{"id":52,"date":"2026-04-04T08:32:04","date_gmt":"2026-04-04T11:32:04","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/?page_id=52"},"modified":"2026-04-07T17:15:15","modified_gmt":"2026-04-07T20:15:15","slug":"argumento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/argumento\/","title":{"rendered":"ARGUMENTO"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-127\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Argumento-2-300x33.png\" alt=\"\" width=\"317\" height=\"35\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Argumento-2-300x33.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Argumento-2-768x85.png 768w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Argumento-2.png 968w\" sizes=\"auto, (max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">Li\u00e8ge Uch\u00f4a e V\u00e2nia Ferreira<br \/>\nCoordenadoras da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 momentos em que uma \u00e9poca se revela n\u00e3o apenas nos acontecimentos que a atravessam, mas nas formas de sofrimento que nela emergem. \u00c9 nesse ponto que a psican\u00e1lise, desde Freud, encontra seu campo de investiga\u00e7\u00e3o: escutar o mal-estar de um tempo e ler, em seus sintomas, algo da verdade que insiste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 com entusiasmo que apresentamos \u00e0 comunidade anal\u00edtica o Argumento que orientar\u00e1 os trabalhos da VI Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste. Escolhemos articular nosso percurso ao tema do Encontro Brasileiro do Campo Freudiano deste ano &#8211; \u201cBarulhos da l\u00edngua, a interpreta\u00e7\u00e3o entre a fala e a escrita\u201d &#8211; numa tentativa de fazer ressoar, entre n\u00f3s, suas proposi\u00e7\u00f5es e interrog\u00e1-las \u00e0 luz de nossa experi\u00eancia cl\u00ednica. Sob o t\u00edtulo <em>Del\u00edrio e Interpreta\u00e7\u00e3o<\/em>, propomos um trabalho que se debruce sobre esses dois significantes, explorando suas incid\u00eancias na cl\u00ednica, nas institui\u00e7\u00f5es, e na civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio, com Freud<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e, posteriormente, com Lacan<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, em seu primeiro ensino, a psican\u00e1lise orientava-se em torno do recalcado. O sintoma era tomado como uma solu\u00e7\u00e3o de compromisso cuja verdade poderia ser decifrada. Interpretar significava desvelar um sentido oculto, trazendo \u00e0 palavra aquilo que havia sido recalcado. Na transfer\u00eancia, sustentada pelo sujeito suposto saber, a interpreta\u00e7\u00e3o operava como uma leitura do inconsciente estruturado como linguagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, o s\u00e9culo XXI parece nos colocar diante de um novo cen\u00e1rio cl\u00ednico. A tarefa da psican\u00e1lise hoje, sem eliminar o inconsciente transferencial, exige explorar uma outra dimens\u00e3o: a da defesa frente a um real sem lei e desprovido de sentido. Trata-se, nesse contexto, de perturbar a defesa contra o real<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Mas o que significa, propriamente, perturbar a defesa? Em que essa opera\u00e7\u00e3o difere de interpretar a defesa? Na orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, essa distin\u00e7\u00e3o se esclarece a partir das formas pelas quais o analista pode operar na dire\u00e7\u00e3o de desmontar a defesa contra o real: como <em>sinthoma<\/em><a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, como \u201cintruso\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, como \u201cajuda contra\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, entre outras modalidades poss\u00edveis. Trata-se menos de acrescentar sentido e mais de tocar um ponto em que o sujeito se defende do real que o habita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais, a cl\u00ednica contempor\u00e2nea nos confronta com um gozo singular \u2014 o Um \u2014 que resiste \u00e0 simboliza\u00e7\u00e3o e se apresenta