{"id":4408,"date":"2024-08-05T05:47:11","date_gmt":"2024-08-05T08:47:11","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4408"},"modified":"2024-08-06T06:24:53","modified_gmt":"2024-08-06T09:24:53","slug":"corpos-e-discursos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/corpos-e-discursos\/","title":{"rendered":"Corpos e discursos"},"content":{"rendered":"<p><em>Patricia Badari<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4397\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/litoraneo_15_003.jpg\" alt=\"\" width=\"425\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/litoraneo_15_003.jpg 425w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/litoraneo_15_003-300x200.jpg 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/litoraneo_15_003-391x260.jpg 391w\" sizes=\"auto, (max-width: 425px) 100vw, 425px\" \/><\/p>\n<p>\u201cQuero ficar no teu corpo feito tatuagem (&#8230;). Quero brincar no teu corpo feito bailarina (&#8230;). Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva (&#8230;)\u201d. Escreveu, cantou Chico Buarque, em sua letra de m\u00fasica <em>Tatuagem<\/em>, de 1973.<\/p>\n<p>Mas, <em>mutatis mutandis<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Multiplicidade dos g\u00eaneros, diversidade das identidades e dos objetos sexuais. Transforma\u00e7\u00f5es de um corpo em outro. Fatos que est\u00e3o dados em nossa atualidade. E as pr\u00e1ticas amorosas n\u00e3o passam ilesas. <em>Mutatis mutandis<\/em>, tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Lacan, em 1960, em seu texto <em>Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina<\/em> nos diz sobre \u201cas incid\u00eancias sociais da sexualidade feminina\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>; e Christiane Alberti, ao retomar este texto de Lacan no X ENAPOL, ressaltou que a \u201c\u2018inst\u00e2ncia social da mulher\u2019 tra\u00e7a um caminho para al\u00e9m da norma masculina e transcende a ordem do contrato\u201d. E acrescentou: \u201co ensino que Lacan extrai do movimento das Preciosas mostra que, em nome de um novo discurso sobre o amor, esses c\u00edrculos femininos introduziram, uma a uma, com sua inven\u00e7\u00e3o singular, modifica\u00e7\u00f5es duradouras na linguagem at\u00e9 o ponto de marcar toda a sociedade nessa vertente erotoman\u00edaca. O gozo feminino, que se apresenta sob a forma erotoman\u00edaca, afeta a civiliza\u00e7\u00e3o como um todo, para al\u00e9m do la\u00e7o propriamente amoroso e sexual. Neste sentido, o que tende a ir al\u00e9m dos limites de uma conformidade sem visar o \u2018todo\u2019 e o \u2018todos\u2019 est\u00e1 impregnado de feminilidade e contraria a rela\u00e7\u00e3o homogeneizadora das comunidades masculinas. A letra que feminiza marca o social com seu selo\u201d.<\/p>\n<p>Poliamor, rela\u00e7\u00f5es livres, trisal, orgias&#8230; bem como as \u201cn\u00e3o pr\u00e1ticas\u201d que n\u00e3o deixam de ser pr\u00e1ticas: herb\u00edvoros, celibat\u00e1rios, assexuados&#8230; Mudan\u00e7as que est\u00e3o dadas &#8211; fatos consumados. E a psican\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 indiferente aos efeitos destas muta\u00e7\u00f5es sobre os modos de satisfa\u00e7\u00e3o e os novos sintomas que podem da\u00ed advir.<\/p>\n<p>Uma das leituras que podemos fazer destes fatos \u00e9 que parecem vir demonstrar, de modo cada vez mais claro, o que Lacan formulou no semin\u00e1rio<em> Mais, ainda<\/em> e que Jacques-Alain Miller retoma a prop\u00f3sito do sexto paradigma do gozo<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>: o gozo \u00e9 um fato! S\u00f3 h\u00e1 gozo, gozo Uno, separado do Outro, um gozo n\u00e3o endere\u00e7ado ao Outro.<\/p>\n<p>H\u00e1 o gozo do corpo que se goza que n\u00e3o \u00e9 da ordem do ser e do que seria a rela\u00e7\u00e3o sexual se ela existisse. H\u00e1 o gozo do corpo que se goza, mas que \u00e9 da ordem do existir. E o que pode fazer a rela\u00e7\u00e3o do Um sozinho e o gozo \u00e9 o sinthoma. O sinthoma repercute essa estrutura, essa rela\u00e7\u00e3o do Um sozinho e o gozo. E se os discursos, os semblantes variam, o sinthoma n\u00e3o, ele repercute a mesma estrutura.<\/p>\n<p>Logo, podemos escutar, juntar, acompanhar as varia\u00e7\u00f5es da ontologia do discurso de um paciente &#8211; varia\u00e7\u00f5es daquilo que toma sentido para cada um. Mas, depois esse sentido desbota, enfraquece, desvanece.