{"id":4749,"date":"2025-12-29T05:55:29","date_gmt":"2025-12-29T08:55:29","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?page_id=4749"},"modified":"2025-12-29T05:55:29","modified_gmt":"2025-12-29T08:55:29","slug":"boletim-litoraneo-19","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/biblioteca\/publicacao\/boletim-litoraneo-19\/","title":{"rendered":"Boletim Litor\u00e2neo #19"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3519&#8243; alignment=&#8221;center&#8221;][vc_column_text]\n<h6 style=\"text-align: center;\">Boletim Litor\u00e2neo #19 &#8211; Dezembro 2025<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]EDITORIAL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"center\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/editorial.png\" alt=\"Image\" width=\"700\" height=\"326\" align=\"center\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Juliana Ribeiro<br \/>\nComiss\u00e3o da Diretoria de Biblioteca<\/em><\/span><\/p>\n<blockquote><p>\u201cA \u00e1gua cava<br \/>\nsulcos na carne seca da terra<br \/>\ncomo quem escreve<br \/>\num nome que n\u00e3o se apaga.\u201d<\/p>\n<p>(Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto In: \u201cO Rio\u201d, 1973)<\/p><\/blockquote>\n<p>A 5\u00aa Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise (EBP) ao trazer o tema Trauma ao centro das discuss\u00f5es, inscreveu-se como um acontecimento cl\u00ednico e pol\u00edtico. Em tempos marcados por rupturas, viol\u00eancias, cat\u00e1strofes coletivas e impasses subjetivos cada vez mais evidentes, a Jornada convocou analistas, estudantes e interessados a colocar em cena uma quest\u00e3o central: como o trauma se escreve no sujeito e como a psican\u00e1lise pode operar sobre o que insiste para al\u00e9m do sentido?<\/p>\n<p>Ao longo da Jornada, os trabalhos cl\u00ednicos das mesas, as generosas confer\u00eancias de Marcus Andr\u00e9 Vieira e os depoimentos dos artistas da terra abriram espa\u00e7o para uma elabora\u00e7\u00e3o rigorosa e viva.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica compareceu como b\u00fassola, apresentando seus desafios, situando o trauma n\u00e3o como um acontecimento externo, mas um encontro com o real que excede as possibilidades de simboliza\u00e7\u00e3o. Aquilo que retorna ao mesmo lugar, fora da cadeia significante, impondo-se como furo, como impacto, como marca. O trauma foi pensado em suas m\u00faltiplas articula\u00e7\u00f5es: com o corpo, com a insist\u00eancia da repeti\u00e7\u00e3o, com o gozo, com a ang\u00fastia e com os impasses da civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta Jornada reafirmou a aposta na palavra, no tempo l\u00f3gico da an\u00e1lise e na singularidade de cada caso. Tamb\u00e9m, os discursos contempor\u00e2neos foram interrogados; esses mesmos que tendem a universalizar a dor e a transformar o sujeito em v\u00edtima, frequentemente apelando \u00e0 medicaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 r\u00e1pida elimina\u00e7\u00e3o do sofrimento. Nesse ponto ficou evidente a distin\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise. Ela n\u00e3o promete apagar o trauma, mas oferece uma via para que o falasser possa fazer algo com o que o atravessou.<\/p>\n<p>Neste Litor\u00e2neo recolhemos algumas palavras sobre a experi\u00eancia de participar, pela primeira vez da Jornada da Se\u00e7\u00e3o, seja apresentando trabalhos nas mesas, seja coordenando-as. Tamb\u00e9m convidamos a falar aqueles que participaram das coordena\u00e7\u00f5es das comiss\u00f5es que fizeram acontecer de forma entusiasmada esse rico evento, com seus baques e, tamb\u00e9m, com muita anima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"center\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/coord.jpg\" alt=\"Image\" width=\"700\" height=\"351\" align=\"center\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Coordena\u00e7\u00e3o Geral da Jornada<\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Bibiana Poggi<\/em><\/span><\/p>\n<p>O que dizer da fun\u00e7\u00e3o de coordenar a V Jornada da Se\u00e7\u00e3o NE da EBP?