indiz\u00edvel. Antes mesmo de se articular em palavras, muitas vezes o que surge \u00e9 o sil\u00eancio opaco da puls\u00e3o de morte. O H\u00e1-Um<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> designa essa solid\u00e3o radical do \u201cum-sozinho\u201d marcada pela repeti\u00e7\u00e3o de um gozo que n\u00e3o se inscreve na rela\u00e7\u00e3o com o Outro. A interpreta\u00e7\u00e3o anal\u00edtica visa operar sobre esse Um que insiste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Articular essas transforma\u00e7\u00f5es da cl\u00ednica psicanal\u00edtica \u00e0 \u00e9poca \u00e9 fundamental para situarmos os efeitos do tempo nas dimens\u00f5es sintom\u00e1ticas dos sujeitos e suas consequ\u00eancias sobre os conceitos que orientam a pr\u00e1tica. A subjetividade n\u00e3o \u00e9 indiferente \u00e0s muta\u00e7\u00f5es da cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jacques-Alain Miller<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> descreve nossa \u00e9poca como marcada por uma lenta e progressiva desintegra\u00e7\u00e3o do mundo simb\u00f3lico e pela ascens\u00e3o da dimens\u00e3o do gozo na civiliza\u00e7\u00e3o. Trata-se de uma desordem do real, no qual o Outro perde sua consist\u00eancia e j\u00e1 n\u00e3o oferece refer\u00eancias est\u00e1veis para situar o desejo. A pedra angular do Nome-do-Pai se trinca, atingida e desvalorizada pela combina\u00e7\u00e3o de dois discursos: o da ci\u00eancia e o do capitalismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com essa combina\u00e7\u00e3o discursiva, o real se revela desordenado, desprovido de semblantes. Miller<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, para falar sobre essas novas coordenadas, retoma de forma preciosa a famosa descri\u00e7\u00e3o de Karl Marx, anunciada em seu <em>Manifesto Comunista<\/em>: \u201ctudo que \u00e9 s\u00f3lido desmancha no ar, tudo que \u00e9 sagrado \u00e9 profanado&#8230;\u201d. \u00c9 nesse ponto que Marx come\u00e7a a tratar dos efeitos do discurso do capitalismo na civiliza\u00e7\u00e3o e de sua ruptura com a tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o por acaso, o Nome-do-Pai sofre um rebaixamento no ensino de Lacan, j\u00e1 que a cl\u00ednica mostrava os limites de uma abordagem centrada apenas na ordem simb\u00f3lica e na estrutura ed\u00edpica para responder \u00e0s formas contempor\u00e2neas de sofrimento. Lacan vai al\u00e9m do falo freudiano com a l\u00f3gica do \u201cn\u00e3o-todo\u201d, afastando-se de uma abordagem universalizante e pelo sentido, abrindo caminho ao gozo Outro, qualificado como gozo feminino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse contexto que Lacan<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> afirma: \u201ctodo mundo \u00e9 louco, ou seja, delirante\u201d. N\u00e3o como uma generaliza\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica, mas como indica\u00e7\u00e3o estrutural: n\u00e3o existe um saber universal capaz de organizar definitivamente a experi\u00eancia do gozo. A partir daquilo que a psicose nos ensina sobre a fun\u00e7\u00e3o do del\u00edrio \u2014 como tratamento do gozo pela produ\u00e7\u00e3o de sentido \u2014 pode-se afirmar que todo ser falante constr\u00f3i, \u00e0 sua maneira, uma fic\u00e7\u00e3o para lidar com aquilo que escapa \u00e0 simboliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sem o Nome-do-Pai como medida comum, a loucura se estende a todos os falantes que sofrem pela aus\u00eancia de um saber sobre a sexualidade, abalando as fronteiras entre neurose e psicose<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, que at\u00e9 ent\u00e3o eram a base do diagn\u00f3stico diferencial da psican\u00e1lise. A cl\u00ednica se desloca: do Nome-do-Pai ao <em>sinthoma<\/em>, da falta estrutural aos modos de amarra\u00e7\u00e3o. Nessa perspectiva, neur\u00f3ticos e psic\u00f3ticos passam a ser pensados menos pela oposi\u00e7\u00e3o estrutural e mais pelos modos de enodamento entre real, o simb\u00f3lico e o imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa