{"id":2636,"date":"2021-10-28T08:26:00","date_gmt":"2021-10-28T11:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=2636"},"modified":"2021-10-28T08:26:00","modified_gmt":"2021-10-28T11:26:00","slug":"ressonancias-conversacoes-preparatorias-para-a-i-jornada-da-secao-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/ressonancias-conversacoes-preparatorias-para-a-i-jornada-da-secao-nordeste\/","title":{"rendered":"Resson\u00e2ncias Conversa\u00e7\u00f5es Preparat\u00f3rias para a I Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #993300;\"><strong>Corredor<\/strong><\/span><\/p>\n<h6>Marcella Ribeiro<\/h6>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-2637\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/litoraneo006_010.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" \/><\/p>\n<p>A densidade posta pelas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, a sexualidade e suas diferen\u00e7as s\u00e3o assuntos vivos na psican\u00e1lise lacaniana. Alcan\u00e7\u00e1-los, talvez, atrav\u00e9s da linguagem, se coloca como a primeira quest\u00e3o: qual uso poss\u00edvel da escrita para traduzir as impress\u00f5es que aparecem no corpo, na cl\u00ednica, na atualidade?<\/p>\n<p>\u201cSobre o corpo falante: sexua\u00e7\u00e3o, diferen\u00e7a sexual e rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, o texto de J\u00e9sus Santiago \u00e9 o norteador em mais uma conversa\u00e7\u00e3o preparat\u00f3ria para a primeira Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste. Ampliou mais, ainda, a pot\u00eancia que a psican\u00e1lise carrega; denunciar os semblantes e suas muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Inicio com a indica\u00e7\u00e3o de Lacan no Semin\u00e1rio 20: \u201cSe se pode dizer que o inconsciente \u00e9 estruturado como uma linguagem \u00e9 no que os efeitos de al\u00edngua, que j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1 como saber, v\u00e3o bem al\u00e9m de tudo que o ser fala \u00e9 suscet\u00edvel de enunciar\u201d(Lacan, 1972, p.149).<\/p>\n<p>Com o espa\u00e7o aberto, fomos amparados pelos coment\u00e1rios de Cleyton Andrade e Li\u00e8ge Uchoa que nos convocaram \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o das sutilezas advindas da diferen\u00e7a sexual e dos modos de gozo.<\/p>\n<p>A partir da discuss\u00e3o sou tomada por algumas passagens. A primeira, trazida por Li\u00e8ge, ao afirmar que n\u00e3o se separa sexo da identidade sexual, os dois sexos biol\u00f3gicos precisam ser preservados. Essa preserva\u00e7\u00e3o nos conduz ao embate com os discursos contempor\u00e2neos que ainda insistem nas classes identificat\u00f3rias.<\/p>\n<p>Enfrentar as quest\u00f5es do tempo do Outro faz com que a psican\u00e1lise reconhe\u00e7a as demandas de um coletivo, mas sem tom\u00e1-las por respostas generalistas. A cl\u00ednica do sujeito aponta que a subjetiva\u00e7\u00e3o n\u00e3o passa sem a diferen\u00e7a sexual. Com essa afirma\u00e7\u00e3o, arrisco dizer: a psican\u00e1lise est\u00e1 a\u00ed para salvar, salvar o ser falante que se afoga com as inunda\u00e7\u00f5es da lal\u00edngua, do gozo sem baliza, e que esbarra com as grandes conven\u00e7\u00f5es perpetuadas pelos ideais de uma sociedade.<\/p>\n<p>Assim, pensar que: \u201cO discurso do inconsciente \u00e9 uma emerg\u00eancia, \u00e9 a emerg\u00eancia de uma certa fun\u00e7\u00e3o do significante.