<\/p>\n<p>Assumir a fun\u00e7\u00e3o de coordenar a V Jornada da Se\u00e7\u00e3o NE da EBP, consistiu em uma experi\u00eancia \u00edmpar de forma\u00e7\u00e3o, pois foi preciso pensar a Jornada, inserida numa Escola de Psican\u00e1lise que sustenta que \u201cum psicanalista nunca est\u00e1 sozinho, ele depende tal como um chiste, de um Outro que o reconhe\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Desta forma, valeu a pena pensar o Sujeito-Escola, como definiu Miller, ressaltando que o coletivo nomeado Escola \u00e9 composto por membros, Um a Um com seu sintoma, seus ideais, seu modo de gozo, seu enlace a Causa Psicanal\u00edtica.<\/p>\n<p>Assim, entre encontros, desencontros, enlaces, desenlaces, novos enlaces, sempre numa boa \u201ca-tem(s)\u00e7\u00e3o\u201d entre \u00e0queles que assumiram as coordena\u00e7\u00f5es de diferentes comiss\u00f5es, a V Jornada foi sendo tramada com os fios do desejo decidido e da transfer\u00eancia pelo trabalho \u00e0 Psican\u00e1lise, alojando \u00e9 claro a solid\u00e3o de cada UM.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica<\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Anamaria Vasconcelos<\/em><\/span><\/p>\n<p>Uma tecitura, a forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Estar na coordena\u00e7\u00e3o da comiss\u00e3o cient\u00edfica da\u00a0 V Jornada da se\u00e7\u00e3o Nordeste, em parceria com Cassandra Dias, foi uma alegre e viva experi\u00eancia de Escola, de forma\u00e7\u00e3o. Um desafio, sem d\u00favida mas uma oportunidade valiosa de vivenciar o coletivo da se\u00e7\u00e3o e avan\u00e7ar na trajet\u00f3ria de tornar-se analista. Mas o que \u00e9 um psicanalista? \u00c9 um advir, h\u00e1 um analista em cada an\u00e1lise dirigida, um lugar cujas variantes \u00e9 saber e ignor\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Efeito de forma\u00e7\u00e3o que ressoou no corpo, sob encontros e desencontros na medida que estivemos submetido aos efeitos do discurso. Assim, cito Miller, a Escola \u00e9 uma \u201cunidade din\u00e2mica\u201d cuja funda\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo permanente e \u201ca c\u00e9u aberto\u201d, que precisa ser subjetivado por toda a comunidade, a jornada foi e \u00e9 parte essencial desse processo. Que o poeta fale :\u00a0 Um galo sozinho n\u00e3o tece uma manh\u00e3:\/ ele precisar\u00e1 sempre de outros galos\u2026<\/p>\n<hr \/>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Cassandra Dias<\/em><\/span><\/p>\n<p>Compor a comiss\u00e3o cient\u00edfica da V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste foi uma oportunidade para se tirar consequ\u00eancias do cartel como m\u00e1quina de guerra na tentativa de ir a contrapelo do discurso do Mestre. Promover um movimento org\u00e2nico ao pensar politicamente em como desalojar posi\u00e7\u00f5es e provocar a ocupa\u00e7\u00e3o de novos lugares, foi o princ\u00edpio que norteou o direcionamento da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi uma aposta na transfer\u00eancia de trabalho e na produ\u00e7\u00e3o de um saber que levasse em considera\u00e7\u00e3o o desejo de cada um que comp\u00f4s uma comiss\u00e3o cient\u00edfica ampliada a partir da constitui\u00e7\u00e3o de carte\u00eds que desenvolveram os temas dos eixos tem\u00e1ticos, produziram seus argumentos, constru\u00edram uma plen\u00e1ria, leram e apreciaram os trabalhos recebidos e coordenaram as discuss\u00f5es nas mesas.<\/p>\n<p>Uma satisfa\u00e7\u00e3o acompanhar o trabalho de um coletivo de trabalhadores decididos, que foi intenso, ensinante e cujos efeitos de forma\u00e7\u00e3o ainda esperamos recolher.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Jos\u00e9 Carlos Lapenda<\/em><\/span><\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o nos trabalhos da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas entusiasmou os que dela participaram e incentivou a presen\u00e7a de cada um na Jornada.<\/p>\n<p>A contribui\u00e7\u00e3o dessa Comiss\u00e3o foi central para a boa qualidade dos trabalhos apresentados e dos debates desenvolvidos, no esfor\u00e7o de manter viva a transmiss\u00e3o da psican\u00e1lise, o que \u00e9 o objetivo de cada Jornada e segue o desejo de Lacan. Desejo que ele deixou inscrito ao utilizar a palavra Scilicet para nomear a revista da Escola Freudiana de Paris, no j\u00e1 distante ido de 1968.