segunda cl\u00ednica de Lacan amplia o conceito de sintoma, herdado de Freud<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, ao incluir nele os restos sintom\u00e1ticos que subsistem no final da an\u00e1lise, a parte inelimin\u00e1vel do sintoma. Por essa raz\u00e3o, Lacan chamou de <em>sinthoma<\/em> aquilo que \u00e9 o nome do incur\u00e1vel. Ele surge do encontro traum\u00e1tico entre corpo e <em>lal\u00edngua<\/em>, como acontecimento de corpo e modos singular de gozo. Funciona como marca pr\u00f3pria e pode fazer supl\u00eancia \u00e0 fun\u00e7\u00e3o ordenadora do Nome-do-Pai, quando j\u00e1 n\u00e3o se sustenta a ideia de uma norma simb\u00f3lica universal. Assim, o <em>sinthoma<\/em> n\u00e3o \u00e9 algo a ser eliminado, mas aquilo com que o sujeito \u00e9 levado a um \u201csaber-fazer\u201d: encontrar uma maneira singular de habitar e manejar o pr\u00f3prio gozo do corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse deslocamento exige uma nova disciplina da interpreta\u00e7\u00e3o em tempos em que todos deliram. Miller<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a> pergunta: o que se torna a interpreta\u00e7\u00e3o quando o foco passa da linguagem ao real do gozo? A interpreta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, produtora de sentido, encontra seus limites diante de um gozo opaco, refrat\u00e1rio \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O inconsciente n\u00e3o se reduz mais \u00e0 linguagem \u2014 isto \u00e9, ao campo do Outro que se atualiza na transfer\u00eancia \u2014, inclui tamb\u00e9m <em>lal\u00edngua<\/em>, onde as palavras operam pelo gozo que veiculam. Se antes a verdade surgia no lapso e no ato falho, em <em>lal\u00edngua<\/em> encontramos a repeti\u00e7\u00e3o de um gozo que n\u00e3o comunica, mas insiste. Trata-se do inconsciente real: o impacto contingente da linguagem sobre o corpo, anterior ao sentido. O corpo pr\u00f3prio torna-se o lugar de inscri\u00e7\u00e3o desse gozo, ocupando o lugar do Outro que n\u00e3o existe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que implica, em nossa pr\u00e1tica, orientar a interpreta\u00e7\u00e3o menos pela revela\u00e7\u00e3o de um sentido recalcado, e mais por uma opera\u00e7\u00e3o que incide sobre o real do gozo. A interpreta\u00e7\u00e3o desloca-se, assim, do enquadre edipiano ao <em>borromeano<\/em>, passando a visar o furo, o desenodamento e o re-enodamento dos registros. Vai-se, desse modo, da escuta do sentido \u00e0 leitura do fora de sentido<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, onde a letra e a escrita ganham primazia, orientadas pelo real, com o analista enquanto suporte do intraduz\u00edvel<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No \u00faltimo ensino de Lacan, o inconsciente\u00a0 se reduz ao equ\u00edvoco.\u00a0 A interpreta\u00e7\u00e3o passa a operar pelo corte, conting\u00eancia e equivocidade, n\u00e3o produzindo sentido, mas desestabilizando-o e operando como furo abrindo espa\u00e7o para a emerg\u00eancia de um significante novo. Situa-se na jun\u00e7\u00e3o entre palavra e gozo, faz \u201cbarulho\u201d, como nos lembra o Argumento<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> do XXVI Encontro Brasileiro do Campo Freudiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Trata-se, finalmente, de atualizar nossa pr\u00e1tica anal\u00edtica, revisando seus contextos, condi\u00e7\u00f5es e coordenadas no s\u00e9culo XXI, quando se intensifica o que Freud denominou mal-estar na cultura, decifrado por Lacan como os impasses da civiliza\u00e7\u00e3o. Impasses que ganham novas configura\u00e7\u00f5es em nossos dias. Revelam-se nos novos arranjos familiares, nas tenta\u00e7\u00f5es ao eugenismo, nas quest\u00f5es de g\u00eanero, no fen\u00f4meno do feminic\u00eddio, nas polariza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, no triunfo<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a> das religi\u00f5es, e na intelig\u00eancia artificial, entre outros acontecimentos