{"id":2589,"date":"2021-09-20T08:46:58","date_gmt":"2021-09-20T11:46:58","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=2589"},"modified":"2021-09-20T08:46:58","modified_gmt":"2021-09-20T11:46:58","slug":"amor-e-laco-no-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/amor-e-laco-no-autismo\/","title":{"rendered":"Amor e la\u00e7o no autismo"},"content":{"rendered":"<h6>Ellis Platero<br \/>\nJanu\u00e1rio Marques \u2013 N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Autismo (AL)<\/h6>\n<p>O amor foi o tema de trabalho proposto para este ano, mas n\u00e3o qualquer amor, o novo no amor. Sabemos que este tema n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio da psican\u00e1lise, n\u00e3o o tomaremos como um conceito, nem t\u00e3o pouco abordaremos a partir dos poetas, fil\u00f3sofos, artistas, apesar de seu grande valor para n\u00f3s.\u00a0 Estamos nos propondo pensar no que do amor faz la\u00e7o, especialmente nos casos de sujeitos autistas, para quem o la\u00e7o \u00e9 t\u00e3o caro.<\/p>\n<p>Ao longo da teoria psicanal\u00edtica, em diferentes tempos te\u00f3ricos, encontramos formula\u00e7\u00f5es acerca do amor. Em 1914, Freud, em seu texto \u201cNarcisismo: uma introdu\u00e7\u00e3o\u201d, aponta para o car\u00e1ter narc\u00edsico do amor. Ama-se no outro aquilo que \u00e9 meu ideal de eu, um tra\u00e7o familiar. J\u00e1 para Lacan, no primeiro momento do seu ensino, o amor est\u00e1 articulado ao falo, \u00e0 castra\u00e7\u00e3o e, ao longo do avan\u00e7o de sua teoria, como supl\u00eancia a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>O que permite ao psicanalista avan\u00e7ar \u00e9 \u2013 aponta Brodsky (2021) \u2013 que \u201c(&#8230;) h\u00e1 um saber no real, a psican\u00e1lise deveria determinar que h\u00e1 um saber que falta no real: o da rela\u00e7\u00e3o sexual. N\u00e3o \u00e9 um saber n\u00e3o sabido, \u00e9 um saber que n\u00e3o h\u00e1, imposs\u00edvel de escrever\u201d. A constata\u00e7\u00e3o do gozo do Um e sua l\u00f3gica lan\u00e7a m\u00e3o do que se reitera e se fecha nele mesmo, \u00e9 o que permitir\u00e1 talvez apontar para o novo no campo do amor \u201co que n\u00e3o pode cessar de n\u00e3o se escrever no amor\u201d (BRODSKY, 2021).<\/p>\n<p>No que concerne a posi\u00e7\u00e3o do sujeito autista, nos deparamos com as diversas constru\u00e7\u00f5es elaboradas em suas rela\u00e7\u00f5es com os objetos e os duplos, inven\u00e7\u00f5es essas que s\u00e3o uma importante indica\u00e7\u00e3o de um trabalho para que o furo traum\u00e1tico da linguagem n\u00e3o se fa\u00e7a presente. S\u00e3o muitas as tentativas de manter a fixidez da itera\u00e7\u00e3o do mesmo, no entanto, o gozo do Um n\u00e3o \u00e9 bem sucedido. Simone Souto (2019) evoca um apontamento de Laurent (2016) \u201cse o encontro com o gozo fosse totalmente bem sucedido, o autoerotismo seria absoluto, e n\u00e3o haveria lugar para o amor\u201d (SOUTO, 2019).<\/p>\n<p>Nesse contexto, o que aprisionaria os sujeitos a um fechamento em seu gozo \u00e9 falho e, no curto-circuito desse gozo, se torna poss\u00edvel acessar o amor. Podemos dizer que o insucesso do gozo \u00e9 o que d\u00e1 \u201casas\u201d ao amor no autismo? O encontro com esses sujeitos, seus escritos, testemunhos, tem nos ensinado muito sobre o amor que porta o que insiste em n\u00e3o se escrever. O que marca Marlon Cort\u00e9s (2021, p. 74), ao citar Jerry Newport (2007), \u201co amor jamais seria capaz de curar as dores nem de um, nem de outro, por\u00e9m cria uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que cada um pudesse curar-se sozinho\u201d.