<\/p>\n<p>Tal resultado deixa os que compuseram a Comiss\u00e3o ainda mais motivados a participar da vida da Escola e persistir em sua forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Livraria.<\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Cristina Maia<\/em><\/span><\/p>\n<p>Assumir a Coordena\u00e7\u00e3o da Livraria da V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Ne foi consentir com um trabalho que se apresentou como convoca\u00e7\u00e3o. Escutar sugest\u00f5es da comiss\u00e3o, coloc\u00e1-las em pr\u00e1tica, foi ali onde as enuncia\u00e7\u00f5es puderam ser alojadas num fazer coletivo. E assim, a Livraria fez-se lugar: de encontro, de circula\u00e7\u00e3o do desejo, de livros que operavam menos como objetos e mais como causa. Coordenei trabalhando, trabalhei coordenando. A prioridade foi estar ali. O que sustentou foi o la\u00e7o: um Affectio Societatis contingente, escrito no fazer junto, no cansa\u00e7o partilhado, no entusiasmo diante dos livros esgotados. Ali operou um amor \u2014 n\u00e3o ideal \u2014 movido pelo desejo como causa de trabalho. Sa\u00ed atravessada e agradecida pela experi\u00eancia!!!<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de Infraestrutura<\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>K\u00e9sia Ramos<\/em><\/span><\/p>\n<p>Infraestrutura como lugar de inven\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Coordenar a infraestrutura da V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste foi sustentar um fazer que, para al\u00e9m de acolher e organizar, se deixou orientar pela leitura, interpreta\u00e7\u00e3o e inven\u00e7\u00e3o. Um trabalho tecido no la\u00e7o com colegas participantes da Se\u00e7\u00e3o Nordeste, onde a coletividade, efeito de transfer\u00eancia e de desejo, tornou poss\u00edvel um percurso constru\u00eddo a muitas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Apostamos em fazer da arte um operador no espa\u00e7o f\u00edsico ao longo dos dias da Jornada. Uma cita\u00e7\u00e3o de Miller e as ecobags marcavam as boas-vindas; no percurso, instala\u00e7\u00f5es como o Varal das Palavras, A Tela da Fantasia, O Horizonte das Palavras, o Ponto insTraumagr\u00e1vel, o Caf\u00e9 e <em>a<\/em> Cena da Arte se articularam ao tema Trauma e aos seus tr\u00eas eixos, abrindo experi\u00eancias que tocavam o corpo, o olhar e a presen\u00e7a. Por fim, a festa de celebra\u00e7\u00e3o, Abalada do Trauma, selou esse percurso.<\/p>\n<p>Assim, a infraestrutura se constituiu como um espa\u00e7o de leitura e inven\u00e7\u00e3o, em estreito entrela\u00e7amento com as demais coordena\u00e7\u00f5es, onde o trabalho se fez na delicadeza dos detalhes e das trocas, imprimindo marcas de um estilo pr\u00f3prio e sustentando-se em conson\u00e2ncia com a pol\u00edtica da EBP.<\/p>\n<hr \/>\n<h3>Coordena\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o de M\u00eddia<\/h3>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Claudia Formiga<\/em><\/span><\/p>\n<p class=\"Quotations\" style=\"margin-left: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;\"><span style=\"font-family: 'Verdana',sans-serif;\">Participar da constru\u00e7\u00e3o da V Jornada envolveu, para mim, muito trabalho e uma satisfa\u00e7\u00e3o \u00fanica. Ao longo de alguns meses, me animou um duplo desafio: encontrar no trabalho com a Comiss\u00e3o, a melhor maneira de comunicar o que em nossa comunidade se vinha produzindo em torno do tema da Jornada e tamb\u00e9m o de conseguir reger talentos t\u00e3o variados e singulares estilos na produ\u00e7\u00e3o de um convite ao trabalho. Para isso, buscamos suporte e inspira\u00e7\u00e3o no cinema, na m\u00fasica, na literatura. A arte, como sempre, se revelando uma potente via de elabora\u00e7\u00e3o e de transmiss\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"Quotations\" style=\"margin-left: 0cm; text-align: justify; line-height: 150%;\"><span style=\"font-family: 'Verdana',sans-serif;\">Por fim, o humor foi um operador decisivo para a travessia nesse campo onde o trabalho n\u00e3o vai sem encontros com o real. Como nos lembra Freud, \u00e9 o humor que ao deslocar o supereu, faz barra ao excesso de exig\u00eancia e ao peso do ideal. Entre o riso, trope\u00e7os e inven\u00e7\u00f5es, muito aprendi coordenando o trabalho dessa Comiss\u00e3o, que, uma vez mais, me reafirmou a aposta no coletivo Escola.