<\/p>\n<p>Do \u201cinsucesso do Inconsciente\u201d de escrever a rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o existe e que valeria para todos. Do insucesso do lugar do ser onde se alojam as fic\u00e7\u00f5es s\u00f3 se chega \u00e0 verdade mentirosa. E ao que n\u00e3o existe, a fic\u00e7\u00e3o e o discurso podem dar sentido. Mas, um ser e a exist\u00eancia fazem dois e n\u00e3o um.<\/p>\n<p>Podemos deduzir que temos hoje uma diversidade de interpreta\u00e7\u00f5es, sentidos e significa\u00e7\u00f5es sobre o ser. Mas, \u201co ser \u00e9 tamb\u00e9m equ\u00edvoco por estar ligado ao discurso, ao que \u00e9 dito\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>. Podemos dizer que os semblantes desses seres de linguagem podem mudar, podem surgir novos modos de gozo, novos discursos, inclusive, sobre o amor \u2013 significa\u00e7\u00f5es equ\u00edvocas e vari\u00e1veis para fazer a\u00ed, no n\u00edvel do discurso, com que haja rela\u00e7\u00e3o sexual. O ser depende do discurso. No entanto, \u201cn\u00e3o h\u00e1 discurso que n\u00e3o seja semblante\u201d.<\/p>\n<p>Estas muta\u00e7\u00f5es, das quais falamos, parecem colocar a c\u00e9u aberto o enfraquecimento do Nome do Pai, a inconsist\u00eancia do Outro e da significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica&#8230; Ou seja, demonstram mais e mais a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o do significante e do significado, a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o do gozo e do Outro, a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o do homem e da mulher \u201csob a forma de <em>A rela<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o sexual n<\/em><em>\u00e3o existe<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> que muitas vezes \u00e9 levada \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>E tal como Miller nos diz, que o semin\u00e1rio<em> Mais, ainda<\/em> \u00e9 o semin\u00e1rio das n\u00e3o rela\u00e7\u00f5es, podemos dizer que estes fen\u00f4menos s\u00e3o fen\u00f4menos das n\u00e3o rela\u00e7\u00f5es e, de certa forma, generalizadas. Todos os semblantes que existiam como certos organizadores, estruturantes e condicionantes caem por terra, tornam-se meros conectores do la\u00e7o social e at\u00e9 mesmo do la\u00e7o sexual. Assim, poder\u00edamos nomear estes fen\u00f4menos de pr\u00e1ticas, pois se n\u00e3o t\u00eam elementos estruturantes que os articulam, que prescrevem lugares, que produzem efeito de sentido, dependem de uma pr\u00e1tica, de uma experi\u00eancia di\u00e1ria e inventiva.<\/p>\n<p>Mas, talvez, tais experi\u00eancias acabem por nos revelar que elas s\u00e3o, tal qual em outros formatos de pr\u00e1ticas amorosas, o encontro com o que de fato \u00e9 a verdadeira parceria do sujeito: as formas da conting\u00eancia de seu gozo<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> que ele, que cada um vai encontrar naquele(s) ou naquela(s) parceira(s) ou parceiro(s) que para ele parece ser necess\u00e1ria(s) ou necess\u00e1rio(s).<\/p>\n<p>Eis o gozo Uno, o gozo disjunto do Outro, mesmo com m\u00faltiplos objetos sexuais, mesmo com pr\u00e1ticas variadas. Da\u00ed, mais uma vez, podermos ver o impasse que \u00e9 para todo falasser: o gozo sexual do Outro como ser sexuado, o gozo de um Outro corpo diferentemente sexuado, j\u00e1 que o gozo como tal \u00e9 sempre Uno, independente das pr\u00e1ticas amorosas e de o sujeito se contar como homem, mulher, bi, trans, herb\u00edvoro, etc.<\/p>\n<p>No entanto, cabe nos perguntarmos: o que viria fazer la\u00e7o entre dois, tr\u00eas, quatro&#8230; seres sexuados e, sobretudo hoje. O que viria fazer la\u00e7o nestas pr\u00e1ticas amorosas? Constitu\u00edrem-se em supostas \u201ccomunidades de formas de gozo\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>, nas quais se p\u00f5em de acordo com o valor das palavras e compartem uma forma de vida; tendo o discurso como princ\u00edpio do la\u00e7o social, pode ser uma tentativa de la\u00e7o. Mas, geralmente o que vemos \u00e9 a multiplica\u00e7\u00e3o dos Uns, acompanhada de sua pluraliza\u00e7\u00e3o e a fixa\u00e7\u00e3o, repeti\u00e7\u00e3o e escravid\u00e3o do falasser em rela\u00e7\u00e3o ao significante amo que o representaria verdadeiramente nestas supostas comunidades.