{"id":2645,"date":"2021-10-28T08:30:34","date_gmt":"2021-10-28T11:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=2645"},"modified":"2021-10-28T08:30:34","modified_gmt":"2021-10-28T11:30:34","slug":"alem-do-principio-do-prazer-alguns-pontos-para-uma-leitura-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/alem-do-principio-do-prazer-alguns-pontos-para-uma-leitura-politica\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer: alguns pontos para uma leitura pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<h6>Gilson Iannini<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2646\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/litoraneo006_007.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" \/>Uma boa noite a todos e todas. \u00c9 uma alegria estar aqui. N\u00e3o poder\u00edamos ter tido uma abertura mais bonita e que casa t\u00e3o bem com o que eu vou falar. Voc\u00eas v\u00e3o entender o porqu\u00ea. Gostaria de agradecer o convite de Cassandra para participar dessa noite de Abertura da Biblioteca. Agradecer \u00e0 Biblioteca Viva, a Cassandra, a Carolina e a Xavier que fizeram esse trabalho t\u00e3o interessante que nos trouxe Na\u00e7\u00e3o Zumbi, Nirvana relidos. Uma biblioteca tem que ser viva e voc\u00eas est\u00e3o dando vida a esses textos.<\/p>\n<p>Estou muito feliz de estar com S\u00e9rgio de Campos e com os v\u00e1rios amigos que estou vendo aqui. Por que eu acho que Bacurau introduz o que vou dizer? Eu preparei quatro pontos. Supondo que <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em> \u00e9 um texto conhecido de todo mundo em rela\u00e7\u00e3o aos seus aspectos metapsicol\u00f3gicos e \u00e0 cl\u00ednica que ele apresenta, vou tentar trazer \u00e0 tona o aspecto pol\u00edtico inerente ao que subjaz a discuss\u00e3o de <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>.<\/p>\n<p>Proponho, ent\u00e3o, uma leitura pol\u00edtica. S\u00e3o quatro pontos que eu quero desenvolver. O primeiro deles tem a ver com a guerra. Todos n\u00f3s estudamos e aprendemos, desde a primeira vez que nos deparamos com esse texto, que ele tem a ver com as neuroses de guerra, em como os neur\u00f3ticos de guerra voltavam para a vida p\u00fablica cheios de sintomas, etc. N\u00f3s aprendemos sobre os sonhos traum\u00e1ticos, a repeti\u00e7\u00e3o\u2026 mas talvez n\u00e3o tenhamos muita clareza do quanto <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em> \u00e9 uma ferramenta no combate extremamente vivo, extremamente urgente que ocupava as primeiras p\u00e1ginas dos jornais.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise nasce no final do s\u00e9culo XIX quando Freud, de alguma maneira, diz que ali onde a ortodoxia m\u00e9dica n\u00e3o reconhece a verdade do sintoma hist\u00e9rico, por considerar a histeria como uma esp\u00e9cie de teatro, a psican\u00e1lise d\u00e1 voz \u00e0s hist\u00e9ricas, reconhecendo uma verdade no sofrimento. Mais ou menos a mesma coisa, uma esp\u00e9cie de refunda\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise, ocorre de 1918 em diante.