<\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"center\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/gaio_ref.jpg\" alt=\"Image\" width=\"700\" height=\"529\" align=\"center\" border=\"0\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3>Gaio saber..<\/h3>\n<p>Enquanto praticante da psican\u00e1lise, pude experienciar um lugar de acolhimento de trabalho. A experi\u00eancia de formar uma mesa teve um efeito de forma\u00e7\u00e3o enorme, o encontro com os trabalhos que iriam ser apresentados, e com a coordenadora da mesa, trouxe \u00e0 experi\u00eancia algo de novo, fez a palavra circular entre n\u00f3s, trabalhar a leitura.<\/p>\n<p>A mesa \u201cLugar secreto\u201d no esfor\u00e7o de poesia trouxe \u00e0 jornada, e a mim, o respiro infantil, aquilo que da crian\u00e7a nos enla\u00e7a, o novo, a ideia do brincar enquanto n\u00e3o nos damos conta da adultez do fazer, do laborar e do fantasiar, quem sabe o lugar secreto foi esse? Que, adultos, esquecemos, deixamos em algum lugar da inf\u00e2ncia e nunca mais voltamos, a n\u00e3o ser na fantasia.<\/p>\n<p>Poder, para al\u00e9m de presenciar a transmiss\u00e3o delicada e avassaladora de Marcus Andr\u00e9 Vieira, como uma chuvarada na plan\u00edcie, p\u00f4r \u00e0 luz meu trabalho de praticante, minha pr\u00e1xis, para que ela pudesse do simb\u00f3lico, suscitar algo do real presente, fazer as e os colegas, acrescentarem algo do novo, e fazer-nos olh\u00e1-lo como crian\u00e7as, surpresos com o que h\u00e1 de vir.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Caio Varela<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>Essa Jornada foi diferente. Ao menos para mim.<\/p>\n<p>Me coloquei a trabalho nas atividades preparat\u00f3rias e participando da Comiss\u00e3o de Refer\u00eancias. Apostei numa escrita que situa um caso cl\u00ednico, mas tamb\u00e9m em primeira pessoa. Uma escrita que se fez em ato porque experimentei tocar em minha trajet\u00f3ria, juntamente com a de C\u00e9sar. O despertar foi de n\u00f3s dois. Do meu lado, o desejo de avan\u00e7ar como praticante se imp\u00f4s e j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 outra maneira de sustentar a minha cl\u00ednica.<\/p>\n<p>Estar numa mesa t\u00e3o rica em constru\u00e7\u00f5es, com casos delicados e bem conduzidos, me lan\u00e7ou a algo in\u00e9dito: o prazer de me sentar entre colegas e dialogar sobre a nossa pr\u00e1tica. Abri novas brechas: a forma\u00e7\u00e3o que escolhi segue mais viva e instigante a cada passo.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Liana Feldman<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>Breve coment\u00e1rio do ato de apresentar um trabalho na V Jornada da Se\u00e7\u00e3o NE.<\/p>\n<p>Trabalhar na escrita de um texto para uma jornada da se\u00e7\u00e3o vai na dire\u00e7\u00e3o do que a Escola exige do praticante: uma virada de posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao que ele opera no consult\u00f3rio. Ali, ele ocupa a fun\u00e7\u00e3o do pregui\u00e7oso; \u00e9 o analisante quem realiza o esfor\u00e7o. A Escola convoca o analista a sair dessa posi\u00e7\u00e3o e trabalhar para dizer o que faz. \u00c9 justamente por n\u00e3o saber o que \u00e9 o analista, mas por querer saber, que ele se coloca a trabalho. Assim, pude me arriscar na escrita e tirar a cl\u00ednica da solid\u00e3o, saindo da inibi\u00e7\u00e3o e fazendo-a circular. Poder dividir o caso com os colegas da mesa e ouvir os coment\u00e1rios e quest\u00f5es da coord. Margarida Assad, produziu em mim um efeito de forma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o no sentido de adquirir um saber pronto, mas o de uma produ\u00e7\u00e3o singular. Escrever sobre a pr\u00e1tica \u00e9 o oposto de fechar a porta do consult\u00f3rio; \u00e9 deixar uma brecha para que o outro se coloque e fa\u00e7a furo. \u00c9 trabalho, mas um trabalho do vivo.