{"id":702,"date":"2025-10-13T06:51:02","date_gmt":"2025-10-13T09:51:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/?p=702"},"modified":"2025-10-13T06:58:23","modified_gmt":"2025-10-13T09:58:23","slug":"editorial-boletim-baque-04","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ebp.org.br\/nordeste\/jornadas\/2025\/editorial-boletim-baque-04\/","title":{"rendered":"Editorial Boletim Baque #04"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 13px;\"><em>por Margarida Assad (EBP\/AMP)<\/em><\/span><\/p>\n<p>Neste Boletim chegamos ao terceiro e \u00faltimo dos tr\u00eas Eixos de trabalho da <strong>V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste<\/strong>. Chegamos com entusiasmo e o desejo decidido pelo que ir\u00e1 ocorrer nos dias 5 e 6 de dezembro. Certamente ela ir\u00e1 refletir o trabalho realizado pela Se\u00e7\u00e3o durante este ano, em torno do Trauma, tema escolhido pela Comiss\u00e3o Cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Neste n\u00famero, trazemos o excelente trabalho que foi apresentado na terceira preparat\u00f3ria, <strong>Analista Trauma, <\/strong>nos cinco textos das cartelizantes. No primeiro deles, Cleide Monteiro demonstra atrav\u00e9s do caso de Minna, apresentado por Araceli Fuentes, como o analista tem ferramentas cl\u00ednicas para operar diante de um trauma t\u00e3o horrendo, como um atentado terrorista. Um caso riqu\u00edssimo que certamente poder\u00e1 orientar \u00e0queles que se interessarem pelo lugar de trauma que o analista pode dispor para operar.\u00a0 Uma instigante cita\u00e7\u00e3o de Ricardo Seldes, trazida por Cleide, resume esse lugar: \u201c<em>combater a puls\u00e3o de morte com o mesmo trauma, isto \u00e9, o trauma transforma-se em vivificante<\/em>\u201d. Leiam o trabalho, procurem as refer\u00eancias, o caso ilustra de forma esclarecedora o que diz Seldes.<\/p>\n<p>Silvia Gusm\u00e3o aborda o lugar trauma do analista pelo vi\u00e9s de outra pegada de Lacan: o verdadeiro trauma \u00e9 a l\u00edngua. Atrav\u00e9s de um consistente desenvolvimento te\u00f3rico, S\u00edlvia vai nos demonstrando como manejar com o vazio no simb\u00f3lico deixado pelo trauma, e afirma:<em> &#8220;o analista n\u00e3o opera apagando o trauma, mas sustentando-o como real\u2026 No processo de simboliza\u00e7\u00e3o que o trauma convoca, trata-se de o analista n\u00e3o intervir para anul\u00e1-lo nem de emprestar-lhe um sentido.\u201d<\/em> Uma excelente indica\u00e7\u00e3o para abordar muitos dos casos que nos chegam, tanto no consult\u00f3rio como nas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Interessante o percurso que tomou Rosemarie Fernandes Mooneyhan, sua contribui\u00e7\u00e3o ao cartel do Eixo 3 veio pela quest\u00e3o do manejo da interpreta\u00e7\u00e3o do analista. Rosemarie percorre a hist\u00f3ria da interpreta\u00e7\u00e3o desde Freud a Lacan apontando que o analista de nossa \u00e9poca opera melhor ao se instalar no lugar de perturbar a defesa. Ela nos traz o relato de passe de Marcus Andr\u00e9 Vieira, onde o sintoma de ang\u00fastia ao se experimentar agarrado pelo outro\u00a0 p\u00f4de desaparecer quando o gozo que ali se encontrava cedeu: <em>&#8220;encontrara um gozo inclu\u00eddo no trauma: o de deixar agarrar e assim enla\u00e7ar. Dito de outra forma: a mesma chave de bra\u00e7o que apertava a garganta podia ser abra\u00e7o.\u201d<\/em>\u00a0 Vemos a\u00ed o mesmo mecanismo apontado por Seldes e citado por Cleide: combater o trauma com o mesmo trauma. Os trabalhos em perfeita sintonia.