{"id":288,"date":"2026-05-27T10:44:10","date_gmt":"2026-05-27T13:44:10","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/?page_id=288"},"modified":"2026-05-27T10:44:10","modified_gmt":"2026-05-27T13:44:10","slug":"o-sonho-delirio-de-conquistar-o-mundo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/cronicas-delirantes\/cronicas-aqui\/o-sonho-delirio-de-conquistar-o-mundo\/","title":{"rendered":"O sonho\/del\u00edrio de conquistar o mundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column]<figure class=\"vcex-image vcex-module wpex-text-center\"><div class=\"vcex-image-inner wpex-relative wpex-inline-block\"><img width=\"1240\" height=\"173\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png\" class=\"vcex-image-img wpex-align-middle\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png 1240w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-300x42.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-1024x143.png 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-768x107.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1240px) 100vw, 1240px\" \/><\/div><\/figure>[vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h2><strong>O sonho\/del\u00edrio de conquistar o mundo<\/strong><\/h2>\n<h6>Susane Zanotti (EBP\/AMP)<\/h6>\n<p>A menos de um m\u00eas da copa do mundo, as situa\u00e7\u00f5es cotidianas escancaram que \u201c<em>n\u00e3o h\u00e1 nada mais desbaratado que a realidade humana<\/em>\u201d<sup>1<\/sup>. O <em>frenesi <\/em>de compra e troca de figurinhas, na torcida para conseguir as raras, t\u00e3o disputadas e completar o \u00e1lbum mais r\u00e1pido; a convoca\u00e7\u00e3o dos jogadores e toda a pol\u00eamica em torno do camisa 10 da sele\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o assuntos nas redes sociais, nos grupos de WhatsApp, no trabalho, em casa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s sair para comprar figurinhas para o \u00e1lbum da Copa do Mundo 2026, Bella volta correndo aos berros e profere em alto e bom som: \u201c<em>M\u00e3e, a IA vai dominar o mundo?<\/em>&#8220;. De repente, um sil\u00eancio ensurdecedor se instala. Nesse instante, que parece uma eternidade, sua m\u00e3e a interroga: \u201cde onde voc\u00ea tirou isso, menina?\u201d, buscando investigar o efeito de interpreta\u00e7\u00e3o. Angustiada, Bella diz bem r\u00e1pido, juntando as palavras e fazendo delas um <em>thriller<\/em>: \u201ca IA vai falar para o policial matar uma pessoa e ele vai matar.\u201d Ao pedir para dizer como seria isso, a filha j\u00e1 responde com menos sobressalto e incluindo pausas entre uma palavra e outra: \u201c<em>Meu amigo<\/em> <em>falou que a IA vai dominar o mundo, que ela vai falar para o policial quando algu\u00e9m fizer uma coisa errada e o policial vai matar essa pessoa, mesmo que ela n\u00e3o tenha feito isso\u201d. <\/em>Ao final, imprimindo urg\u00eancia ao seu questionamento, a crian\u00e7a interroga: <em>\u00e9 verdade?<\/em><\/p>\n<p>Para al\u00e9m das quest\u00f5es sobre a manipula\u00e7\u00e3o de sistemas de intelig\u00eancia artificial e como cada um interpreta os supostos comportamentos aut\u00f4nomos das tecnologias, penso no desenho animado dos anos 90, \u2018Pink e o c\u00e9rebro&#8217; e o sonho\/del\u00edrio compartilhado de conquistar o mundo. &#8220;<em>C\u00e9rebro, o que faremos amanh\u00e3 \u00e0 noite?&#8221;. &#8220;A mesma coisa que fazemos todas as noites, Pinky&#8230; Tentar conquistar o mundo<\/em>!&#8221;. Tirada da abertura e do encerramento de cada epis\u00f3dio, que indica o<em> loop infinito <\/em>de um novo plano mirabolante e a impossibilidade estrutural de completude.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 IA, os <em>del\u00edrios cotidianos<\/em> das trends do futebol brasileiro chamam nossa aten\u00e7\u00e3o. Os torcedores criando imagens e v\u00eddeos hiper-realistas para simular serem flagrados pelas c\u00e2meras de transmiss\u00e3o nos est\u00e1dios. A trend em que as pessoas simulam a pr\u00f3pria &#8220;convoca\u00e7\u00e3o&#8221; para a Sele\u00e7\u00e3o, o que inclui at\u00e9 mesmo vestir os pets com as cores da bandeira verde e amarelas. E uma outra forma de del\u00edrio, a da dan\u00e7a dos jogadores. Nos \u00faltimos dias, viralizou a dancinha de duas irm\u00e3s, @arayfer_hernandez criada a partir do Official Visualizer<sup>2<\/sup> de <em>Brasil<\/em> com S, agitando os corpos e multiplicando a reprodu\u00e7\u00e3o da coreografia. No v\u00eddeo, \u00e9 citado e repetido cada nome dos jogadores do Brasil &#8211; Vini J\u00fanior! (Vini J\u00fanior!). Rafinha! (Rafinha!). Alisson! (Alisson!). Casemiro! (Casemiro!) etc. &#8211; adicionado ao modo singular como Um sozinho comemora os gols.<\/p>\n<p>O apito do vigilante na rua me lembra que \u00e9 preciso concluir esse texto. Que comece a nossa partida. Uma reflex\u00e3o sobre a quest\u00e3o da verdade, das fic\u00e7\u00f5es, do gozo e suas implica\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas: \u2018Del\u00edrio e Interpreta\u00e7\u00e3o\u2019, tal como indicado no Argumento da VI Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste.<\/p>\n<p>Como situar del\u00edrio e interpreta\u00e7\u00e3o, se considerarmos com Lacan que ambos integram o discurso de todo falasser? A for\u00e7a desses exemplos se sustenta na interpreta\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a e no sonho de dominar o mundo; seja no futebol ou na IA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>1.Lacan, J. (1955-1956). O Semin\u00e1rio, Livro 3 As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002, p. 99.<\/h6>\n<h6>2.M4IA, 2026. https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yk7yVGbcpHE.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] O sonho\/del\u00edrio de conquistar o mundo Susane Zanotti (EBP\/AMP) A menos de um m\u00eas da copa do mundo, as situa\u00e7\u00f5es cotidianas escancaram que \u201cn\u00e3o h\u00e1 nada mais desbaratado que a realidade humana\u201d1. 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