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Anderson Jos\u00e9<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>Efeito de um trabalho<\/p>\n<p>Foi com satisfa\u00e7\u00e3o e alegria que aceitei o convite para coordenar a mesa: Pe\u00e7as soltas, na V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste. Foi a minha primeira experi\u00eancia! A princ\u00edpio, a responsabilidade desse papel produziu apreens\u00e3o, mas logo fui atravessada por um vivo desejo de trabalho e de sustentar este lugar. Ao participar de eventos similares, eu n\u00e3o fazia ideia do que significava exercer tal tarefa. Exige um compromisso de n\u00e3o ocupar o lugar de saber, mas de criar condi\u00e7\u00f5es para que a palavra circule, a partir dos trabalhos escritos. Pude verificar que no entrela\u00e7amento dos textos, corpos e vozes, s\u00e3o produzidos efeitos de transmiss\u00e3o, que permitem a circula\u00e7\u00e3o dos discursos, saberes, experi\u00eancias, estilos, que renovam o desejo de saber junto aos pares. O prazer esteve no exerc\u00edcio dessa fun\u00e7\u00e3o e na vivacidade das conversas, trocas, constru\u00e7\u00f5es, reuni\u00f5es, junto \u00e0s pessoas que trabalharam para a Jornada.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Rosemarie Fernandes Mooneyhan<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de um trabalho para ser apresentado em uma jornada \u00e9 intensa. As dificuldades que encontrei no percurso mostraram que esse era um caminho que valeria a pena. Ao longo desse trajeto, mudan\u00e7as s\u00e3o produzidas e os efeitos desse ato, de participar de uma mesa composta por colegas e coordenador, s\u00e3o m\u00faltiplos: \u00e9 poss\u00edvel uma an\u00e1lise dos pontos de interse\u00e7\u00e3o entre os trabalhos, bem como dos pontos situados fora desse encontro. Assim, me foi revelado tanto da singularidade do meu trabalho, quanto do que n\u00e3o foi poss\u00edvel de ser percebido ao longo do processo. Como disse mestre Fida &#8220;n\u00e3o fiz boca, nem olho (nas esculturas), porque n\u00e3o sei fazer&#8221;, do mesmo modo, foi com o meu sintoma e seus limites que me coloquei a trabalho, mas os efeitos dessa participa\u00e7\u00e3o seguem reverberando, &#8220;como se fora brincadeira de roda&#8221;.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Priscila Carvalho<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>Minha participa\u00e7\u00e3o na V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste da EBP permitiu o meu encontro com trabalhadores decididos, cada um com o seu n\u00e3o-todo saber, em torno da transmiss\u00e3o dos impasses e desafios da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. Recolho das trocas com os colegas e a coordena\u00e7\u00e3o da mesa um novo despertar do desejo do analista, podendo, al\u00e9m da an\u00e1lise pessoal, supervis\u00e3o e do estudo, compartilhar com a comunidade os efeitos da minha pr\u00e1tica. Posso dizer que a apresenta\u00e7\u00e3o do trabalho trouxe resson\u00e2ncias para minhas inquieta\u00e7\u00f5es mais \u00edntimas, colocando-me \u00e0 servi\u00e7o da psican\u00e1lise, sem melindres imagin\u00e1rios, jogando com meus furos e com o real desse of\u00edcio contingente e transformador.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Luiza Domingues<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>Agrade\u00e7o \u00e0 Diretoria da Biblioteca pela oportunidade de compartilhar as resson\u00e2ncias e os efeitos de forma\u00e7\u00e3o produzidos pela V Jornada da EBP \u2013 Se\u00e7\u00e3o Nordeste, intitulada\u00a0<em>Trauma<\/em>. A partir da mesa que coordenei,\u00a0<em>Err\u00e2ncias<\/em>, senti-me convocada a elucubrar sobre a forma\u00e7\u00e3o do analista: um percurso que n\u00e3o segue um \u00fanico caminho, que \u00e9 m\u00faltiplo e singular, guiado pela l\u00f3gica do Um, mas n\u00e3o sem os pares. Compartilhar essa mesa com colegas transferencialmente enla\u00e7ados \u00e0 Escola, bem como com apresenta\u00e7\u00f5es ricas e teoricamente consistentes, colocou-me a trabalho: leituras, quest\u00f5es, encontros e trocas. O vivo da Jornada revelou-se na partilha do saber-fazer diante dos impasses da cl\u00ednica, na reafirma\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia de trabalho com a Escola, na abertura aos pares, no manejo da solid\u00e3o da cl\u00ednica e nas quest\u00f5es que ressoaram, ainda ressoam e convidam a novos questionamentos \u2014 finalizada ao som de \u201cAbalada\u201d, com gostinho de quero mais. Que venha a pr\u00f3xima Jornada!