{"id":4124,"date":"2023-12-22T06:10:32","date_gmt":"2023-12-22T09:10:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=4124"},"modified":"2023-12-22T15:43:26","modified_gmt":"2023-12-22T18:43:26","slug":"editorial-boletim-litoraneo-no12","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/editorial-boletim-litoraneo-no12\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim Litor\u00e2neo n\u00ba12"},"content":{"rendered":"<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-scaled.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-4125\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-scaled.jpeg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"308\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-scaled.jpeg 2079w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-244x300.jpeg 244w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-832x1024.jpeg 832w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-768x946.jpeg 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-1247x1536.jpeg 1247w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/Imagem-1-1663x2048.jpeg 1663w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/a>Sandra Conrado<\/h6>\n<p>A EBP-Se\u00e7\u00e3o Nordeste realizou, nos dias 24 e 25 de novembro deste ano, sua III Jornada. Em conson\u00e2ncia com o tema da AMP, \u201cTodo Mundo \u00e9 Louco\u201d, apostou numa pergunta para encontrar, nas entrelinhas desse tema, uma quest\u00e3o: \u201cCada um em seu mundo: todos delirantes?\u201d<\/p>\n<p>\u201cTodo mundo\u201d soa como algo global, como globaliza\u00e7\u00e3o, como integra\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as, fen\u00f4meno que ao longo do tempo, em efeito for\u00e7oso, afetou as subjetividades: apagam-se as diferen\u00e7as, recorre-se \u00e0 igualdade, num empuxo a padroniza\u00e7\u00f5es como se todos pudessem gozar da mesma coisa, ser feliz do mesmo jeito em obedi\u00eancia \u00e0 ordem de ferro que apaga a singularidade. Chove-se S1. N\u00e3o somos mais quem podemos ser, como canta a m\u00fasica dos Engenheiros do Havaii, banda dos anos 90. Hoje se \u00e9 o que se quer ser.<\/p>\n<p>Ao propor esse tema do todo mundo, uma ressalva se faz necess\u00e1ria. Como nos diz Gil Caroz em seu argumento para o XIV Congresso da AMP, esse aforismo lacaniano n\u00e3o diz respeito a todos os seres da terra, mas unicamente aos seres falantes que obedecem como podem ao c\u00f3digo da linguagem e que est\u00e3o imersos em um discurso que cria la\u00e7o social<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>A loucura de que se trata nesse aforismo vai al\u00e9m da no\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica da psiquiatria, uma vez que ela \u00e9 tratada dentro do campo do sentido, aberto a todo ser falante, seja de que lugar, na estrutura, o sujeito de instala.<\/p>\n<p>\u201cCada em seu mundo: todos delirantes?\u201d, proposto como mat\u00e9ria dessa III Jornada veio colocar em cena as singularidades dos falantes que n\u00e3o se acomodam com o simples fato de existir, mas como cada um constr\u00f3i e se arranja num mundo das estandardiza\u00e7\u00f5es, dado o desencantamento do Nome-do-Pai e com ele sua forma de se relacionar com o campo simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>Quando Miller, apoiado em Lacan, convida o analista a ser um pouco mais psic\u00f3tico, um pouco mais perplexo, a ler as coisas sem entend\u00ea-las, a n\u00e3o apagar o momento da perplexidade e a n\u00e3o sair correndo com o nosso S2<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>, ele est\u00e1 apostando na sustenta\u00e7\u00e3o do que pode se produzir, apesar da foraclus\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>O real como mist\u00e9rio do corpo falante e do inconsciente, dito por Lacan em seu <em>Semin\u00e1rio 20, Mais, ainda<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><em><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/em><\/a>, chega a n\u00f3s como orienta\u00e7\u00e3o. Se do real n\u00e3o se diz, isso \u00e9 imposs\u00edvel, sua exist\u00eancia se faz pelo dizer, se os significantes no campo do outro j\u00e1 n\u00e3o d\u00e3o mais tanta consist\u00eancia ao simb\u00f3lico, resta-nos o corpo falante e seu S2, resta o del\u00edrio como instrumento de saber.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta dire\u00e7\u00e3o que os textos desse boletim caminham. Claudia Formiga, coordenadora da III Jornada, inspirada no verso de Dominguinhos e Gilberto Gil: \u201cr\u00eas desgarrada, nessa multid\u00e3o-boiada, caminhando a esmo\u201d, situa a propriedade do tema dessa Jornada. Da\u00ed, segundo ela, a proposta de se debru\u00e7ar sobre o conceito de sinthoma como acontecimento de corpo para problematizar a no\u00e7\u00e3o de del\u00edrio.<\/p>\n<p>Marcando sua fala como \u201cEncontro dos corpos\u201d, a diretora da Se\u00e7\u00e3o Nordeste, Cassandra Dias, trouxe a import\u00e2ncia do retorno do encontro presencial, sem excluir a necessidade do <em>on line<\/em>, quando o real da pandemia se imp\u00f4s. Manter a psican\u00e1lise viva, contornar esse real \u00e9 inerente \u00e0 \u00e9tica do desejo do analista que em cada \u00e9poca se reinventa e reinventa tamb\u00e9m um lugar para a psican\u00e1lise trabalhar. Seu texto tamb\u00e9m vai destacar o novo real, desmascarado e sem lei, e aponta para a subjetividade da \u00e9poca, a necess\u00e1ria politica que no Uno e no \u00e2mbito da AMP, garante ao analista uma leitura do que se passa nos corpos e na civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Francisco Santos nos apresenta, sem perder um detalhe, o trajeto de dois dias de trabalho. Seu texto vai pontuar os acontecimentos tra\u00e7ados em cada mesa de trabalho. Da plen\u00e1ria que discutiu o t\u00edtulo da Jornada, dos ensinamentos do passe, dos trabalhos de investiga\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos do rec\u00e9m-nascido IPSIN e das demais mesas de trabalho, que levaram cada um a expor suas pr\u00e1ticas, endossando a singularidade de cada trabalho, na import\u00e2ncia de se estar atento ao que a civiliza\u00e7\u00e3o nos oferece.<\/p>\n<p>Francisco tamb\u00e9m destaca a presen\u00e7a de R\u00f4mulo Ferreira, convidado da III Jornada, suas interven\u00e7\u00f5es, suas falas nos dois semin\u00e1rios e a contribui\u00e7\u00e3o dele dada \u00e0s mesas de trabalho.<\/p>\n<p>Desejamos a todos uma boa leitura!<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> <a href=\"https:\/\/congresamp2024.world\/pt-br\/o-grau-zero-da-loucura\/\">https:\/\/congresamp2024.world\/pt-br\/o-grau-zero-da-loucura\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> <a href=\"http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/pdf\/artigos\/JAMDelir.pdf\">http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/antigos\/pdf\/artigos\/JAMDelir.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup>[3]<\/sup><\/a> LACAN, Jacques. <em>O semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. <\/em>Rio de Janeiro: Zahar, 1985, p. 178.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandra Conrado A EBP-Se\u00e7\u00e3o Nordeste realizou, nos dias 24 e 25 de novembro deste ano, sua III Jornada. 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