{"id":2642,"date":"2021-10-28T08:28:37","date_gmt":"2021-10-28T11:28:37","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=2642"},"modified":"2021-10-28T08:28:37","modified_gmt":"2021-10-28T11:28:37","slug":"ressonancias-noite-da-biblioteca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/ressonancias-noite-da-biblioteca\/","title":{"rendered":"Resson\u00e2ncias Noite da Biblioteca"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"color: #993300;\"><strong>Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer \u2013 1920\/2020<\/strong><\/span><\/h3>\n<h6>Suele Conde Soares<\/h6>\n<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2643\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/litoraneo006_008.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" \/><\/em>No litoral da palavra, uma biblioteca vive. \u00c9 isso que ressoa da atividade da Biblioteca EBP se\u00e7\u00e3o Nordeste em cuja apresenta\u00e7\u00e3o contou com a arte (poesia, m\u00fasica, cinema) para abordar a puls\u00e3o. Vida e morte.<\/p>\n<p>Cenas do filme Bacurau (2019) de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Kleber_Mendon%C3%A7a_Filho\">Kleber Mendon\u00e7a Filho<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Juliano_Dornelles\">Juliano Dornelles<\/a>, incitam ao debate. Em sua identidade nordestina, o filme nos lan\u00e7a ao encontro da vida que persiste \u201capesar de&#8230;\u201d. O Museu Hist\u00f3rico de Bacurau com seus objetos simb\u00f3licos convoca nossa identidade des\u00e9rtica. Essa identifica\u00e7\u00e3o com o \u00e1rido do sert\u00e3o: a fome, a seca, a vida que pulsa e ex-pulsa.<\/p>\n<p>\u201cTodo dia \u00e9 dia D\u201d, a m\u00fasica cantada por Gilberto Gil nos fala ao ouvido de amor e de morte. \u201cDe amar-te, de a morte morrer\u201d. <em>Se a puls\u00e3o, para Freud, \u00e9 uma mitologia; O canga\u00e7o \u00e9 a nossa mitologia<\/em>. \u00c9 por meio do canga\u00e7o que, com a crueldade sofrida e implicada ao outro, Lampi\u00e3o e seu bando fazem com o sert\u00e3o, seu e do Outro. No orat\u00f3rio do Museu de Bacurau a foto de um cangaceiro indica a que \u201cher\u00f3i\u201d o povo deve rezar. Os \u00f3culos de Virgulino Lampi\u00e3o n\u00e3o servem ao forasteiro que com sua pouca f\u00e9 duvida daquilo que pulsa e resiste no sert\u00e3o. Povo sertanejo, povo nordestino que fora do mapa inscreve seu lugar com o <em>B<\/em> de bala que, por tantas vezes, se faz necess\u00e1rio e \u00fanico meio do pulsar da vida.<\/p>\n<p>Essa identidade nordestina imprime, sob a quentura do sol, o pino da arma que n\u00e3o desejamos, por muitas vezes, empunhar, que desejamos, bem mais, que pelas janelas da escola o olhar se voltasse para o saber, para as letras e seus voos atrav\u00e9s das bocas das crian\u00e7as. Crian\u00e7as falantes, n\u00e3o caladas, rente ao ch\u00e3o. Se tudo vem da terra, do solo \u00e1rido tamb\u00e9m pode brotar a vida, bruta. H\u00e1 muito labutar nesse ch\u00e3o. <em>Todo Dia<\/em>.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 palavra, tudo \u00e9 sopro. A l\u00edngua do Outro \u00e9 sempre uma invas\u00e3o, mas se ela h\u00e1 de vir, que venha na paz. Se n\u00e3o, desembainharemos com a letra <em>P<\/em> a peixeira cortante do c\u00e9u e do solo da gente que, com a for\u00e7a do canga\u00e7o de Virgulino Lampi\u00e3o e seu bando, resiste.<\/p>\n<p>Cem anos. S\u00e9culos de uma obra que atravessa o tempo e traz suas resson\u00e2ncias, em pleno s\u00e9culo XXI, a essa terra Brasil num contexto pol\u00edtico em que vemos despertar a face cruel de um nazifascismo colorido de verde e amarelo, mais amarelo do que verde. Se Freud imprime \u00e0 psicanalise a marca de uma inven\u00e7\u00e3o de seu tempo, que tratamentos ao real de nossa \u00e9poca poderemos vir a inventar?<\/p>\n<p>Todo o Nordeste brasileiro \u00e9 percorrido por uma faixa de litoral que vai do Delta do Parna\u00edba ao Rec\u00f4ncavo Baiano. \u201cO litoral brasileiro \u00e9 beneficiado pelas condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis de navega\u00e7\u00e3o de cabotagem durante o ano inteiro\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><em>Navega\u00e7\u00e3o de cabotagem<\/em>, navega\u00e7\u00e3o entre portos mar\u00edtimos sem perder a costa de vista, sem deixar de lado o real. Como j\u00e1 dizia o poeta Fernando Pessoa, <em>Navegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Litoral_do_Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer \u2013 1920\/2020 Suele Conde Soares No litoral da palavra, uma biblioteca vive. \u00c9 isso que ressoa da atividade da Biblioteca EBP se\u00e7\u00e3o Nordeste em cuja apresenta\u00e7\u00e3o contou com a arte (poesia, m\u00fasica, cinema) para abordar a puls\u00e3o. Vida e morte. 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