<\/p>\n<p>O texto de Roberta Gusm\u00e3o segue pela indica\u00e7\u00e3o do analista perturbador da defesa, t\u00e3o pregnante nos dias atuais,\u00a0 intervindo sobre o Significante assem\u00e2ntico S1. Roberta nos traz o passe de Alejandro Reinoso, demonstrando que seu sintoma de seriedade pode encontrar o riso a partir de um sonho. Vale \u00e0 pena buscar no texto a maneira como o analista operou permitindo uma resolu\u00e7\u00e3o ao seu sintoma. Roberta destaca: <em>\u201cproduz, com seu ato, muitas vezes o efeito de perplexidade no sujeito, pois o exp\u00f5e ao inesperado e ao que \u00e9 traum\u00e1tico, desestabilizando o que at\u00e9 ent\u00e3o se sustentava como um modo de se proteger do real\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>Por fim temos o texto da colega Luc\u00edola Macedo, mais-um do Cartel. Luc\u00edola traz uma leitura minuciosa e aprofundada de cada um dos trabalhos das cartelizantes, jogando luz sobre os detalhes vivificantes dos textos. Ao final Luc\u00edola nos d\u00e1 uma excelente indica\u00e7\u00e3o no sentido de nos reportarmos aos sonhos uma vez que, como foi dito por Freud, nele h\u00e1 um ponto indiz\u00edvel nomeado por ele de umbigo dos sonhos. Ponto que indica o trauma. Cito Luc\u00edola: <em>\u201cnesse ponto, esbarra-se com o ininterpret\u00e1vel, com o limite onde todo e qualquer sentido se det\u00e9m, a indicar presen\u00e7a do real nos sonhos\u2026 favorecendo a que no lugar do furo do trauma, daquilo que n\u00e3o se liga a nada, se imagine o real. O trabalho do sonho poder\u00e1 operar, nessa perspectiva, como um modo de tangenciar o real.\u201d<\/em> Preciosa indica\u00e7\u00e3o de seguirmos os sonhos no caminho de nos aproximarmos do real do trauma.<\/p>\n<p>O Boletim 4 segue trazendo ainda, na rubrica <strong>Impactos<\/strong>, os efeitos da apresenta\u00e7\u00e3o do Eixo 3 nas colegas: Ana Aparecida Rocha, Fernanda Vasconcelos e Suele Conde, cada uma de uma das cidades de nossa Se\u00e7\u00e3o, respectivamente, Natal, Recife e Jo\u00e3o Pessoa. Curioso vermos como a singularidade de cada um enriquece nossa leitura, provocando o <em>aggiornamento<\/em> destacado por Miller para um trabalho coletivo de atualiza\u00e7\u00e3o da nossa pr\u00e1tica. O Um e o M\u00faltiplo, como uma banda de Moebius, cria o movimento em que consiste uma Escola que n\u00e3o se pauta pela hierarquia, mas pelo que cada um pode deixar cair no buraco vazio do que \u00e9 um analista, o que mant\u00e9m o Vivo da Escola.<\/p>\n<p>Na rubrica <strong>Marcas,<\/strong> tr\u00eas colegas da Se\u00e7\u00e3o Nordeste foram convidadas por Cl\u00e1udia Formiga, Coordenadora da Comiss\u00e3o de M\u00eddias, a fazerem breves coment\u00e1rios sobre refer\u00eancias em Lacan que pudessem contribuir com o tema da <strong>V Jornada<\/strong>. Os temas vieram na medida: <em>Fantasma<\/em>, comentado por Karynna N\u00f3brega, <em>Inconsciente<\/em>, por Gisella Sette e <em>Viol\u00eancia<\/em>, por Lidia Pessoa. Vale muito a pena ler e buscar essas refer\u00eancias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m neste n\u00famero os leitores ter\u00e3o uma novidade: o link para acessarem o resultado da garimpagem cuidadosa da Equipe das Refer\u00eancias: Eliene Rodrigues de Lima, Erick Leonardo Pereira, Jos\u00e9 Ronaldo de Paulo, Liana Feldman, Marina Vasconcelos e Romero Ouriques, coordenada pelo colega Jos\u00e9 Carlos Lapenda. L\u00e1 os interessados ter\u00e3o muitas indica\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o auxiliar na elabora\u00e7\u00e3o dos seus textos. N\u00e3o deixem de conferir acessando o link na se\u00e7\u00e3o <strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong>.<\/p>\n<p>E novamente o Boletim n\u00e3o dispensa a t\u00e3o preciosa Arte que nos enla\u00e7a no coletivo. O texto de Greg\u00f3rio Duvivier, <em>O C\u00e9u da L\u00edngua<\/em>, \u00e9 uma verdadeira paix\u00e3o pelas letras. Digo letra, pois Greg\u00f3rio extrai de cada palavra um gozo latente que s\u00f3 pela sua sabedoria p\u00f4de surgir. Em <strong>TraumArte, <\/strong>Jos\u00e9 Augusto Rocha nos traz a sua leitura desse texto espetacular que saiu da cabe\u00e7a inteligente de Greg\u00f3rio Duvivier. Confiram!<\/p>\n<p>Um robusto Boletim que certamente trar\u00e1 boas contribui\u00e7\u00f5es aos trabalhos da <strong>V Jornada<\/strong>.<\/p>\n<p>Boa leitura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Margarida Assad (EBP\/AMP) Neste Boletim chegamos ao terceiro e \u00faltimo dos tr\u00eas Eixos de trabalho da V Jornada da Se\u00e7\u00e3o Nordeste. Chegamos com entusiasmo e o desejo decidido pelo que ir\u00e1 ocorrer nos dias 5 e 6 de dezembro. 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