u00e9 uma mulher, no feminino nos deparamos com o imposs\u00edvel de se escrever dessa pergunta.<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> RECALDE, M. <em>La histeria, hoy<\/em>. In. VIGAN\u00d3, A. et. al. <em>(H)ET\u00c9REAS: las mujeres, lo feminino y su indecible. <\/em>Buenos Aires: Grama Ediciones, 2014. p. 116<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> MORAGA, P. <em>Cuerpos atrapados<\/em>. La Ciudad Anal\u00edtica. Buenos Aires, v. 5, n. 5, p. 32-35, jun. 2023. p. 35<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 3: as psicoses<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. p. 208<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> LEGUIL, C. <em>O ser e o g\u00eanero: homem\/mulher depois de Lacan<\/em>. Belo Horizonte: EBP Editora, 2016. p. 125<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>O semin\u00e1rio, livro 3: as psicoses<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1988. p. 209<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> LACAN, J. <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1998. p. 221<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10px;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> LAI\u00d3N, A. <em>El estrago materno em el hijo: lo indecible<\/em>. Mediodicho. N. 43, p. 87-90, out. 2017. p. 90<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marina Fragoso \u2013 Participante da NPJ Cartel: Histeria Masculina, mais-um: Jorge Assef Adicionar a terminalidade masculina para pensar a histeria seria redundante quando vamos mais al\u00e9m do \u00c9dipo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 sexua\u00e7\u00e3o? \u00c9 a partir dos adere\u00e7os da feminilidade que a histeria se defende do feminino atrav\u00e9s do seu padecimento \u00e0 flor da pele que&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"post_series":[],"class_list":["post-4488","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-boletim-litoraneo","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4488","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4488"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4488\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4490,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4488\/revisions\/4490"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4488"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4488"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4488"},{"taxonomy":"post_series","embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/post_series?post=4488"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}