{"id":2881,"date":"2022-05-30T08:53:10","date_gmt":"2022-05-30T11:53:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/?page_id=2881"},"modified":"2022-05-30T08:53:10","modified_gmt":"2022-05-30T11:53:10","slug":"inconsciente-e-interpretacao-momentos-chave-em-freud-e-lacan","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/inconsciente-e-interpretacao-momentos-chave-em-freud-e-lacan\/","title":{"rendered":"Inconsciente e Interpreta\u00e7\u00e3o: momentos-chave em Freud e Lacan"},"content":{"rendered":"<section class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text]\n<h6><em><strong>DOWNLOAD<\/strong><\/em><\/h6>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/25-LACAN-Jacques.-O-semina\u0301rio-livro-26.-El-momento-de-concluir-1977-78.pdf\"><span style=\"color: #993300;\">25-LACAN-Jacques.-O-semina\u0301rio-livro-26.-El-momento-de-concluir-1977-78<\/span><\/a><\/h6>\n<h6><a href=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/24-LACAN-Jacques.-O-semina\u0301rio.-Lo-no-sabido-que-sabe-de-la-una-equivocacio\u0301n-se-ampara-en-la-morra-1976-77.pdf\"><span style=\"color: #993300;\">24-LACAN-Jacques.-O-semina\u0301rio.-Lo-no-sabido-que-sabe-de-la-una-equivocacio\u0301n-se-ampara-en-la-morra-1976-77.pdf<\/span><\/a><\/h6>\n<hr \/>\n<h6>Coordena\u00e7\u00e3o: Elizabete Siqueira e Glacy Gorski<\/h6>\n<blockquote><p>Pode a psican\u00e1lise constituir-se como a ci\u00eancia do imposs\u00edvel?<\/p>\n<h6>Jacques Lacan<\/h6>\n<p>O mestre interrompe o sil\u00eancio, com qualquer coisa, um sarcasmo, um ponta p\u00e9.<\/p>\n<h6>Jacques Lacan<\/h6>\n<\/blockquote>\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi inserida nos quatro conceitos fundamentais, pois j\u00e1 est\u00e1 inclu\u00edda no pr\u00f3prio conceito de Inconsciente, e \u00e9 por isto que Lacan, no final do Semin\u00e1rio 6, afirma que o desejo \u00e9 sua interpreta\u00e7\u00e3o. Uma leitura aprofundada dos primeiros textos de Freud permite reconhecer que estes apontam nesta mesma dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das reflex\u00f5es de Freud sobre uma boa interpreta\u00e7\u00e3o assinala que ela possibilita a emerg\u00eancia de novas associa\u00e7\u00f5es e postula, ent\u00e3o, a necessidade da associa\u00e7\u00e3o livre, do lado do analisante; do lado do analista, estaria a aten\u00e7\u00e3o flutuante.<\/p>\n<p>J\u00e1 sabemos, com Freud e, sobretudo, com Lacan, que o saber est\u00e1 do lado do analisante, mas que \u00e9 essencial faz\u00ea-lo escutar o que ele mesmo diz, a fim de que entre em seu pr\u00f3prio discurso. Logo, o ato de interpretar \u00e9 condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non <\/em>de abertura do Inconsciente, chegando ela mesma a ser do pr\u00f3prio Inconsciente, porque, desde que se fala, se interpreta. Em Freud, <em>A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em> \u00e9 o texto fundador do tema que estamos abordando [1900 (2019) ]. H\u00e1 outros textos monumentais e admir\u00e1veis sobre o tema, tais como <em>Sobre a Psicopatologia da vida cotidiana<\/em> [1901(2021) ], no qual ele realiza uma leitura do seu pr\u00f3prio lapso de mem\u00f3ria de um nome pr\u00f3prio, a saber, Signorelli. Neste \u00faltimo, temos um exemplo bem claro que nos atesta que o inconsciente \u00e9 constitu\u00eddo como uma linguagem.<\/p>\n<p>Gostar\u00edamos de trazer algumas pontua\u00e7\u00f5es, neste momento inicial do curso, as quais, ao longo do semin\u00e1rio, teremos a oportunidade de aprofundar. Assinalo, ent\u00e3o, que, nos prim\u00f3rdios da Psican\u00e1lise, Freud enuncia algo que nos parece de fundamental import\u00e2ncia retomar e realizar uma releitura, a partir do texto lacaniano.