{"id":4270,"date":"2024-04-12T06:43:17","date_gmt":"2024-04-12T09:43:17","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4270"},"modified":"2024-04-15T11:32:24","modified_gmt":"2024-04-15T14:32:24","slug":"la-interpretacion-lacaniana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/la-interpretacion-lacaniana\/","title":{"rendered":"La interpretaci\u00f3n lacaniana"},"content":{"rendered":"<h6>Glacy Gorski (coordenadora)<br \/>\nAlice Tocchetto, Aluska Cavalcanti, An\u00edcia Ewerton, Gabriella Dupim, Isadora Grego D`Andrea, Janu\u00e1rio Marques, Lia Giraldo Augusto, L\u00eddia Pessoa e Pauleska N\u00f3brega.<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4259\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/06.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"714\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/06.png 2363w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/06-210x300.png 210w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/06-717x1024.png 717w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/06-768x1097.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/06-1075x1536.png 1075w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/06-1434x2048.png 1434w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>O GT se dedicou ao estudo, mais especificamente, do cap\u00edtulo XIII, sem perder de vista outros cap\u00edtulos do curso de Jacques-Alain Miller, <em>Todo el mundo es loco<\/em>. No seu curso, ele constata que, na sociedade contempor\u00e2nea, h\u00e1 um crescimento do discurso da ci\u00eancia, da tecnologia, do consumismo, da pol\u00edtica &#8211; na perda do estado de direitos &#8211; e do crescimento dos movimentos cognitivistas. Ele assinala o avan\u00e7o das pr\u00e1ticas de avalia\u00e7\u00e3o que aprisionam o sujeito em classifica\u00e7\u00f5es, afirmando que o sujeito, segundo Lacan, \u201cn\u00e3o \u00e9 suscept\u00edvel de categoriza\u00e7\u00e3o\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa, MILLER, J-A, 2015, p. 137).<\/p>\n<p>O discurso anal\u00edtico \u00e9 distinto de uma pr\u00e1tica que se pauta em uma escala de valores e em um discurso da quantifica\u00e7\u00e3o. A promessa e o desafio da psican\u00e1lise, frente ao mundo contempor\u00e2neo, \u00e9 mostrar que ela \u00e9 uma experi\u00eancia de fala, saber, verdade e gozo, singularizando os sujeitos, ao contr\u00e1rio da categoriza\u00e7\u00e3o universal.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo XIII, Miller se dedicou a discorrer sobre a maneira que Freud interpretou a psican\u00e1lise, detendo-se mais na interpreta\u00e7\u00e3o lacaniana, no que tange o seu ultim\u00edssimo ensino. Procuramos debater sobre o questionamento de Lacan sobre a compreens\u00e3o de que a psican\u00e1lise seria uma experi\u00eancia de verdade. Segundo Miller, parece que Lacan busca introduzir a concep\u00e7\u00e3o de que esta seria uma experi\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o, pois, segundo Lacan, \u201cn\u00e3o h\u00e1 verdade que ao passar pela aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o minta\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa, MILLER. J-A. , 2015, p. 240).<\/p>\n<p>No ultim\u00edssimo ensino, segundo Miller, ele nos leva a repensar a sua afirmativa de que: \u201cEu, a verdade, falo\u201d. Miller esclarece que, a partir do ultim\u00edssimo ensino, essa frase precisa ser lida como tendo o sentido diferente do sujeito suposto saber, afirmando que \u201cO sujeito que se anuncia como verdade\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa, MILLER, J.