{"id":273,"date":"2026-05-01T09:09:48","date_gmt":"2026-05-01T12:09:48","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/?page_id=273"},"modified":"2026-05-17T15:48:02","modified_gmt":"2026-05-17T18:48:02","slug":"delirios-cotidianos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/cronicas-delirantes\/cronicas-aqui\/delirios-cotidianos\/","title":{"rendered":"Del\u00edrios cotidianos"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\">[vc_row][vc_column]<figure class=\"vcex-image vcex-module wpex-text-center\"><div class=\"vcex-image-inner wpex-relative wpex-inline-block\"><img width=\"1240\" height=\"173\" src=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png\" class=\"vcex-image-img wpex-align-middle\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" srcset=\"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1.png 1240w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-300x42.png 300w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-1024x143.png 1024w, https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2026\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/cabecalho_cronicas-1-768x107.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1240px) 100vw, 1240px\" \/><\/div><\/figure>[vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;]\n<h2><strong>DEL\u00cdRIOS COTIDIANOS<\/strong><\/h2>\n<h6><em>Karynna N\u00f3brega (EBP\/AMP)<\/em><\/h6>\n<p>Durante a inf\u00e2ncia, meu primog\u00eanito era acometido por v\u00e1rios e diferentes sintomas respirat\u00f3rios: otite, sinusite, rinite dentre outras ites pr\u00f3prias da tenra idade, de al\u00e9rgicos que residem em cidades de clima frio.<\/p>\n<p>Era quase rotina mensal, quando adoecia, l\u00e1 \u00edamos para mais uma consulta com o otorrino da fam\u00edlia &#8211; Dr. Bandeira. Ele pr\u00f3prio j\u00e1 sabia quando ia adoecer e me pedia: &#8211; Mam\u00e3e, me leva para Dr. Bandeira. Eu quase que, imediatamente o fazia. Enquanto isso, dentre idas e vindas ao otorrino, eu esperava meu segundo filho, agora uma menina.<\/p>\n<p>A barriga j\u00e1 come\u00e7ava a aparecer. Mas, meu filho com quatro anos, n\u00e3o esbo\u00e7ava nenhuma curiosidade sobre o assunto. Dado que comecei a ficar preocupada. J\u00e1 sem aguentar a falta de curiosidade dele, resolvi perguntar. Me dirigi carinhosamente a ele: &#8211; Meu filho, sabe como essa beb\u00ea veio parar aqui, dentro da minha barriga? Ele sem hesitar me olhou com desd\u00e9m e respondeu. &#8211; M\u00e3e, claro que foi o Dr. Bandeira. Sorri aliviada&#8230; As crian\u00e7as sempre nos surpreendem, e assim como os adultos inventam respostas para os pr\u00f3prios enigmas.<\/p>\n<p>Esse fragmento de um del\u00edrio cotidiano, nos presta a recordar que todo falasser delira, mas sabemos que, h\u00e1 del\u00edrios cotidianos entorno do qual fazemos la\u00e7o e outros del\u00edrios, que apresentam mais dificuldade em fazer la\u00e7o social, uma vez que nesses casos n\u00e3o h\u00e1 uma verdade compartilhada.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica e o cotidiano nos ensina que cada falasser inventa uma solu\u00e7\u00e3o para lidar com a foraclus\u00e3o generalizada da n\u00e3o exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, no caso da neurose e para tanto se serve da fantasia. J\u00e1 no caso da psicose h\u00e1 dois tipos da foraclus\u00e3o: a localizada do significante f\u00e1lico, e a foraclus\u00e3o referente a n\u00e3o exist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual, ent\u00e3o, h\u00e1 diante desse furo a constru\u00e7\u00e3o delirante, como resposta e inven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Simone Souto<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> (2011) em <em>O del\u00edrio e o sintoma: a loucura de cada um<\/em> \u00a0retoma\u00a0 o aforismo de Lacan: \u201c a\u00a0 rela\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o existe \u201d e desenvolve os efeitos dessa inexist\u00eancia, a saber: todo falasser em certa medida delira, logo o del\u00edrio como sendo consequ\u00eancia da inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Escreve Simone: \u201cA impossibilidade de inscrever a rela\u00e7\u00e3o sexual na linguagem e consequentemente de faz\u00ea-la existir como uma rela\u00e7\u00e3o que seria completa entre os sexos, \u00e9 o que podemos designar com Lacan de uma foraclus\u00e3o generalizada, isto \u00e9, a presen\u00e7a de um furo, de um vazio, da falta de um gozo que afeta a vida de todo ser falante de forma generalizada e que torna evidente um real imposs\u00edvel de ser atingido pela palavra. Por causa desse furo na linguagem, a palavra n\u00e3o consegue jamais representar totalmente a coisa que ela pretende significar. Ent\u00e3o, na tentativa de dar algum sentido a esse vazio, a palavra articula-se a outra criando os discursos, cuja exist\u00eancia \u00e9 constru\u00edda em torno da refer\u00eancia vazia relativa \u00e0 inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual. Portanto, \u00e9 esse furo na linguagem que torna poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o dos discursos.\u201d (SOUTO, 2011, p\u00e1g.176)<\/p>\n<p>Se por um lado a neurose cria uma fic\u00e7\u00e3o para abordar a realidade por meio do mito individual da fantasia, sendo a met\u00e1fora paterna aquilo que permite uma localiza\u00e7\u00e3o do gozo no corpo, por outro lado na psicose o sujeito se serve do del\u00edrio para se defender da invas\u00e3o do gozo no corpo, uma vez que h\u00e1 a foraclus\u00e3o localizada do significante.<\/p>\n<p>Dessa forma, a psican\u00e1lise nos ensina que o discurso do inconsciente apresenta a dimens\u00e3o do sem sentido e do gozo, cada um goza \u00e0 sua maneira, da l\u00edngua e do corpo, a lal\u00edngua como sendo esse parasita falador que nos faz mover, falar, gozar e delirar.<\/p>\n<hr \/>\n<h6><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> GLAZE, A; BRISSET, F.O.B; A sa\u00fade para todos, n\u00e3o sem a loucura de cada um: perspectivas da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.<\/h6>\n[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_empty_space][vc_column_text css=&#8221;&#8221;] DEL\u00cdRIOS COTIDIANOS Karynna N\u00f3brega (EBP\/AMP) Durante a inf\u00e2ncia, meu primog\u00eanito era acometido por v\u00e1rios e diferentes sintomas respirat\u00f3rios: otite, sinusite, rinite dentre outras ites pr\u00f3prias da tenra idade, de al\u00e9rgicos que residem em cidades de clima frio. 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