{"id":2425,"date":"2021-07-14T07:22:23","date_gmt":"2021-07-14T10:22:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?p=2425"},"modified":"2021-07-14T07:22:23","modified_gmt":"2021-07-14T10:22:23","slug":"noite-de-lancamento-da-i-jornada-da-secao-nordeste-ressonancias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/noite-de-lancamento-da-i-jornada-da-secao-nordeste-ressonancias\/","title":{"rendered":"Noite de Lan\u00e7amento da I Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste &#8211; Resson\u00e2ncias"},"content":{"rendered":"<h6><strong>Paulo \u00a0Carvalho<\/strong><\/h6>\n<p>Recolho e registro alguns pontos que ressoaram na ocasi\u00e3o do Lan\u00e7amento da 1\u00ba Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste \u201cO Enigma da sexua\u00e7\u00e3o \u2013 O que nos ensina a experi\u00eancia psicanal\u00edtica sobre Isso\u201d.\u00a0 Dirijo este coment\u00e1rio especialmente ao segundo eixo, cujo argumento foi apresentado pelos colegas Cleyton Andrade e Li\u00e8ge Uch\u00f4a. Parto da hip\u00f3tese de que o texto \u201cD\u00f3cil ao trans<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u201d, de Jacques-Alain Miller, marca um antes e um depois no Campo Freudiano. Momento de conclus\u00e3o que interpreto em duas vertentes \u2013 abertura e fechamento.<\/p>\n<p>1) A vertente abertura convoca \u00e0 mais radical e sutil escuta do sujeito da \u00e9poca, fazendo uso dos elementos que caracterizam a docilidade do desejo do analista.<\/p>\n<p>2) J\u00e1 a vertente fechamento se dirige aos discursos <em>wokes<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a> <\/em>que, segundo Miller, levariam ainda mais adiante a segrega\u00e7\u00e3o, agudizando o mal-estar dos sujeitos trans.<\/p>\n<p>No tempo l\u00f3gico anterior, acompanh\u00e1vamos os estudos de g\u00eanero em sua cr\u00edtica \u00e0 identidade, nos detendo naquilo que n\u00e3o pode ser desconstru\u00eddo, o sexo enquanto <em>Um<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a><\/em>. Ainda neste tempo anterior, endossava-se a luta por mais direitos e a proximidade do gozo Queer com a identidade sintomal do final de an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Como trazido por Cleyton Andrade, o tema da sexua\u00e7\u00e3o intersecciona necessariamente a pervers\u00e3o polimorfa.\u00a0 Contudo, questiono o qu\u00e3o distante podemos ir nesse ponto que parece ser central para os estudos de g\u00eanero. Seria correto afirmar que no horizonte destas utopias contempor\u00e2neas est\u00e1 <strong>a&gt;I<\/strong>\u00a0 &#8211; mesmo matema caracter\u00edstico do tempo em que o Outro n\u00e3o existe? Entendo que isto diferiria do horizonte de uma an\u00e1lise, onde cada um \u00e9 convidado a se confrontar com a maior dist\u00e2ncia poss\u00edvel entre <strong>I <\/strong>e<strong> a<\/strong>. Seria correto concluir que a generaliza\u00e7\u00e3o da pervers\u00e3o polimorfa seria uma das ideias lacanianas que se \u201ctornaram loucas na cultura\u201d, como observa Miller na confer\u00eancia de apresenta\u00e7\u00e3o do livro <em>Pol\u00e9mica pol\u00edtica<\/em>, transmitida pela ELP no dia 2 de maio de 2021?<\/p>\n<p>A conjun\u00e7\u00e3o ci\u00eancia-capitalismo, marca desta \u00e9poca <em>n\u00e3otodista<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a><\/em>, teria repercuss\u00e3o tamb\u00e9m sobre o direito (ver texto \u201cEdad de la raz\u00f3n, \u00bfedad de inclusi\u00f3n?<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>\u201d, de \u00c9ric Laurent). A l\u00f3gica que operaria hoje tenderia a saltar o tempo de compreender, incidindo da seguinte forma: \u201cse a ci\u00eancia permite, logo eu tenho direito\u201d. Como consequ\u00eancia, observa Laurent, os corpos dos jovens e das crian\u00e7as se encontrariam cada vez mais expostos \u00e0s utopias da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Para concluir, lan\u00e7o ao argumento de Cleyton Andrade e Li\u00e8ge Uch\u00f4a, uma pergunta sobre o tentador empuxo \u00e0 despatologiza\u00e7\u00e3o a consequente perda de marcadores importantes para a arte da cl\u00ednica. Como podemos situar a psicopatologia lacaniana, com suas sutilezas e aten\u00e7\u00e3o aos sinais discretos, nesse novo tempo?<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#res_pauleska\"><\/a><\/p>\n<h6>Pauleska N\u00f3brega<\/h6>\n<p>O que se assentaria sob o enigma da sexua\u00e7\u00e3o? O que orbitaria a partir desse enigma em nossa \u00e9poca? O encontro do dia 15 de junho para o lan\u00e7amento da I Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste: \u201cO enigma da sexua\u00e7\u00e3o: o que nos ensina a experi\u00eancia anal\u00edtica sobre Isso\u201d, me permitiu indagar se a experi\u00eancia anal\u00edtica subverteria as arbitrariedades de uma \u00e9poca, n\u00e3o por fazer girar o discurso sob a perspectiva de um centro, mas para dar acento ao que, do discurso, faz girar e, por isso, cair, como nos lembra Lacan no Semin\u00e1rio 20<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. A experi\u00eancia anal\u00edtica pode ensinar sobre a muta\u00e7\u00e3o do gozo no campo da sexua\u00e7\u00e3o frente ao imposs\u00edvel da rela\u00e7\u00e3o-sexual, da qual o acontecimento de corpo n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 causa, mas tamb\u00e9m efeito. No argumento central apresentado, o corpo aparece enquanto subst\u00e2ncia gozante que faz seu imp\u00e9rio em detrimento do organismo, do g\u00eanero, da identidade e, por isso mesmo, coloca o feminino como paradigma do mais-al\u00e9m da multiplica\u00e7\u00e3o das barreiras. O que n\u00e3o implica que seja sem dire\u00e7\u00e3o, pois o real se manifesta na conting\u00eancia.