<\/p>\n<p>Uma causa comum, tra\u00e7os que se assemelham podem fazer comunidade, podem fazer grupo para que o \u201cn\u00f3s\u201d se fa\u00e7a escutar e tenha seus direitos nos diferentes n\u00edveis de poder. No entanto, ser\u00e1 isto que Lacan ir\u00e1 trabalhar, ao final do <em>Semin<\/em><em>\u00e1<\/em><em>rio 19<\/em> sobre o racismo de irm\u00e3os. Rela\u00e7\u00e3o entre os iguais, os quais se identificam a partir de um tra\u00e7o comum. Mas, isto pode levar a novas formas de racismo e segrega\u00e7\u00e3o, j\u00e1 nos indicou Lacan.<\/p>\n<p>Mas, quais as sa\u00eddas poss\u00edveis para que estes novos significantes mestres n\u00e3o ampliem ainda mais os processos de segrega\u00e7\u00e3o? Uma orienta\u00e7\u00e3o que prop\u00f5e a psican\u00e1lise \u00e9 um reviramento do discurso do mestre. Uma sa\u00edda que n\u00e3o \u00e9 gerar, mais e mais, <em>ad infinitum<\/em>, grupos sociais e tampouco Um-dividualismo (\u201ca ascens\u00e3o ao z\u00eanite do ego no mundo moderno, o sujeito se auto nomeando, o sujeito que tem sua autonomia, o sujeito auto engendrado, auto determinado, etc\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>, como nos diz Brousse).<\/p>\n<p>Do que se trata na psican\u00e1lise \u00e9 visar o Um-sozinho e n\u00e3o o Um-dividualismo.<\/p>\n<p>Somos \u201canimais doentes do pr\u00f3prio gozo\u201d, nos diz Miller<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>, e os discursos de \u00f3dio, de racismo, segregativos evidenciam mais e mais do que somos doentes.<\/p>\n<p>A diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia do discurso do Outro e o real da ci\u00eancia tomando a cena cotidiana s\u00e3o nossa realidade hoje. Vemos isto no que diz respeito \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es no n\u00edvel simb\u00f3lico, no que diz respeito ao corpo e ao gozo corporal. Vemos o humano reduzido \u00e0s c\u00e9lulas, ao espermatozoide e ao \u00f3vulo e o impasse que \u00e9 o corpo do Outro sendo deixado de fora<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Dadas todas estas muta\u00e7\u00f5es na civiliza\u00e7\u00e3o, \u201ca significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica fica mais e mais separada do Outro e vemos mais fen\u00f4menos de gozo do corpo; mais multiplica\u00e7\u00e3o dos objetos, das identidades sexuais e interven\u00e7\u00f5es no real do corpo para dar suporte ao simulacro da sexualidade e localizar algo do gozo\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Nestes termos, o que Lacan chamou de sexua\u00e7\u00e3o &#8211; a assun\u00e7\u00e3o do sujeito ao seu pr\u00f3prio sexo &#8211; e que sup\u00f5e uma implica\u00e7\u00e3o subjetiva do sexo, mais al\u00e9m das determina\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas, torna-se ainda mais problem\u00e1tica em nossos dias.<\/p>\n<p>Se a sexua\u00e7\u00e3o depende do significante f\u00e1lico e como o sujeito se posiciona a respeito de tal significante, se consente ou o refuta<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>, na medida em que este significante fica mais separado do Outro, observamos a multiplicidade das significa\u00e7\u00f5es do falo para significar o desejo e dar ao objeto sua significa\u00e7\u00e3o sexual e, at\u00e9 mesmo, transforma\u00e7\u00f5es de um corpo em outro s\u00e3o observadas.<\/p>\n<p>Estas mudan\u00e7as trazem novos questionamentos \u00e0 psican\u00e1lise e a\u00ed est\u00e1 toda a atualidade do \u00faltimo ensino de Lacan, pois ele muda a perspectiva da pr\u00e1tica psicanal\u00edtica. Ao tomarmos a vertente do corpo falante, que implica na disjun\u00e7\u00e3o do falo como significante e o gozo do corpo, se requerer\u00e1 de cada ser falante que precise as coordenadas a partir das quais aceder\u00e1 em sua posi\u00e7\u00e3o sexuada diante do corpo vivo.<\/p>\n<p>Para a psican\u00e1lise, a sexua\u00e7\u00e3o como efeito do discurso anal\u00edtico diz respeito a uma elei\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o do real ao qual cada um est\u00e1 confrontado, para al\u00e9m dos enunciados petrificados. E esta \u00e9 a escolha que tem que ser feita por cada sujeito e de modo mais individual, solit\u00e1rio e diversificado, em nossos dias<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>\u201cO ser sexuado n\u00e3o se autoriza sen\u00e3o de si mesmo&#8230; e de alguns, \u00e9 neste sentido que h\u00e1 elei\u00e7\u00e3o\u201d, nos diz Lacan<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>. O que implica para todo falasser a experi\u00eancia de gozo e sua inscri\u00e7\u00e3o, justamente onde n\u00e3o h\u00e1 um correspondente subjetivo.