da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa Jornada pretende ser um espa\u00e7o de trabalho e de inven\u00e7\u00e3o, onde cada um possa colocar \u00e0 prova a sua experi\u00eancia, partilhar quest\u00f5es e apresentar as solu\u00e7\u00f5es singulares encontradas na cl\u00ednica. Interessa-nos repensar o estatuto do del\u00edrio e da interpreta\u00e7\u00e3o e o lugar do analista hoje \u2014 tanto no espa\u00e7o \u00edntimo do consult\u00f3rio quanto nos diferentes dispositivos da cidade. Pois, se h\u00e1 algo que a psican\u00e1lise nos ensina, \u00e9 que cada \u00e9poca inventa suas formas de del\u00edrio, e cabe a n\u00f3s escut\u00e1-las.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir do percurso aqui apresentado, tr\u00eas eixos tem\u00e1ticos se abrem como possibilidades de investiga\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eixo I \u2013 A interpreta\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica lacaniana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste eixo, interrogamos a interpreta\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica lacaniana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como abordar, na cl\u00ednica contempor\u00e2nea, manifesta\u00e7\u00f5es sintom\u00e1ticas que n\u00e3o se apresentam como enigma nem convocam imediatamente a interpreta\u00e7\u00e3o? Como l\u00ea-las e como fazer operar algo de sua dimens\u00e3o de gozo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que formas de interven\u00e7\u00e3o se tornam operat\u00f3rias nessa cl\u00ednica? Como pensar, nesse contexto, o valor do corte, do equ\u00edvoco, da pontua\u00e7\u00e3o ou de outras modalidades de interpreta\u00e7\u00e3o? E a interpreta\u00e7\u00e3o na cl\u00ednica das psicoses?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eixo II \u2013 A Pr\u00e1tica da Interpreta\u00e7\u00e3o nas Institui\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este eixo pretende indagar o que pode valer como interpreta\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica psicanal\u00edtica realizada em institui\u00e7\u00f5es. De que modo a interpreta\u00e7\u00e3o pode operar em contextos marcados por limites institucionais e demandas de efic\u00e1cia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como a psican\u00e1lise pode sustentar a cl\u00ednica do sujeito em institui\u00e7\u00f5es atravessadas por m\u00faltiplos discursos? Qual o lugar que a constru\u00e7\u00e3o e a transmiss\u00e3o de casos cl\u00ednicos ocupam nesse contexto?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eixo III \u2013 As incid\u00eancias da psican\u00e1lise na civiliza\u00e7\u00e3o do imperativo de gozo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste eixo, partimos da seguinte pergunta: como a psican\u00e1lise pode ler a passagem do \u201c\u00e9 proibido gozar\u201d para o imperativo contempor\u00e2neo do \u201cgoza!\u201d? Como extrair consequ\u00eancias da afirma\u00e7\u00e3o de que \u201co inconsciente \u00e9 a pol\u00edtica\u201d?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o analista pode jogar sua partida diante de acontecimentos contempor\u00e2neos, como as polariza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, as transforma\u00e7\u00f5es nas quest\u00f5es de g\u00eanero, o estatuto da verdade frente \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de <em>fake news<\/em>, a incid\u00eancia da IA e o triunfo das religi\u00f5es? E, ainda, diante do aumento do racismo, dos feminic\u00eddios, das passagens ao ato, da viol\u00eancia e das guerras? Enfim, como recolher os efeitos da presen\u00e7a do analista na civiliza\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confiantes na travessia dessas quest\u00f5es, esperamos o percurso de cada um em suas produ\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>FREUD, Sigmund. <em>Sobre a din\u00e2mica da transfer\u00eancia<\/em> (1912). In: <em>Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Claudia Dornbusch. