{"id":4200,"date":"2024-03-05T07:39:34","date_gmt":"2024-03-05T10:39:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4200"},"modified":"2024-03-07T17:43:08","modified_gmt":"2024-03-07T20:43:08","slug":"lancamento-do-livro-lacan-chines-para-alem-das-estruturas-e-dos-nos-de-cleyton-andrade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/lancamento-do-livro-lacan-chines-para-alem-das-estruturas-e-dos-nos-de-cleyton-andrade\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento do livro Lacan Chin\u00eas: para al\u00e9m das estruturas e dos n\u00f3s, de Cleyton Andrade"},"content":{"rendered":"<h6>Francisco Santos<\/h6>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-4188\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_005.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_005.png 2701w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_005-240x300.png 240w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_005-820x1024.png 820w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_005-768x960.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_005-1229x1536.png 1229w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/litoraneo13_005-1639x2048.png 1639w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 7 de novembro, a Comiss\u00e3o de Biblioteca da EBP Se\u00e7\u00e3o Nordeste trouxe mais um <em>Noites de biblioteca<\/em>, onde tivemos a honra de apresentar o livro <em>Lacan chin\u00eas<\/em>, uma obra reconhecidamente importante para a psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. E n\u00e3o apenas: o livro ganhou o primeiro lugar do 58\u00ba Pr\u00eamio Jabuti, na categoria Psicologia, Psican\u00e1lise e Comportamento; e \u00e9 oriundo da pena &#8211; ou do pincel &#8211; de Cleyton Andrade.<\/p>\n<p>Para conversar com Cleyton, convidamos tamb\u00e9m Fabi\u00e1n Fajnwacks: psicanalista, membro da Escola da Causa Freudiana de Paris e da Escola da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, da Argentina e professor na Universidade Paris VIII Vincennes Saint-Dennis. Al\u00e9m de escrever um dos p\u00f3sf\u00e1cios desta edi\u00e7\u00e3o revista e ampliada, ele \u00e9 o autor do rec\u00e9m-lan\u00e7ado <em>Despatologizar o sujeito trans e outros ensaios lacanianos<\/em>. Fabi\u00e1n conversou conosco diretamente da Fran\u00e7a, e por isso nosso hor\u00e1rio precisou ser modificado.<\/p>\n<p>Fabi\u00e1n complementou, atrav\u00e9s de suas pr\u00f3prias pesquisas e articula\u00e7\u00f5es entre psican\u00e1lise, lingu\u00edstica e filosofia, n\u00e3o somente o aspecto intelectual da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica de Cleyton, reverberada e corroborada atrav\u00e9s de diversos autores citados, bem como o car\u00e1ter cl\u00ednico que o livro provoca e que foi provocado: \u201cporque em psican\u00e1lise o escrito n\u00e3o precede \u00e0 palavra, e sim deposita-se atrav\u00e9s do que se diz\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>. Essa ressalva rima com outra que insiste nessa faceta moebiana que o autor faz da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1rio-acad\u00eamica e da cl\u00ednica: \u201c[que] cada analisante possa encontrar sua pr\u00f3pria <em>lal\u00ednguai, <\/em>sua <em>lal\u00edngua chinesa<\/em> naquilo que diz, a partir das descontinuidades entre S1 e S2 e reversibilidades que permitam equivocar a l\u00edngua que herdou do Outro\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>O psicanalista que se diga lacaniano, ainda que experiente, n\u00e3o somente o ne\u00f3fito, ao passar por semin\u00e1rios como o <em>Livro <\/em><em>18<\/em>, <em>De um discurso que n\u00e3o fosse um semblante<\/em>, onde o tema chin\u00eas aparece t\u00e3o evidente, desde a pr\u00f3pria capa, pode se perguntar: Por que uma l\u00edngua t\u00e3o diversa, discrepante como a chinesa &#8211; aos olhos do ocidental &#8211; interessa a Lacan?