<\/p>\n<p>A partir da exposi\u00e7\u00e3o de cada eixo tem\u00e1tico, pude extrair enigmas particulares, os quais compartilho brevemente, com o entusiasmo que esta Jornada nos convida a trabalhar:<\/p>\n<p>Eixo 1 \u2013 A mulher que n\u00e3o existe: uma escrita do Um:<\/p>\n<p>H\u00e1 \u201cUm\u201d gozo que n\u00e3o se articula ao significante de (A\/) barrado e, se de um lado, ele aponta para uma ruptura com o saber, j\u00e1 que A mulher n\u00e3o existe, de outro, ele aponta para a via da ex-sist\u00eancia. \u201cComo uma mulher pode gozar do falo na posi\u00e7\u00e3o feminina [&#8230;]?\u201d;<\/p>\n<p>Eixo 2 \u2013 O saber in-sabido do sexo:<\/p>\n<p>A singularidade do gozo n\u00e3o est\u00e1 em conformidade com o plano das identifica\u00e7\u00f5es, revelando uma desnormativiza\u00e7\u00e3o entre corpo e gozo. \u201cQual a natureza da dimens\u00e3o\u00a0insond\u00e1vel dos sexos [&#8230;]?\u201d. O ser falante nos d\u00e1 pistas do mais segregativo do gozo de cada um, mas tamb\u00e9m da palavra que toca o corpo, o enoda e o enla\u00e7a em suas parcerias<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Eixo 3 \u2013 A n\u00e3o-rela\u00e7\u00e3o sexual: o real, a exist\u00eancia e o amor:<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o sexual s\u00f3 se realiza na fantasia, nesse sentido, a rela\u00e7\u00e3o com o objeto a, causa de desejo, pode ensinar sobre um novo amor quando liberada das amarras dos ideais. \u201c[&#8230;] Como o amor faz o gozo condescender ao desejo?\u201d.<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Miller, J-A. \u201cD\u00f3cil ao trans<em>\u201d<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Teresinha N. M. Prado. <em>Lacan Quotidien\u2013 2021 Ann\u00e9e Trans<\/em>,\u00a0 n\u00b0 928<em>, p. 3-18. <\/em>Paris, 25 de abril de 2021. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/uqbarwapol.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/JAM-DOCILE-AU-TRANS-PT.pdf\">http:\/\/uqbarwapol.com\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/JAM-DOCILE-AU-TRANS-PT.pdf<\/a>. Acesso: 19 de junho de 2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ibid, p. 9.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lacan, J., \u201cO umbigo do sonho \u00e9 um furo \u2013 Resposta a uma pregunta de Marcel Ritter\u201d, 14<\/h6>\n<h6>Op\u00e7\u00e3o lacaniana n. 82, abril 2020, S\u00e3o Paulo, Eolia.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Vieira, M. A. A (hiper)modernidade lacaniana. Latusa. Rio de Janeiro, n. 9, p. 69-82, 2004. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.litura.com.br\/artigo_repositorio\/a_hipermodernidade_lacaniana_pdf_1.pdf\">http:\/\/www.litura.com.br\/artigo_repositorio\/a_hipermodernidade_lacaniana_pdf_1.pdf<\/a>. Acesso: 19 de junho de 2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Laurent, E. Edad de la raz\u00f3n, \u00bfedad de inclusi\u00f3n?. Acci\u00f3n Lacaniana. 3 de junho de 2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/elp.org.es\/edad-de-la-razon-edad-de-inclusion\">https:\/\/elp.org.es\/edad-de-la-razon-edad-de-inclusion<\/a>. Acesso: 19 de junho de 2021.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Lacan, J., <em>O semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda<\/em> (1972-1973), 2. Ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1985, p. 48.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> La Sagna, Philippe., \u00c0 prop\u00f4s de la transidentit\u00e9.\u00a0 <em>In<\/em>: <em>Lacan<\/em> <em>Web<\/em> <em>Television<\/em>. \u00c0 prop\u00f4s de la transidentit\u00e9. Mai, 2021. V\u00eddeo (13min28). Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=SZrCCDU1R0c\">\u00c0 propos de la transidentit\u00e9 \/\/ Philippe La Sagna &#8211; YouTube<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo \u00a0Carvalho Recolho e registro alguns pontos que ressoaram na ocasi\u00e3o do Lan\u00e7amento da 1\u00ba Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste \u201cO Enigma da sexua\u00e7\u00e3o \u2013 O que nos ensina a experi\u00eancia psicanal\u00edtica sobre Isso\u201d.\u00a0 Dirijo este coment\u00e1rio especialmente ao segundo eixo, cujo argumento foi apresentado pelos colegas Cleyton Andrade e Li\u00e8ge Uch\u00f4a. 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