{"id":4203,"date":"2024-03-05T07:41:36","date_gmt":"2024-03-05T10:41:36","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4203"},"modified":"2024-04-12T07:07:40","modified_gmt":"2024-04-12T10:07:40","slug":"a-forma-sem-forma-uma-reflexao-sobre-os-efeitos-de-formacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/a-forma-sem-forma-uma-reflexao-sobre-os-efeitos-de-formacao\/","title":{"rendered":"A forma sem f\u00f4rma: uma reflex\u00e3o sobre os efeitos de forma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h6>\u00cdsis Maur\u00edcio Coelho<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4187\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_004.png\" alt=\"\" width=\"343\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_004.png 2317w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_004-206x300.png 206w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_004-703x1024.png 703w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_004-768x1119.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_004-1054x1536.png 1054w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_004-1406x2048.png 1406w\" sizes=\"auto, (max-width: 343px) 100vw, 343px\" \/><\/p>\n<p>Inicialmente, gostaria de expressar meu agradecimento \u00e0 Diretoria de Cart\u00e9is e Interc\u00e2mbio da Se\u00e7\u00e3o Nordeste e sua comiss\u00e3o pelo acolhimento e pela oportunidade de participar deste trabalho desenvolvido em tr\u00eas frentes de atividades: &#8220;Noite de Cart\u00e9is&#8221;, &#8220;Procura-se Cartel&#8221; e &#8220;Momentos de Interc\u00e2mbio&#8221;. Al\u00e9m das reuni\u00f5es internas, constru\u00e7\u00f5es coletivas, leituras, estudos e trocas. Essa abordagem de trabalho, caracterizada por leveza e coletividade, mas sem abrir m\u00e3o da singularidade, tem me levado a refletir sobre os efeitos desse processo em minha forma\u00e7\u00e3o. Uma forma\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem f\u00f4rma, mas que algo se forma. Trago \u00e0 tona a indaga\u00e7\u00e3o de Nohemi\u0301 Brown (2018)<sup>1<\/sup>: &#8220;o que se forma na forma\u00e7\u00e3o&#8221;? A autora estabelece uma analogia entre a forma e o resto, concebendo o resto como aquilo que n\u00e3o pode ser domesticado; ou seja, o que se forma \u00e9 da ordem da conting\u00eancia, n\u00e3o est\u00e1 presente a priori, nem pode ser alcan\u00e7ado por um \u00fanico e universal caminho. Ainda no mesmo texto<sup>1<\/sup>, Nohem\u00ed destaca o trip\u00e9 da forma\u00e7\u00e3o: an\u00e1lise pessoal, supervis\u00e3o e o estudo da teoria, acrescentando que Lacan em 1964 inclui a Escola nesse processo. Acho relevante mencionar meu percurso de an\u00e1lise, pois envolve a transfer\u00eancia de trabalho quando me sinto convocada a fazer an\u00e1lise com uma analista ligada \u00e0 Escola, iniciando dessa forma, meu segundo processo anal\u00edtico. No meu percurso de forma\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o da conting\u00eancia j\u00e1 estava presente desde o in\u00edcio e lembro de um coment\u00e1rio da minha supervisora em uma discuss\u00e3o de caso: \u201cquem est\u00e1 na transfer\u00eancia \u00e9 voc\u00ea\u201d. Essa interven\u00e7\u00e3o me faz refletir sobre o meu lugar enquanto analista em forma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m me fez me sentir autorizada a manejar o caso a partir do meu saber, n\u00e3o mais esperando que a mestra me dissesse o que eu deveria fazer ou ter feito. Conforme aponta Lacan<sup>2<\/sup>, a forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser dissociada da Escola, e o trabalho surge como o sustent\u00e1culo dessa institui\u00e7\u00e3o; assim, a forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 intrinsicamente ligada ao trabalho. A Escola deve se estruturar em torno da aus\u00eancia de uma resposta padronizada e predefinida para a quest\u00e3o: &#8220;o que \u00e9 ser um analista?&#8221;. Essa interroga\u00e7\u00e3o me remete \u00e0 sa\u00edda do lugar da mestria, onde aquele que det\u00e9m o saber transmite para o outro, \u00e9 fazer vacilar o discurso universit\u00e1rio, desviando-se da resposta predefinida e pronta que est\u00e1 profundamente arraigada em nossa sociedade. Neste ponto, o elemento essencial \u00e9 o desejo de saber, e \u00e9 nesse questionamento que minha transfer\u00eancia com a Escola se enla\u00e7a. A transfer\u00eancia de trabalho se volta para os textos, para a Escola, e se articula com o dispositivo do cartel, que se configura como o dispositivo que faz la\u00e7o entre sujeitos que t\u00eam como objetivo a causa anal\u00edtica. Esse experimento de abertura \u00e0 conting\u00eancia \u00e9 frequentemente desafiador, mas tamb\u00e9m muito precioso; de sair do comum e criar espa\u00e7os para seu pr\u00f3prio processo, no seu ritmo, da sua forma, sem uma f\u00f4rma, considerando o tempo l\u00f3gico, a produ\u00e7\u00e3o do S1 isolado que n\u00e3o est\u00e1 preocupado com o efeito de sentido, indo contra a resposta pronta que a sociedade solicita, implora e espera impacientemente. A dor e o prazer da forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise, a partir da Escola de Lacan, residem na mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao saber. Como observa Miller (2012)<sup>3<\/sup>, &#8220;destacar o efeito de forma\u00e7\u00e3o \u00e9 admitir implicitamente que n\u00e3o h\u00e1 automatismo na forma\u00e7\u00e3o anal\u00edtica; n\u00e3o encontraremos um mecanismo; n\u00e3o o buscamos; cedemos espa\u00e7o \u00e0 conting\u00eancia&#8221;. No entanto, \u00e9 importante ressaltar que a falta de um caminho pr\u00e9-estabelecido, universal e efetivo n\u00e3o dispensa o rigor \u00e9tico na forma\u00e7\u00e3o em psican\u00e1lise. \u00c9 um percurso que n\u00e3o possui um ponto de chegada, n\u00e3o tem fim, n\u00e3o cessa, mas que encanta pelo simples fato de estar sendo trilhado e nele podermos encontrar pedras, flores e umbigos ao longo do caminho.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><sup>1<\/sup> BROWN, N. \u201cO lugar do cartel na forma\u00e7\u00e3o do analista\u201d. In: <em>Correio Express Revista de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 5, ano 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/005\/lugar_cartel.html&gt;. Acesso em: [13\/10\/2023].<\/h6>\n<h6><sup>2<\/sup> LACAN, J. \u201cAto de fundac\u0327a\u0303o\u201d. In: <em>Outros escritos<\/em>. <em>Op. Cit.<\/em>, p. 235-247.<\/h6>\n<h6><sup>3<\/sup> MILLER, J.-A. \u201cPara introducir el efecto-de-formacio\u0301n\u201d. In: <em>Co\u0301mo se forman los analistas?. <\/em>Buenos Aires: Grama, 2012, p. 13- 20.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdsis Maur\u00edcio Coelho Inicialmente, gostaria de expressar meu agradecimento \u00e0 Diretoria de Cart\u00e9is e Interc\u00e2mbio da Se\u00e7\u00e3o Nordeste e sua comiss\u00e3o pelo acolhimento e pela oportunidade de participar deste trabalho desenvolvido em tr\u00eas frentes de atividades: &#8220;Noite de Cart\u00e9is&#8221;, &#8220;Procura-se Cartel&#8221; e &#8220;Momentos de Interc\u00e2mbio&#8221;. 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