<\/p>\n<p>O congresso de Budapeste, em setembro de 1918, foi o primeiro congresso p\u00f3s-guerra, na verdade a guerra ainda n\u00e3o tinha acabado, faltavam mais dois meses, mas \u00e9 a primeira vez que os psicanalistas se re\u00fanem depois de alguns anos sem se encontrar por causa da Grande Guerra. Foi um congresso sobre as neuroses de guerra. As apresenta\u00e7\u00f5es mais importantes foram de Abraham, Ferenczi e Simmel. \u00a0Os tr\u00eas, para al\u00e9m da import\u00e2ncia das teses te\u00f3ricas que apresentam, tinham uma farta experi\u00eancia cl\u00ednica. Eles eram diretores de hospitais, de alas de hospitais de campanha ou de hospitais militares que receberam os feridos de guerra. Ent\u00e3o, eles tiveram uma pr\u00e1tica cl\u00ednica, uma casu\u00edstica enorme. E o debate sobre a veracidade, a verdade dos sintomas dos neur\u00f3ticos de guerra era um debate de primeira p\u00e1gina de jornal. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Assim como as hist\u00e9ricas no final do s\u00e9culo XIX eram acusadas, de certo modo, de descumprir as suas obriga\u00e7\u00f5es conjugais e que seus sintomas seriam uma maneira de se furtar \u00e0s obriga\u00e7\u00f5es que o casamento impunha, foi amplamente discutida a tese de que os sintomas dos soldados eram falsos e que, portanto, eles estavam usando os sintomas para encobrir a sua falta de compromisso com as obriga\u00e7\u00f5es masculinas, militares e patri\u00f3ticas. Esse era um debate que opunha a ala <em>mainstream<\/em> da psiquiatria e da neurologia da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um debate te\u00f3rico esse que Freud est\u00e1 fazendo. Ele n\u00e3o est\u00e1 discutindo a puls\u00e3o de morte e os sonhos dos neur\u00f3ticos de guerra como um ap\u00eandice, como alguma coisa sem import\u00e2ncia que o permitiria mudar um conceito da sua metapsicologia. Ele est\u00e1 fazendo uma interven\u00e7\u00e3o no debate p\u00fablico. E \u00e9 para esse ponto que eu estou chamando aten\u00e7\u00e3o. A prova disso s\u00e3o duas coisas. A primeira \u00e9 estarmos atentos a como esse debate realmente ocupava a imprensa da \u00e9poca porque, logo ap\u00f3s o final da guerra, v\u00e1rios processos judiciais ocorreram contra soldados v\u00edtimas do tratamento desumano \u2013 que inclu\u00eda pris\u00e3o, tortura, eletrochoque, etc. \u2013 e contra os combatentes que n\u00e3o queriam retornar ao campo de batalha e que, supostamente, se esconderiam por tr\u00e1s dos seus sintomas.<\/p>\n<p>Em um dos casos mais emblem\u00e1ticos \u2013 e temos todos os protocolos e documentos dessas atas da interven\u00e7\u00e3o de Freud, ele chegou inclusive a ser uma testemunha \u2013 no julgamento de um psiquiatra que foi acusado de aplicar eletrochoques que levaram \u00e0 morte alguns dos soldados &#8211; Freud testemunha e diz que os m\u00e9dicos estavam atuando como se fossem metralhadoras que obrigavam os soldados a voltarem \u00e0 guerra, a voltarem \u00e0s trincheiras. Ele compara o tratamento m\u00e9dico \u00e0s metralhadoras.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, talvez quando lemos hoje um texto como <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>, tenhamos a impress\u00e3o de que se trata de um debate extremamente te\u00f3rico e especulativo, como nas primeiras p\u00e1ginas que parecem v\u00e1rias especula\u00e7\u00f5es falando de puls\u00e3o de morte, al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer, etc. Teses dif\u00edceis com as quais quebramos a cabe\u00e7a para entender. Parece especulativo, mas trata-se de uma interven\u00e7\u00e3o em um debate p\u00fablico, em um debate extremamente vivo e atual. Eu acho extremamente importante ressaltarmos isso porque podemos ler o texto de Freud de outra maneira se tivermos em mente que ele est\u00e1 intervindo em um debate que justifica, que d\u00e1 o fundamento metapsicol\u00f3gico e cl\u00ednico para um tratamento que reconhece a verdade do sofrimento dos neur\u00f3ticos de guerra.