{"id":413,"date":"2026-08-01T17:29:32","date_gmt":"2026-08-01T20:29:32","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/?page_id=413"},"modified":"2026-08-01T17:29:32","modified_gmt":"2026-08-01T20:29:32","slug":"divagalumiando","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/cronicas-delirantes\/divagalumiando\/","title":{"rendered":"Divagalumiando"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column]<figure class=\"vcex-image vcex-module wpex-text-center\"><div class=\"vcex-image-inner wpex-relative wpex-inline-block\"><img width=\"1240\" height=\"173\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png\" class=\"vcex-image-img wpex-align-middle\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png 1240w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-300x42.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-1024x143.png 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-768x107.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1240px) 100vw, 1240px\" \/><\/div><\/figure>[vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h2 class=\"z1qcye\" style=\"margin: 0in;\"><strong><span class=\"yadgie\"><i><span style=\"font-family: 'Arial',sans-serif;\">Divagalumiando<\/span><\/i><\/span><\/strong><\/h2>\n<p><strong>Socorro Soares<\/strong><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong><em>&#8220;E um vaga-lume lanterneiro, que riscou um psiu de luz&#8221;<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><em><strong>[1]<\/strong><\/em><\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 fotografava o genoc\u00eddio em Gaza, tentava capturar beleza infantil. Sele\u00e7\u00e3o do Ir\u00e3 exibe mochilas coloridas em rep\u00fadio a crian\u00e7as mortas em uma escola. Not\u00edcias que urgem!<\/p>\n<p>Reportam-me a duas <em>obras de arte <\/em>que comungam da literatura e do cinema em forte proje\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica. O Curta-anima\u00e7\u00e3o (1988) sob dire\u00e7\u00e3o de Isao Takahata, <em>O t\u00famulo dos vagalumes.<\/em> A outra, livro de Didi-Huberman, <em>A sobreviv\u00eancia dos vaga-lumes.<\/em><\/p>\n<p>O Curta passeia pelo ef\u00eamero e pela trag\u00e9dia da guerra de 1945, sob perspectiva infantil em met\u00e1fora de luzes de vaga-lumes e bombas. Luzes que iluminam seres de curta vida e luzes que encurtam vidas. Luzes que se apagam mortas em si e luzes que apagam vidas. O tr\u00e1gico sob a delicadeza da rela\u00e7\u00e3o de dois irm\u00e3os \u00f3rf\u00e3os, Setsuko e Seita, \u00e0 travessia da sobreviv\u00eancia. Encerra com cena <em>&#8220;hora de dormir&#8221;<\/em> , iluminados brilhantemente por vaga-lumes, e com o simbolismo de lata de doces a servir de t\u00famulo aos vagalumes e \u00e0s cinzas de Setsuko.<\/p>\n<p>O livro de Huberman \u00e9 um passeio pela met\u00e1fora do poeta e cr\u00edtico de arte Pasolini, cito-o: \u201cA dan\u00e7a dos vaga-lumes, esse momento de gra\u00e7a que resiste ao mundo do terror, \u00e9 o que existe de mais fugaz e fr\u00e1gil\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Trata do sumi\u00e7o de vaga-lumes articulado ao fascismo, genoc\u00eddio e enfraquecimento cultural quando intelectuais n\u00e3o viam o apagamento desses seres: \u201c[&#8230;]\u00e9 preciso no presente da sua sobreviv\u00eancia[&#8230;]v\u00ea-los dan\u00e7ar vivos no meio da noite, ainda que essa noite seja varrida por ferozes projetores\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Principiei pelas not\u00edcias de morte do fot\u00f3grafo palestino \u00e0 captura do belo brincar infantil em meio \u00e0 guerra, o belo a esconder o horror fundamental, e <strong>dos <\/strong>jogadores com mochilas em cores, <em>grito ao<\/em> horrendo assassinato infantil. Feituras em <em>arte,<\/em> contornos para lidar com o gozo. Assim como, artes de Takahata e Pasolini, articulando o sumi\u00e7o de vaga-lumes &#8211; err\u00e1ticos, intoc\u00e1veis e resistentes \u2013 com os holofotes nazifascistas de viol\u00eancia e de destrui\u00e7\u00e3o de seres min\u00fasculos e fr\u00e1geis em assombro e amea\u00e7a a brilhos coletivos.<\/p>\n<p><em>Divagalumian<\/em>do, eis um achado: \u201cO del\u00edrio da permissividade que se espalha pelos quatro cantos do mundo[&#8230;]impacto de <em>lal\u00edngua<\/em> sobre o corpo[&#8230;]o pr\u00f3prio gozo cont\u00e9m um furo e uma parte de excesso que deve ser subtra\u00edda\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Ent\u00e3o, poss\u00edvel para um sujeito em situa\u00e7\u00e3o de guerra, algo que se opere entre significante e desvarios do gozo a subtrair o excedente e preservar o la\u00e7o social, j\u00e1 que este implica em perda de gozo e acesso \u00e0 fala?<\/p>\n<p>Sigo por <em>apagamento e <\/em><em>sobreviv\u00eancia e, <\/em>outro achado: \u201cMas se a psican\u00e1lise tem \u00eaxito, ela apagar\u00e1 por ser sen\u00e3o um sintoma esquecido. Logo, tudo depende de que o real insista[&#8230;]\u00e9 preciso que a psican\u00e1lise fracasse[&#8230;]boas chances de permanecer sintoma. Psicanalistas n\u00e3o mortos, segue carta!\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cO instante-j\u00e1 \u00e9 um pirilampo que acende e apaga, acende e apaga\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Rosa, J. Guimar\u00e3es. Minha gente. In: Sagarana. S\u00e3o Paulo: Global, 2019. p. 186.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Didi-Huberman, G. Sobreviv\u00eancia dos vaga-lumes. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011. p.25.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Didi-Huberman, G. Sobreviv\u00eancia dos vaga-lumes. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2011. p.52.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Santiago, J. A disc\u00f3rdia da puls\u00e3o de morte e o sinthoma. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2020\/12\/24\/a-discordia-da-pulsao-de-morte-e-o-sinthoma\/\">https:\/\/www.ebp.org.br\/correio_express\/2020\/12\/24\/a-discordia-da-pulsao-de-morte-e-o-sinthoma\/<\/a>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Lacan, J. A Terceira. Dispon\u00edvel em: \u00a0<a href=\"https:\/\/www.freud-lacan.com\/documents-ged\/a-terceira-2\/\">https:\/\/www.freud-lacan.com\/documents-ged\/a-terceira-2\/<\/a>.<\/h6>\n<h6><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Lispector, C. \u00c1gua viva. Rio de janeiro: Ed. Rocco, 2020.p.15.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] Divagalumiando Socorro Soares\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0&#8220;E um vaga-lume lanterneiro, que riscou um psiu de luz&#8221;[1]. N\u00e3o s\u00f3 fotografava o genoc\u00eddio em Gaza, tentava capturar beleza infantil. 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