<\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas amorosas, as \u201cpoli-pr\u00e1ticas\u201d podem inscrever a experi\u00eancia de gozo de um sujeito. Podem ser o modo pelo qual o falasser pode passar pelo corpo do Outro, para que haja a\u00ed o encontro de dois corpos falantes, que \u00e9 sempre h\u00e9tero seja ele de qual sexo for \u2013 do mesmo sexo, diferente ou m\u00faltiplos.<\/p>\n<p>Um sujeito pode seguir firme em sua singular forma de gozo, da\u00ed a comunidade e casal poderem variar ao infinito. No entanto, ele ou eles nos fazem ver que o gozo n\u00e3o faz comunidade, s\u00f3 supostamente.<\/p>\n<p>Estes corpos em excesso. Corpos marcados por signos, por classifica\u00e7\u00f5es an\u00f4nimas podem constituir uma organiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o tentativas de solu\u00e7\u00f5es que nos apresentam alguns seres falantes. No entanto, cabe-nos perguntar: haveria a\u00ed a possibilidade da produ\u00e7\u00e3o de um sintoma? Um sujeito se interrogaria sobre o mal-estar em seu corpo e o gozo que o habita? Ou s\u00f3 fariam &#8220;cr\u00f4nicas de viagens ao pa\u00eds do gozo&#8221;<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>? Relatos sobre as diversas maneiras em que o gozo marca o corpo.<\/p>\n<p>S\u00f3 poderemos ver sujeito por sujeito, falante por falante! Pois, poder\u00e1 haver uma inscri\u00e7\u00e3o contingente em uma destas viagens!<\/p>\n<p><strong>Mais <\/strong><strong><em>mutatis mutandis<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Mas, mais <em>mutatis mutandis<\/em>. Mais mudan\u00e7as se avizinham?<\/p>\n<p>Se iniciei minha fala com Chico Buarque: \u201cQuero ficar no teu corpo feito tatuagem (&#8230;). Quero brincar no teu corpo feito bailarina (&#8230;). Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva (&#8230;)\u201d. Podemos dizer que esta inscri\u00e7\u00e3o da tatuagem talvez tenha mudado em decorr\u00eancia das \u201cincid\u00eancias sociais da sexualidade feminina\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>. Veremos!<\/p>\n<p>Mas, tamb\u00e9m podemos dizer sobre as tatuagens, com as quais cada sujeito, em sua singularidade e seu modo de viver a puls\u00e3o, \u201cescreve, ao modo de uma inscri\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, no real do seu corpo. (&#8230;) E em alguns casos, as tatuagens s\u00e3o artif\u00edcios para se fazer um corpo ou como modo de enlace com o Outro\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Retomo o verbete <em>Tatuagens<\/em> de Let\u00edcia A. Acevedo, em <em>Scilicet<\/em><em>: O corpo falante<\/em>. Ela nos traz com Lacan que \u201c(&#8230;) a libido \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o irreal \u2018essencial para compreender a natureza da puls\u00e3o\u201d, e \u201cuma das formas mais antigas de encarnar, no corpo, esse \u00f3rg\u00e3o irreal \u00e9 a tatuagem, a escarifica\u00e7\u00e3o. O entalhe tem muito bem a fun\u00e7\u00e3o de ser para o Outro, de nele situar o sujeito\u2019 (Semin\u00e1rio 11. P. 195). Lacan assinala que al\u00e9m de ter a fun\u00e7\u00e3o social, o entalhe possui uma evidente fun\u00e7\u00e3o er\u00f3tica\u201d.<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\"><sup>[18]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>E David Cronenberg, em seu filme <em>Crimes do Futuro<\/em> parece nos dizer que \u201co entalhe possui uma evidente fun\u00e7\u00e3o er\u00f3tica\u201d. E mais, Cronenberg nos diz que h\u00e1 um novo \u201cconceito de tatuagem\u201d. O \u201cconceito de tatuagem de registro. Tatuar \u00f3rg\u00e3os novos ou \u00f3rg\u00e3os idiop\u00e1ticos\u201d<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>, \u00f3rg\u00e3os que se formam ou se manifestam espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; \u201cneo-\u00f3rg\u00e3os\u201d, como s\u00e3o chamados no filme, e que n\u00e3o est\u00e3o associados a doen\u00e7as. E a cirurgia para retirar esses \u00f3rg\u00e3os que se reproduzem e s\u00e3o tatuados \u00e9 o novo sexo: \u201cA cirurgia \u00e9 o novo sexo\u201d, nos diz Saul Tenser um artista perform\u00e1tico, personagem do filme.<\/p>\n<p>E se Lacan em 1964 colocou em quest\u00e3o uma tatuagem, que at\u00e9 ent\u00e3o ningu\u00e9m tinha pensado: \u201cuma tatuagem desenhada no \u00f3rg\u00e3o <em>ad hoc<\/em>, em estado de repouso, e tomando em outro estado sua forma, se ouso dizer, desenvolvida\u201d.