{"id":4252,"date":"2024-04-12T06:39:10","date_gmt":"2024-04-12T09:39:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4252"},"modified":"2024-04-15T11:31:56","modified_gmt":"2024-04-15T14:31:56","slug":"cada-um-em-seu-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/cada-um-em-seu-mundo\/","title":{"rendered":"Cada um em seu mundo"},"content":{"rendered":"<h6>Cassandra Dias (coordenadora)<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4253\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/10.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"278\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/10.png 3375w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/10-300x167.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/10-1024x569.png 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/10-768x427.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/10-1536x854.png 1536w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/04\/10-2048x1139.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p>O Grupo de Trabalho que discutiu o \u00faltimo cap\u00edtulo do curso <em>Todo mundo <\/em><em>\u00e9 <\/em><em>louco<\/em> percorreu linhas de investiga\u00e7\u00e3o a partir do que ressoou em cada um. Recolho alguns pontos que colocaram a trabalho uma produ\u00e7\u00e3o: circunscrever o lugar de Mais-Ningu\u00e9m em que a vocifera\u00e7\u00e3o acrescenta \u00e0 palavra um novo estatuto. Em torno desse lugar, abriram-se caminhos investigativos que seguir\u00e3o interrogando as v\u00e1rias dimens\u00f5es que essa leitura permite.<\/p>\n<p><strong>Danny Medeiros<\/strong><\/p>\n<p>Miller elucida a frase \u201ctodo mundo \u00e9 louco\u201d, apontando para isso que se trata de escutar no que se enuncia da boca do paciente, que vocifera do lugar de mais-ningu\u00e9m. Como um lugar que assinala uma aus\u00eancia do sujeito do significante, mas tamb\u00e9m a presen\u00e7a da rela\u00e7\u00e3o natal com o gozo, o que nos leva a pensar no que acontece no corpo.<\/p>\n<p>O discurso anal\u00edtico foge da domina\u00e7\u00e3o que est\u00e1 atrelada ao que seria da ordem do ensino, que subsiste em haver um mestre que det\u00e9m o saber. Levar em considera\u00e7\u00e3o o lugar de mais-ningu\u00e9m \u00e9 assentir com o que s\u00f3 cada-um pode dizer. Longe da domina\u00e7\u00e3o do saber de um mestre, abre-se espa\u00e7o para o que foge da lei do universal, para o que n\u00e3o faz sentido. \u00c9 uma advert\u00eancia de que a pr\u00e1tica deve ser pensada sempre caso a caso.<\/p>\n<p><strong>Anderson Barbosa<\/strong><\/p>\n<p>Das v\u00e1rias quest\u00f5es que poderia tomar para comentar esse cap\u00edtulo, tomarei tr\u00eas aspectos no que diz respeito \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do analista. O primeiro, diz respeito \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o da vocifera\u00e7\u00e3o na posi\u00e7\u00e3o do analista: o estatuto do corpo e da voz como indo mais al\u00e9m que o objeto <em>a<\/em> se configura como um lugar de onde o analista deve se orientar em sua pr\u00e1tica que consiste em apontar que o falasser est\u00e1 ligado e inscrito no gozo.<\/p>\n<p>O segundo ponto coloca no centro a experi\u00eancia como o motor primordial da a\u00e7\u00e3o anal\u00edtica. Diz Miller que os psicanalistas n\u00e3o podem ser preparados com o ensino, mas apenas com a experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Por fim, destaco a loucura do pr\u00f3prio analista. \u00c9 o analista tamb\u00e9m um louco, delirante? Miller destaca a proposi\u00e7\u00e3o freudiana de que tudo n\u00e3o passa de um sonho. A dif\u00edcil fun\u00e7\u00e3o do analista imp\u00f5e que ela seja, uma fun\u00e7\u00e3o evanescente. Mas talvez, diz Miller, o analista sonha um pouco menos quando \u201cn\u00e3o toma toda conting\u00eancia no regime da repeti\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p><strong>Francisco Xavier<\/strong><br \/>\nRelan\u00e7o a quest\u00e3o: se \u201ctodo mundo \u00e9 louco, quer dizer, delirante\u201d, e os autistas?<\/p>\n<p>Miller traz uma atualiza\u00e7\u00e3o de um neologismo falado por Lacan no semin\u00e1rio da carta roubada: \u201cNulubiedade\u201d, para falar desse lugar, lugar de \u201cmais ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>Lacan dir\u00e1: \u201cSer\u00e1 preciso que a carta, dentre todos os objetos, fosse dotada da propriedade da <em>nulubiedade<\/em>, para nos servirmos desse termo que o vocabul\u00e1rio celebrizado pelo t\u00edtulo de\u00a0<em>Roget,<\/em>\u00a0retomou da utopia semiol\u00f3gica do bispo Wilkins?<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>\u201d<\/p>\n<p>Ainda temos a refer\u00eancia ao texto borgeano <em>O idioma anal<\/em><em>\u00ed<\/em><em>tico de John Wilkins<\/em>, em que Borges dir\u00e1 que, dentre tantas fecundas curiosidades, Wilkins aventava a possibilidade de uma linguagem mundial.<\/p>\n<p>Ora, no funcionamento aut\u00edstico, vemos a tentativa de reduzir os equ\u00edvocos da linguagem ao que Maleval chamou de primado do signo. Com esse primado, o autista inventa um Outro de s\u00edntese, formado por signos e n\u00e3o significantes. Os autistas t\u00eam o ideal da forma\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo onde cada palavra tenha um s\u00f3 e fixo significado.<\/p>\n<p>Laurent vai propor a foraclus\u00e3o do furo em um tempo l\u00f3gico anterior \u00e0 foraclus\u00e3o do nome-do-pai e \u00e0 entrada na linguagem. A letra, no autismo, advinda do impacto de lal\u00edngua no corpo, n\u00e3o far\u00e1 furo e sim itera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da\u00ed o retorno do gozo na borda, n\u00e3o no corpo, nem no pensamento, nem no del\u00edrio.<\/p>\n<p>Como pensar assim em um del\u00edrio para os autistas?<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> MILLER, J-A.<em> Todo el mundo es loco.<\/em> Los cursos psicanal\u00edticos de Jacques-Alain Miller. Tradu\u00e7\u00e3o de St\u00e9phane Verley. 1\u00aa ed. Ciudad Aut\u00f4noma de Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2015, p. 340.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> LACAN, J. O semin\u00e1rio sobre \u201cA carta roubada\u201d In <em>Escritos<\/em>. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 1998.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cassandra Dias (coordenadora) O Grupo de Trabalho que discutiu o \u00faltimo cap\u00edtulo do curso Todo mundo \u00e9 louco percorreu linhas de investiga\u00e7\u00e3o a partir do que ressoou em cada um. Recolho alguns pontos que colocaram a trabalho uma produ\u00e7\u00e3o: circunscrever o lugar de Mais-Ningu\u00e9m em que a vocifera\u00e7\u00e3o acrescenta \u00e0 palavra um novo estatuto. 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