<\/p>\n<p>Nesse momento, destacamos que Freud nomeia seu texto, de 1900, de <em>Die<\/em> <em>Traumdeutung<\/em>, que foi traduzido ao portugu\u00eas como <em>Interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em>. Primeiro, aponto o erro de traduzir no plural, pois, em Freud, est\u00e1 no singular, uma vez que \u00e9 um a um que um sonho pode ser interpretado pelo sonhador. Um sonho n\u00e3o se interpreta pela via de simbolismos universais. E, al\u00e9m do mais, \u00e9 fundamental assinalar que, na l\u00edngua alem\u00e3, o verbo <em>deuten <\/em>tanto pode significar \u201cdar um sentido\u201d como tamb\u00e9m \u201cindicar uma dire\u00e7\u00e3o\u201d (Wahrig, G., 1968). Ent\u00e3o, podemos pensar que interpretar aponta um caminho a se seguir; deste modo, podemos, ent\u00e3o, inferir que interpretar n\u00e3o significa \u201cdar um sentido\u201d. Esta tem\u00e1tica ser\u00e1 aprofundada ao longo deste semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Retornemos, ent\u00e3o, aos prim\u00f3rdios da Psican\u00e1lise, quando Freud argumentava, na carta 52 (1896), que o inconsciente \u00e9 uma escrita \u2013 <em>Schrift<\/em> \u2013, e ressaltava se tratar de uma escrita que \u00e9 um apelo \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o. Trata-se, pois, de uma exig\u00eancia de leitura. Freud adverte, ainda, que se trata de uma escrita que n\u00e3o se deixa simplesmente ler, portanto, a leitura n\u00e3o pode ser pautada no campo do sentido. Estas indica\u00e7\u00f5es de Freud abrem uma via fecunda, que Lacan saber\u00e1 explorar, no sentido de tratar o inconsciente, n\u00e3o somente na vertente simb\u00f3lica, como tamb\u00e9m na real.<\/p>\n<p>Trago ainda, como refer\u00eancia inicial, um texto de Lacan, publicado em alem\u00e3o, na revista <em>Der Wunderblock<\/em>, \u201cO bloco m\u00e1gico\u201d, intitulado<em>\u2013 \u00dcbersetzung \u201cA tradu\u00e7\u00e3o\u201d (1978)<\/em>. Neste texto, ele recorre ao texto freudiano, afirmando que o inconsciente \u00e9 a estrutura e que ela est\u00e1 articulada \u00e0 l\u00edngua. Ele afirma, tamb\u00e9m, que o inconsciente exige a <strong><em>primazia da escrita <\/em><\/strong>(p. 12, grifos nossos). A seguir, sublinha que s\u00f3 um sujeito pode fazer uso da l\u00edngua, no entanto, ele trope\u00e7a em um \u00fanico ponto, uma vez que a l\u00edngua, como escrita, rateia e n\u00e3o serve \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o. Eis o ponto: o sujeito n\u00e3o pode \u201cde modo algum dizer que assim sou eu\u201d e remete, ent\u00e3o, ao sentido duplo da palavra <em>o\u00f9<\/em> em franc\u00eas, na contram\u00e3o de Descartes, provocando, com sua releitura da m\u00e1xima cartesiana, uma reviravolta no conceito de sujeito. Vamos ao texto de Lacan: \u201ceu penso l\u00e1 \u201co\u00f9\u201d, onde \u201co\u00f9\u201d, eu n\u00e3o posso dizer que eu sou\u201d (p.12). Lacan acentua que a leitura do duplo sentido, do equ\u00edvoco da palavra \u201co\u00f9\u201d, nos revela a estrutura topol\u00f3gica do inconsciente. Ou seja, em cada fala do sujeito, este aparece como barrado. Trata-se de uma impossibilidade que \u00e9 estrutural. Esta impossibilidade de dizer leva Lacan a uma defini\u00e7\u00e3o contundente da Psican\u00e1lise: \u201ca Psican\u00e1lise se constitui como a <strong>ci\u00eancia do imposs\u00edvel <\/strong>\u201d (p.12, grifos nossos).<\/p>\n<p>Para reafirmar a vertente de uma concep\u00e7\u00e3o do inconsciente como escrita, remetemos \u00e0 leitura preciosa que Lacan faz do sonho de Freud, <em>A inje\u00e7\u00e3o de Irma<\/em>, o qual, na <em>Interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos<\/em>, tem um estatuto inaugural. Destacamos, ainda, que, na interpreta\u00e7\u00e3o deste sonho, podemos reconhecer tanto uma concep\u00e7\u00e3o de inconsciente transferencial \u2013 como sujeito suposto saber, articulado \u00e0 pr\u00f3pria natureza do simb\u00f3lico \u2013 quanto o inconsciente na vertente real. Nesse