<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por \u00cdsis Maur\u00edcio<\/em><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p>Participar da mesa na V Jornada Se\u00e7\u00e3o Nordeste produziu efeitos de forma\u00e7\u00e3o importantes. Tr\u00eas casos distintos se encontraram em torno de um mesmo ponto de furo, fazendo aparecer o car\u00e1ter subjetivo inelimin\u00e1vel do trauma. A escolha dos trabalhos favoreceu uma conversa\u00e7\u00e3o viva, sustentada pela leitura delicada do coordenador da mesa, cujas quest\u00f5es abriram novas vias de leitura. O questionamento do t\u00edtulo do meu trabalho \u2014\u00a0<em>o que me olha \u00e9 sem sentido \/ o que eu vejo toma forma<\/em>\u00a0\u2014 deixou expl\u00edcito o real sem lei e a montagem da fantasia como tentativa de lhe dar contorno, com efeitos diretos na condu\u00e7\u00e3o cl\u00ednica a posteriori. A mesa permitiu, ainda, reinscrever a dimens\u00e3o pol\u00edtica da viol\u00eancia do trauma, lembrando que o sujeito do inconsciente n\u00e3o est\u00e1 fora da experi\u00eancia social.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>Por Luma de Oliveira<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n[\/vc_column_text][vc_btn title=&#8221;GALERIA DE IMAGENS&#8221; style=&#8221;classic&#8221; color=&#8221;mulled-wine&#8221; size=&#8221;xs&#8221; align=&#8221;center&#8221; link=&#8221;url:https%3A%2F%2Febp.org.br%2Fnordeste%2Fgaleria-de-imagens-da-v-jornada-da-secao-nordeste-trauma%2F|title:Editorial%20Boletim%20Litor%C3%A2neo%20n%C2%BA11&#8243;]<figure class=\"vcex-image vcex-module\"><div class=\"vcex-image-inner wpex-relative wpex-inline-block\"><img width=\"700\" height=\"876\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/boas_festas.jpg\" class=\"vcex-image-img wpex-align-middle\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/boas_festas.jpg 700w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/boas_festas-240x300.jpg 240w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/div><\/figure>[\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][\/vc_column][\/vc_row][vc_row css=&#8221;.vc_custom_1624132366850{background-color: #3f4649 !important;}&#8221;][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3520&#8243; alignment=&#8221;center&#8221;][vc_column_text]\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 13px; color: #ffffff;\">Litor\u00e2neo &#8211; Boletim Eletr\u00f4nico da EBP Se\u00e7\u00e3o Nordeste<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 13px; color: #ffffff;\">Coordenadora da Comiss\u00e3o de Boletim: Sandra Conrado &#8211; Diretora de Biblioteca<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 13px; color: #ffffff;\">Comiss\u00e3o de Boletim: Juliana Ribeiro, Nelson Matheus Silva (NPJ), Roberta Gusm\u00e3o, Tatiana Schefer e Wilson Lima<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 13px; color: #ffffff;\">Designer: Bruno Senna &#8211; sennabruno@gmail.com<\/span><\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_single_image image=&#8221;3519&#8243; alignment=&#8221;center&#8221;][vc_column_text] Boletim Litor\u00e2neo #19 &#8211; Dezembro 2025 [\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column width=&#8221;1\/4&#8243;][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/2&#8243;][vc_column_text]EDITORIAL &nbsp; &nbsp; Juliana Ribeiro Comiss\u00e3o da Diretoria de Biblioteca \u201cA \u00e1gua cava sulcos na carne seca da terra como quem escreve um nome que n\u00e3o se apaga.\u201d (Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto In: \u201cO Rio\u201d, 1973) A 5\u00aa Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":1231,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"templates\/no-sidebar.php","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-4749","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4749"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4753,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4749\/revisions\/4753"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1231"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}