-A. , 2015, p.241) \u00e9 aquele que permite se surpreender. Tal afirmativa nos remete \u00e0 fala do analisante, a qual acontece de maneira l\u00edquida, assim, desse modo, \u00e9 poss\u00edvel a enuncia\u00e7\u00e3o, a qual tem a ver com certa \u201cin &#8211; aten\u00e7\u00e3o\u201d \u2013 pois \u00e9 na experi\u00eancia desatenta que o verdadeiro pode vir \u00e0 tona. Freud j\u00e1 recomendava que s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel uma an\u00e1lise se houver a associa\u00e7\u00e3o livre, conclu\u00edmos que ele j\u00e1 apontava para a liquidez. Lembramos, ainda, que, do ponto de vista do analista, Freud tamb\u00e9m pontua que a interpreta\u00e7\u00e3o s\u00f3 acontece, se houver a <em>aten<\/em><em>\u00e7\u00e3o flutuante<\/em> (FREUD, 1912). \u00c9 ela que possibilita que a interpreta\u00e7\u00e3o verdadeira possa emergir, uma vez que s\u00f3 acontece na surpresa e no momento oportuno. Diante das quest\u00f5es da nossa \u00e9poca, Miller se apropria da no\u00e7\u00e3o de liquidez para pensar a psican\u00e1lise \u2013 lembremos que o termo \u201cliquidez\u201d foi empregado por Bauman para falar de uma sociedade l\u00edquida. Assim, vale destacar que Miller traz, para a psican\u00e1lise, essa tem\u00e1tica, dizendo que \u00e9 exatamente a liquidez que promove a palavra que escorre livre da comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Miller, j\u00e1 no cap. XII, fala da biparti\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, pensada em duas vertentes: de um lado, a decifra\u00e7\u00e3o do inconsciente, repensada por Lacan a partir da lingu\u00edstica estrutural; de outro lado, a teoria das puls\u00f5es. Ele sublinha a oscila\u00e7\u00e3o entre dois momentos: em um, os dois n\u00edveis, a saber, do significante e da puls\u00e3o, articulados por um automatismo, por um algoritmo \u2013 nesse momento, ele destaca a incompatibilidade do desejo com a palavra; em outro momento, da oscila\u00e7\u00e3o, ele aponta que h\u00e1 um hiato entre o sentido e o gozo, uma inadequa\u00e7\u00e3o do significante ao real.<\/p>\n<p>Concluindo, podemos afirmar, ent\u00e3o, que a palavra \u00e9 l\u00edquida desde o in\u00edcio da an\u00e1lise, mas est\u00e1 habitada por um algoritmo, que estrutura o inconsciente como uma linguagem. No in\u00edcio da an\u00e1lise, est\u00e1 a pr\u00e1tica da decifra\u00e7\u00e3o do inconsciente; ao final, est\u00e1 a puls\u00e3o, cingida de significa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 uma estrutura de n\u00f3 que n\u00e3o est\u00e1 articulada ao sentido \u2013 esse n\u00f3 \u00e9 uma amarra\u00e7\u00e3o em tr\u00eas, \u00e9 contingente, tem a ver com a emerg\u00eancia do real e se constitui de forma l\u00edquida.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>REFER<\/strong><strong>\u00caNCIAS<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1912) <em>Recomenda\u00e7\u00f5es aos m<\/em><em>\u00e9<\/em><em>dicos que exercem a psican<\/em><em>\u00e1lise<\/em>. In: Edi\u00e7\u00e3o standard das obras psicol\u00f3gicas completas de S. Freud, v. 12, Rio de Janeiro: Imago, 1972.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Proposi\u00e7\u00e3o de 9 de Outubro de 1967 sobre a psican\u00e1lise da Escola. In:<em> Outros Escritos<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. <em>Todo el mundo es loco<\/em>. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015.<\/h6>\n<h6>___________ \u00a0 <em>A <\/em>\u201c<em>forma<\/em><em>\u00e7\u00e3<\/em><em>o\u201d <\/em><em>do analista<\/em>, In: <em>Op<\/em><em>\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n\u00ba37. S\u00e3o Paulo: Ed. Eolia, setembro 2003, pp. 3-34.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Glacy Gorski (coordenadora) Alice Tocchetto, Aluska Cavalcanti, An\u00edcia Ewerton, Gabriella Dupim, Isadora Grego D`Andrea, Janu\u00e1rio Marques, Lia Giraldo Augusto, L\u00eddia Pessoa e Pauleska N\u00f3brega. O GT se dedicou ao estudo, mais especificamente, do cap\u00edtulo XIII, sem perder de vista outros cap\u00edtulos do curso de Jacques-Alain Miller, Todo el mundo es loco. 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