{"id":379,"date":"2026-06-20T19:32:19","date_gmt":"2026-06-20T22:32:19","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/?page_id=379"},"modified":"2026-06-30T07:34:47","modified_gmt":"2026-06-30T10:34:47","slug":"meme-pra-que-te-quero","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/cronicas-delirantes\/meme-pra-que-te-quero\/","title":{"rendered":"Meme, pra que te quero?"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column]<figure class=\"vcex-image vcex-module wpex-text-center\"><div class=\"vcex-image-inner wpex-relative wpex-inline-block\"><img width=\"1240\" height=\"173\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png\" class=\"vcex-image-img wpex-align-middle\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png 1240w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-300x42.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-1024x143.png 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-768x107.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1240px) 100vw, 1240px\" \/><\/div><\/figure>[vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h2><strong>MEME, PARA QUE TE QUERO?<\/strong><\/h2>\n<h6><em>Erick Leonardo<\/em><\/h6>\n<p>Navegar pela internet j\u00e1 foi como desbravar um oceano desconhecido, mas hoje est\u00e1 mais para andar na chuva. A gente avan\u00e7a entre as gotas, meio <strong><em>singing in the rain<\/em><\/strong>, tentando n\u00e3o encharcar a alma na torrente de informa\u00e7\u00f5es. E, dentre as gotas, o meme brilha com uma preciosidade \u00fanica. Ele n\u00e3o \u00e9 bem um chiste cl\u00e1ssico, daquele tipo que demanda um trabalho singular do inconsciente; o meme \u00e9 uma produ\u00e7\u00e3o <em>pr\u00eat-\u00e0-porter<\/em>. J\u00e1 vem pronto para vestir, \u00e9 intencional para quem o emite e evoca o efeito imediato do riso para quem partilha do c\u00f3digo. Na era da hiperconex\u00e3o, fala-se muito, para nada dizer. Mas o meme, <strong><em>berro!<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Na comunidade LGBTQIAPN+, por exemplo, essas imagens e bord\u00f5es s\u00e3o o puro oxig\u00eanio. Funcionam como o avesso do desamparo, a ferramenta exata para subverter e superar a l\u00f3gica heteronormativa de cada dia. \u00c9 o recurso que permite lavar a cara com \u00e1gua e sab\u00e3o, recolher os peda\u00e7os e <strong><em>let it go<\/em>!<\/strong> O meme faz borda e transborda. No entanto, como diria o jarg\u00e3o da pr\u00f3pria rede,<strong> <em>the life is not a strawberry<\/em><\/strong>. O tempo na internet evapora mais r\u00e1pido que o \u00e9ter, e os memes est\u00e3o cada vez mais ef\u00eameros: <strong><em>GAG, GAG de la GAG, Acr\u00edlico\u2026<\/em><\/strong> Bem, este \u00faltimo n\u00e3o!<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 o fen\u00f4meno da arqueologia digital: as novas gera\u00e7\u00f5es agora resgatam frases e cenas que viralizaram h\u00e1 anos, na velha televis\u00e3o anal\u00f3gica, dando uma sobrevida m\u00edstica a rel\u00edquias do passado. Assim estava eu, outro dia, <strong>todo trabalhado<\/strong> na d\u00favida metaf\u00edsica \u2014 <strong><em>Estou bonito ou estou engra\u00e7ado?<\/em> <\/strong>\u2014, a caminho de ganhar o p\u00e3o de cada dia no consult\u00f3rio. Acordando cedo, \u00e9 claro; afinal de contas,<strong><em> n\u00e3o se dorme na Europa!<\/em><\/strong> No cora\u00e7\u00e3o vivo do div\u00e3, aquele espa\u00e7o que \u00e9 o caldeir\u00e3o do mundo, a internet insiste em pedir passagem\u2026<\/p>\n<p>Um deles, deitando-se, solta a p\u00e9rola: \u201cA Lady Gaga, a <em>mother monster<\/em>, lan\u00e7ou um clipe babado, a\u00ed o pessoal da internet pegou e acabou com a m\u00fasica, misturando com &#8216;Cilada&#8217; do grupo Molejo\u2026\u201d. O tr\u00e1gico e o pop dan\u00e7ando juntos. Diante daquilo, brinco com uma pontua\u00e7\u00e3o, dessas que tentam pescar o sujeito: \u201cBem, quem sabe algu\u00e9m precisou inventar algo para tratar uma desilus\u00e3o amorosa\u201d. Assim retoma a sua quest\u00e3o. O meme cai, o inconsciente emerge. O Molejo vira mola para o que realmente importa.<\/p>\n<p>Em outra sess\u00e3o, a resist\u00eancia se faz presente com a mesma roupagem moderna. Diante de um tema espinhoso, daqueles que tocam o osso do sintoma, a analisante empaca, sorri de canto e solta o cl\u00e1ssico bord\u00e3o das redes: <strong>\u201cPara a grava\u00e7\u00e3o!\u201d<\/strong>. Mas ali quem opera \u00e9 a transfer\u00eancia, n\u00e3o o algoritmo. O analista, ent\u00e3o, interv\u00e9m na hi\u00e2ncia do sil\u00eancio: <strong>\u201cN\u00e3o, Stefany. Continue\u2026\u201d. <\/strong>Rimos e a sess\u00e3o continua.<\/p>\n<p>No fim das contas, o meme \u00e9 a nossa tentativa de fazer alguma coisa com aquilo que falha, que falta e que claudica, transformada em uma boa figurinha de WhatsApp. Enquanto o mundo l\u00e1 fora chia feito panela de press\u00e3o ou desaba em tempestade, a gente segue aqui dentro, em um del\u00edrio a dois?<\/p>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] MEME, PARA QUE TE QUERO? Erick Leonardo Navegar pela internet j\u00e1 foi como desbravar um oceano desconhecido, mas hoje est\u00e1 mais para andar na chuva. A gente avan\u00e7a entre as gotas, meio singing in the rain, tentando n\u00e3o encharcar a alma na torrente de informa\u00e7\u00f5es. 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