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> Hoje isto \u00e9 um fato, e em <em>Crimes do F<\/em><em>uturo<\/em>, isto vai mais longe. Os \u201cneo-\u00f3rg\u00e3os\u201d s\u00e3o tatuados, a imagem dos \u00f3rg\u00e3os participa da economia do gozo. H\u00e1 inclusive um novo conceito de concurso de beleza, no filme: <em>Concurso de beleza interior<\/em>, com a categoria <em>o melhor \u00f3<\/em><em>rg<\/em><em>\u00e3<\/em><em>o original<\/em>.<\/p>\n<p>Bem, se Lacan nos falou sobre \u201cas incid\u00eancias sociais da sexualidade feminina\u201d<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>, ele tamb\u00e9m nos falou sobre a diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia do discurso do Outro e o real da ci\u00eancia tomando a cena cotidiana. Isto, hoje, \u00e9 um fato em nossa realidade. E, tal como o argumento de nosso Encontro nos prop\u00f5e, trago a seguinte quest\u00e3o: Como \u201cpodemos interpretar o mal-estar contempor\u00e2neo a partir da alian\u00e7a entre o falso discurso capitalista e o discurso da ci\u00eancia\u201d<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>?<\/p>\n<p>Aqui vale um esclarecimento que a pr\u00f3pria Comiss\u00e3o Cient\u00edfica j\u00e1 nos deu. \u201cO discurso capitalista n\u00e3o \u00e9 um discurso inscrito na estrutura que Lacan prop\u00f5e, ele \u00e9 uma deriva\u00e7\u00e3o do discurso do mestre, tornando-se o discurso do mestre contempor\u00e2neo, mas \u00e0s custas de \u2018foracluir\u2019 o sujeito. Neste sentido, o que \u00e9 falso \u00e9 o discurso e n\u00e3o o capitalismo\u201d.<\/p>\n<p>Sendo assim, podemos nos perguntar como est\u00e1 nossa civiliza\u00e7\u00e3o no que diz respeito ao la\u00e7o amoroso e sexual quando colocamos uma lupa no avan\u00e7o da ci\u00eancia. O que s\u00e3o os corpos hoje? Como s\u00e3o tomados pela ci\u00eancia e, inclusive pela arte, com as novas tecnologias e o capitalismo selvagem? <em>Mutatis mutandis!<\/em><\/p>\n<p>Se no s\u00e9culo passado com o avan\u00e7o da f\u00edsica tivemos a cria\u00e7\u00e3o da bomba at\u00f4mica e toda consequ\u00eancia que esta descoberta e avan\u00e7o cient\u00edfico nos trouxe; todas as quest\u00f5es \u00e9ticas que vimos colocadas em quest\u00e3o no filme ganhador do Oscar, <em>Oppenheimer<\/em>, podemos dizer hoje que talvez este n\u00e3o seja um crime do passado, ou que n\u00e3o existir\u00e1 mais. Vivemos com esta amea\u00e7a em um mundo onde as guerras parecem ser a sa\u00edda para a domina\u00e7\u00e3o ou exterm\u00ednio de um povo, al\u00e9m de todo lucro que adv\u00e9m dela. O capitalismo \u00e9 selvagem e avan\u00e7a desmesuradamente.<\/p>\n<p>E se Cronenberg nos traz em seu filme um mundo que parece dist\u00f3pico, ousaria dizer que talvez n\u00e3o seja um crime do futuro! Os ditos \u201cneo-\u00f3rg\u00e3os\u201d do filme, al\u00e9m de produzirem significado ao \u201ccorpo que era vazio de significado\u201d, s\u00e3o necess\u00e1rios por ser preciso \u201ca cria\u00e7\u00e3o de um sistema que possa digerir pl\u00e1sticos, materiais sint\u00e9ticos\u201d. \u201c\u00c9 hora da evolu\u00e7\u00e3o humana se sincronizar com a tecnologia humana\u201d, nos diz um dos personagens. E por meio da performance <em>Aut<\/em><em>\u00f3<\/em><em>psia de Brecken<\/em> (Brecken um garoto ou criatura morto por sua m\u00e3e) se demonstra o que chamam no filme: \u201ca anatomia da patologia de hoje\u201d.<\/p>\n<p>Cronenberg nos traz a pergunta que nos coloca a Comiss\u00e3o cient\u00edfica no argumento do XXV Encontro Brasileiro do Campo Freudiano: \u201c(&#8230;) qual discurso alcan\u00e7a os corpos hoje? Sobretudo o Discurso do mestre\u201d. E, citando Lacan, o argumento complementa: \u201c&#8230;<em>mas persiste o fato de que, no n\u00edvel em que funciona o discurso que n\u00e3<\/em><em>o <\/em><em>\u00e9 o discurso anal\u00edtico, coloca-se a quest\u00e3o de como esse discurso conseguiu aprisionar corpos&#8230;. No n\u00edvel do discurso do mestre, isso fica evidente. No discurso do mestre, voc\u00eas como corpos, est\u00e3o petrificados\u201d<\/em><em>.