contexto, Freud adverte que a interpreta\u00e7\u00e3o esbarra em um limite nomeado como o <em>umbigo do sonho<\/em>. Trata-se de um \u201c(&#8230;) ponto onde (o sonho) submerge no <em>Unerkannt<\/em>, no n\u00e3o reconhecido\u201d[1900 (2019) ]. Lacan (1980), de forma apropriada, tra\u00e7a aproxima\u00e7\u00f5es com as reflex\u00f5es de Freud sobre a <em>Urverdr\u00e4ngung<\/em> o recalque origin\u00e1rio. Temos, a\u00ed, a constata\u00e7\u00e3o de um furo por onde o sentido se esvai. Um ponto limite na interpreta\u00e7\u00e3o, no dizer. A express\u00e3o \u201cumbigo do sonho\u201d remete tamb\u00e9m, segundo Lacan, \u00e0 dimens\u00e3o corporal: o orif\u00edcio que fecha.<\/p>\n<p>Se focamos na an\u00e1lise realizada por Freud (do seu sonho) podemos constatar que temos, a\u00ed, segundo Lacan, um atravessamento da fantasia, o que possibilitou que Freud, a partir de seu desejo decidido, conseguisse enfrentar a ang\u00fastia e ir al\u00e9m.<\/p>\n<p>Assim, podemos afirmar que, neste sonho de Freud, temos subs\u00eddios para avan\u00e7ar na elabora\u00e7\u00e3o sobre o inconsciente como Real. Esclare\u00e7o: no final do sonho, s\u00f3 resta uma derradeira palavra, a letra, a f\u00f3rmula da trimetilamina \u2013 AZ. Trago, a seguir, uma cita\u00e7\u00e3o de Lacan, bem esclarecedora, a qual s\u00f3 poderemos aprofundar e extrair as devidas consequ\u00eancias tendo como refer\u00eancia o ultim\u00edssimo Lacan. Na interpreta\u00e7\u00e3o do sonho de Freud, ele chega no ponto no qual \u201c(&#8230;) a hidra perdeu as cabe\u00e7as\u201d e, \u00e9 a\u00ed que emerge, \u201c(&#8230;) uma voz que n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o <em>a voz de ningu\u00e9m<\/em> e faz surgir a f\u00f3rmula da trimetilamina como a derradeira palavra (&#8230;)\u201d (p.216).\u00a0 Trata-se a\u00ed de letras sem sentido, pois esta palavra n\u00e3o quer dizer nada, a n\u00e3o ser, como diz Lacan, \u201cque \u00e9 uma palavra\u201d (p.216). Trata-se de uma cria\u00e7\u00e3o, de um significante novo. Tomemos, ent\u00e3o, no nosso semin\u00e1rio, este sonho e sua interpreta\u00e7\u00e3o em Freud e Lacan, como emblem\u00e1tico. Tal encaminhamento certamente abre uma via fecunda de investiga\u00e7\u00e3o, que nos permitir\u00e1 avan\u00e7ar nas reflex\u00f5es sobre os destinos da interpreta\u00e7\u00e3o e suas imbrica\u00e7\u00f5es com a concep\u00e7\u00e3o de inconsciente, compreendido como transferencial e como real.<\/p>\n<p>Neste semin\u00e1rio, propomo-nos percorrer v\u00e1rios momentos do ensino de Lacan, incluindo textos, que comp\u00f5em o ultim\u00edssimo Lacan. Faremos um retorno a Freud, trazendo subs\u00eddios para que possamos delinear um percurso, que vai de Freud a Lacan e, retorna. O Freud do primeiro tempo se articula com o ultim\u00edssimo Lacan, e, por conseguinte, oferece-nos a chave, os fundamentos para uma pesquisa sobre a interpreta\u00e7\u00e3o na Psican\u00e1lise, e nos encaminha a refletir sobre os destinos da transfer\u00eancia, da interpreta\u00e7\u00e3o no ultim\u00edssimo Lacan.<\/p>\n<p>Portanto, a nossa proposta, para este semin\u00e1rio, consiste em abordar o tema \u201cinconsciente e interpreta\u00e7\u00e3o\u201d, no intuito de vivific\u00e1-lo, considerando o legado freudiano. Entretanto, focaremos, prioritariamente, em Lacan, buscando localizar os v\u00e1rios momentos-chave de sua obra. Escolhemos, ent\u00e3o, delimitar estes momentos no texto lacaniano, considerando-os como um fio condutor, <em>Leitfaden<\/em>, ou, mais especificamente, como o <em>fio vermelho,<\/em> <em>Roterfaden<\/em>, que dever\u00e1 percorrer todo o semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vale destacar que n\u00e3o h\u00e1 an\u00e1lise sem interpreta\u00e7\u00e3o. A Psican\u00e1lise \u00e9 uma pr\u00e1tica interpretativa. Para que haja entrada em an\u00e1lise e