<\/p>\n<p>Se pensarmos no tratamento, a pura presen\u00e7a do analista como aquele que acolhe a singularidade radical de cada sujeito, atento \u00e0 l\u00f3gica de funcionamento \u00e9 o que viabilizaria a escans\u00e3o necess\u00e1ria para que algo do amor possa vir a surgir. Elisa Alvarenga (2021) vai destacar que no tratamento de Robert, o menino Lobo, \u201cRosine \u00e9 receptiva \u00e0 demanda de amor do pequeno Robert, ela o toma nos bra\u00e7os\u201d. E destaca um \u00edndice cl\u00ednico de Jacques Alain Miller (2007, p. 146) \u201co espa\u00e7o que resta, uma vez que ela n\u00e3o cuida de suas necessidades, \u00e9 aquele do amor\u201d (ALVARENGA, 2021).<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel pensar que a instala\u00e7\u00e3o desse amor no espa\u00e7o entre o que se passa na rela\u00e7\u00e3o do analista com o autista, permite uma cess\u00e3o de gozo e constru\u00e7\u00f5es de novos trajetos que antes estariam fixos, fechados em si. Como evoca Elisa Alvarenga (2021) \u201c(&#8230;) o paciente passa da itera\u00e7\u00e3o de um significante \u2013 o lobo! \u2013 \u00e0 inscri\u00e7\u00e3o de um furo parcial, que permite construir o que Eric Laurent chama de neoborda e o aparecimento de um significante \u2013 mam\u00e3e \u2013 que est\u00e1 no registro do apelo\u201d.<\/p>\n<p>O que nos colocou a trabalho foi interrogar e apontar poss\u00edveis dire\u00e7\u00f5es acerca do amor no autismo: Poder\u00edamos dizer que a instala\u00e7\u00e3o do amor possibilita a constru\u00e7\u00e3o de um la\u00e7o? Ou ainda como interroga Ram Mandil (2021), como o sujeito se serve dessa conting\u00eancia como ponte para o Outro? S\u00e3o essas as quest\u00f5es que nos interrogam e nos convidam ao X Enapol.<\/p>\n<hr \/>\n<h6>Refer\u00eancias<\/h6>\n<h6>ALVARENGA, Elisa. O amor no autismo. In: X Encontro Americano de Psican\u00e1lise da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. Acesso em 25\/07\/2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/portfolio-items\/o-amor-no-autismo\/?portfolioCats=13\">http:\/\/x-enapol.org\/pt\/portfolio-items\/o-amor-no-autismo\/?portfolioCats=13<\/a><\/h6>\n<h6>BRODSKY, Graciela. Um amor mais digno. In: X Encontro Americano de Psican\u00e1lise da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana. Acesso em 25\/07\/2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/x-enapol.org\/pt\/portfolio-items\/um-amor-mais-digno\/?portfolioCats=27\">http:\/\/x-enapol.org\/pt\/portfolio-items\/um-amor-mais-digno\/?portfolioCats=27<\/a><\/h6>\n<h6>CORT\u00c9S, Marlon. Os autistas amam? Reflex\u00f5es pr\u00e9vias ao ENAPOL. Lacan XXI Revista FAPOL Online, vol. 10 Maio 2021, p. 73-75 Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.lacan21.com\/sitio\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Lacan-21-n10-maio-2021-PORT.pdf\">http:\/\/www.lacan21.com\/sitio\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/Lacan-21-n10-maio-2021-PORT.pdf<\/a>. Acesso: 25\/07\/2021<\/h6>\n<h6>MANDIL, Ram. Comiss\u00e3o Cient\u00edfica X ENAPOL. In: Youtube. Acesso em 25\/07\/2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=i-XmbVVoEeI&amp;t=550s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=i-XmbVVoEeI&amp;t=550s<\/a><\/h6>\n<h6>SOUTO, Simone. Como conceber a transfer\u00eancia na cl\u00ednica do Um que dialoga sozinho? In: Tempo de Interpretar. Acesso em 25\/07\/2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ebpbahia.com.br\/jornadas\/2019\/2019\/06\/21\/como-conceber-a-transferencia-na-clinica-do-um-que-dialoga-sozinho\/\">http:\/\/www.ebpbahia.com.br\/jornadas\/2019\/2019\/06\/21\/como-conceber-a-transferencia-na-clinica-do-um-que-dialoga-sozinho\/<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ellis Platero Janu\u00e1rio Marques \u2013 N\u00facleo de Psican\u00e1lise e Autismo (AL) O amor foi o tema de trabalho proposto para este ano, mas n\u00e3o qualquer amor, o novo no amor. 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