<\/p>\n<p>Walter Benjamin afirmava que, nessa que foi a experi\u00eancia mais b\u00e1rbara da hist\u00f3ria recente, os homens voltavam dos campos de batalha n\u00e3o mais ricos, mas mais pobres em experi\u00eancias. Eles n\u00e3o tinham o que falar, eles voltavam silenciados. Eles falavam atrav\u00e9s dos seus sintomas, eles falavam atrav\u00e9s dos seus corpos, onde o estampido das bombas estourava outra vez e repetia em sonhos e sintomas os mais diversos, em geral, corporais.<\/p>\n<p>\u00c9 muito curioso porque nos debates de setembro de 1918 em Budapeste, enquanto os tr\u00eas principais expositores \u2013 o Ferenczi, o Simmel e o Abraham \u2013 insistiam na tese da etiologia sexual dos sintomas, Freud defende que era poss\u00edvel abrir m\u00e3o dessa tese. Ou seja, os disc\u00edpulos eram mais disciplinados do que o mestre, como em geral o s\u00e3o. O pr\u00f3prio Freud reformula a tese sobre a etiologia exclusivamente sexual dos sintomas neur\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o primeiro ponto que eu queria abordar. Dar um contorno ao texto como uma interven\u00e7\u00e3o no debate p\u00fablico. Eu acho importante entender o contexto de produ\u00e7\u00e3o dos textos do Freud justamente para entender esse car\u00e1ter vivo; e sendo assim, o curioso, o paradoxal \u00e9 que quanto mais nos situamos no contexto de 1918, 1919 e 1920, mais atual ele fica porque, de alguma maneira, conseguimos extrair o que h\u00e1 de vivo, que n\u00e3o \u00e9 exatamente a parte especulativa ou a parte metapsicol\u00f3gica. Isso \u00e9 superimportante, desde que entendamos a que causa o texto serve.<\/p>\n<p>O segundo ponto que eu gostaria de abordar tem a ver com a famosa tese de Freud que, \u00e0s vezes, descartamos r\u00e1pido demais: \u201c<em>a anatomia \u00e9 o destino<\/em>\u201d. Seria interessante nos perguntarmos quem s\u00e3o os anatomistas de Freud. Se voc\u00eas pegarem o Cap\u00edtulo 6 de <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>, encontrar\u00e3o uma longa digress\u00e3o biol\u00f3gica, que rapidamente gostamos de descartar como se fosse uma esp\u00e9cie de fantasia freudiana, de ideologia recreativa. N\u00e3o \u00e9 nada disso.<\/p>\n<p>Freud, de alguma maneira, se serve ali do que havia de melhor na Biologia da sua \u00e9poca, do que havia de mais avan\u00e7ado na ci\u00eancia da sua \u00e9poca. Claro que a ci\u00eancia avan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a algumas das teses ali esbo\u00e7adas, mas algumas das teses mais importantes \u2013 como a tese de que a morte n\u00e3o \u00e9 apenas um acidente, mas a meta de toda a vida e que, ao contr\u00e1rio, a vida \u00e9 um acidente \u2013 os imunologistas contempor\u00e2neos de alguma maneira as subscrevem.<\/p>\n<p>No entanto, o ponto para o qual eu gostaria de chamar aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 esse. Voc\u00eas sabem que o texto <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em> foi escrito em duas grandes etapas. Ele tem algumas etapas, mas s\u00e3o dois grandes grupos. H\u00e1 o manuscrito de 1919, que n\u00e3o tinha o Cap\u00edtulo 6, e o manuscrito de 1920, que tem o Cap\u00edtulo 6, que ele insere antes do \u00faltimo. O que era o seis passou a ser o sete. Nesse cap\u00edtulo \u2013 que \u00e9 justamente onde ele introduz a puls\u00e3o