<\/em> (&#8230;) \u201cCabe a n\u00f3s (analistas), portanto, delinear a estrutura do discurso do mestre contempor\u00e2neo e, a partir desse ponto, investigar de que modo tais corpos s\u00e3o aprisionados, ou seja, como eles s\u00e3o constitu\u00eddos e responsivos aos significantes mestres da \u00e9poca. Com isso, entramos no campo do sintoma\u201d<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Bem, se o falasser fala, faz sua constru\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica. N\u00e3o podemos esquecer que \u201cexiste na fala algo que \u00e9 anterior \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre significante e significado. (&#8230;) a estrutura de linguagem \u00e9 secund\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o ao ronron; o significante \u00e9 apenas uma constru\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica que sup\u00f5e a anula\u00e7\u00e3o, o esvaziamento da subst\u00e2ncia sonora, aquela em que se produzem asson\u00e2ncias e homofonias (&#8230;)\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>, nos diz Miller em seu <em>Coment<\/em><em>\u00e1rio sobre <\/em>A terceira<em>,<\/em> de Lacan.<\/p>\n<p>Neste sentido, ao tomarmos \u201co car\u00e1ter prim\u00e1rio do gozo\u201d, se faz necess\u00e1ria uma \u201cdesvaloriza\u00e7\u00e3o do pensamento, bem como da verdade e do sentido: (estes, a verdade e o sentido) s\u00e3o apenas representa\u00e7\u00f5es imbecis introduzidas por lal\u00edngua no corpo\u201d, nos diz Miller, novamente em seu <em>Coment<\/em><em>\u00e1rio sobre <\/em>A terceira.<\/p>\n<p>E isto j\u00e1 nos remete ao que ele pr\u00f3prio trabalhar\u00e1 sobre a escrita \u2013 uma escrita que n\u00e3o \u00e9 da fala; uma escrita pura, uma escrita manejo da letra, do rastro. Miller, em seu curso <em>O Um-sozinho<\/em>, diferencia o que \u00e9 da ordem do Um do ser e da palavra e o que diz respeito ao Um da exist\u00eancia deduzido do corpo. Uma orienta\u00e7\u00e3o pautada no h\u00e9teros, no furo e no corpo.<\/p>\n<p>Parece-me que se trata hoje de \u201cintroduzirmos\u201d o real que Lacan reduz \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de furo<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>. O real com o qual podemos jogar nossa partida, como nos colocou Christiane Alberti. Que \u00e9 o avesso do real da ci\u00eancia, do discurso do mestre e do capitalismo selvagem. No filme de Cronenberg, a \u201cs\u00edndrome da evolu\u00e7\u00e3o acelerada \u00e9 patol\u00f3gica, \u00e9 falha do sistema. Um organismo precisa de uma organiza\u00e7\u00e3o, caso contr\u00e1rio \u00e9 um c\u00e2ncer de luxo\u201d. Uma organiza\u00e7\u00e3o, poder\u00edamos dizer, que n\u00e3o \u00e9 orientada para o real em sua fun\u00e7\u00e3o de furo.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 Um\u201d, nos disse Lacan, e este n\u00e3o para de se escrever na itera\u00e7\u00e3o. Da\u00ed termos como orienta\u00e7\u00e3o na experi\u00eancia anal\u00edtica, a inst\u00e2ncia da escritura que n\u00e3o \u00e9 da palavra. Escritura que se manifesta na itera\u00e7\u00e3o de um acontecimento de gozo que ressoa no corpo do falasser. \u00c9 isto que est\u00e1 posto na experi\u00eancia anal\u00edtica, apesar e mais al\u00e9m do discurso do mestre, da ci\u00eancia, do capitalismo, da linguagem neutra etc.<\/p>\n<p>\u201cLal\u00edngua n\u00e3o se apreende; n\u00f3s a recebemos daqueles que nos s\u00e3o mais pr\u00f3ximos, sob as marcas do equ\u00edvoco e do mal-entendido que resultam da maneira como uma l\u00edngua \u00e9 falada e entendida em sua particularidade. Assim, ela ser\u00e1 sempre singular, \u00fanica a cada um\u201d<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>, nos diz Helo\u00edsa Telles, em <em>Scilicet<\/em>.<\/p>\n<p>\u201cPara cada ser, seu inconsciente \u00e9 um discurso que ele recebe, emitido por um outro, um parceiro \u00edntimo, desconhecido, sem rosto, o Outro, que mobiliza o sujeito no cerne de sua identidade; um Outro que pensa no sujeito pensante, ali onde ele n\u00e3o pode mais dizer (&#8230;) \u2018Penso, logo sou\u2019. \u00c9 o discurso do Outro que prossegue nos sonhos e, tamb\u00e9m nos sintomas\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Lal\u00edngua \u201cs\u00f3 se sustenta pelo mal-entendido, no qual vive, de que se nutre (\u2026)\u201d<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> e \u201ccada discurso inventa uma refer\u00eancia para lal\u00edngua, j\u00e1 que ela n\u00e3o o tem<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Os discursos criam refer\u00eancias para lal\u00edngua. E lal\u00edngua se sustenta do mal-entendido. E \u00e9 disto que se trata na experi\u00eancia anal\u00edtica e que parece estar posto na civiliza\u00e7\u00e3o. Uma civiliza\u00e7\u00e3o que nos demonstra que h\u00e1 um gozo do corpo n\u00e3o todo apreendido na dimens\u00e3o f\u00e1lica, \u201cum gozo do corpo, indiz\u00edvel, sem forma e nem raz\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> &#8211; o gozo como acontecimento de corpo.