<\/p>\n<p>Debatemos pouco sobre isso, em meio a tantas quest\u00f5es da contemporaneidade, levando tamb\u00e9m em conta um ensino t\u00e3o extenso e intenso quanto o de Lacan. A obra que temos em m\u00e3os vai nos dizer, contudo, que a escrita e poesia chinesas n\u00e3o apenas <em>interess<\/em><em>aram<\/em> a Lacan, mas compuseram partes fundamentais de seu pensamento e de seu ensino, ou seja, de tal influ\u00eancia somos todos, aqui, tribut\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ler o <em>Lacan chin\u00eas<\/em> de Cleyton me deu a impress\u00e3o de ler tr\u00eas obras: uma de hist\u00f3ria da filosofia, acompanhando a trajet\u00f3ria dos pensamentos e pensadores em uma terra, um pa\u00eds, unificado, reunificado, dividido, uma vasta hist\u00f3ria de transforma\u00e7\u00f5es que parecem ter como fio condutor sua escrita e poesia. Pois, \u201ccada l\u00edngua responde \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dos povos que as sustentam\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>. Senti que lia algo como uma sinologia filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>Segundo, tamb\u00e9m \u00e9 um tratado de lingu\u00edstica, um estudo aprofundado da escrita, caligrafia, poesia, pintura chinesas, e como essas express\u00f5es de um povo e uma cultura s\u00e3o sua ess\u00eancia e que tanto podem ensinar aos ocidentais e sua mania de continuidade.<\/p>\n<p>A poesia chinesa que corta e produz efeito de furo e sentido como uma interpreta\u00e7\u00e3o lacanina. Uma investiga\u00e7\u00e3o que vai fundo e elucida toda uma sorte de quest\u00f5es que boa parte de n\u00f3s nem mesmo chega a levantar, por exemplo, \u201cque h\u00e1 uma ironia em encontrar o valor da letra numa escrita que n\u00e3o possui letras\u201d, referindo-se a como Lacan encontrou e formulou de maneira inescap\u00e1vel &#8211; n\u00e3o faria alhures &#8211; no seu percurso atrav\u00e9s da poesia e escrita chinesas o conceito de letra.<\/p>\n<p>E um terceiro, o trabalho <em>de um psicanalista<\/em>, j\u00e1 marcado no t\u00edtulo, \u201cpara al\u00e9m das estruturas e dos n\u00f3s\u201d. Como ele mesmo explica ao final da obra, <em>\u00e9 cl\u00ednico<\/em> o ponto de partida para este trabalho te\u00f3rico, trabalho atrav\u00e9s do qual encontra e demonstra a marca indel\u00e9vel, ineg\u00e1vel e inerente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um sistema de pensamento, de um ensino como o de Lacan, que n\u00e3o seria o mesmo sem sua imers\u00e3o na cultura chinesa; o que o fez, de fato, um Lacan chin\u00eas.<\/p>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> FAJNWACKS, F\u00e1bian. A urg\u00eancia de ser chin\u00eas hoje! In: <em>Lacan chin\u00eas: para al\u00e9m das estruturas e dos n\u00f3s<\/em>. 3. Ed. Rev Amp. Belo Horizonte, Aut\u00eantica, 2023, p. 227.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> FAJNWACKS, F\u00e1bian. A urg\u00eancia de ser chin\u00eas hoje! In: <em>Lacan chin\u00eas: para al\u00e9m das estruturas e dos n\u00f3s<\/em>. 3. Ed. Rev Amp. Belo Horizonte, Aut\u00eantica, 2023, p. 231.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> ANDRADE, Cleyton. <em>Lacan chin\u00eas: para al\u00e9m das estruturas e dos n\u00f3s<\/em>. 3. Ed. Rev Amp. Belo Horizonte, Aut\u00eantica, 2023, p. 67.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Santos No \u00faltimo dia 7 de novembro, a Comiss\u00e3o de Biblioteca da EBP Se\u00e7\u00e3o Nordeste trouxe mais um Noites de biblioteca, onde tivemos a honra de apresentar o livro Lacan chin\u00eas, uma obra reconhecidamente importante para a psican\u00e1lise de orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. 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