de morte, que tem aquela passagem enorme sobre a ci\u00eancia e depois aquela passagem enorme sobre Eros \u2013 ele cita dois autores aos quais talvez n\u00e3o prestemos aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o ponto para o qual eu gostaria de chamar aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que Freud escreve o Cap\u00edtulo 6 ao mesmo tempo em que escreve sobre a \u201cPsicog\u00eanese de um caso de homossexualidade feminina\u201d. Os dois textos s\u00e3o escritos ao mesmo tempo. A pesquisa que ali \u00e9 feita \u00e9 a mesma e d\u00e1 base aos textos.\u00a0 E o interessante \u00e9 que esses autores defendiam na ci\u00eancia a tese da bissexualidade origin\u00e1ria do ser humano em 1918. O Steinach foi um dos cirurgi\u00f5es pioneiros a fazer as cirurgias que hoje chamamos de redesigna\u00e7\u00e3o sexual. Na \u00e9poca, chamava-se feminiza\u00e7\u00e3o e os m\u00e9dicos, os bi\u00f3logos que Freud cita \u2013 sem mencionar esse ponto, mas nos quais ele apoia a sua biologia \u2013 s\u00e3o os bi\u00f3logos que na \u00e9poca defendiam essa tese da plasticidade sexual e que defendiam e faziam as cirurgias, isso j\u00e1 em 1920, que hoje chamamos de cirurgia trans. Ent\u00e3o, \u00e0s vezes, achamos que estamos discutindo algo contempor\u00e2neo de maneira exaustiva, mas Freud j\u00e1 citava esses autores. Esse segundo ponto \u00e9 s\u00f3 uma p\u00edlula para que depois possamos discutir.<\/p>\n<p>O terceiro ponto que eu gostaria de trazer hoje \u2013 quem \u00e9 da Escola j\u00e1 me viu falando sobre ele em outros eventos, vou falar dele rapidamente \u2013 \u00e9 o epis\u00f3dio de Clorinda e Tancredo. Esse epis\u00f3dio est\u00e1 em uma passagem important\u00edssima de <em>Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer<\/em>. Trata-se daquela passagem na qual \u2013 ap\u00f3s apresentar no Cap\u00edtulo 2 o <em>Fort-da<\/em>, os sonhos dos neur\u00f3ticos de guerra, etc. \u2013 Freud d\u00e1 um grande salto e fala sobre o car\u00e1ter conservador e repetitivo da puls\u00e3o, dessa volta \u00e0 origem, desse car\u00e1ter regressivo que a puls\u00e3o tem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ele postula dois tipos de repeti\u00e7\u00e3o: a repeti\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica e a repeti\u00e7\u00e3o infamiliar, <em>unheimlich. <\/em>E, nesse momento, ele recorre a um epis\u00f3dio do poema renascentista \u201cJerusal\u00e9m Libertada\u201d, de Torquato Tasso, do s\u00e9culo XVI depois de Cristo e que retrata uma batalha da Primeira Cruzada, ou seja, que teria ocorrido no S\u00e9culo XI \u2013 em que, basicamente, um guerreiro crist\u00e3o apaixonado por uma mu\u00e7ulmana luta contra\u00a0 ela a noite inteira sem perceber, pois ela estava utilizando uma armadura mu\u00e7ulmana. Ele n\u00e3o percebe que est\u00e1 em uma batalha singular com sua amada e a mata. Voc\u00eas conhecem a cena. Ele mata sua amada com um golpe de espada depois de lutar a noite inteira. Eu adoro imaginar essa cena da luta do casal apaixonado a noite inteira e, ao primeiro raio de luz, ele a mata. \u00c9 nesse momento que ela abre a boca pela primeira vez, quando ele pergunta com quem ele havia lutado a noite inteira,\u00a0 diz ter sido uma luta muito dif\u00edcil e ela, em vez de dizer seu nome, pede-lhe o batismo. Ela pede que ele lhe d\u00ea um nome. E, ent\u00e3o, ele entra em desespero porque percebe que acabou de assassinar sua amada.