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2025. (Obras Incompletas de Sigmund Freud).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>LACAN, Jacques. <em>O Semin\u00e1rio, livro 1: Os escritos t\u00e9cnicos de Freud<\/em>. Texto estabelecido por J.-A. Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1986.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>LACAN, J. <em>Le S\u00e9minaire, livre 24: L\u2019insu que sait de l\u2019une-b\u00e9vue s\u2019aile \u00e0 mourre<\/em> (1976\u20131977). Li\u00e7\u00e3o IV, de 11 jan. 1977. Texto in\u00e9dito. Tradu\u00e7\u00e3o livre.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23: O sinthoma<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, p. 131.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>MILLER, J.-A. Terceira li\u00e7\u00e3o. In: <em>Perspectivas do Semin\u00e1rio 23 de Lacan: O sinthoma<\/em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>LACAN, J. <em>O Semin\u00e1rio, livro 23: O sinthoma<\/em>, op. cit., p. 131.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>MILLER, J.-A. <em>O ser e o Um<\/em> (curso 2010\u20132011). Paris: In\u00e9dito; vers\u00f5es estabelecidas pela AMP.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>MILLER, J.-A. Um real para o s\u00e9culo XXI. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, n. 63, jun. 2012.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a><em>Idem.<\/em><\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>LACAN, J. Transfer\u00eancia para Saint-Denis? Lacan a favor de Vincennes! In: <em>Correio: Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>, n. 65, abr. 2010.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>BRODSKY, Graciela. A loucura nossa de cada dia. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>, v.4, n.12, 2013.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>FREUD, Sigmund. <em>An\u00e1lise finita e an\u00e1lise infinita<\/em> (1937). In: <em>Fundamentos da cl\u00ednica psicanal\u00edtica<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Claudia Dornbusch. Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2025. (Obras incompletas de Sigmund Freud).<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>MILLER, J.-A. A interpreta\u00e7\u00e3o ao avesso. In: <em>Op\u00e7\u00e3o Lacaniana<\/em>. S\u00e3o Paulo: Eolia, n. 15, 1996.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>LAURENT, \u00c9ric. A interpreta\u00e7\u00e3o: da escuta ao escrito. In: <em>Correio: Revista da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise<\/em>. S\u00e3o Paulo, n. 87, abr. 2022.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>CORA, Maria Eug\u00eania. Foraclus\u00e3o generalizada e o intraduz\u00edvel. In: <em>Scilicet: Todo mundo \u00e9 louco<\/em>. XIV Congresso da AMP, 2024, p. 47.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/encontrobrasileiroebp2026.com.br\/argumento\/\">https:\/\/encontrobrasileiroebp2026.com.br\/argumento\/<\/a>. Acesso em: 20 mar. 2026.<\/h6>\n<h6 style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>LACAN, J. O triunfo da religi\u00e3o. In: <em>O triunfo da religi\u00e3o: precedido de Discurso aos cat\u00f3licos<\/em>. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Li\u00e8ge Uch\u00f4a e V\u00e2nia Ferreira Coordenadoras da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica H\u00e1 momentos em que uma \u00e9poca se revela n\u00e3o apenas nos acontecimentos que a atravessam, mas nas formas de sofrimento que nela emergem. \u00c9 nesse ponto que a psican\u00e1lise, desde Freud, encontra seu campo de investiga\u00e7\u00e3o: escutar o mal-estar de um tempo e ler, em&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-52","page","type-page","status-publish","hentry","entry","no-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/52","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/52\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":192,"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/52\/revisions\/192"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}