constru\u00e7\u00e3o do sintoma anal\u00edtico, \u00e9 preciso interpretar. Por isso, para Lacan (2003, p. 504), interpretar \u00e9 um \u201cdever\u201d do analista. Em suas palavras: \u201cJ\u00e1 seria razo\u00e1vel que o ler-se fosse entendido como conv\u00e9m, ali onde se tem o <strong>dever<\/strong> de interpretar\u201d (p.504, grifos nossos). Portanto, a Psican\u00e1lise \u00e9 uma pr\u00e1tica feita de escuta e interpreta\u00e7\u00e3o, melhor dizendo, uma pr\u00e1tica de escuta, n\u00e3o sem interpreta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Focando agora no texto lacaniano, delineamos o percurso a ser tra\u00e7ado. Podemos identificar quatro momentos relativos ao tema:<\/p>\n<ul>\n<li>1953-1958 \u2013 \u00c9 um momento vinculado \u00e0 estrutura da fala: a interpreta\u00e7\u00e3o como pontua\u00e7\u00e3o. Nesse momento, a pontua\u00e7\u00e3o \u00e9 proposta como rompendo a cadeia de significa\u00e7\u00f5es e abrindo para uma nova significa\u00e7\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m desse per\u00edodo a interpreta\u00e7\u00e3o como alus\u00e3o: o corte surge por separa\u00e7\u00e3o da significa\u00e7\u00e3o, mas continua hom\u00f3logo \u00e0s forma\u00e7\u00f5es do inconsciente;<\/li>\n<li>1961-1964 \u2013 Com a formaliza\u00e7\u00e3o do objeto <strong><em>a<\/em><\/strong> no real, a interpreta\u00e7\u00e3o aparece como sem-sentido. O corte j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 hom\u00f3logo \u00e0s forma\u00e7\u00f5es do inconsciente;<\/li>\n<li>1968-1970 \u2013 Com a estrutura dos quatro discursos, a interpreta\u00e7\u00e3o surge do discurso do analista, como enigma e como cita\u00e7\u00e3o. Se o saber se inscreve no lugar da verdade, ambos s\u00f3 podem ser ditos pela metade. A\u00ed, reside a chave da interpreta\u00e7\u00e3o, que surge como enigma ou como cita\u00e7\u00e3o. Esta dimens\u00e3o de meio-dizer, que tem rela\u00e7\u00e3o com a ruptura da cadeia, tem efeito de interpreta\u00e7\u00e3o sem significa\u00e7\u00e3o, que se instala como enigma;<\/li>\n<li>1972 \u2013 Tendo em vista que, ao se articular com a letra, a interpreta\u00e7\u00e3o d\u00e1 destaque ao equ\u00edvoco, que se localiza entre S1 e a letra \u2013 em outras palavras, o inconsciente d\u00e1 sentido ao S2 com o S1 \u2013, o Inconsciente cifra e o analista interpreta, mas n\u00e3o da mesma forma. Ele interpreta fazendo enigma, cita\u00e7\u00e3o ou alus\u00e3o, separando S1 do S2, em busca do significante carregado de puls\u00e3o, operando, por isso, um corte com a lingu\u00edstica e sua concep\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica de que a todo significante lhe corresponde um significado, previamente definido pelo Outro.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Resumindo, dir\u00edamos que, para Lacan, a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 aberta a todos os sentidos, porque designa uma \u00fanica sequ\u00eancia de significantes. O sujeito \u00e9 quem ocupa v\u00e1rios lugares, a depender do significante sob o qual se coloque, portanto, n\u00e3o se trata de jogo de palavras. Por isso, podemos postular que:<\/p>\n<ol>\n<li>a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 pedag\u00f3gica;<\/li>\n<li>a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 did\u00e1tica;<\/li>\n<li>a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sugestiva, e muito menos explicativa;<\/li>\n<li>a interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 imperativa.