<\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed, temos um enredo tr\u00e1gico por excel\u00eancia. O her\u00f3i foge do seu destino e o encontra. \u00c9 importante ressaltarmos que Clorinda \u00e9 uma mulher vestida com uma armadura masculina \u2013 parece um pouco Grande Sert\u00e3o Veredas \u2013 e ela \u00e9 mu\u00e7ulmana. Na pr\u00f3xima cena, Tancredo tomado de desespero pelo fim tr\u00e1gico do seu amor, entra em uma floresta <em>unheimlich. <\/em>Uma floresta estranha, inquietante, inc\u00f4moda, infamiliar e lan\u00e7a sua espada aleatoriamente para qualquer lado e, em uma \u00e2nsia de f\u00faria, essa espada encontra justamente uma \u00e1rvore. E, de dentro dessa \u00e1rvore sai a voz de quem? Justamente de Clorinda que diz: \u201cVoc\u00ea me matou n\u00e3o uma, mas duas vezes\u201d. Ent\u00e3o, ele reconhece a voz dela.<\/p>\n<p>Freud, ent\u00e3o, diz que isso \u00e9 o <em>unheimlich<\/em>, isso \u00e9 o infamiliar. A primeira repeti\u00e7\u00e3o \u00e9 tr\u00e1gica, pois poderia acontecer com qualquer um. Essa repeti\u00e7\u00f5a, a segunda \u00e9 infamiliar e trata-se de algo totalmente aleat\u00f3rio. A espada dele poderia ter batido em qualquer \u00e1rvore, mas \u00e9 justamente aquela repeti\u00e7\u00e3o de um destino que o her\u00f3i n\u00e3o escolheu, mas que o espera assim mesmo, como os v\u00e1rios casos que Freud conta da mulher vi\u00fava de tr\u00eas maridos consecutivos e assim por diante. Casos que encontramos com frequ\u00eancia na cl\u00ednica. As nossas cl\u00ednicas est\u00e3o cheias de Tancredos e Clorindas. Se voc\u00eas lembrarem, \u00e9 como nos filmes de Clint Eastwood, \u201cA Conquista da Honra\u201d e \u201cCartas de Iwo Jima\u201d, que retratam a mesma guerra contada a partir de dois pontos de vista.\u00a0 O ponto de vista dos americanos e o ponto de vista dos japoneses.<\/p>\n<p>Ora, essa batalha que Freud narra no epis\u00f3dio de Tancredo e Clorinda retorna na \u00faltima frase do texto. A frase na qual ele cita o poeta \u00e1rabe Al-Hariri \u2013 \u201cO que n\u00e3o podemos alcan\u00e7ar voando temos de fazer mancando\u201d \u2013 que \u00e9 uma cita\u00e7\u00e3o do Alcor\u00e3o. Assim, vemos o judeu Freud citando o Alcor\u00e3o na \u00faltima linha do seu texto. Se tivermos tempo, eu vou falar um pouquinho sobre quem era Al-Hariri e o que s\u00e3o os <em>Maq\u0101m\u0101t<\/em>, que s\u00e3o os poemas onde esses versos est\u00e3o e que s\u00e3o justamente sobre essa mesma batalha, a batalha da Primeira Cruzada trazida por Freud com Tancredo e Clorinda, mas agora contada do ponto de vista \u00e1rabe. Ent\u00e3o, \u00e9 como se tiv\u00e9ssemos a mesma batalha, como nos filmes do Clint Eastwood, contada de dois lados diferentes.<\/p>\n<p>Voc\u00eas viram que tr\u00eas dos exemplos que eu trouxe t\u00eam a ver com guerra e com a possibilidade de contar a hist\u00f3ria a partir de diferentes \u00e2ngulos.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Transcri\u00e7\u00e3o e estabelecimento do texto: Wilson Lima<br \/>\nRevis\u00e3o: Cassandra Dias<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilson Iannini Uma boa noite a todos e todas. \u00c9 uma alegria estar aqui. N\u00e3o poder\u00edamos ter tido uma abertura mais bonita e que casa t\u00e3o bem com o que eu vou falar. Voc\u00eas v\u00e3o entender o porqu\u00ea. Gostaria de agradecer o convite de Cassandra para participar dessa noite de Abertura da Biblioteca. 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