<\/p>\n<p>Temos \u201cum enxame de significantes mestres suscet\u00edveis de nomear os modos de gozar de uma \u00e9poca. Essa pulveriza\u00e7\u00e3o d\u00e1 conta das muta\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas e, em particular, da grande diversidade da vida sexual: cada um inventa sua maneira de gozar e amar (&#8230;)\u201d<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><sup>[31]<\/sup><\/a>, nos diz Alberti.<\/p>\n<p>Vemos, mais e mais, o falasser se ligar a alguns discursos que produzem um sentido, um efeito de verdade, mas esses mesmos discursos tendem a apagar o real que Lacan reduz \u00e0 fun\u00e7\u00e3o de furo<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\"><sup>[32]<\/sup><\/a>. Tamb\u00e9m vemos alguns desses falasseres se ligarem somente \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o de um gozo fora do sentido que s\u00f3 tem rela\u00e7\u00e3o com o significante Um, com S1 e n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com S2 que representa o saber.<\/p>\n<p>No entanto, isto mesmo ilustra os impasses, os mal-entendidos, os sintomas atuais em nossa civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Podemos dar um viva a estes impasses; dar um viva ao mal-entendio e \u00e0 falha dos semblantes. Podemos dar um viva \u00e0 via do sinthoma que nos feminiza ao estar articulado ao n\u00e3o-todo, ao gozo suplementar e indiz\u00edvel. Que o falasser se insinue entre os discursos estabelecidos, apoiando-se na escrita de seu sinthoma, \u00e9 a aposta da psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Escutamos o ativismo, escutamos a linguagem neutra, escutamos os discursos estabelecidos para que cada falasser transforme esse ativismo em um ato; que transforme o ativismo reivindicativo de um direito ao gozo em um ato \u2013 ato no sentido de mudar sua rela\u00e7\u00e3o com seu gozo. Um ato a partir do qual adv\u00e9m um sujeito (pois no ato n\u00e3o h\u00e1 sujeito); um ato a partir do qual advenha um sujeito modificado, ap\u00f3s a perda de gozo. Pois, o ato implica em perda de gozo.<\/p>\n<p>Na experi\u00eancia anal\u00edtica, trata-se de colocar o sujeito mais al\u00e9m de suas reivindica\u00e7\u00f5es, mais al\u00e9m de seus lugares de identidade; mais al\u00e9m de sua classifica\u00e7\u00e3o em um grupo. Ou seja, lev\u00e1-lo ao seu lugar de singularidade sintom\u00e1tica irredut\u00edvel; que apare\u00e7a sua singularidade, mais al\u00e9m da identidade.<\/p>\n<p>Bem, fico por aqui para termos tempo de conversarmos, inclusive sobre in\u00fameras outras quest\u00f5es que Cronenberg nos coloca com seu filme.<\/p>\n<p>Obrigada.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> N. A.: <em>Mutatis mutandis: <\/em>\u00e9 uma express\u00e3o advinda do latim que significa &#8220;<em>mudando o que tem de ser mudado. <\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> LACAN J., \u201cDiretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina\u201d. <em>Escritos<\/em>. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1998, p. 745.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Os seis paradigmas do gozo.<em> Op\u00e7\u00e3o Lacaniana online.<\/em> Nova s\u00e9rie, ano III, mar\u00e7o 2012. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero7\/texto1.html<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> _________ <em>Um sozinho<\/em>. Curso in\u00e9dito<em>, <\/em>aula de 16 de mar\u00e7o de 2011.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> MILLER, J.-A. Op. Cit.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\"><sup>[6]<\/sup><\/a> LAURENT, \u00c9. O tecido da fantasia (ou A culpabilidade do fantasma). <em>Op<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o Lacaniana.<\/em> <em>Op. cit.<\/em> n. 54, maio 2009. p. 31.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> MILLER J. &#8211; A.; LAURENT \u00c9. <em>El Otro que no existe y sus comit\u00e9s de \u00e9tica<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s. 2005. p. 88.