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A partir disso, pode-se dizer que a interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 do detalhe, e n\u00e3o do todo que \u00e9 da ordem do Universal. Ela desfaz o todo e busca cernir o singular do dizer de cada um. Freud foi um \u201cdetalhista\u201d, no sentido lacaniano do termo, donde se pode afirmar que o ensino de Lacan n\u00e3o anula o de Freud, ele muito mais se serviu do que foi ensinado por Freud, em seu gosto pelo detalhe, conforme sua an\u00e1lise do esquecimento do nome <em>Signorelli<\/em>, para avan\u00e7ar em sua maneira singular de l\u00ea-lo. A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o visa o sentido e como afirma Lacan, de forma enf\u00e1tica: \u00a0\u201cO sentido, isso tampona. Mas com a ajuda do que se chama a escritura po\u00e9tica voc\u00eas podem ter a dimens\u00e3o do que poderia ser a interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica (Tradu\u00e7\u00e3o nossa) \u201d (1977-1978, p.19).<\/p>\n<p>Neste ponto, podemos apontar a raz\u00e3o e os fundamentos do t\u00edtulo deste semin\u00e1rio, que seguir\u00e1 as pegadas de Freud e Lacan, em nossa proposta de revisitar um tema j\u00e1 muito investigado, mas jamais esgotado e, menos ainda, ultrapassado. Desde Freud, o grande desafio para os psicanalistas reside em manter os princ\u00edpios diretores da Psican\u00e1lise inalterados, por\u00e9m,\u00a0\u00e9 palp\u00e1vel que ela j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a mesma do in\u00edcio. Isso se deve ao fato de que seu saber nunca est\u00e1 totalizado. Tamb\u00e9m porque um analista nunca deve se contentar com o j\u00e1 visto ou estudado, com o j\u00e1 estabelecido, posto que \u00e9 do seu desejo que se trata cada vez que toma a palavra.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Programa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>24.05 \u2013 Abertura do Semin\u00e1rio: apresenta\u00e7\u00e3o do argumento \u201cInconsciente e interpreta\u00e7\u00e3o: momentos-chave em Freud e Lacan\u201d. Elizabete Siqueira e Glacy Gorski.<\/p>\n<p>21.06 \u2013 Interpreta\u00e7\u00e3o como pontua\u00e7\u00e3o e corte. Refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica: Jacques Lacan \u2013\u00a0 Fun\u00e7\u00e3o e Campo da fala e da linguagem. Apresenta\u00e7\u00e3o: Elizabete Siqueira.<\/p>\n<p>23.08 \u2013 Interpreta\u00e7\u00e3o por alus\u00e3o. Refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica: Jacques Lacan \u2013 A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder. Apresenta\u00e7\u00e3o: Glacy Gorski.<\/p>\n<p>27.09 \u2013 O apof\u00e2ntico na Interpreta\u00e7\u00e3o. Refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica: Jacques Lacan \u2013 O aturdito. Apresenta\u00e7\u00e3o: Elizabete Siqueira.<\/p>\n<p>18.10 \u2013 Interpreta\u00e7\u00e3o no ultim\u00edssimo Lacan.\u00a0 Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas: Jacques Lacan \u2013 Semin\u00e1rio 24. Apresenta\u00e7\u00e3o: Glacy Gorski.<\/p>\n<p>22.11 \u2013 Coment\u00e1rio sobre \u201cA palavra que fere\u201d, de Jacques-Alain Miller, publicado in Op\u00e7\u00e3o Lacaniana. Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, n\u00ba 56-57. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia Edi\u00e7\u00f5es, julho<\/p>\n<p>2010 \u2013\u00a0Respons\u00e1vel: Glacy Gorski.<\/p>\n<p>\u2013 Conversa\u00e7\u00e3o sobre as interpreta\u00e7\u00f5es inesquec\u00edveis. Refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica: Extratos de depoimentos de passes, publicados na Revista Lacaniana de Psicoan\u00e1lisis, n\u00ba 25, Buenos Aires: EOL. Novembro de 2018. Coordena\u00e7\u00e3o: Elizabete Siqueira.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S. [1887-1904 (1986) ]. A Correspond\u00eancia Completa de Sigmund Freud para Wilhelm Fliess, editado por Masson, J.M., Rio de Janeiro: Imago editora.<br \/>\n_______ [1900 (2019)] Obras completas: vol.4: A interpreta\u00e7\u00e3o dos sonhos, Trad. Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<br \/>\n________ [1901(2021)] Obras completas vol.5: Psicopatologia da vida cotidiana, Trad. Paulo Cesar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<br \/>\nLACAN,J.