\u201d (Lacan, 1971, p.21), \u00e9 por si s\u00f3, um apelo, onde h\u00e1 uma escans\u00e3o subjetiva em que o sujeito volta a tomar ar, reconstr\u00f3i um corpo poss\u00edvel, retoma a voz. A urg\u00eancia me fez pensar no ato desesperado de comunicar o incomunic\u00e1vel, de escapar da abocanhadura do Outro.<\/p>\n<p>Ainda na tentativa de escapar, um coment\u00e1rio surge constatando: \u201ca linguagem \u00e9 machista\u201d. E j\u00e1 que estamos \u00e0s voltas com os semblantes, hei de brincar um pouco com os dizeres de uma camiseta masculina: \u201cSe t\u00e1 ruim para voc\u00ea, imagina para quem j\u00e1 me teve e me perdeu.\u201d, essa frase, que mais parece uma amea\u00e7a de castra\u00e7\u00e3o, me capturou \u00e0 primeira vista.<\/p>\n<p>\u00c0s voltas com os modos de gozo, o todo f\u00e1lico se ancora naquilo que Lacan nos apontou no Semin\u00e1rio 18: \u201cO falo \u00e9, muito propriamente, o gozo sexual como coordenado com um semblante, como solid\u00e1rio a um semblante\u201d (Lacan, 1971, p.33). Sua solidariedade cai por terra abaixo no instante em que a rela\u00e7\u00e3o sexual inexiste, mas sustentando a posi\u00e7\u00e3o de ser o falo, o mesmo sujeito usa outra camiseta, desta vez com: \u201cDesculpe se n\u00e3o te entendo \u00e9 que n\u00e3o sou fluente em mimimi\u201d. Mesmo sobreaviso de que \u00e9 semblante, indago: o que o sujeito pode ensinar \u00e0 psican\u00e1lise nos tempos atuais sobre a recusa dessa opera\u00e7\u00e3o? Quais atravessamentos podem ser recolhidos na cl\u00ednica?<\/p>\n<p>O Nome-do-Pai, o grande Outro e o falo ao serem deslocados dos grandes ordenadores psicanal\u00edticos para o espa\u00e7o dos semblantes ganham nova funcionalidade. Us\u00e1-los como conectores demonstra a multiplicidade dos caminhos que o inconsciente se aventura, essa virada me fisgou dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a com a indica\u00e7\u00e3o dada por Cleyton para os iniciantes: \u201c\u00c9 necess\u00e1ria uma vacina para combater o fatalismo melanc\u00f3lico de que frente ao Real n\u00e3o se tem o que fazer\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 altura da nossa \u00e9poca, a vacina \u00e9 uma aposta do coletivo para salvar vidas. Logo, \u00e9 poss\u00edvel pensar que recair no fatalismo melanc\u00f3lico \u00e9 a pr\u00f3pria nega\u00e7\u00e3o do desejo? Seria, o desejo, o operador psicanal\u00edtico poss\u00edvel para pin\u00e7ar os conectores?<\/p>\n<p>Adoraria finalizar transcrevendo a can\u00e7\u00e3o \u201cPortas\u201d de Marisa Monte, pois sua letra me fez companhia na escrita. Falar sobre as portas, tantas portas, a certa, a \u00fanica. O sujeito que procura um analista se serve da escuta provocadora de questionamentos, uma tentativa de acompanhar os dilemas do seu tempo para al\u00e9m da adapta\u00e7\u00e3o. Afinal, sobre as portas, \u201cN\u00e3o tem que ser uma \u00fanica, todas servem pra sair ou para entrar. \u00c9 melhor abrir para ventilar esse corredor\u201d.<\/p>\n<p>Abram-se as portas para os enigmas do corpo falante. A cl\u00ednica nos ensina que \u00e9 fundamental correr a dor.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancias<\/h6>\n<h6>Lacan, J., O Semin\u00e1rio, livro 18: De um discurso que n\u00e3o fosse semblante\u00a0 (1971). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2009.<\/h6>\n<h6>Lacan, J., O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corredor Marcella Ribeiro A densidade posta pelas f\u00f3rmulas da sexua\u00e7\u00e3o, a sexualidade e suas diferen\u00e7as s\u00e3o assuntos vivos na psican\u00e1lise lacaniana. 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