{"id":3286,"date":"2023-04-06T06:48:03","date_gmt":"2023-04-06T09:48:03","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=3286"},"modified":"2023-04-06T06:48:03","modified_gmt":"2023-04-06T09:48:03","slug":"savoir-y-faire-avec","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/savoir-y-faire-avec\/","title":{"rendered":"Savoir-y-faire avec&#8230;"},"content":{"rendered":"<h6><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-3274\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2023\/04\/Noriko-Kuresumi-2-1024x766.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"374\" \/>K\u00e9sia Ramos \u2013 Comiss\u00e3o do Boletim Litor\u00e2neo<\/h6>\n<p>O Boletim Litor\u00e2neo N\u00famero 10 traz, em sua edi\u00e7\u00e3o de arte, a tem\u00e1tica da \u201cmem\u00f3ria\u201d, ilustrada nas obras de Noriko Kuresumi e Sophia de Mello Breyner Andresen.<\/p>\n<p>Mem\u00f3rias fundadas nas intensas viv\u00eancias infantis, compostas pela presen\u00e7a do oceano.<\/p>\n<p>Tais experimenta\u00e7\u00f5es com o mar, no continente asi\u00e1tico e nas \u00e1guas lusitanas, historicizaram e demarcaram o estilo e a produ\u00e7\u00e3o de cada artista.<\/p>\n<p>Noriko Kuresumi nasceu no Jap\u00e3o e cresceu na regi\u00e3o de Chibaken, situada na Ba\u00eda de T\u00f3quio. As esculturas de Kuresumi s\u00e3o criadas \u00e0 m\u00e3o e feitas de porcelana. Todas s\u00e3o intituladas de &#8220;Mar da Mem\u00f3ria&#8221;. Em entrevista para o jornal The New York Times, na edi\u00e7\u00e3o de setembro de 2018, a artista cita: \u201cO caractere japon\u00eas para a palavra &#8216;mar&#8217; tem o caractere para &#8216;m\u00e3e&#8217;&#8230; O Oceano \u00e9 a m\u00e3e da Terra&#8221;.<\/p>\n<p>Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu em Porto. A partir da forma cl\u00e1ssica de express\u00e3o po\u00e9tica, de um predom\u00ednio l\u00edrico em sua dic\u00e7\u00e3o, descortina a tem\u00e1tica do mar. Foi a primeira mulher poetisa portuguesa a receber o mais importante galard\u00e3o liter\u00e1rio da l\u00edngua portuguesa, o Pr\u00eamio Cam\u00f5es, em 1999.<\/p>\n<p>Desde 2005, no Ocean\u00e1rio de Lisboa, os seus poemas foram colocados para leitura permanente nas zonas de descanso da exposi\u00e7\u00e3o, permitindo aos visitantes absorverem a for\u00e7a da sua escrita enquanto est\u00e3o imersos em uma vis\u00e3o do fundo do mar. Foi o meu primeiro encontro com a poesia de Sophia Andresen.<\/p>\n<p>Na al\u00e7ada do trabalho realizado na comiss\u00e3o editorial do boletim Litor\u00e2neo da EBP Se\u00e7\u00e3o Nordeste, no per\u00edodo de 2021-2023, transcorreram pesquisas e elabora\u00e7\u00f5es articuladas entre o <em>corpus<\/em> epist\u00eamico e o \u00e2mbito das artes enla\u00e7adas em seu endere\u00e7amento ao Campo da Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. Dessa rela\u00e7\u00e3o com a arte, o psicanalista se aprimora nos dois modos de tratamento do real, que articulam inconsciente, linguagem e corpo.<\/p>\n<p>Extraio, dessa experi\u00eancia de trabalho com o boletim, a possibilidade de ter colaborado para o nascimento de um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o que traz, em sua hist\u00f3ria, o tempo inaugural da Se\u00e7\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>Elaborar, inventar, mergulhar e navegar nesse \u201cLitoral Se\u00e7\u00e3o Nordeste\u201d, valorando e sustentando a l\u00e2mina cortante da psican\u00e1lise e a sua presen\u00e7a na civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na tessitura desse <em>\u201c<\/em>mar<em>\u201d<\/em> da Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana, circunscrevi o meu desejo de analista.<\/p>\n<p>Savoir-y-faire avec&#8230;<\/p>\n<p>E assim, concluo.<\/p>\n<p>POEMA<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<h6>Sophia de Mello Breyner Andresen<\/h6>\n<p>A minha vida \u00e9 o mar o abril a rua<\/p>\n<p>O meu interior \u00e9 uma aten\u00e7\u00e3o voltada para fora<\/p>\n<p>O meu viver escuta<\/p>\n<p>A frase que de coisa em coisa silabada<\/p>\n<p>Grava no espa\u00e7o e no tempo a sua escrita<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o trago Deus em mim mas no mundo o procuro<\/p>\n<p>Sabendo que o real o mostrar\u00e1<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho explica\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Olho e confronto<\/p>\n<p>E por m\u00e9todo \u00e9 nu meu pensamento<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A terra o sol o vento o mar<\/p>\n<p>S\u00e3o a minha biografia e s\u00e3o meu rosto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso n\u00e3o me pe\u00e7am cart\u00e3o de identidade<\/p>\n<p>Pois nenhum outro sen\u00e3o o mundo tenho<\/p>\n<p>N\u00e3o me pe\u00e7am opini\u00f5es nem entrevistas<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem datas nem moradas<\/p>\n<p>De tudo quanto vejo me acrescento<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E a hora da minha morte aflora lentamente<\/p>\n<p>Cada dia preparada.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Obra Po\u00e9tica Sophia de Mello Breyner Andresen. 2015. Ass\u00edrio &amp; Alvim.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>K\u00e9sia Ramos \u2013 Comiss\u00e3o do Boletim Litor\u00e2neo O Boletim Litor\u00e2neo N\u00famero 10 traz, em sua edi\u00e7\u00e3o de arte, a tem\u00e1tica da \u201cmem\u00f3ria\u201d, ilustrada nas obras de Noriko Kuresumi e Sophia de Mello Breyner Andresen. Mem\u00f3rias fundadas nas intensas viv\u00eancias infantis, compostas pela presen\u00e7a do oceano. 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