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\"><sup>[8]<\/sup><\/a> Brousse M.-H. Um-dividualismo moderno. <em>Lacan TV web<\/em>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\"><\/a>9 MILLER, J-A. Coment\u00e1rio sobre A terceira. In.: LACAN, J. A terceira. Rio de Janeiro: Zahar, 2023, p. 74.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a> BROUSSE, M.-H. A inven\u00e7\u00e3o de um corpo lacaniano. Entrevista por ocasi\u00e3o das Jornadas da EBP-SP, 2015. Dispon\u00edvel em:<em> http:\/\/leonardocr93.wixsite.com\/jornadas2015ebpsp\/a-inven&#8211;o-de-um-corpo-lacaniano<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a> BASSOLS M. El objeto (a) sexuado. Dispon\u00edvel em: <em>http:\/\/elcaldero.eol.org.ar\/Ediciones\/001\/template.asp?El-objeto-asexuado.html<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> BRODSKY, G. \u201cS\u00edntoma y sexuaci\u00f3n\u201d. In: <em>Del Edipo a la Sexuaci\u00f3n.<\/em> Buenos Aires: Paid\u00f3s. 2008.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a> BROUSSE M.-H. &#8220;Psican\u00e1lise, g\u00eanero e feminismo&#8221;. Confer\u00eancia proferida na USP, 2015. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=B4NAsQ1kRgk<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a> LACAN, J. (1974-1975) <em>Semin\u00e1rio 21, Les non-dupes errent<\/em>. In\u00e9dito.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> LAURENT, \u00c9. <em>S\u00edntoma y nominaci\u00f3n.<\/em> Coleccion Diva. 2002. Buenos Aires, p. 18.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\"><sup>[16]<\/sup><\/a> LACAN J., \u201cDiretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina\u201d. <em>Escritos<\/em>. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1998, p. 745.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\"><sup>[17]<\/sup><\/a> ACEVEDO L. A. Tatuagens\/piercings. <em>Scilicet. O corpo falante. Sobre o inconsciente no s\u00e9culo XXI.<\/em> EBP, 2016. p. 301.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> Ibid.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> CRONENBERG, D. <em>Crimes do futuro<\/em>, filme de 2022. N. A.: fala do personagem Wippet.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> LACAN, J. Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar, 1985, p. 87<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> LACAN J., Diretrizes para um Congresso sobre a sexualidade feminina. <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 1998, p. 745.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> N. A.: Argumento do XXV EBCF, 2024. Dispon\u00edvel em: <em>https:\/\/encontrobrasileiroebp2024.com.br\/index.php\/o-encontro\/argumento\/<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a> <em>Ibid.<\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> MILLER, J-A. Coment\u00e1rio sobre A terceira. In.: LACAN, J. A terceira. Rio de Janeiro: Zahar, 2023 p. 66.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> LACAN, J. O umbigo do sonho \u00e9 um furo \u2013 resposta a uma pergunta de Marcel Ritter. <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n. 82, abril de 2020.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> TELLES, H, <em>Scilicet<\/em><em>: A mulher n\u00e3o existe<\/em>. p. 280.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\"><\/a>MILLER, J-A. Coment\u00e1rio sobre A terceira. In.: LACAN, J. A terceira. Rio de Janeiro: Zahar, 2023, p. 64.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> _________ <em>T<\/em><em>eoria de lal\u00edngua<\/em>, Rio de Janeiro: Zahar, 2023, p. 107.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>__________ Ibid. p. 109.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> ALBERTI, C. A mulher n\u00e3o existe.<em> Scilicet: A mulher n\u00e3o existe<\/em>, p. 32.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\"><sup>[31]<\/sup><\/a> _________ Ibid. p. 31.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\"><sup>[32]<\/sup><\/a> LACAN J. \u201cO umbigo do sonho \u00e9 um furo \u2013 resposta a uma pergunta de Marcel Ritter\u201d. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 82, abril de 2020.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Badari \u201cQuero ficar no teu corpo feito tatuagem (&#8230;). Quero brincar no teu corpo feito bailarina (&#8230;). 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