[1953 (1998) ]. Fun\u00e7\u00e3o e campo da fala e da linguagem em psican\u00e1lise. In <em>Escritos<\/em>, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, pp. 238- 324.<br \/>\n________ [1954-1955 (1985) ]. O Semin\u00e1rio, Livro 2, o eu na teoria de Freud e na t\u00e9cnica da Psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor<br \/>\n________ [1958 (1998) ]. A dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder. In <em>Escritos, <\/em>Rio de Janeiro: Jorge Zahar, pp. 591-652.<br \/>\n________ [1958-1959 (2016). O Semin\u00e1rio, livro 6, o desejo e sua interpreta\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<br \/>\n________ [1972 (2003) ]. O Aturdito, In <em>Outros Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<br \/>\n_______ [1976 (2003) ]. Posf\u00e1cio ao semin\u00e1rio 11, In <em>Outros Escritos.<\/em> Rio de Janeiro: Jorge Zahar.<br \/>\n_______ (1976-1977). O Semin\u00e1rio 24, L\u00b4insu que sait de l\u00b4une bevue s\u00b4aile a mourre, In\u00e9dito.<br \/>\n_______ [ 2018 (1976-1977) ]. O semin\u00e1rio 24, <em>Hacia um significante nuevo. <\/em>In\u00e9dito<em>, <\/em>aulas estabelecidas por Jacques &#8211; Alain Miller<em>, <\/em>In Revista Lacaniana Ano XIII, n\u00ba 25, pp. 11-19.<br \/>\n_______ [1977(1978) ]. <em>Die \u00dcbersetzung<\/em>. In <em>Der Wunderblock<\/em>, Zeitschrift f\u00fcr Psychoanalyse, N\u00ba 1, Berlin: Verlag der Wunderblock.<br \/>\n_______ (1980). <em>\u201cRespuesta a uma pregunta de Marcel Ritter\u201d, <\/em>Suplemento de las notas. Buenos Aires: EFBA, pp.3-6.<br \/>\nMILLER, J-A (1996). Entonces: \u201cSssh&#8230;\u201d, Barcelona: E\u00f3lia.<br \/>\n\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad\u00ad_______ [2009 (2010) ]. <em>A palavra que fere<\/em>. In Op\u00e7\u00e3o Lacaniana. Revista Brasileira Internacional de Psican\u00e1lise, n\u00ba 56-57. S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia Edi\u00e7\u00f5es, julho 2010.<br \/>\nWAHRIG, G. (1968). Deutsches W\u00f6rterbuch Bertelsmann Lexikon \u2013 Verlag, G\u00fctersloh.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][vc_column width=&#8221;1\/3&#8243;][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/MR-nUvqrwEM&#8221;][vc_single_image image=&#8221;3206&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/5jfUtKGkPy8&#8243;][vc_single_image image=&#8221;3163&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/tH4VjHtNVuk&#8221;][vc_single_image image=&#8221;3023&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/S0p1LTvpBT0&#8243;][vc_single_image image=&#8221;2940&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/48O2glwbYxI&#8221;][vc_video link=&#8221;https:\/\/youtu.be\/if-MiuMwi-g&#8221;][vc_single_image image=&#8221;2876&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][vc_single_image image=&#8221;2862&#8243; img_size=&#8221;full&#8221;][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column width=&#8221;2\/3&#8243;][vc_column_text] DOWNLOAD 25-LACAN-Jacques.-O-semina\u0301rio-livro-26.-El-momento-de-concluir-1977-78 24-LACAN-Jacques.-O-semina\u0301rio.-Lo-no-sabido-que-sabe-de-la-una-equivocacio\u0301n-se-ampara-en-la-morra-1976-77.pdf Coordena\u00e7\u00e3o: Elizabete Siqueira e Glacy Gorski Pode a psican\u00e1lise constituir-se como a ci\u00eancia do imposs\u00edvel? Jacques Lacan O mestre interrompe o sil\u00eancio, com qualquer coisa, um sarcasmo, um ponta p\u00e9. Jacques Lacan A interpreta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi inserida nos quatro conceitos fundamentais, pois j\u00e1 est\u00e1 inclu\u00edda no pr\u00f3prio conceito de Inconsciente,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2881","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2881\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}